Maioria dos deputados paraibanos votou para salvar a pele de Temer

Com a decisão da Câmara dos Deputados, ação penal ficará “congelada” até o fim do mandato do presidente

Por expressiva maioria dos votos, parlamentares votaram pelo não prosseguimento da denúncia. Foto: Antonio Augusto / Câmara dos Deputados

Não houve surpresa e também não faria diferença no placar final. A maioria dos deputados federais paraibanos votou pela não admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer (PMDB). O placar, se forem considerados apenas os paraibanos, seria de seis votos pró e cinco contra o gestor, além de uma ausência. O presidente é acusado de prática de corrupção passiva pelo Ministério Público Federal (MPF). O gestor é apontado pela Procuradoria-Geral da República como destinatário da maleta com os R$ 500 mil recebidos pelo ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) da JBS. Temer também foi gravado em conversa com o empresário Joesley Batista, quando se falou sobre a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e do doleiro Lúcio Funaro.

Durante a sessão, o voto ‘sim’ era pela concordância com o relatório aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O ‘não’ seria pelo seguimento da denúncia. O voto decisivo para salvar a pele de Temer, o de número 171, foi da deputada Rosângela Gomes (PRB-RJ). Quando o primeiro parlamentar paraibano foi chamado a votar, o placar já dava larga vantagem à não admissibilidade da denúncia. Votaram a favor do relatório do deputado mineiro Paulo Abi-Ackel (PSDB), os peemedebistas André Amaral e Hugo Motta, além do líder do governo na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro (PP); do líder do DEM na Casa, Efraim Filho, e dos deputados Benjamin Maranhão (SD) e Rômulo Gouveia (PSD).

No sentido contrário, entre os paraibanos, estavam os deputados Luiz Couto (PT), Pedro Cunha Lima (PSDB), Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), Wellington Roberto, e Damião Feliciano (PDT). O pedetista, vale ressaltar, deu a entender no seu discurso que votava contra o relatório de Abi-Ackel e, portanto, contra Temer, simplesmente por conta da orientação partidária. Outro que surpreendeu foi o deputado Wellington Roberto (PR). O parlamentar contrariou a orientação do seu partido e ainda se disse contra a reforma da previdência, proposta por Temer. O único ausente na sessão foi o deputado Wilson Filho (PTB). O parlamentar não justificou a ausência durante a votação. No caso do petebista, a ausência dele é contabilizada como apoio ao presidente.

A votação acabou perto das 22h, com a proclamação do resultado. Do sistema de som, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM), anunciou os 263 votos pelo sim, 227 votos pelo não, além de 2 abstenções. Pelo menos 19 parlamentares faltaram à sessão. O resultado somado é de 511 votos, dois a menos que o total de parlamentares da Câmara. Com a decisão, não será dada autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra o processo criminal contra o presidente. Temer foi o primeiro gestor na história do país a ser alvo de uma ação criminal durante o mandato.

Sem família no discurso

Ao contrário da votação pela admissibilidade do impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a família foi retirada dos discursos desta vez. Até mesmo a deputada mineira Raquel Muniz (PSD) mudou de discurso. Apesar do “sim, sim, sim” para salvar Temer, ela não fez mais referência à honestidade do marido, ex-prefeito de Montes Claros (MG). Em 2016, na semana seguinte após o voto conta Dilma e um discurso severo contra a corrupção, o marido dela foi preso pela Polícia Federal sob acusação de improbidade. O tom usado majoritariamente nesta quarta para justificar o voto pela não admissibilidade do processo foi o de que o presidente poderá responder à Justiça após o fim do mandato, em 1° de janeiro de 2019.

 

Veja como votaram os paraibanos:

Contra a admissibilidade da denúncia

André Amaral (PMDB)
Hugo Motta (PMDB)
Aguinaldo Ribeiro (PP)
Efraim Filho (DEM)
Benjamin Maranhão (SD)
Rômulo Gouveia (PSD)

A favor da admissibilidade da denúncia

Luiz Couto (PT)
Pedro Cunha Lima (PSDB)
Veneziano Vitaldo Rêgo (PMDB)
Damião Feliciano (PDT)
Wellington Roberto (PR)

Não compareceu à votação

Wilson Filho (PTB)

 

4 comentários - Maioria dos deputados paraibanos votou para salvar a pele de Temer

  1. Cícero Disse:

    Denunciado por crime de corrupção passiva, rejeitado por 93% da população, capacho das elites nacionais e inimigo algoz do povo brasileiro, Temer será lembrado no futuro como uma das páginas mais sujas, tristes e iníquas da história política do Brasil.

