Morte de Dom Marcelo Cavalheira não apaga o seu legado

Dom Marcelo (E) ao lado de Dom Helder Câmara. Foto: Divulgação

A maioria dos fiéis paraibanos certamente guardou de Dom Marcelo Pinto Cavalheira o que só as pessoas mais sublimadas podem oferecer: paz. Não há como lembrar dele e não ter a certeza de que se tratava de um enviado por Deus. O olhar carinhoso e as palavras cativantes de quem dedicou a vida ao social e, na Paraíba, deu sequência ao trabalho progressista implantado por Dom José Maria Pires. Cavalheira, não custa lembrar, militou ao lado de Dom Helder Camara na oposição ao regime militar.

Dom Marcelo faleceu neste sábado (25), aos 88 anos, no Recife, terra natal do religioso. Soube do falecimento enquanto esperava começar o show do cantor e compositor Leoni, no Teatro Pedra do Reino, em João Pessoa. De pronto, lembrei as vezes que, como repórter, tentei, sem sucesso, arrancar algo polêmico dele em entrevistas. Não era dado a buscar manchetes, o contrário do midiático sucessor Dom Aldo di Cillo Pagotto.

Progressista, Dom Marcelo Calheira tinha atuação social intensa. Foto: Divulgação

Em 2010, já morando no Recife, fui ao Mosteiro de São Bento, em Olinda. Na missa, avistei Dom Marcelo. Naquela época, ele já demonstrava saúde debilitada. Pensei em abordá-lo, mas a distância tornou a tentativa impossível. Dom Marcelo era oblata beneditino e tinha especialização em Teologia Dogmática. Como colaborador de Dom Helder Camara durante a ditadura militar no Brasil, chegou a ser preso e torturado, na defesa dos líderes católicos da época.

Durante o período em que esteve à frente da Arquidiocese da Paraíba, as pastorais sociais da Igreja tinham grande protagonismo. Dom Marcelo também ocupou a vice-presidência da CNBB de 1998 a 2004, teve livros publicados e morava em Olinda. “Sempre nutri grande respeito por dom Marcelo, nome que fez história em nossa região, e rogo ao Pai que lhe dê descanso em sua glória”, comentou o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido.

O corpo de dom Marcelo Carvalheira será velado no domingo (26), a partir das 10h, na Catedral da Sé, em Olinda. Haverá missa de corpo presente às 16h e, em seguida, o corpo virá para João Pessoa, na Paraíba, onde será sepultado às 16h da segunda-feira (27).

Deputados se articulam para tirar Gervásio da presidência da Assembleia

Gervásio Maia é criticado pelos próprios colegas na Assembleia. Foto: Francisco França

O deputado estadual Gervásio Maia (PSB) começa a viver um verdadeiro inferno astral menos de dois meses após assumir a presidência da Assembleia Legislativa. Entre a pompa da posse e a realidade do dia a dia, ele começa a acumular adversários dentro do Legislativo, inclusive, com um movimento já consolidado para votar o seu afastamento do comando do Poder e convocar novas eleições. O tema foi colocado em pauta durante reunião secreta ocorrida na manhã desta sexta-feira (24), envolvendo deputados governistas e da oposição.

“Tínhamos muita esperança em Gervásio Maia como presidente da Assembleia Legislativa, mas ele tem se empenhado muito mais em ter o nome guindado à condição de candidato do governador (Ricardo Coutinho) para a sucessão que mesmo administrar a Casa”, disse em reserva um deputado estadual governista. As insatisfação vão da não contratação de pessoal indicado pelos parlamentares até o atraso no pagamento de pessoal, antes pago entre os dias 20 e 22 e que agora ficou para o dia 27.

Um outro deputado governista tem se queixado de que nem a secretária dele foi recontratada pelo deputado e há questionamentos sobre o que tem ocorrido com o dinheiro do duodécimo pago até o dia 20 pelo governo do Estado. O primeiro a reclamar de Gervásio Maia publicamente foi o deputado Janduhy Carneiro (Podemos), que fez pronunciamento nesta semana. Ele se antecipou nas críticas ao ouvir de um colega de parlamento que os gabinetes dos deputados de oposição teriam a estrutura de funcionamento reduzida ainda mais.

