Turma do “deixa disso” alivia pressão sobre Gervásio Maia

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O clima de insatisfação de grande parte dos deputados na Assembleia Legislativa com o presidente da Casa, Gervásio Maia (PSB), deu uma arrefecida durante o fim de semana. Pelo menos, o tema afastamento do mandatário deixou de ser citado como opção iminente. Entre os aliados, o deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) apareceu como peça chave na propagação da tese de que não existe um desconforto tão grande assim entre os colegas em relação à gestão do socialista. “Se me procurarem falando em afastamento de Gervásio, digo que estou fora”, disse Barbosa.

Os descontentamentos de vários deputados afloraram na semana passada, verbalizados pelo deputado Janduhy Carneiro (Podemos). Ele ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa para criticar Gervásio Maia dizendo que foi procurado por deputados governistas com a informação de que a oposição teria a estrutura de pessoal desidratada. Chateado, Carneiro prometeu protestar e disse que faria novo discurso nesta terça-feira (28). Ele criticou também a data para o pagamento de pessoal da Casa, que foi alterado do dia 20 para 27 deste mês.

Descontentamento

O descontentamento de Carneiro, no entanto, segundo o apurado pelo blog, é compartilhado por governistas na Casa. Uma tese negada por Ricardo Barbosa, que saiu em defesa de Gervásio Maia em entrevista ao blog. Lembrou que o corte nos gastos na Assembleia é similar ao feito pelo governo do Estado e pelos outros poderes, a exemplo do Judiciário, do Tribunal de Contas e do Ministério Público. Questionado se foi procurado pelo presidente da Casa, Barbosa negou, minutos antes de Gervásio Maia publicar nas redes sociais foto do encontro dos dois.

Outro deputado apontado como um dos descontentes ampliou o leque, dizendo que as queixas são compartilhadas por 32 dos 36 parlamentares. “Alguns que estão na mesa e foram atendidos não têm do que reclamar”, disse em off o parlamentar, que acrescentou: “Ele (Gervásio) precisa baixar a bola e pensar um pouco menos nas eleições de 2018. As nomeações que ele tem feito têm sido só para agradar ao governador (Ricardo Coutinho), enquanto os outros deputados não conseguem nomeações para os gabinetes”.

O clima ainda não é dos melhores, mas já não se fala afastamento de Gervásio Maia da presidência da Casa.

Cássio critica Romero por pressão para ser candidato ao governo

Cássio Cunha Lima revela irritação com cobranças de Romero. Foto: Divulgação/Agência Senado

O clima entre o senador Cássio Cunha Lima e o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, ambos do PSDB, não é dos melhores. Irritado com as cobranças do primo e aliado político, o parlamentar criticou o que chamou de debate político através da imprensa. O desconforto do senador é com o fato de o prefeito ter redobrado a pressão para que a sigla tucana tenha candidato ao governo em 2018, com a cobrança para que Cássio dispute o pleito ou abra caminho para que ele trabalhe uma eventual candidatura.

“Não tenho mais idade de ficar levando carão público”, enfatizou Cássio, acrescentado que não levava carão nem do próprio pai e mentor político, o ex-governador Ronaldo Cunha Lima. “O tom do prefeito Romero Rodrigues foi um pouco elevado, a carapuça não me cabe de forma nenhuma, até porque não tenho mais idade de ficar levando carão público. Temos hoje a necessidade de uma conversa no partido para dirimir qualquer dúvida e preservar aquilo que sempre nos uniu, que é o desejo de uma Paraíba melhor”, explicou.

O desabafo de Cássio Cunha Lima ocorreu ao ser abordado, durante o velório do arcebispo emérito da Paraíba, Dom Marcelo Pinto Carvalheira, em João Pessoa, na manhã desta segunda-feira (27). Apesar do tom incisivo nas declarações, o senador disse se tratar apenas de desconforto. “Não há crise. Há a necessidade de se resolver uns problemas internos, que não seja através da imprensa. A imprensa tem um papel importante, mas nem sempre é o melhor veículo para resolver divergências ou insatisfações que estejam sendo sentidas”, afirmou o senador.

