Relatório da PF mostra que Hugo Motta assinava MPs de interesse de Eduardo Cunha

Investigações mostram como parlamentar era “demandado” pelo ex-presidente da Câmara

Crédito: Lucio Bernardo Jr./Agência Câmara

Muita gente foi pega de surpresa quando o jovem deputado paraibano Hugo Motta (PMDB) foi escolhido presidente da CPI da Petrobras, em 2015. O nome dele foi pinçado pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A surpresa foi apenas para quem não conhecia a relação aproximada dos dois. Relatório da Polícia Federal divulgado na edição desta segunda-feira (7) pelo jornal O Globo, mostra que o afinamento ia além da relação social. Motta é apontado como um dos integrantes da ‘tropa de choque’ escalada por Cunha para assinar emendas para medidas provisórias e requerimentos.

Na Câmara dos Deputados, de acordo com denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia um grupo escalado por Cunha para favorecer ou intimidar empresários. A prática ocorria por meio dos requerimentos ou convocações de empresários para depor em comissões. O resultado disso, na maioria dos casos, era a cobrança de propinas. Diálogo entre Cunha e outro ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), mostra bem isso.  “Chegou! Valeu. Agradeça lá”, escreveu o Henrique Alves, também preso, em mensagem de 2012. “Claro, não tinha dúvidas. Aqui se atrasa, mas não falha”, responde Cunha.

De acordo com matéria de O Globo, em 2012, Cunha mandou mensagem Motta para atuar em nome dele. “Acredita-se que o ex-parlamentar (Cunha) utilizaria, supostamente, do deputado Hugo Motta, também do PMDB, para interceder na MP 561”, diz o relatório da PF. Na mensagem, Cunha digitou: “Vou pôr uma emenda para vc assinar que é do veto da 561”. Motta respondeu: “Ok, aguardo. Abs!!!”. Em outra ocasião, uma assessora de Cunha chamada Claudia Medeiros enviou ao chefe um e-mail com uma minuta de requerimento e o questiona sobre a possibilidade de envio ao deputado Hugo Motta para assinatura. A mensagem foi em agosto de 2012. “Posso mandar para o Hugo Motta assinar?????”, diz a mensagem.

O requerimento era para o Ministério de Minas e Energia enviar informações sobre a parceria da Petrobras Bio Combustível com a Açúcar Guarani SA e o Grupo Tereos. Para a PF, o requerimento foi apenas enviado para Hugo Motta assinar. Motta informou que não se lembrava especificamente do assunto, mas que era comum conversar com os colegas sobre atividade parlamentar.

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