“Eu vou fazer novo pronunciamento na próxima terça-feira (28). Gervásio tem atuado com descaso em relação à nossa atuação parlamentar”, desabafou Carneiro, ao ser ouvido pelo blog nesta sexta-feira. Ele alega que não participou da reunião que discutiu nesta sexta estratégias para o afastamento do atual presidente. Um governista, ao ser informado pelo blog da disposição de Janduhy Carneiro de fazer pronunciamento, foi taxativo. “Ele vai fazer pronunciamento, né? Então vai incendiar o debate. Só falta quem puxe”, enfatizou.

A tese dos neo-adversários de Gervásio Maia é esperar o retorno do primeiro secretário da Mesa Diretora, Ricardo Barbosa (PSB), que se encontra na China, em viagem acertada pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). A partir daí, seria votado o afastamento do atual presidente, abrindo caminho para a posse provisória do vice, João Bosco Carneiro (PSL). Caberia a ele, então, a convocação de novas eleições para o cargo de presidente da Casa dentro de 90 dias.

Vaiado

A “rebelião” no Legislativo contra Gervásio Maia ocorre na mesma semana em que ele foi vaiado durante o ato realizado para marcar a “Inauguração Popular da Transposição”, em Monteiro. O parlamentar foi recepcionado aos gritos de golpista e recebeu uma sonora vaia enquanto discursava ao lado dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Maia tem trabalhado para ser indicado por Ricardo Coutinho para disputar o governo do Estado pelo PSB.

PSD, PSDB e PMDB discutem a relação para evitar fissura na base

Cássio, Cartaxo e Maranhão tentam evitar ruptura na base oposicionista. Foto: Divulgação

As principais lideranças de PSD, PSDB e PMDB estão discutindo a relação para evitar que haja ruptura na base das oposições que se organizam para a disputa das eleições de 2018. As últimas informações de candidaturas próprias do PMDB, com José Maranhão, e do PSDB, com Romero Rodrigues, geraram estremecimento entre as lideranças. A polêmica ganhou força ainda com os boatos de que o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), poderia se aliar ao governador Ricardo Coutinho (PSB).

Uma reunião entre Luciano Cartaxo e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) vai acontecer nesta sexta-feira (24). Na pauta, segundos assessores ligados às duas lideranças, haverá temas meramente administrativos, porém, a política deve ser colocada na mesa, principalmente, a continuidade da aliança. O entendimento reinante no grupo é o de que, unidos, eles têm grande chance de vencer a chapa apadrinhada pelo governador. Separados, a possibilidade de sucesso míngua.

No reservado, tucanos, pessedistas e peemedebistas atribuem aos aliados do governador Ricardo Coutinho os boatos com o intuito de fragilizar a aliança. A tese é a de que, separados, Cartaxo, Cássio e Maranhão representam uma ameaça apenas relativa ao projeto socialista de fazer sucessor no governo. “É objetivo deles nos separar”, diz o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB). “Estaremos juntos e os espaços na chapa majoritária serão preenchidos no momento adequado”, acrescentou.

Caso Luciano Cartaxo seja candidato ao governo, Júnior assume a titularidade na prefeitura de João Pessoa. A entrada de Romero Rodrigues na lista de possíveis candidatos é vista, por enquanto, como uma manifestação particular. Apesar disso, ninguém nega que os três partidos tenham nomes para apresentar. O senador Cássio Cunha Lima, por exemplo, poderá disputar o governo ou o Senado. Já José Maranhão terá quatro anos de Senado pela frente, mas tem o nome cotado para o governo.

Cartaxo é visto no grupo como uma liderança em ascensão, vitaminada pela reeleição em João Pessoa, mas precisará ganhar cancha no interior se quiser ser candidato ao governo no ano que vem. A preocupação de blindar o bloco, por isso, é para evitar a fragmentação das lideranças, porque, com ela, o grupo pode se transformar em presa fácil no ano que vem.

Jampa Digital: oposição quer dar nome de Bruno Ernesto à Perimetral Sul

Tovar Correia Lima durante a sessão. Foto: Roberto Guedes/ALPB

Um projeto protocolado pelo deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB) tende a gerar uma saia justa sem tamanho para a bancada de sustentação do governador Ricardo Coutinho (PSB) na Assembleia Legislativa da Paraíba. O tucano propõe que a Perimetral Sul, obra do governo estadual, seja denominada Rodovia Bruno Ernesto do Rêgo de Morais, em homenagem ao ex-servidor da prefeitura de João Pessoa assassinado em 2012, aos 31 anos, sob circunstâncias misteriosas. A polícia concluiu que o servidor público foi vítima de latrocínio, porém, em 2015, a ex-primeira-dama do Estado, Pâmela Bório, deu início a uma série de acusações nas quais relacionava a morte do diretor de Infraestrutura e suporte de rede da prefeitura ao escândalo Jampa Digital.