 

Romero critica Ricardo por não investir no São João de Campina Grande

Romero Rodrigues (C) critica falta de investimentos do Estado. Foto: Diego Almeida

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), retomou nesta segunda-feira (27) as críticas ao governador Ricardo Coutinho (PSB) por, nas palavras dele, não investir no Maior São João do Mundo. Durante entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (27) para anunciar o novo formato do evento, que será organizada por uma empresa contratada pelo poder público, o gestor disse que “não é fácil realizar uma festa de 30 dias e ainda mais numa grandeza como essa. Ainda temos a dificuldade de não contar com recursos do governo do Estado“.

Rodrigues ampliou a alfinetada ao fazer um comparativo entre o investimento do governo de Pernambuco em Caruaru com os investimentos na Paraíba. “Em Caruaru, por exemplo, o governo do Estado investiu R$ 2 milhões na última festa do São João de lá”, ressaltou. As brigas entre os prefeito de Campina Grande com o governador por investimentos se estende desde 2014, quando houve o rompimento entre Coutinho e o senador Cássio Cunha Lima, do mesmo partido de Romero. Cássio disputou as eleições para o governo e foi derrotado pelo socialista.

A última vez que o governo do Estado apoiou o São João de Campina Grande foi em 2013, quando tucanos e socialistas estavam no mesmo barco. Essa é a primeira vez que a prefeitura adota o sistema de Parceria Público Privada (PPP) para a realização do Maior São João do Mundo.

 

Em decreto, prefeito de Cabedelo admite pagar confraternizações e presentes

Leto Viana participa da distribuição de peixes em Cabedelo. Foto: Divulgação/PMC

O prefeito de Cabedelo, Leto Viana (PRP), é o que pode ser chamado de brincante quando o assunto diz respeito às contas públicas. O gestor publicou um decreto, assinado no dia 15 deste mês, no qual suspende até o dia 31 de junho o patrocínio, pelo poder público municipal, de festividades, eventos culturais, solenidades e, acreditem, festas, confraternizações e presentes. Isso mesmo, festas, confraternizações e presentes, despesas que não deveriam sequer constar na relação dos custos do erário público.

A medida, no entanto, não se aplica aos investimentos estruturais e logísticos como o espetáculo da Paixão de Cristo, nem à distribuição tradicional de peixes na Semana Santa. O decreto também não atinge as festividades de São João da cidade. Ou seja, são ressalvados os casos relacionados às ações governamentais. O decreto também deixa claro que a redução não vale para  serviços públicos essenciais das áreas de saúde, segurança e educação, mas a sua execução depende da “disponibilidade orçamentária e financeira”.

O documento será publicado no próximo Quinzenário Oficial da Prefeitura. “Medidas como essas podem soar impopulares, mas são de extrema importância para mantermos as contas públicas em ordem, honrando nossos compromissos com o povo e com os servidores, e com a cidade funcionando de forma responsável. Ao priorizarmos obras em detrimento de festas, mostramos respeito com a população e com o dinheiro público. Estamos contendo os gastos para podermos investir em infraestrutura e saúde”, disse Leto Viana.

Sobre o eleitoreiro programa de distribuição de peixes na Semana Santa, Leto Viana diz que teve o cuidado de “não incluir nesse decreto os investimentos com a distribuição de peixes e com a estrutura com o espetáculo da Paixão de Cristo, nem com as festividades juninas, que já viraram tradição e são ansiosamente aguardadas pela população”. O decreto deixa uma brecha para que “situações especiais, de caráter urgente necessária e inadiável, configuradas em despesas públicas” poderão ser autorizadas pelo prefeito.

 

“Governistas”, MBL e Vem pra Rua perderam a capacidade de mobilização

Protesto minguado nas ruas de Brasília. Foto: Antônio Cruz/ABr

O fracasso nos protestos de rua promovidos, neste domingo (26), em várias capitais brasileiras tem uma explicação: o grupo perdeu o objeto. Em João Pessoa, por exemplo, apenas uns poucos gatos pingados saíram as ruas, boa parte deles para defender Bolsonaro para a Presidência da República, em 2018, ou mesmo para cobrar a volta do Regime Militar. A pauta de defesa da operação Lava Jato e contra o voto em lista não empolgaram.

O descrédito do movimento tem nome e sobrenome: excesso de governismo. Simplesmente, as pautas não empolgam por não estarem em consonância com os temores atuais da população. Se antes a saída de Dilma Rousseff (PT) do governo atraiu milhares de pessoas às ruas com a promessa de que tudo mudaria com a saída dela, os fantasmas do desemprego e da corrupção na estrutura estatal teimam em não deixar o Palácio do Planalto sem que isso incomode aos manifestantes.

