Secretário rebate “excluídos” do São João de Campina Grande: “não há lugar cativo”

Romero Rodrigues faz críticas ao governador Ricardo Coutinho. Foto: Divulgação/PMCG

A repercussão negativa da programação do Maior São João do Mundo entre artistas nordestinos e políticos fez com que o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), e seus auxiliares entrassem para a defensiva. O gestor rebateu nesta sexta-feira (21) as críticas do governador Ricardo Coutinho (PSB), para quem a festa fere a cultura por se preocupar apenas com o “ajuntamento de gente”. Já o coordenador de Comunicação da Prefeitura (órgão com status de Secretaria), Marcos Alfredo, usou as redes sociais para fazer contraponto à queixa dos artistas. “Ninguém pode ter lugar cativo na programação do São João”, disse. Ele alega que o novo layout contempla a vontade da população. 

Alcimar Monteiro

A programação do São João de Campina Grande foi divulgada nesta semana e provocou a crítica de vários artistas. Elas foram verbalizadas, com maior intensidade, porém, pelos cantores Alcimar Monteiro e Mayra Barros, a filha de Antônio Barros e Cecéu. Monteiro chamou a programação, em vídeo nas redes sociais, de “maior braganejo do mundo”. Falou ainda que o São João “está virando um festival de horrores” e que “pessoas que não têm nada a ver com nossa cultura estão enriquecendo às custas daquilo que não lhes pertence”. “Campina Grande, pelo amor de Deus, isso aí é um festival de horrores!”, finaliza.

Mayra Barros

Em tom emocionado, Mayra Barros postou vídeo nas redes sociais para dizer que se solidariza com “Alcimar Monteiro, Jorge de Altinho e Santana, no sentido de revolta por não estarem na programação de festas do Nordeste, principalmente da nossa Paraíba”. “Nunca levei a sério o meio artístico por conta desta prostituição que existe. Eu não tenho estômago para isso. E vou voltar com muita calma, sem mendigar nada. Porque nenhum artista merece mendigar, principalmente na sua própria terra, mendigar os seus shows e quando faz, passa um ano para receber”, disse. “A nossa música é nossa referência. A nossa música fala nosso dialeto, é o poema da nossa linguagem, do nosso jeito nordestino de falar”, acrescentou.

Marcos Alfredo

Para Marcos Alfredo, tem havido exageros dos artistas, apesar de reconhecer o direito legítimo deles de reclamar. “Na verdade, a grade deste ano procura atender aos mais diversos gostos musicais do perfil do público que prestigia as apresentações e lota o Parque do Povo para assistir aos shows de seus ídolos. Pontos de vista contrários à proposta que norteia a contratação dos artistas naturalmente devem ser respeitados, pela simples questão de que será sempre impossível agradar a todos. Cercear o direito de uma considerável parcela do público consumidor a assistir o que gosta é tão brutal quanto impor à população critérios estético-pessoais dos que estão eventualmente no poder”, disse.

Já Romero centrou suas críticas ao governador Ricardo Coutinho. O socialista, ao ser questionado sobre a programação da festa, nesta semana, se restringiu a dizer que “cultura é cultura, não é ajuntamento de gente”. O prefeito, adversário político do governador, acusou Coutinho de não ter assinado nos últimos cinco anos um só convênio com o Município. “Em 2016, no lugar de se ocupar em críticas, o governador de Pernambuco apoiou o São João de Caruaru com aporte de R$ 2,5 milhões. O ex-governador Eduardo Campos, do mesmo partido de Coutinho, chegou a investir R$ 5 milhões no evento daquela cidade que faz com Campina uma competição histórica saudável”, registrou o prefeito de Campina Grande.

O São João de Campina Grande, neste ano, é promovido pela empresa Aliança.

 

 

 

 

 

6 comentários - Secretário rebate “excluídos” do São João de Campina Grande: “não há lugar cativo”

  1. TIAGO VILAR Disse:

    Lugar cativo, apenas para os camarotes, que possuem uma área exclusiva em frente ao palco. O parque não é mais do povo. Absurdo.

