Eduardo Cunha cita Temer e Lula como testemunhas de defesa

Brasília- DF 14-07-2016   Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

Brasília- DF 14-07-2016 Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

Preso na Operação Lava Jato, o ex-deputado federal Eduardo Cunha incluiu em seu rol de testemunhas de defesa o presidente Michel Temer e o ex-presidente Lula. A indicação de testemunhas foi feita em um documento de defesa prévia do ex-parlamentar, que presidiu a Câmara dos Deputados. No documento, a defesa pede a absolvição de Cunha e a rejeição das denúncias contra ele apresentadas. O documento foi protocolado nesta terça-feira (1º) à noite na Justiça Federal, no Paraná.

A assessoria de Temer informou que não comentará o fato. Também foram arroladas como testemunhas o ex-ministro Henrique Alves, o pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, e o ex-senador Delcídio do Amaral, dentre outros nomes. Foram incluídas 22 testemunhas no processo. Segundo a defesa argumentou, “o número de testemunhas se justifica pelo número de fatos imputados ao defendente”.

Evidências de contas no exterior ainda não identificadas

Cunha está preso na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia 19 de outubro. Segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal, “há evidências” de que existem contas pertencentes a Cunha no exterior que ainda não foram identificadas, fato que, segundo os procuradores, coloca em risco as investigações. Além disso, os procuradores ressaltaram que Cunha tem dupla nacionalidade (brasileira e italiana) e poderia fugir do país.

A prisão foi decretada na ação penal em que o deputado cassado é acusado de receber R$ 5 milhões, que foram depositados em contas não declaradas na Suíça. O valor seria oriundo de vantagens indevidas, obtidas com a compra de um campo de petróleo pela Petrobras em Benin, na África. O processo foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal, mas, após a cassação do mandato de Cunha, a ação foi enviada para o juiz Sérgio Moro porque o ex-parlamentar perdeu o foro privilegiado.

Confira a lista com as 22 testemunhas convocadas pela defesa de Cunha:

1 – Michel Miguel Elias Temer Lulia

2 – Felipe Bernardi Capistrano Diniz

3 – Henrique Eduardo Lyra Alves

4 – Antônio Eustáquio Andrade Ferreira

5 – Mauro Ribeiro Lopes

6 – Leonardo Lemos Barros Quintão

7 – José Saraiva Felipe

8 – João Lúcio Magalhães Bifano

9 – Nelson Tadeu Filipelli

10 – Benício Schettini Frazão

11 – Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos

12 – Sócrates José Fernandes Marques da Silva

13 – Delcídio do Amaral Gómez

14 – Mary Kiyonaga (funcionária do Banco Merril Lynch, Genebra)

15 – Elisa Mailhos (funcionária do Banco Merril Lynch, Genebra)

16 – Luis Maria Pineyrua (representante da Posadas & Vecino, Consultores Internacionales Inc.)

17 – Nestor Cuñat Cerveró

18 – João Paulo Cunha

19 – Hamylton Pinheiro Padilha Júnior

20 – Luís Inácio Lula da Silva

21 – José Carlos da Costa Marques Bumlai

22 – José Tadeu de Chiara

Com informações da Agência Brasil

Não republicano: Temer dispensa encontro com Ricardo Coutinho

Não mais: Ricardo Coutinho divide a mesa com Michel Temer. Crédito: Rizemberg Felipe

Não mais: Ricardo Coutinho divide a mesa com Michel Temer nas eleições de 2014. Crédito: Rizemberg Felipe

O presidente Michel Temer (PMDB) teria todo o direito de dispensar, categoricamente, um convite para tomar um chope com o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Toda a razão ainda para dispensar convite de batizado, pôquer ou roda de samba. Essa seria uma atitude lícita do cidadão Michel Temer em relação ao cidadão Ricardo Coutinho, mas não do presidente respondendo a um pedido de audiência de um governador com pauta pré-estabelecida: os interesses da Paraíba. É lamentável, mas foi isso o que aconteceu. O presidente respondeu a um pedido oficial de audiência com um simples não tenho tempo.

O tema foi abordado no blog do jornalista Gerson Camarotti, nesta terça-feira (1°), e confirmado pelo governo do Estado. Em telefonema para o governador Ricardo Coutinho, o cerimonial do Palácio do Planalto disse que o presidente estava com “dificuldade de agenda para recebê-lo”. O gestor paraibano foi um dos principais defensores da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), alvo de um impeachment, e fez campanha para tentar reverter o quadro. No dia 24 de outubro, protocolou ofício pedindo a audiência para discutir a necessidade de liberação, pelo governo federal, de verbas para obras já executadas. O gestor se queixa de falta de repasses, a exemplo do que ocorreu com o Viaduto do Geisel.