Faltam também os apoiadores de antes. A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que bancava os patos nas manifestações, saiu de cena no momento em que o seu presidente, Paulo Skaf (PMDB), apareceu entre os citados na operação Lava Jato. Temas inquietantes como as reformas Previdenciária e Trabalhista são defendidos pelas lideranças do MBL e Nas Ruas, porém, enfrentam resistência popular. Para acabar, o projeto da Terceirização, também apoiado, foi alvo de protestos nas redes sociais.

 

Sem os temas de maior apelo popular na atualidade, os protestos deste domingo se centraram em pautas difusas como defesa do fim do foro privilegiado, combate à anistia do Caixa 2 e volta dos militares ao comando do país. Sim, não podemos esquecer também o fim do estatuto do desarmamento. A pauta, como ficou demonstrado, não agradou por falta de protagonismo.

Rômulo Gouveia é chamado de golpista em São João do Cariri

O deputado federal Rômulo Gouveia (PSD) viveu uma saia justa sem tamanho na última sexta-feira (24). Durante evento em São João do Cariri para debater a reforma da previvência, ele foi chamado ao palanque pelo deputado estadual Jeová Campos (PSB). Ao ser convidado, resistiu ao convite enquanto era chamado de golpista, golpista e vaiado pelo público presente. As críticas ocorreram por conta do voto a favor da flexibilização da terceirização, dado na mesma semana. Rômulo foi um dos cinco deputados federais paraibanos que votaram a favor da proposta.

Confira:

Em contato com o blog, o deputado Rômulo Gouveia minimizou o ocorrido. Segundo ele, o grupo que o vaiou era formado por um pequeno contingente, ligado a centrais sindicais. Disse também que houve descontentamento da maioria do público presente com o protesto.

Morte de Dom Marcelo Carvalheira não apaga o seu legado

Dom Marcelo (E) ao lado de Dom Helder Câmara. Foto: Divulgação

A maioria dos fiéis paraibanos certamente guardou de Dom Marcelo Pinto Carvalheira o que só as pessoas mais sublimadas podem oferecer: paz. Não há como lembrar dele e não ter a certeza de que se tratava de um enviado por Deus. O olhar carinhoso e as palavras cativantes de quem dedicou a vida ao social e, na Paraíba, deu sequência ao trabalho progressista implantado por Dom José Maria Pires. Carvalheira, não custa lembrar, militou ao lado de Dom Helder Camara na oposição ao regime militar.

Dom Marcelo faleceu neste sábado (25), aos 88 anos, no Recife, terra natal do religioso. Soube do falecimento enquanto esperava começar o show do cantor e compositor Leoni, no Teatro Pedra do Reino, em João Pessoa. De pronto, lembrei as vezes que, como repórter, tentei, sem sucesso, arrancar algo polêmico dele em entrevistas. Não era dado a buscar manchetes, o contrário do midiático sucessor Dom Aldo di Cillo Pagotto.

Progressista, Dom Marcelo Calheira tinha atuação social intensa. Foto: Divulgação

Em 2010, já morando no Recife, fui ao Mosteiro de São Bento, em Olinda. Na missa, avistei Dom Marcelo. Naquela época, ele já demonstrava saúde debilitada. Pensei em abordá-lo, mas a distância tornou a tentativa impossível. Dom Marcelo era oblata beneditino e tinha especialização em Teologia Dogmática. Como colaborador de Dom Helder Camara durante a ditadura militar no Brasil, chegou a ser preso e torturado, na defesa dos líderes católicos da época.

Durante o período em que esteve à frente da Arquidiocese da Paraíba, as pastorais sociais da Igreja tinham grande protagonismo. Dom Marcelo também ocupou a vice-presidência da CNBB de 1998 a 2004, teve livros publicados e morava em Olinda. “Sempre nutri grande respeito por dom Marcelo, nome que fez história em nossa região, e rogo ao Pai que lhe dê descanso em sua glória”, comentou o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido.

O corpo de dom Marcelo Carvalheira será velado no domingo (26), a partir das 10h, na Catedral da Sé, em Olinda. Haverá missa de corpo presente às 16h e, em seguida, o corpo virá para João Pessoa, na Paraíba, onde será sepultado às 16h da segunda-feira (27).

