Capitania hereditária: mesmo criticados, deputados federais paraibanos se perpetuam no cargo

Mudanças na composição se restringem a grupos políticos e familiares

Wellington Roberto (E), eterno deputado eleito pela Paraíba, briga na defesa de Eduardo Cunha no Conselho de Ética. Imagem: Reprodução/G1

Pode reclamar, mas eles estão sempre lá. Os deputados federais paraibanos se acostumaram ao longo dos anos a sempre se manter no poder. As mudanças de peças, na bancada, vêm diminuindo ao longo dos últimos anos. Entre 2002 e 2014, ano da última eleição geral, as mudanças foram mínimas e, em geral, restritas a grupos familiares. Por exemplo, Wellington Roberto (PR) e Luiz Couto (PT) em nenhum momento saíram da lista dos eleitos. A família Santiago também não (quando saiu Wilson pai, entrou Wilson Filho). Os Cunha Lima, idem. Saiu Ronaldo, entrou o sobrinho Romero Rodrigues e foi sucedido por Pedro Cunha Lima, todos pelo PSDB.

Há também pequenos hiatos na representatividade. Casos, por exemplo, do grupo político de Efraim Moraes (DEM). O pai concorreu e foi eleito senador em 2002, mas o herdeiro (Efraim Filho) ocupou o espaço deixado na Câmara dos Deputados apenas a partir de 2006. Não saiu desde então. Já Benjamin Maranhão (SD) foi para o sacrifício em 2006, quando o tio, José Maranhão (PMDB), disputava o governo do Estado e o parlamentar era citado no escândalo dos “Vampiros”. As coisas não são diferentes em relação aos Ribeiro. Enivaldo não conseguiu se reeleger em 2006, mas o espaço voltou a ser ocupado pela família a partir de 2010, quando Aguinaldo Ribeiro (PP) chegou ao cargo e não largou mais o osso.

Outro herói da resistência é a família Vital do Rêgo. Em 2002, Vital do Rêgo Filho chegou ao cargo, foi reeleito em 2006 e saiu para o Senado em 2010. O espaço foi ocupado pela mãe dele, Nilda Gondim (PMDB), e depois pelo herdeiro político da família, o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo. Do Senado, Vitalzinho foi escolhido para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). No ano que antecede as eleições, os paraibanos se deparam também com a realidade quase imutável da representação do Estado na Câmara dos Deputados. Na última campanha, nove dos eleitos já ocupavam o cargo, dois sucederam parentes e apenas um fugiu a essa regra.

Mesmo diante do Congresso Nacional mais impopular da história, no caso da Paraíba, é difícil imaginar mudanças substanciais na composição.

Confira:

Veja os eleitos pela Paraíba nas últimas quatro eleições:

2002

Wellington Roberto
Luiz Couto
Wilson Santiago
Ronaldo Cunha Lima
Benjamin Maranhão
Carlos Dunga
Armando Abílio
Adauto Pereira
Enivaldo Ribeiro
Lúcia Braga
Domiciano Cabral
Pastor Philemon

2006
Wellington Roberto (reeleito)
Manoel Júnior
Ronaldo Cunha Lima (reeleito)
Wilson Santiago (reeleito)
Luiz Couto (reeleito)
Damião Feliciano
Efraim Filho
Vital do Rêgo Filho
Marcondes Gadelha
Rômulo Gouveia
Wilson Braga
Armando Abílio (reeleito)

2010
Wellington Roberto (reeleito)
Manoel Junior (reeleito)
Wilson Filho (substituiu o pai)
Luiz Couto (reeleito)
Bejamim Maranhão (retomou o mandato)
Aguinaldo Ribeiro (retomou o mandato que foi do pai)
Damião Feliciano  (reeleito)
Efraim Filho  (reeleito)
Hugo Motta
Nilda Gondim (ocupou o espaço do filho, Vital)
Romero Rodrigues (ocupou o espaço do tio, Ronaldo)
Ruy Carneiro

2014
Wellington Roberto (PR)  (reeleito)
Manoel Junior (PMDB)  (reeleito)
Wilson Filho (PTB)  (reeleito)
Luiz Couto (PT)  (reeleito)
Benjamin Maranhão (SD)  (reeleito)
Aguinaldo Ribeiro (PP)  (reeleito)
Damião Feliciano (PDT)  (reeleito)
Efraim Filho (DEM)  (reeleito)
Hugo Motta (PMDB)  (reeleito)
Pedro Cunha Lima (PSDB)  (ocupou o espaço do primo, Romero)
Veneziano Vital do Rêgo (PMDB)  (ocupou o espaço da mãe, Nilda)
Rômulo Gouveia (PSD)  (ficou com a vaga de Ruy Carneiro)

 

comentários - Capitania hereditária: mesmo criticados, deputados federais paraibanos se perpetuam no cargo

  1. E não é assim. O povo não vai mudar e deixar de levar paulada nas costas nunca. A Paraíba não se intentou que a SENZALA foi aberta desde 1888 pela Princesa Isabel. Fazem questão de permanecerem escravos dos honestos e bons moços que nos enojam todas as horas do dia, envolvidos em escândalos abomináveis. Afinal, o nome da Paraíba ultimamente só aparece em desgraças e crimes. No passado era diferente. Celso Furtado, José Américo, Assis Chateaubriand, Pedro Américo, Ariano Suassuna, Marinês, Abdias, Biliu de Campina, Os Agripinos, os Maias, Os Pessoa, os Cavalcanti, Os Ramalhos, Os Lima, Os Gonçalves, e tantos outros que nos honraram. Mas, agoraaaaaaaaaaaa…… Que DEUS nos acuda!

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