O cerimonial do Planalto, no entanto, disse que seria impossível a reunião e que enviaria a solicitação de respostas para o Ministério da Fazenda. Ou seja, não houve sinalização, sequer, de uma reunião com os ministérios que estariam atrasando os repasses. A promessa foi apenas a de que os questionamentos sobre verbas não repassadas seriam respondidos através da pasta da Fazenda. O secretário de Comunicação do Estado, Luis Torres, reforçou que, apesar da negativa, “o governador está fazendo a parte dele, procurando os caminhos para defender as demandas da Paraíba. Naturalmente, apesar da negativa, da rejeição, vai continuar lutando a favor daquilo que é importante para o Estado não parar”.

 

Ricardo Barbosa nega descontentamento e diz que volta à AL já estava acertada

Ricardo Barbosa homenageia o Novembro Azul. Foto: Nyll Pereira

Ricardo Barbosa homenageia o Novembro Azul. Foto: Nyll Pereira

O deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) negou nesta terça-feira (1°) que haja qualquer descontentamento dele com o trabalho na Secretaria de Governo, em Brasília. O parlamentar assumiu o cargo em junho, dentro de uma articulação gestada na Granja Santana para levar à Assembleia Legislativa o suplente de deputado, Raoni Mendes (DEM). Informações de bastidores davam conta de que Barbosa, descontente com o cargo, procuraria o governador Ricardo Coutinho (PSB) em dezembro para comunicar o seu desejo de voltar à Casa. O que Barbosa nega veementemente. O seu retorno, ele reforça, foi definido no momento do convite para a missão em Brasília.

“Não estou e nunca estive descontente com o cargo que ora ocupo de secretário do Governo Estadual, em Brasília. Muito pelo contrário. Tenho sido produtivo e tenho a convicção de que estou prestando um bom serviço ao governo no sentido de destravar recursos, especialmente num momento em que o país passa por um agudo contingenciamento. O prazo para permanecer em Brasília e, portanto, para o meu retorno à Assembleia Legislativa já havia sido acertado com o governador Ricardo Coutinho desde o momento em que aceitei o seu chamado para assumir a pasta. Até porque todos sabem que estarei assumindo a primeira-secretaria da Assembleia Legislativa em 2017”, ressaltou.

O retorno de Ricardo Barbosa à Assembleia Legislativa trará dor de cabeça para a base governista, caso haja interesse em manter Raoni Mendes com mandato na Assembleia Legislativa. Para ele chegar ao cargo, foi preciso emparelhar as licenças de Buba Germano (PSB), Ricardo Barbosa (PSB) e Lindolfo Pires (Pros). Com o retorno de Buba, nesta semana, Mendes perderia o cargo para Arthur Cunha Lima Filho (PRTB), porém, este último, também suplente, tirou licença para tratamento de saúde. Um fato que poderá contribuir para a permanência de Mendes na Casa, agora, será uma eventual licença médica de Jeová Campos (PSB), que sofreu acidente doméstico recentemente e recebeu recomendação de cirurgia.

 

Descontente com Brasília, Ricardo Barbosa quer voltar para a Assembleia

Ricardo Barbosa homenageia o Novembro Azul. Foto: Nyll Pereira

Ricardo Barbosa homenageia o Novembro Azul. Foto: Nyll Pereira

O deputado estadual licenciado Ricardo Barbosa (PSB) parece não estar muito satisfeito com o cargo de secretário de Governo, em Brasília. O parlamentar circulou pela Assembleia Legislativa nesta terça-feira (1º), abraçou os colegas e deu entrevistas. Trajando paletó de tonalidade azul, em homenagem ao mês de prevenção ao câncer de próstata, ele disse que pretende entregar o cargo e voltar para a Casa em dezembro. O assunto será tratado com o governador Ricardo Coutinho (PSB) após o retorno da viagem que o auxiliar fará à China, em missão oficial, ainda neste mês.

A saída de Barbosa da Assembleia Legislativa foi essencial para a composição gestada na Granja Santana, com o objetivo de premiar o suplente de deputado estadual, Raoni Mendes (DEM), com a titularidade do cargo, mesmo que provisória. A operação envolveu a ida de Ricardo Barbosa para a Secretaria de Governo, a de Lindolfo Pires para Turismo e Desenvolvimento Econômico, além de uma licença para o tratamento de questões pessoais, pedida pelo deputado Buba Germano (PSB). Mendes é o terceiro suplente da coligação e, com a volta de Buba, se manteve no cargo por causa da licença médica do segundo suplente, Arthur Cunha Lima Filho (PRTB).

No início das articulações, Ricardo Barbosa chegou a resistir à indicação. O clima para ele dentro do partido, no entanto, não era dos melhores, devido aos arranca-rabos constantes com a também deputada estadual Estela Bezerra (PSB). O problema para acertar o retorno é que o parlamentar vai dificultar a promessa feita por Ricardo Coutinho a Raoni Mendes. Este último se licenciou da Câmara de João Pessoa para assumir o cargo na Assembleia. Caso fique sem espaço, voltará para a Câmara da capital e desalojará Sandra Marrocos (PSB) no mandato de vereadora.

Paraíba: governo não dá esperanças de reajuste para servidores em 2017

Tárcio Pessoa discursa durante sessão sobre a LDO

Tárcio Pessoa fala sobre a LOA de 2017

Os servidores estaduais paraibanos vão para o segundo ano com pouca ou nenhuma previsão de reajuste. A Lei Orçamentária Anual (LOA) enviada pelo governo do Estado para a Assembleia Legislativa não contempla qualquer previsão de aumento salarial para os profissionais, repetindo o cenário de 2016. A data base dos servidores estaduais é o mês de janeiro, porém, neste ano, o governador Ricardo Coutinho (PSB) editou medida provisória congelando salários e proibindo progressões no serviço público estadual. A medida vale por tempo indeterminado e já foi ratificada pelos deputados estaduais.

Durante audiência na Assembleia Legislativa da Paraíba, nesta terça-feira (1º), o secretário de Planejamento do Estado, Tárcio Pessoa, revelou as dificuldades para fechar as contas no azul, apesar de ter garantido que não haverá déficit primário. Ele lembra que o governo federal terá déficit de pelo menos R$ 100 bilhões. Quanto à possibilidade de reajuste, ele lembra que o orçamento para 2017 terá R$ 52 milhões a menos que o executado neste ano, ficando na casa dos R$ 11,38 bilhões. Além disso, o Estado compromete atualmente 64,4% da receita corrente líquida com pessoal, quando a lei estabelece como teto 60%.

Apesar de falar em dificuldade, Tárcio não é conclusivo sobre a impossibilidade de reajuste salarial: “Temos flexibilidade para, diante da macropolítica estabelecida pelo governador, definir quais são os caminhos. É uma decisão que cabe ao gestor maior do estado tomar. Estamos preparados para, em se houver espaço, fazer uma revisão orçamentária. Agora, sabemos que dentro do contexto nacional precisamos de muita prudência. Precisamos trazer o estado para dentro da relação de pessoal- receita corrente líquida que estabelece a Lei de Responsabilidade fiscal. Então, todos os órgãos do estado estão extrapolados por que, porque a receita caiu”, disse.

 

Discurso do prefeito do Recife pró-candidato próprio a presidente empolga aliados de Ricardo

Ricardo coutinhoOs socialistas paraibanos amanheceram radiantes depois que o prefeito do Recife (PE), Geraldo Júlio (PSB), deu entrevistas sinalizando com a defesa de candidatura própria do partido à Presidência da República, em 2018. O projeto de poder do partido foi descontinuado, em 2014, com a morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, então candidato ao cargo máximo do Executivo no país. Ele foi sucedido na disputa por Marina Silva, hoje na Rede, que terminou o pleito em terceiro lugar. Apesar de pouco provável, o nome do governador Ricardo Coutinho (PSB) é defendido na Paraíba para encabeçar o projeto.

Para Geraldo Júlio, o partido não pode ser peça na engrenagem eleitoral de nenhuma outra sigla, deve traçar projeto próprio, assim como o planejado anteriormente por Eduardo Campos. Ele lembra que o partido saiu fortalecido das eleições deste ano, com a eleição de mais de 400 prefeitos no país. O gestor também fez críticas à PEC 241, a Proposta de Emenda à Constituição que congela os gastos públicos por 20 anos, permitindo apenas a correção da inflação no período. Para o prefeito reeleito do Recife, isso prejudica os gastos com saúde, educação e infraestrutura, setores carentes principalmente nas cidades nordestinas.

Sentimento

O sentimento é compartilhado, em certa medida, por outras lideranças pernambucanas, o que tira o governador Ricardo Coutinho do isolamento entre os gestores contrários a uma composição mais efetiva com o governo federal. O partido, inclusive, integra a gestão do presidente Michel Temer (PMDB), com Fernando Bezerra Coelho ocupando o cargo de ministro das Minas e Energia. O nome dele, no entanto, não foi uma indicação do partido. O governador da Paraíba ficou isolado dentro da agremiação quando, neste ano, se posicionou e fez campanha contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Historicamente, os socialistas pernambucanos têm muita influência dentro do PSB e o movimento de Geraldo Júlio foi encarado por lideranças próximas ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, como uma tomada de posição contra uma aliança precoce do partido com lideranças de outras siglas. Um exemplo prático é a tentativa do vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), de atrair o partido para uma aliança com o governador Geraldo Alckmin, que disputa internamente com Aécio Neves a indicação do PSDB para a disputa do governo federal em 2018.

Apesar do projeto paraibano de lançar Ricardo Coutinho presidente da República ser, a preço de hoje, extremamente remoto, a saída do isolamento ideológico do partido já merece comemoração entre os socialistas do Estado. Até por que se o partido virar satélite do PSDB, em 2018, isso será muito ruim para a tentativa de eleger o sucessor do governador Ricardo Coutinho.