Sarmento prevê volta do racionamento em Campina Grande caso haja problema na transposição

Ex-secretário aponta baixa chegada da água da transposição a Boqueirão como causa para o risco

Imagens mostram água passando por “rasgo” no açude Poções. Foto: Divulgação

O ex-secretário de Recursos Hídricos da Paraíba, Francisco Sarmento, lançou um alerta durante entrevista à CBN João Pessoa nesta quinta-feira (10). Ele prevê risco de agravamento do abastecimento de água nos municípios atendidos com água do Açude Epitácio Pessoa. O argumento é o de que atualmente, contabilizando-se chegada de água com a retirada e a evaporação, há apenas uma pequena margem de sobra. “Tem chegado apenas 1,3 metros cúbicos água por segundo, contabilizada a evaporação. Só que atualmente, a retirada para o abastecimento é de 600 litros por segundo. Quando você acabar o racionamento, ela dobra, indo a 1,2 metros cúbicos por segundo. Então, sobrarão 100 litros por segundo para recompor o açude”, disse, alegando que o volume ficará quase que inalterado na melhor das hipóteses.

Com isso, pela lógica, restará pouca manobra para o caso de um imprevisto, ele reforça. Um exemplo disso pode ser a necessidade de uma suspensão prolongada no bombeamento das águas da transposição, para a correção de algum problema. “Se houve qualquer descontinuidade no fornecimento de água, haverá perdas para o manancial. Isso quer dizer que o governo do Estado confia muito no que é prometido pelo Ministério da Integração Nacional, que está operando de forma experimental”, disse Sarmento. Outro ponto apontado, é o risco de novos roubos de água. O ministério denunciou o roubo de pelo menos 20 milhões de metros cúbicos de água nos últimos cinco meses. O órgão chegou a formular denúncia na Delegacia de Sumé, porém, a polícia diz não ter detectado roubo de água.

O cálculo do ex-secretário encontra ressonâncias relativa em declaração do presidente da Companhia de Água e Esgotos (Cagepa), Hélio Cunha Lima, sobre risco de retorno ao racionamento. Ele disse que se houver uma redução na vazão e o consumo começar a ser maior que o aporte de água, chegando a reduzir a volume a um patamar inferior a 8,2%, a Cagepa não descarta retornar ao sistema de racionamento na cidade. “A água é um produto finito e se houver algum problema na Transposição, poderemos voltar ao racionamento”, revelou o presidente da Cagepa, Hélio Cunha Lima durante entrevista nesta semana.

Vamos aos cálculos do ex-secretário. A água da transposição começou a correr pelo rio Paraíba em 10 de março deste ano. De lá para cá, segundo ele, as vazões fornecidas pelo Ministério da Integração Nacional oscilaram entre 4,5 metros cúbicos por segundo, no melhor índice, e zero em vários momentos. Se você contabilizar os últimos cinco meses, levando em consideração dos 19 milhões de metros cúbicos adquiridos pela barragem, terá recarga média de 1,4 metros cúbicos por segundo, descontados evaporação e consumo. Diante deste quadro, não é descabido temer os riscos ao abastecimento, ela avisa. Com o fim do racionamento, se o consumo chegar a 1,2 metro cúbico por segundo, restará 100 litros por segundo para reforçar o abastecimento.

Aesa contesta os dados

O presidente da Agência Executiva de Gestão de Águas do Estado da Paraíba (Aesa), João Fernandes, discorda dos números de Sarmento. “O que ele diz é de uma loucura, uma sandice sem tamanho”, rechaça. Ele alega que nos primeiros dias de operação, chegou a ser bombeado para o Rio Paraíba, em Monteiro, 7,8 metros cúbicos de água. Atualmente, segundo Fernandes, tem saído 4,92 metros cúbicos da Estação Elevatória EBV-6, em Pernambuco. Deste montante, 4,5 metros cúbicos têm chegado a Monteiro, na Paraíba. Daí, seguindo o curso do manancial, tem chegado 2,9 metros cúbicos de água no Jacaré, a área que demarca o início do açude.

