Temer desiste de recurso para não revelar ministros aliados no STF

Presidente disse em gravação ter influência sobre dois magistrados

Michel Temer (E) é empossado por Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, e hoje um dos pivôs da crise. Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados

Há duas leituras possíveis para a decisão do presidente Michel Temer (PMDB) de desistir do recurso no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro é não criar um “Dia D” para que partidos aliados batam em retirada. DEM, PSDB e PPS haviam dito que, caso a Suprema Corte não suspendesse o inquérito contra o gestor, eles abandonariam a base. A derrota, por isso, abriria espaço para a derrocada da base aliada no governo. A defesa do presidente para a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, da JBS, tem sido desastrosa até agora. Não tem convencido nem crianças do jardim de infância. O PSB já abandonou a base aliada e o PPS já viu um dos seus ministros, Roberto Freire (Cultura), abandonar o governo.

Outra linha que apontaria a derrota de Temer, na Corte, veio também da gravação. Ao falar a Batista sobre Eduardo Cunha (PMDB), ex-presidente da Câmara, preso em Curitiba (PR), ele fala da influência no Supremo. Disse que poderia influenciar dois ministros, mas não mais do que isso. Diante deste quadro, apesar de qualquer pessoa com dois neurônios saber de quem ele fala, nenhum magistrado aceitaria puxar a carapuça para si. O resultado disso é que a derrota seria certa, com voto, inclusive, dos ministros aliados. Por isso, a defesa procurou o ministro Edson Fachin, responsável pela Lava Jato no Supremo, para dizer que a perícia pedida no áudio já satisfazia a defesa. Bateu pino.

A estratégia do governo, agora, é buscar a normalidade no Congresso. Vai tentar tocar as reformas, mesmo com a flagrante falta de apoio da sua base. O resultado desta operação vai indicar a recuperação ou não da base parlamentar. Estão na agulha as reformas da Previdência e Trabalhista. Ambas enfrentam resistência popular e metem medo em parte dos deputados e senadores. A situação tende a piorar por causa do crescimento dos processos de impeachment propostos. Foram apresentados oito só na semana passada e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu entrar na fila. Sem apoio popular e agora com a base parlamentar em fuga, o roteiro de Temer parece ser escrito pelos roteiristas de The Walking Dead.

comentários - Temer desiste de recurso para não revelar ministros aliados no STF

  1. jessé gonçalo dos santos Disse:

    Deixe o Governo me Velho, basta de tanta hipocrisia, falsidade, discursos vão, etc..etc..

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