Na justificativa do projeto, Tovar alega que a morte do jovem, cujo o corpo foi encontrado em Gramame, chocou toda a população de João Pessoa. “Vivemos em um ‘estado de impunidade’, onde cada crime, cada roubo, cada escândalo é apagado por outro maior. Bruno Ernesto é mais uma vítima das tristes estatísticas da criminalidade e da impunidade em nosso Estado. Diante de um caso emblemático que chocou a Paraíba, nada mais justo que prestarmos essa homenagem denominando a via pública, a Perimetral Sul, de Bruno Ernesto, como forma de imortalizar seu nome através daquela obra”, diz o deputado na Justificativa.

Reprodução

Ainda em 2012, quando houve o crime, não faltou quem atribuísse a morte do jovem servidor da prefeitura de João Pessoa a uma suposta trama de queima de arquivo. A tese, no entanto, não encontrava respaldo nas investigações da Polícia Civil, mas ganhou mais destaques depois das declarações de Pâmela Bório, ex-mulher do governador Ricardo Coutinho (PSB), um dos citados como beneficiário no esquema apurado pela Polícia Federal. A ex-primeira-dama deu as declarações depois de matéria publicada pelo Jornal da Paraíba que falava sobre novo processo movido pelo Ministério Público Federal a respeito do Jampa Digital.

Segundo investigação da Polícia Federal, parte dos recursos supostamente desviados do programa de instalação de internet sem fio gratuita em João Pessoa na época em que o atual governador, Ricardo Coutinho (PSB), era prefeito da capital teria sido desviado para financiar a campanha dele, em 2010, para o governo do estado. Depois disso, a família do rapaz voltou a cobrar novas investigações do crime, tendo como alvo a suposta queima de arquivo. O processo que investiga o Jampa Digital corre em segredo de Justiça atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF) e terá como relator o novo ministro Alexandre de Morais, que substituiu Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro deste ano.

Aprovada a terceirização: entenda os prós e os contras do projeto

Em meio a protestos da oposição, lei das Terceirizações foi aprovada. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O projeto que flexibiliza a contratação de funcionários terceirizados, aprovado nesta quarta-feira (23), na Câmara dos Deputados, seguiu para a sanção presidencial recheado de dúvidas, elogios e críticas. Empresários comemoram a iniciativa e sindicatos repudiam a matéria, tratando-a como supressão de direitos e descarte da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). O blog decidiu pontuar as opiniões de diversos setores a respeito dos prós e contras da proposta aprovada com o placar de 231 votos a favor, 188 contra e 8 abstenções.

O projeto aprovado, inclusive, fez com que o Senado decidisse se mexer, a ponto de o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), anunciar que uma segunda proposta, que dorme nas gavetas do Senado, será desengavetada. Trata-se de um texto já aprovado na Câmara, na época presidida pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e que foi frontalmente criticado pelo ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) em 2015. Na época, ele disse que o projeto era uma “pedalada nos direitos do trabalhador”.

Na prática, a nova legislação libera a terceirização da atividade-fim e não mais apenas a atividade-meio. Com isso, uma escola, por exemplo, poderá terceirizar a atividade de professor. Antes, podiam ser contratados de outras empresas apenas serviços relacionados com segurança, copa e limpeza. A empresa contratante deverá garantir segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores terceirizados. O tempo de duração do trabalho temporário passa de até três meses para até 180 dias, consecutivos ou não.

Entenda o que defensores e opositores pensam do projeto que seguiu para sanção do presidente:

A favor

Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

O que dizem os defensores

1. O Brasil tem 1 milhão de prestadoras de serviço que empregam 15 milhões de pessoas, mas faltava uma lei que regulamentasse tudo isso. Havia ausência de direitos para os trabalhadores e segurança jurídica para as empresas;

2. Por estarem ligados a empresas especializadas, melhoram a produtividade, aumentam a competitividade e oferecem produtos e serviços com melhor qualidade;

3. Assegura os direitos trabalhistas em todos os benefícios e abrange ao registro em carteira, jornada fixada, férias, 13º salário, proteções previdenciárias e FGTS;

