Candidato à vaga de Janot, paraibano Eitel Santiago critica acordo da PGR com executivos da JBS

Irmãos Batista ficaram livres após entregarem as cabeças de Temer e Aécio em uma bandeja

Eitel Santiado é um dos oito candidatos ao cargo de procurador-geral da República. Foto: Lívia Falcão

O paraibano Eitel Santiago, um dos candidatos à vaga de procurador-geral da República, vem criticando posturas do atual mandatário, Rodrigo Janot. Ele é um dos oito postulantes à sucessão. O alvo do membro do Ministério Público Federal tem sido o acordo de delação premiada dos irmãos  Wesley e Joesley Batista, donos da JBS. Em entrevista à Folha de São Paulo, Santiago avalia que os irmãos não poderiam ter um benefício tão grande e que o “Ministério Público se precipitou”. “Seria o caso de o Supremo Tribunal Federal olhar se não poderia rever essa delação. Esse acordo não merece os benefícios que tiveram”, diz.

Santiago é apenas mais um dos procuradores contrariados com os benefícios concedidos. A mesma Folha mostra também a indignação da ex-vice-procuradora-geral, Sandra Cureau, que vai concorrer na disputa. Ela disse que o caso causou surpresa e foi “completamente diferente” do histórico da Lava Jato, podendo resultar em “impunidade.” “Se alguém faz uma delação premiada, não é para que não se sujeite a nenhum tipo de punição. É para que ele possa ter algum benefício. Não simplesmente ‘até logo, vou-me embora'”, disse.

Na delação de Joesley Batista, ele entregou numa bandeja a cabeça do presidente Michel Temer. O peemedebista foi flagrado em áudio no qual concordava com a compra de silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele também acertou a indicação do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), seu ex-assessor direto, para resolver com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) as pendências de interesse da família Batista. A negociação feita pelo parlamentar rendeu propina semanal de R$ 500 mil. Na delação, a PGR permitiu que os irmãos deixassem o país sem nenhuma pena de prisão imposta.

Josesley também entregou à PGR áudios com gravações em que negociava propina de R$ 2 milhões para o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB.

 

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