Deputados do PSDB protocolam pedido de impeachment de Temer

Parlamentares da Rede e PSB pediram a abertura do processo

Deputados protocolam novos pedidos de impeachment. Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

Um grupo de deputados federais tucanos protocolou novo pedido de impeachment do presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara. A sigla é a segunda da base aliada a protocolizar o pedido de afastamento do gestor. A decisão foi confirmada pelo deputado federal Daniel Coelho (PSDB-PE). O documento foi assinado por mais oito parlamentares tucanos. Nesta quinta (18), o ministro das Cidades, Bruno Araújo, indicado pelo PSDB, entregou o cargo. O outro governista que pediu a saída de Temer foi o socialista João Henrique Caldas (AL), terceiro secretário da mesa diretora. Ele apresentou uma denúncia contra Temer por crime de responsabilidade.

Da oposição, dois outros pedidos de impeachment foram protocolados e um terceiro será apresentado na tarde desta quinta. O primeiro a dar entrada foi o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), ainda nesta quarta-feira (17), momentos depois de a denúncia ser veiculada pelo jornal O Globo. O mesmo foi feito pelo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também na Câmara dos Deputados. Ao justificar o pedido, Randolfe citou reportagem do jornal O Globo que fala sobre o suposto envolvimento do presidente em um esquema de pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio.

Mais um pedido

Partidos de oposição vão protocolar em conjunto um novo pedido de impeachment do presidente da República, Michel Temer, na tarde desta quinta-feira. O documento será assinado por PT, PDT, PCdoB, Rede, Psol e PSB. Na noite de quarta-feira (17), dois pedidos de impeachment foram apresentados – um pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ); outro pelo deputado JHC (PSB-AL). Caberá ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, analisar a admissibilidade dos pedidos. Segundo o líder do Psol, Glauber Braga (RJ), o argumento principal do novo pedido da oposição será a tentativa do presidente da República de obstrução à Justiça. Os partidos também defendem eleições diretas para a substituição de Temer.

“Para que isso aconteça, é fundamental a aprovação Proposta de Emenda à Constituição 227/16”, acrescentou Braga. A PEC, que será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania na próxima terça-feira (23), permite eleições diretas para a Presidência da República em caso de vacância do titular, exceto nos seis últimos meses de mandato.

Gravação
Segundo o jornal O Globo, Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, entregou ao Ministério Público Federal gravação em que “o presidente Michel Temer, em março, dá aval para o empresário comprar, com mesadas, o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato”.

O deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA) disse que, ao tentar obstruir a Justiça, apoiando o silêncio de testemunha, Temer procedeu de modo incompatível com o decoro do cargo. Na visão do deputado, há claramente crime de responsabilidade, ao contrário do ocorreu no impeachment de Dilma Rousseff, quando havia dúvidas se a chamada “pedalada fiscal” era motivo para afastamento da ex-presidente.

Os partidos de oposição anunciaram ainda que vão entrar com representação na Procuradoria-Geral da República para verificar a ocorrência de crime comum por parte de Temer.

Saída do governo
Já o líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), afirmou que, caso as denúncias contra Temer sejam comprovadas, os ministros do partido sairão do governo. Tripoli defendeu, porém, a continuidade da agenda de reformas e, em eventual afastamento de Temer da Presidência, pediu “o respeito à Constituição”.

Tripoli acrescentou que o presidente do PSDB, Aécio Neves, vai anunciar até o fim do dia o seu afastamento da direção do partido. A bancada do PSDB na Câmara indicará o deputado Carlos Sampaio (SP) para concorrer à eleição interna para a presidência da legenda.

Na manhã desta quarta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento de Aécio do mandato de senador. Segundo o jornal O Globo, Joesley Batista disse ter uma gravação de 30 minutos em que Aécio pede R$ 2 milhões, sob a justificativa de que precisava pagar sua defesa na Lava Jato. Em nota, o senador afirmou estar “absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos”.

Apoio à renúncia
O líder do PPS, Arnaldo Jordy (PA), defendeu a renúncia de Michel Temer e informou que a Executiva do partido vai definir a permanência ou não no governo. Segundo o deputado, as denúncias, se confirmadas, “são de extrema gravidade”. Ele disse ainda que, neste momento de crise institucional, é preciso respeitar a Constituição.

 

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