4. A nova legislação vai por fim à crescente judicialização de questões trabalhistas envolvendo terceirizados;

5. Haverá maior competitividade da economia e geração de empregos formais com o estímulo à contratação de empresas especializadas;

6. Formaliza uma relação sempre vista como “duvidosa”. Os terceirizados terão os mesmos direitos assegurados no local de trabalho aos funcionários da empresa como alimentação no refeitório, treinamento quando necessário, serviço de transporte e atendimento médico nas dependências da empresa;

7. Os defensores dizem que não haverá aumento do número de terceirizados, porque não é vantagem para uma empresa terceirizar 100% dos seus funcionários, já que paga seus impostos ao governo e ao contratar os serviços também acaba bancando os impostos da terceirizada;

8. Os defensores acreditam que a defesa da diminuição dos salários é uma “falácia”, já que os trabalhadores ganharão conforme o grau de especialização e a função.

Contra

O que dizem os opositores

1. Vai causar o enfraquecimento dos sindicatos, o que também afetaria negativamente os salários. A legislação não garante a filiação dos terceirizados no sindicato da atividade da empresa, o que pode ser prejudicial. Um metalúrgico poderá estar filiado ao sindicato das terceirizadas, mais fraco;

2. As empresas terceirizadas costumam ter uma saúde financeira precária, trabalham no limite, e muitas vezes se veem obrigadas a suprimir direitos. Há queixas frequentes de falta de equipamentos de proteção e não concessão de férias;

3. Não há garantias de que haverá mais emprego e, na prática, os opositores dizem que haverá mais demissões uma vez que as empresas estarão livres para terceirizar qualquer uma de suas funções com a premissa de que poderão economizar recursos.

4. A responsabilidade pelos encargos sociais ficarão a cargo das terceirizadas e não partilhadas com a contratante, o que pode representar insegurança jurídica em caso de falência da contratada, já que elas costumam não ter patrimônio;

5. Todas empresas de todas as áreas podem adotar a mudança se acharem conveniente. Na prática, qualquer empresa poderá terceirar até 100% dos seus funcionários;

6. Os sindicalistas alegam que haverá precarização dos salários, já que os terceirizados ganham, em média, 25% a menos que os servidores contratados diretamente pelas empresas;

7. Tal como foi aprovado, as empresas do setor privado simplesmente deixarão de contratar pela carteira de trabalho, optando por Microempreendedores Individuais (MEI);

8. É muito pouco provável que a ampla liberdade de terceirização aumente o nível de emprego, independentemente das condições, sem que haja um aumento na demanda agregada da economia que justifique ampliar os quadros de pessoal para aumentar a produção.

 

 

Veneziano se opõe às pautas de Temer e pode deixar o PMDB

Veneziano tem se distanciado das diretrizes do PMDB. Foto: Reprodução

Reforma da Previdência e regulamentação das terceirizações. Estes são dois dos temas que foram colocados como prioritários pelo presidente Michel Temer (PMDB) e, curiosamente, são rechaçados pelo deputado federal peemedebista Veneziano Vital do Rêgo. Em relação ao primeiro, ele já manifestou sua disposição de se posicionar frontalmente à medida, por entendê-la como nociva ao trabalhador. E não para por aí. Nesta quarta-feira (22), apesar da recomendação do partido, o parlamentar votou contra e até gravou vídeo para criticar a as terceirizações.

“Votamos contra esta proposta, por que, afinal de contas, não poderíamos estender a terceirização para atividades meio e atividades fim. Este é o meu compromisso com o trabalhador brasileiro”, disse Veneziano, que, na Paraíba, vem ampliando o processo de afastamento do partido com uma progressiva aproximação do PSB do governador Ricardo Coutinho. Apesar de a sigla ter rompido a aliança com o gestor, o peemedebista segue no sentido contrário e até indicou a mulher, Ana Cláudia Vital do Rêgo, para o cargo de Executiva da Casa Civil.

O parlamentar, na Paraíba, integra o grupo que também tem o deputado federal Hugo Motta e o senador Raimundo Lira. Todos trabalham para tirar o partido das mãos do senador José Maranhão e, com isso, levá-la para uma aliança com o governador Ricardo Coutinho, em 2018. O cenário, no entanto, é visto como remoto pela maioria das lideranças da sigla, pelo fato de o socialista ocupar a trincheira oposta ao presidente Temer. Sem perspectiva dentro do PMDB, Veneziano claramente inicia o processo de ruptura.