    Alvo de graves denúncias, o golpista Temer insiste em se manter no Poder abraçado a outros políticos fartamente delatados na lava jato, velhos conhecidos da crônica policial, pilantras vocacionados que fazem da política nacional um antro de negociatas e conluios.

    Um presidente refém de sua própria mediocridade e acentuada estupidez, que vive escondido em seu “bunker” de estimação – o Jaburu -, onde costuma receber seus “pares” e até bandidos na calada da noite, para tramar contra a nação… Um presidente que não pode andar nas ruas do País sob pena de ser linchado pelas multidões… Um presidente, enfim, com alto índice de impopularidade e rejeição como o golpista Temer, pela lógica, já deveria ter sido destituído.

    Mas “Temer não cai porque tem um sindicato de ladrões que o sustenta”, conforme bem observa Guilherme Boulos, do MTST.

    Muitos dos que votaram a favor do arquivamento da denúncia contra Temer são vigaristas veteranos que já não se acanham quando chamados de golpistas pelo povo nas ruas, que já não se constrangem quando chamados de corruptos nos aeroportos da vida. Perderam completamente a vergonha!!!

    Mas é preciso investigar os deputados que livraram o golpista presidente das peias da Justiça; investigá-los, repita-se, para que se possa apurar quanto custou cada um dos respectivos votos favoráveis à corrupção.

    Herdeiros malditos da cultura de corrupção que impregna a nação brasileira desde os tempos do Império, Temer e seu grupo deveriam dar graças a Deus por terem nascido no Brasil, e não na China, pois lá, ao contrário daqui, muitos deles já teriam sido condenados à pena de morte por fuzilamento em praça pública, há muito tempo, por se furtarem ao julgamento pela corte máxima de Justiça.

    QUE NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES NÃO NOS ESQUEÇAMOS DESSES DEPUTADOS PRÓ-TEMER QUE VOTARAM CONTRA A VONTADE DE 93% DO POVO BRASILEIRO !!!!

    E que os seus nomes sejam divulgados massivamente nas redes sociais, como cúmplices declarados do crime de que Temer é acusado!!!!

  2. celio oliveira Disse:

    Provas…delações…provas…PF, MPF, PGR prestando serviço patriótico à sociedade, à nação. A vagabundagem passa pelas figuras de aécio, temer, lula, dilma, renan, cunha, cabral, entre outros. A pátria sofre o mal de uma grande quadrilha chamada de classe politica. Todos os males que acometem nosso povo, nosso país, tem como responsáveis os políticos, seja na manutenção imoral de seus privilégios, ao custo dos nosso impostos, seja na roubalheira impune que dilapida os recursos públicos.
    E o judiciário das instancias superiores, composto por membros indicados por essas quadrilhas, agem como órgão garantidor da impunidade dessa bandidagem.
    Vejo, não como única, mas como oportunidade para darmos inicio à limpeza ética e moral na maneira como se faz política no Brasil, em 2018, a não reeleição de nenhum politico (presidente, senador, dep federal, governador, dep estadual) do cenário atual, com ou sem cargo atualmente. Não elegendo também os seus herdeiros políticos(filhos, irmãos, esposas…parentes) ou apoiados.
    Precisamos dar credito a nomes novos, qualificados, que emanem da sociedade combativa aos políticos atuais e principalmente, que suas candidaturas sejam totalmente independentes das quadrilhas partidárias.

  3. O POVO AGUARDA INFORMAÇÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DA PARAÍBA, QUAIS FORAM AS MEDITAS TOMADAS COM RELAÇÃO A DENUNCIA FEITA PELA DEFENSORIA PUBLICA POR DESCUMPRIMENTO DE LEI,POR PARTE DA PBPREV E SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO DA PARAÍBA.

  4. Sérgio Paixão Disse:

    Até que se prove o contrário, a grande suspeita de corrupção do Governo Temer está na utilização do Cartão Corporativo pela Presidência que alcança milhões de dólares e quase 50% não é transparente e divulgado por ser classificado como sigiloso. Temer, se o senhor é honesto, divulgue seus gastos!!! Se não divulgar fica comprovada a sua prática corrupta!
    Página do Facebook: Brasil e eu

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