Oposições testam ‘freio de arrumação’ para evitar naufrágio

Temendo a força eleitoral de Ricardo, Cartaxo e Romero evitam discurso de ruptura

Pacto pela união das oposições foi firmado durante o São João de Campina Grande. Foto: Divulgação

O fim de semana foi pródigo em sinalizações no sentido da consolidação da ‘união das oposições’. Depois de uma semana conturbada por conta do discurso bélico de Romero Rodrigues (PSDB), o tucano voltou atrás. Ele disputa entre os partidos antagonistas ao governo de Ricardo Coutinho (PSB) a indicação para disputar o governo. Dentro do grupo seu principal oponente é o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). O pessedista almeja a indicação e conta para isso com a simpatia do senador Cássio Cunha Lima (PSDB). E foi justamente por posar com prefeitos ao lado do presidente estadual do partido, Ruy Carneiro, que o imbróglio teve início. Romero fez cobranças duras, mas depois recuou.

Do tom amargo, que não negava em caso extremo de deixar o partido, o tom passou a ser conciliador. Nada de ataques a Ruy Carneiro, muito menos a Cartaxo. Ele até sinaliza que a suposta desavença havia sido plantada. “Eu e Cartaxo estamos vacinados contra intrigas”, assegura Romero, deixando claro que, para ambos, o mais importante é manter coesa e forte a união das oposições na Paraíba. O sentido estratégico do recuo é claro: separado, o grupo oposicionista, que inclui ainda o PMDB, se torna mais frágil. Do último pleito, eles retiraram das urnas o comando das principais cidades do Estado. O resultado, inclusive, preocupou o grupo ricardista.

‘Efeito 2016’

Conquistar João Pessoa e Campina Grande, apesar da esperança socialista, era uma missão muito difícil. Mas daí a sair derrotado em Patos, Cajazeiras, Santa Rita, Bayeux e Cabedelo já era um pouquinho demais. As vitórias deram ânimo aos oposicionistas. A lógica é a de que é preciso aproveitar a indefinição dos socialistas, que ainda patinam na escolha de quem vai disputar o governo. O secretário de Infraestrutura João Azevedo ganha relevo para a empreitada. Espera-se para ele, em 2018, destino melhor que em 2016, quando abandonou a disputa por dificuldades para alcançar dois dígitos nas pesquisas. Mesmo assim, ninguém subestima o cacife de Coutinho para bancar uma candidatura.

Apesar da postura aparentemente esnobe dos oposicionistas, todos sabem que não podem vacilar. O que não impede, no entanto, uma alfinetada aqui e ali contra o grupo do governador. Elas ajudam a disfarçar uma porção considerável de desconfiança que reina entre Cartaxo e Romero. “Ao contrário dele (Ricardo) e de seu grupo, as oposições contam com inúmeras alternativas viáveis para o governo do Estado”, observa o prefeito tucano. Nas contas da oposição, há os nomes de Romero e Cartaxo, além dos senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB). Por hora, todos falam em candidatura própria.

Prêmio

Neste fim de semana, Cartaxo e Romero estiveram juntos. Na última sexta-feira (28), o prefeito pessoense foi a Campina Grande para receber um prêmio. Ele foi agraciado com uma comenda concedida durante o  II Fórum Paraibano de Gestão Pública, com o prêmio de melhor gestão da Paraíba. Ficou também em segundo lugar entre as capitais do Nordeste, à frente de Recife, Natal, Salvador, Aracaju, Maceió, Teresina e São Luís. O prêmio é um reconhecimento por ter atingido um elevado Índice de Governança Municipal (IGM), indicador de eficiência pública lançado nacionalmente pelo Conselho Federal de Administração (CFA) em parceria com os conselhos regionais de Administração (CRAs), que promovem o fórum.

Campina Grande ficou em sexto lugar no prêmio. Diante do quadro, frente a um concorrente interno, no grupo das oposições, Romero exerceu papel importante de anfitrião. Ao ser questionado, dá a entender que poderá abrir mão da disputa se o colega estiver melhor posicionado nas pesquisas. Uma postura, vale ressaltar, difícil de ser ouvida de Cartaxo. O prefeito da capital não tem perdido a oportunidade de percorrer o estado nos fins de semana. Mais recentemente, adotou postura crítica ao governador Ricardo Coutinho. Antes, ele evitava o confronto direto. O bunker oposicionista acredita que o personalismo do socialista prejudica os governistas na transferência de voto. E essa é a aposta do grupo.

Sobre a união, ela é a verdadeira ‘tábua de salvação das oposições’. Mas nós só vamos saber se ela boia sobre as águas no ano que vem.

 

 

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