Presidente do PT diz que Ministério Público tem obsessão por Lula

Lula com Dilma durante solenidade em Monteiro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O presidente do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, Charliton Machado, reagiu nesta quinta-feira (23) à abertura da investigação do Ministério Público Federal para apurar suposto crime eleitoral praticado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Monteiro, no último domingo (19). Na oportunidade, o ex-gestor participou da “Inauguração Popular da Transposição”. Para o dirigente partidário, a medida mostra apenas que a Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) tem obsessão pelo ex-presidente.

“Eu vejo uma profunda obsessão política do Ministério Público e de setores da Justiça com o presidente Lula. Daqui a pouco, vão proibi-lo de andar pelo Brasil, porque se o presidente andar, vão ocorrer atos e declarações de voto. Isso é impossível de não acontecer. Um evento que você tem 100 mil pessoas e recebe uma pessoa como o presidente Lula, será impossível não ter manifestação de Lula 2018“, ressaltou Machado, que relativizou os discursos dos petistas com referências à disputa eleitoral.

“O próprio Lula chegou a dizer que não sabe nem se estará vivo em 2018”, acrescentou Charliton Machado, que prevê uma grande movimentação e mais manifestações de apoio ao ex-presidente durante o ato programado para acontecer no dia 31 deste mês, na Avenida Paulista, em São Paulo, que também contará com a presença de Lula. Para dar início à apuração, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) na Paraíba instaurou de ofício procedimento e coletou áudios e imagens do evento realizado em Monteiro.

Cassação de registro

O material foi reunido e encaminhado à Procuradoria Geral Eleitoral (PGE), em Brasília, em virtude da atribuição para a análise ser da PGE. Em caso de condenação, poderá ser aplicada multa e, dependendo do caso, quando iniciado o processo eleitoral, em 2018, poderá haver representação por abuso de poder econômico com cassação de registro, mesmo por fatos cometidos em 2017. “A PRE na Paraíba está vigilante a todos os casos”, alertou o procurador regional eleitoral, Marcos Queiroga.

Durante o evento, o ex-presidente Lula fez referência à disputa eleitoral de 2018, dizendo que “queira Deus” que ele não seja candidato, porque se for, será para vencer as eleições. As referências a 2018 foram feitas também por outros políticos presentes, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff e do governador Ricardo Coutinho (PSB). Todos cobraram a paternidade das obras da transposição, atribuída a Lula.

Em relação à investigação, Charliton Machado apontou dois pesos e duas medidas na avaliação da Procuradoria Regional Eleitoral, em 2016. “Vimos ao longo da campanhacrimes que saltaram aos olhos e o Ministério Público Federal perdeu a oportunidade de apurar”, criticou. “O MPF tem que arranjar algo mais substantivo para se preocupar”, acrescentou o dirigente petista.

 

 

MPF investiga se houve crime eleitoral em evento com Lula e Dilma em Monteiro

“Inauguração Popular da Transposição” foi marcada por referências á disputa eleitoral de 2018. Foto: Suetoni Souto Maior

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) na Paraíba instaurou de ofício procedimento para investigar possível irregularidade eleitoral no evento “inauguração popular” de trecho da transposição das águas do rio São Francisco, ocorrido no domingo (19), em Monteiro (PB). O procedimento instaurado originou a Notícia de Fato nº 1.24.000.000524/2017-60. O evento contou com a participação dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, e foi marcado por uma espécie de lançamento informal da campanha presidencial do ex-presidente petista.

O material foi reunido e encaminhado à Procuradoria Geral Eleitoral (PGE), em Brasília, em virtude da atribuição para a análise ser da PGE. Em caso de condenação, poderá ser aplicada multa e, dependendo do caso, quando iniciado o processo eleitoral, em 2018, poderá haver representação por abuso de poder econômico com cassação de registro, mesmo por fatos cometidos em 2017. “A PRE na Paraíba está vigilante a todos os casos”, alertou o procurador regional eleitoral, Marcos Queiroga.

Durante o evento, o ex-presidente Lula fez referência à disputa eleitoral de 2018, dizendo que “queira Deus” que ele não seja candidato, porque se for, será para vencer as eleições. As referências a 2018 foram feitas também por outros políticos presentes, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff e do governador Ricardo Coutinho (PSB). Todos cobraram a paternidade das obras da transposição, atribuída a Lula.