Deputados se articulam para tirar Gervásio da presidência da Assembleia

Gervásio Maia é criticado pelos próprios colegas na Assembleia. Foto: Francisco França

O deputado estadual Gervásio Maia (PSB) começa a viver um verdadeiro inferno astral menos de dois meses após assumir a presidência da Assembleia Legislativa. Entre a pompa da posse e a realidade do dia a dia, ele começa a acumular adversários dentro do Legislativo, inclusive, com um movimento já consolidado para votar o seu afastamento do comando do Poder e convocar novas eleições. O tema foi colocado em pauta durante reunião secreta ocorrida na manhã desta sexta-feira (24), envolvendo deputados governistas e da oposição.

“Tínhamos muita esperança em Gervásio Maia como presidente da Assembleia Legislativa, mas ele tem se empenhado muito mais em ter o nome guindado à condição de candidato do governador (Ricardo Coutinho) para a sucessão que mesmo administrar a Casa”, disse em reserva um deputado estadual governista. As insatisfação vão da não contratação de pessoal indicado pelos parlamentares até o atraso no pagamento de pessoal, antes pago entre os dias 20 e 22 e que agora ficou para o dia 27.

Um outro deputado governista tem se queixado de que nem a secretária dele foi recontratada pelo deputado e há questionamentos sobre o que tem ocorrido com o dinheiro do duodécimo pago até o dia 20 pelo governo do Estado. O primeiro a reclamar de Gervásio Maia publicamente foi o deputado Janduhy Carneiro (Podemos), que fez pronunciamento nesta semana. Ele se antecipou nas críticas ao ouvir de um colega de parlamento que os gabinetes dos deputados de oposição teriam a estrutura de funcionamento reduzida ainda mais.

“Eu vou fazer novo pronunciamento na próxima terça-feira (28). Gervásio tem atuado com descaso em relação à nossa atuação parlamentar”, desabafou Carneiro, ao ser ouvido pelo blog nesta sexta-feira. Ele alega que não participou da reunião que discutiu nesta sexta estratégias para o afastamento do atual presidente. Um governista, ao ser informado pelo blog da disposição de Janduhy Carneiro de fazer pronunciamento, foi taxativo. “Ele vai fazer pronunciamento, né? Então vai incendiar o debate. Só falta quem puxe”, enfatizou.

A tese dos neo-adversários de Gervásio Maia é esperar o retorno do primeiro secretário da Mesa Diretora, Ricardo Barbosa (PSB), que se encontra na China, em viagem acertada pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). A partir daí, seria votado o afastamento do atual presidente, abrindo caminho para a posse provisória do vice, João Bosco Carneiro (PSL). Caberia a ele, então, a convocação de novas eleições para o cargo de presidente da Casa dentro de 90 dias.

Vaiado

A “rebelião” no Legislativo contra Gervásio Maia ocorre na mesma semana em que ele foi vaiado durante o ato realizado para marcar a “Inauguração Popular da Transposição”, em Monteiro. O parlamentar foi recepcionado aos gritos de golpista e recebeu uma sonora vaia enquanto discursava ao lado dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Maia tem trabalhado para ser indicado por Ricardo Coutinho para disputar o governo do Estado pelo PSB.

PSD, PSDB e PMDB discutem a relação para evitar fissura na base

Cássio, Cartaxo e Maranhão tentam evitar ruptura na base oposicionista. Foto: Divulgação

As principais lideranças de PSD, PSDB e PMDB estão discutindo a relação para evitar que haja ruptura na base das oposições que se organizam para a disputa das eleições de 2018. As últimas informações de candidaturas próprias do PMDB, com José Maranhão, e do PSDB, com Romero Rodrigues, geraram estremecimento entre as lideranças. A polêmica ganhou força ainda com os boatos de que o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), poderia se aliar ao governador Ricardo Coutinho (PSB).

Uma reunião entre Luciano Cartaxo e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) vai acontecer nesta sexta-feira (24). Na pauta, segundos assessores ligados às duas lideranças, haverá temas meramente administrativos, porém, a política deve ser colocada na mesa, principalmente, a continuidade da aliança. O entendimento reinante no grupo é o de que, unidos, eles têm grande chance de vencer a chapa apadrinhada pelo governador. Separados, a possibilidade de sucesso míngua.