“Então vamos lá. Se a gente considerar que chega 2,9 milhões de metros cúbicos no Jacaré, daí até chegar no balde do açude de Boqueirão, eu contabilizo a perda de 750 litros por segundo devido à evaporação. Faço um cálculo por cima. Conto também mais 850 litros da captação para abastecer Campina Grande e as outras 18 cidades. Então sobram, livres, para a recarga do açude, pelo menos 1,3 metros cúbicos de água. Tudo fora disso é invencionice. Falo com a tranquilidade de quem tem as medições diárias”, afirmou João Fernandes. “Não sei por que o professor Francisco Sarmento está se metendo nesta discussão. Ele deveria preservar o conceito do conhecimento que ele diz ter”, ironiza.

 

 

7 comentários - Sarmento prevê volta do racionamento em Campina Grande caso haja problema na transposição

  1. Maria Bernadete Oliveira Disse:

    Esse racionamento não deveria terminar, torno a dizer é piolitiqueiro e eleitoreiro, o que João Fernandes diz não se escreve, porque ele só diz o que Ricardo Coutinho quer que ele diga, isso é uma irresponsabilidade sem tamanho o que esses políticos querem fazer conosco, nós já estamos acostumados com o racionamento e a economizar,, já estamos organizados, e o que vai acontecer qdo liberarem é que o povo começa a gastar com as mãos e os pés, começam a lavar calçadas, carros tudo com mangueira como era feito anteriormente, tem que ser repensado, o povo não está preparado para acabar o racionamento e continuar economizando.

  2. Ariane Disse:

    Eu acredito no professor. Este povo sempre nos enganou e chegou onde chegou

  3. Marcondes Victor Disse:

    Concordo com Sarmento.Inclusive o chefe da Cagepa de Campina afirmava que o racionamento não podia ser encerrado na atual condição de vazão de entrada que é menor do que a de saída, ficando assim o volume de Boqueirão deficitário diariamente.De repente mudou de opinião kkkk

  4. ESSE SARMENTO,É O TIPO DE UMA AVE DO NOSSO SERTÃO CHAMADA DE CAUÃ.SÓ VEM A IMPRENSA PARA NOTICIAR COISAS RUIM.

  5. Jose Disse:

    QUAL O CONHECIMENTO TÉCNICO, QUE JOÃO FERNANDES TEM NESTA ÁREA.?
    E MAIS AINDA., QUAL A QUALIDADE DESTA ÁGUA QUE ESTÁ SENDO FORNECIDA AO CAMPINENSE.
    ANTES NAS ÁGUAS DE BOQUEIRAO JÁ HAVIAM SIDO IDENTIFICADAS CIANOBACTERIAS, E AGROTÓXICOS, E AGORA, COM ESTA ÁGUA QUE JÁ VEM DO SÃO FRANCISCO COM ELEVADA CARGA DE AGROTÓXICOS PROVENIENTE DOS PROJETOS DE IRRIGAÇÃO, E, PASSA POR LOCAIS QUE CERTAMENTE RECEBE ATÉ COLIFORME FECAL.
    O JOÃO FERNANDES DEVE SIM, REDUZIR O TOM POLÍTICO E, VER TAMBÉM A SAÚDE DAS PESSOAS, COM RESPONSABILIDADES…….

  6. Fernando Carvalho Disse:

    O professor está certo. É claro que, se o Eixo Leste falhar, o racionamento tem de voltar. Agora, não entendi a agressividade de João Fernandes. Seria melhor ele ir consertar o drone míope da Aesa, que não enxergas nem uma barragem gigante como aquela de Caraúbas, barrando as águas da transposição. ôooh João, por que o candidato a governador de Ricardo não te chamou pra coletiva onde ele anunciou o fim do racionamento??? Te cuida presidente….

  7. Ramiro Disse:

    GOVERNADOR INCOMPETENTE… sem segurança pública, sem segurança hídrica…

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