Câmara revoga leis que previam renúncias fiscais de R$ 1,5 milhão no Conde

Márcia Lucena já havia cancelado o concurso público. Foto: Divulgação

A Câmara Municipal do Conde, na Grande João Pessoa, revogou duas leis que tratavam de incentivos fiscais concedidos as empresas para se instalarem na cidade e sobre a criação de cargos e realização de concurso público. Os projetos de lei 004/2017 e 005/2017 tratam da revogação das leis 764/2013 e 860/2015 foram aprovados pela Câmara de Vereadores na última segunda-feira (20), numa sessão que contou com a presença do procurador geral do Município, Bruno Araújo Freire. Na oportunidade, ele explicou pessoalmente aos parlamentares a necessidade de se revogar as referidas leis que traziam prejuízos ao Município de Conde.

A lei 860/2015 que foi revogado com a aprovação do projeto de lei 004/2017, concedia incentivos fiscais a uma empresa instalada na cidade, as margens da BR 101. De acordo com Bruno, a lei foi revogada, por conter vícios de propositura que acarretava prejuízos aos erário público na ordem de R$ 1,5 milhão por ano. Ainda segundo o procurador, a única contrapartida exigida da empresa para receber tamanho benefício, era garantir 50% dos empregos da unidade para os munícipes de Conde. De acordo com Bruno, nem isso vem acontecendo.

Já a aprovação do projeto de lei 005/2017 revogou a lei 764/2013, que tratava da criação de cargos e da realização de concurso público, que foi anulado através de decreto da prefeita Márcia Lucena (PSB).

Com informações da assessoria de imprensa

Sem alternativa, Ricardo Coutinho deverá disputar o Senado

Governador Ricardo Coutinho é pressionado para disputar o Senado. Foto: Divulgação/Secom-PB

O governador Ricardo Coutinho (PSB) tem recebido pressão de aliados para que dispute as eleições para o Senado, em 2018. A posição começa a ganhar força entre os socialistas que, anteriormente, preferiam ver o gestor concluir o mandato, para não dar lugar à vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT), a partir de abril. A concepção reinante entre os militantes do PSB é que sem a presença do gestor na chapa, ela irá para a disputa sem um puxador de votos. Isso por que o presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), não tem tido o protagonismo esperado.

As preocupações sobre o futuro da chapa governista ganham força, inclusive, pelo risco de o PSB não conseguir reunir partidos e lideranças de peso para o projeto de poder da sigla. Agremiações aliadas de antes, como PSD, PSDB e PMDB tendem a reeditar a aliança implantada em João Pessoa, em 2016, para a disputa do ano que vem. Com isso, o PSB enfrentará a mesma dificuldade vivida na campanha pela reeleição, em 2014, quando o governador penou para fechar uma chapa competitiva. O barco só começou a andar depois que se aliou ao prefeito Luciano Cartaxo (PSD).

Desconfiança

Diante deste aspecto, o governador terá que rever conceitos ditos por ele recentemente, quando falou que não seria candidato sem ter a certeza de que o cargo que ele representa, o de governador, estaria seguro. A declaração, dada no fim do ano passado, gerou saia justa para a vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT), e repercutiu mal entre os eleitores. Ficou claro que a composição fechada pelo gestor socialista, em 2014, foi meramente para a concretização de um projeto de poder e não de governo, como o prometido.

A prova de que o governador trabalha para ser candidato ao Senado é que a sua movimentação política, atualmente, é a de quem busca a disputa de um novo mandato, para evitar a perda completa da sua estrutura de poder. Isso foi visto no ato para marcar a “Inauguração Popular da Transposição”, em Monteiro, no último domingo (20). O gestor puxou para si o papel de protagonista das homenagens aos ex-presidentes Lula e Dilma, ambos do PT, com o intuito figurar na prateleira, como opção para uma futura disputa política.

No mesmo evento, vale ressaltar, Gervásio Maia foi vaiado por petistas e membros do coletivo – grupo fiel ao governador, que não escondeu a contrariedade na hora. Uma das estratégias de Ricardo para garimpar novos aliados é investir na divisão do PMDB do senador José Maranhão. Para isso, tenta atrair Raimundo Lira, que buscará uma improvável reeleição para o Senado em 2018. A preocupação dos socialistas é que mesmo com Ricardo na chapa não seja possível atrair mais ninguém de peso para compor o time.

Para 2018, a tese reinante é a de que com período eleitoral curto, hoje de apenas 45 dias, se cochilar, o cachimbo cai.