Maranhão diz que dinheiro da JBS foi repassado por Temer “e foi doação oficial”

Presidente foi gravado em conversa com Joesley Batista sobre “compra de juízes”

José Maranhão fala sobre doações. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador José Maranhão (PMDB) não quer, nem de longe, proximidade com a JBS. A empresa aparece na prestação de contas do parlamentar como doadora de R$ 600 mil na campanha de 2014. O parlamentar foi um dos eleitos, na Paraíba, com recursos repassados pela maior produtora de proteínas do mundo. O tesoureiro do partido no Estado, Antônio Souza, no entanto, faz uma ressalva. O dinheiro destinado à campanha, ele ressalta, veio do PMDB nacional, em operação chancelada pelo presidente Michel Temer (PMDB). “E foi doação oficial”, reforça o dirigente, lembrando que o dinheiro foi declarado à Justiça Eleitoral.

A preocupação do partido é enfatizar que não há relação entre José Maranhão e o dono da JPS, Joesley Batista. O empresário é o mesmo que gravou conversa com o presidente Temer, na qual falou sobre compra de procurador, juízes e do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha. O conteúdo motivou um inquérito contra o presidente aberto pela Procuradoria Geral da República (PGR). A investigação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em delação premiada, a JBS disse ter doado R$ 600 milhões para irrigar as campanhas de 1.829 candidatos de 28 partidos das mais varias siglas. A informação foi repassada pelo diretor da JBS, Ricardo Saud.

Caso diferente

Antônio Souza garante que o caso de José Maranhão foi todo dentro da lei. “Ele não recebeu da JBS, recebeu de Michel Temer, e foi oficial, tanto declarada por Michel e pelo próprio Senador, que teve suas contas aprovadas pelo TRE. A previsão legal na época era o Art 81 da Lei 9.504/97, e o dispositivo foi revogado pela Lei. N. 13.165/2015.”

Defesa

Na Assembleia Legislativa da Paraíba, esta terça-feira foi de defesa dos parlamentares. Todos procuraram esclarecer a regularidade do dinheiro doado. Eles garantiram que o dinheiro doado veio por meio dos partidos e não através de negociações diretas. A justificativa foi usada pela deputada Daniella Ribeiro (PP) e pelos deputados Bosco Carneiro (PSL) e João Gonçalves (PDT). Todos tiveram o PP como doador. Já Caio Roberto (PR) disse que o dinheiro foi doado pela JBS ao Partido da República e, a partir daí, repassado para ele. Não houve doação direta. Irritado com a divulgação na imprensa, ele atribuiu a divulgação à ação de “palhaços travestidos de jornalistas”.

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