  2. TIAGO VILAR Disse:

    Porque não acabam com os camarotes. Ou as autoridades não gostam de se misturar com o povo…

  3. Djair Disse:

    A festa quem faz é o povo e é o povo que dela devia participar em todos os lugares e não deveria haver áreas privativas para alguns privilegiados .Camarotes é para lugares fechados tipo teatros e clubes. As ruas (praças) é do povo como o céu é dos pássaros (condores)

    trezeano@uol.com.br

  4. SANDRO SANCHES DOS SANTOS Disse:

    RUA ROGÉRIO TOLEDO,122

  5. rubens figueiredo Disse:

    Acho que o são joão é uma festa específica, com seus costumes já bem definidos, sua músicas, danças, comidas etc não cabe aqui a decisão de se procurar atender à diversos gostos musicais. Não é um festival de música e sim uma festa nordestina por excelência. Foi muito infeliz as escolhas das atrações com muito sertanejo universitário, sofrência e outros estilos que não agradam, esquecendo quem realmente defende a bandeira das musicas características do são joão. Não quero acreditar, mas mesmo no tempo da lava jato, quem garante que não existe nenhum “jabá” por trás das escolhas?

  6. São João Campina Grande: Dois anos de Aliança

    Assim como todos os anos, a festa mais esperada do estado da Paraíba promete superar expectativas e o maior São João do Mundo se concentra aqui na Cidade de Campina Grande. Em 2017 a prefeitura da cidade gerida pelo prefeito Romero Rodrigues, promete promover o evento com menos recursos financeiros que o investido no ano passado, “em 2016 a prefeitura gastou cerca de R$ 8 milhões, mais outros R$ 3 milhões da empresa captadora. Este ano a meta é diminuir o gasto da prefeitura para R$ 3 milhões. Diferente dos outros anos, tudo vai ser compartilhado”, disse Rodrigues. Para isso, a prefeitura irá contar pelo segundo ano consecutivo com o apoio da captadora Pernambucana Aliança Comunicação e Cultura Ltda, empresa tem mais de 50 anos no mercado, especializada em comunicação e cultura que propõem produções sustentáveis e de baixo custo, acusada de não realizar o pagamento das atrações no São João de Campina Grande em 2016 de acordo com denúncias feitas pelas atrações incluindo a do cantor e compositor Genival Lacerda que tomou repercussão nacional em dezembro de 2016 e tem em seu corpo executivo o empresário Luiz Otávio Vieira Gomes da Silva, preso em 2013, atualmente é investigado em liberdade sobre a acusação da Polícia Federal por viabilizar um patrocínio sem passar por um processo licitatório e indícios de superfaturamento nos contratos.
    Em um processo de licitação “normalmente” existe uma cláusula que reforça sobre a não participação de empresas que: Estejam em processo Judicial/extrajudicial. Bem, esta informação não deve conter no edital de licitação do São João de Campina Grande e nem podemos afirmar pois o edital não foi divulgado na internet e não é novidade. Em 2016 a 1ª Câmara do Tribunal de Contas do Estado (TCE) decidiu suspender um outro processo licitatório que estava em andamento através da Prefeitura Municipal de Campina Grande, com a intenção de contratar uma empresa especializada em prestação de serviços de pesquisa e estatística, depois que uma empresa de Minas Gerais (Analysis Soluções em Estatística Ltda) fez uma denúncia reclamando que não teve acesso aos editais do processo por meio da internet citando a Lei de Acesso à Informação como embasamento da denúncia. Na época, de acordo com o presidente da Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura de Campina Grande, Helder Giusepe Casulo de Araújo, a gestão decidiu, antes da decisão do TCE, em 2015, por fazer o trabalho através de equipe própria do quadro de servidores municipais.
    O maior São João do mundo é organizado pela SEDE da Cidade de Campina Grande, segundo o secretário Luiz Alberto Leite “a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDE) desenvolve uma política administrativa que direciona significativos investimentos para o progresso econômico de Campina Grande. Organizada em três Coordenadorias- Coordenadoria de Turismo (Codemtur), Coordenadoria de Eventos e Coordenadoria de Desenvolvimento Local, a Secretaria busca parcerias públicas e privadas para desenvolver as potencialidades econômicas da cidade, trabalha na atração de grandes empresas que resultam na geração de emprego e renda para a população”. Com isso, entendemos que para “desenvolver as potencialidades econômicas da cidade” de Campina Grande, pelo segundo ano consecutivo a prefeitura entrega a administração de R$ 3 Milhões de reais para captadora de outro estado.
    Após divulgação da grade de atrações do evento, fica mais latente minha ignorância ao tentar compreender o que significa “Preservação da Memória e do Patrimônio Cultural” que é uma das atribuições da secretaria de cultura da cidade, assim como, o sentido de “geração de emprego e renda para população local”.
    Como diria o secretário Marcos Alfredo “Ninguém pode ter lugar cativo na programação do São João”, nesse caso, peço desculpas aos paraibanos Severo do Acordeon, Genival Lacerda, Flavio José, Jackson do Pandeiro, Zé ramalho, Mestre azulão, Antonio Barros e Cecéu e tantos outros compositores nordestinos…não foi dessa vez.
    ARLS

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