No reservado, tucanos, pessedistas e peemedebistas atribuem aos aliados do governador Ricardo Coutinho os boatos com o intuito de fragilizar a aliança. A tese é a de que, separados, Cartaxo, Cássio e Maranhão representam uma ameaça apenas relativa ao projeto socialista de fazer sucessor no governo. “É objetivo deles nos separar”, diz o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB). “Estaremos juntos e os espaços na chapa majoritária serão preenchidos no momento adequado”, acrescentou.

Caso Luciano Cartaxo seja candidato ao governo, Júnior assume a titularidade na prefeitura de João Pessoa. A entrada de Romero Rodrigues na lista de possíveis candidatos é vista, por enquanto, como uma manifestação particular. Apesar disso, ninguém nega que os três partidos tenham nomes para apresentar. O senador Cássio Cunha Lima, por exemplo, poderá disputar o governo ou o Senado. Já José Maranhão terá quatro anos de Senado pela frente, mas tem o nome cotado para o governo.

Cartaxo é visto no grupo como uma liderança em ascensão, vitaminada pela reeleição em João Pessoa, mas precisará ganhar cancha no interior se quiser ser candidato ao governo no ano que vem. A preocupação de blindar o bloco, por isso, é para evitar a fragmentação das lideranças, porque, com ela, o grupo pode se transformar em presa fácil no ano que vem.

Jampa Digital: oposição quer dar nome de Bruno Ernesto à Perimetral Sul

Tovar Correia Lima durante a sessão. Foto: Roberto Guedes/ALPB

Um projeto protocolado pelo deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB) tende a gerar uma saia justa sem tamanho para a bancada de sustentação do governador Ricardo Coutinho (PSB) na Assembleia Legislativa da Paraíba. O tucano propõe que a Perimetral Sul, obra do governo estadual, seja denominada Rodovia Bruno Ernesto do Rêgo de Morais, em homenagem ao ex-servidor da prefeitura de João Pessoa assassinado em 2012, aos 31 anos, sob circunstâncias misteriosas. A polícia concluiu que o servidor público foi vítima de latrocínio, porém, em 2015, a ex-primeira-dama do Estado, Pâmela Bório, deu início a uma série de acusações nas quais relacionava a morte do diretor de Infraestrutura e suporte de rede da prefeitura ao escândalo Jampa Digital.

Na justificativa do projeto, Tovar alega que a morte do jovem, cujo o corpo foi encontrado em Gramame, chocou toda a população de João Pessoa. “Vivemos em um ‘estado de impunidade’, onde cada crime, cada roubo, cada escândalo é apagado por outro maior. Bruno Ernesto é mais uma vítima das tristes estatísticas da criminalidade e da impunidade em nosso Estado. Diante de um caso emblemático que chocou a Paraíba, nada mais justo que prestarmos essa homenagem denominando a via pública, a Perimetral Sul, de Bruno Ernesto, como forma de imortalizar seu nome através daquela obra”, diz o deputado na Justificativa.

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Ainda em 2012, quando houve o crime, não faltou quem atribuísse a morte do jovem servidor da prefeitura de João Pessoa a uma suposta trama de queima de arquivo. A tese, no entanto, não encontrava respaldo nas investigações da Polícia Civil, mas ganhou mais destaques depois das declarações de Pâmela Bório, ex-mulher do governador Ricardo Coutinho (PSB), um dos citados como beneficiário no esquema apurado pela Polícia Federal. A ex-primeira-dama deu as declarações depois de matéria publicada pelo Jornal da Paraíba que falava sobre novo processo movido pelo Ministério Público Federal a respeito do Jampa Digital.

Segundo investigação da Polícia Federal, parte dos recursos supostamente desviados do programa de instalação de internet sem fio gratuita em João Pessoa na época em que o atual governador, Ricardo Coutinho (PSB), era prefeito da capital teria sido desviado para financiar a campanha dele, em 2010, para o governo do estado. Depois disso, a família do rapaz voltou a cobrar novas investigações do crime, tendo como alvo a suposta queima de arquivo. O processo que investiga o Jampa Digital corre em segredo de Justiça atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF) e terá como relator o novo ministro Alexandre de Morais, que substituiu Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro deste ano.