Dória muda tática e adota discurso de ‘paz e amor’ ao ser questionado sobre Lula

Prefeito de São Paulo diz que o discurso do “nós contra eles” não traz benefícios ao Brasil

Prefeito João Dória evita confronto direto com o ex-presidente Lula. Foto: Marcos Corrêa/PR

O prefeito de São Paulo (SP), João Dória (PSDB), mudou a tática de confronto com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT). Depois de receber o título de Cidadão Campinense, durante entrevista coletiva, o tucano evitou os costumeiros ataques ao petista. Ao ser questionado sobre a missão de ser o contraponto ao ex-presidente, que esteve no Estado no fim de semana, Dória adotou discurso moderado. Disse não ser favorável à adoção do discurso do nós contra eles e prometeu foco exclusivo para a gestão. O tucano vinha adotando, mais recentemente, o protagonismo nos ataques ao petista, assumindo postura de anti-Lula.

“Eu não quero ser contraponto de ninguém. Eu quero ser a favor do Brasil. Quero ser a favor do desenvolvimento do nosso país, a favor da geração de empregos, modernização da máquina pública, maior eficiência de gestão, mais transparência também. É isso o que nós estamos fazendo na cidade de São Paulo. É isso que tenho proposto para o nosso partido, o PSDB, e é nesse sentido que vou conduzir toda a minha jornada”, enfatizou, em tom comedido, João Dória. O tucano tem rodado o país para participar de palestras e do recebimento de homenagens. Apesar de não se colocar como candidato, usa toda a retórica para apresentar soluções para o Brasil.

Sobre a vinda para Campina Grande, justificou que, conversando com o prefeito Romero Rodrigues (PSDB), pôde perceber que a cidade enfrenta os mesmos problemas de São Paulo. Dificuldades com o trânsito, saúde, educação, segurança… Ressaltou ainda, para justificar as andanças pelo país, que cumpre o seu papel enquanto presidente da Frente Nacional de Prefeitos. Ele trava uma batalha interna, no PSDB, pela condição de candidato do partido a presidente no ano que vem. O governador Geraldo Alckmin também trabalha para ser candidato e, assim como Dória, tem percorrido o país para dialogar com aliados.

Michel Temer

Crítico das gestões com denúncias de corrupção, João Dória demonstrou relativa habilidade para justificar ao boa relação com o presidente Michel Temer (PMDB). O gestor foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República. Ele é acusado de prática de corrupção passiva. O órgão também deve protocolar denúncias de participação em organização criminosa e obstrução de justiça. Ao ser questionado sobre o peemedebista, o tucano recorreu ao argumento de que Temer comanda um governo transitório e que é preciso serenidade neste momento. Lembrou ainda que o governo tem quatro tucanos em ministérios e que é preciso torcer para que o ele dê certo.

Sobre o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e também denunciado pela Procuradoria-geral da República por corrupção passiva, Dória recorreu à serenidade para dar respostas. Disse que a transição do comando do partido precisa ser feita com consciência e equilíbrio. Sobre a possibilidade de o senador paraibano Cássio Cunha Lima despontar como candidato a presidente do partido, ele elogiou o tucano, mas disse que caberá ao parlamentar decidir se quer disputar o cargo. A previsão é a de que a mudança no comando do partido ocorra no fim deste ano.

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