Eitel ‘telegrafa’ a governistas: defende outras bandeiras para o MP, além do combate à corrupção

O presidente Michel Temer deve ser denunciado neste segunda-feira pela PGR

O subprocurador-geral da República, Eitel Santiago, é um dos oito candidatos à sucessão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O nome dele, vale ressaltar, começa a ser mencionado como “opção menos amarga ao presidente Michel Temer” em alguns nichos do Judiciário, segundo veículos do Sudeste. O motivo: a pauta menos focada no combate à corrupção. O tema foi abordado em entrevista concedida por ele à revista eletrônica Conjur. Nela, o postulante disse que a Procuradoria-Geral da República “não deve ser sinônimo de tensão com os Três Poderes”. O presidente deve ser denunciado por Janot nesta segunda (26) ou terça-feira (27).

Para Eitel, o MPF será parceiro de órgãos governamentais para promover ações contra desigualdades sociais e melhorar serviços de educação, saúde e segurança pública. Ele garante, no entanto, que isso será feito sem abrir mão do combate à criminalidade. A ideia é “reerguer outras bandeiras, enfatizando a nossa missão em defesa dos direitos humanos, nossa vocação natural”. O subprocurador-geral já exerceu cargo de secretário de Segurança e Defesa Social, na Paraíba, durante o governo de Cássio Cunha Lima (PSDB), entre 2007 e 2009. Antes disso, tentou carreira política. Em 1994, disputou vaga na Câmara dos Deputados pelo PFL, hoje DEM.

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) fará consulta ao MPF na terça-feira, para enviar lista tríplice ao presidente Michel Temer (PMDB). Aliados do presidente haviam dito que ele poderia não respeitar as sugestões da categoria. O objetivo seria nomear um nome do quadro do Ministério Público Federal (MPF), independente da lista. O mandato de Janot acaba em setembro.  A elaboração dessa lista acontece desde 2001 e tem sido seguida desde 2003, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, embora o Planalto tenha livre escolha. Há pressões de políticos investigados pela operação Lava Jato para a escolha de um procurador-geral da República mais light.

Santiago tem adotado um discurso dissonante com a postura de Rodrigo Janot. Defende o fim do levantamento dos sigilos nas delações premiadas. Ele considera que o Ministério Público tem atuado de forma “pouco discreta” na tentativa de moralizar a vida pública. Na entrevista ao Conjur, ele diz que o órgão poderia cumprir seus deveres “preservando o máximo possível a intimidade e a imagem das pessoas”. Diz ainda que órgãos colegiados poderiam rever acordos de colaboração premiada homologados por relatores, inclusive quando um líder de organização criminosa consegue perdão judicial.

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *