Fidel Castro e a revolução que resultou no golpe militar brasileiro

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Recorte do Diario de Pernambuco, em especial sobre os 50 anos do golpe. Na foto, Fidel Castro, ao centro, com o líder das Ligas Camponesas à esquerda, Francisco Julião

Todos fomos tomados, na manhã deste sábado (26), pela notícia da morte do ex-ditador cubano, Fidel Castro. Lembro de ter ouvido falar sobre ele desde a minha mais tenra infância, quando a pequenina ilha, encravada a poucos quilômetros da super-potência Estados Unidos, assombrava o mundo com sua persistência na busca pela sobrevivência do seu povo, em meio a embargos e sanções internacionais. Um pequeno país que se tornou referência na educação, nos esportes e na medicina. Um paraíso? Não, longe disso. O regime, iniciado em 1959, não conseguiu entregar tudo o que prometia. Pressionado pelo gigante do Norte e pouco amparado pelos comunistas, viu o povo cubano enfrentar uma economia de guerra que dura até os dias de hoje.

Mas o fato, deixando um pouco de lado a ilha, é que a revolução cubana inspirou muitos brasileiros, apaixonados pelos ideais comunistas. Isso fez, também, com que os olhos dos norte-americanos se voltassem para o Brasil, assim como para outros países latinos localizados mais ao Sul. O nosso país passou a ser visto com desconfiança por conta de uma pouco consistente ameaça comunista. E o Nordeste ocupou lugar de destaque entre as preocupações dos ianques, devido às semelhanças da região com a ilha de Fidel. Afinal, os movimentos sociais, com as Ligas Camponesas do advogado pernambucano Francisco Julião, alinhados ao surgimento de uma elite pensante com expoentes como o paraibano Celso Furtado e o pernambucano Paulo Freire, apontavam para algo maior.

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A propaganda anticomunista, bancada pelos Estados Unidos nos anos que antecederam o Golpe Militar

Os ideais de reforma agrária e a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) preocupavam as elites brasileiras e, principalmente, os Estados Unidos. Pelas dimensões continentais, um Brasil comunista seria o mesmo que uma China. E isso os norte-americanos não podiam permitir. Houve investimento na propaganda anticomunista e foram lançadas as bases para o golpe militar, tendo como artífice o embaixador norte-americano Lincoln Gordon. A frágil democracia brasileira contribuiu para isso, uma vez que o presidente João Goulart flertava com  o comunismo, prometia as reformas de base, mas não construiu as condições para isso e foi deposto.

Foi uma época do surgimento também de lideranças carismáticas de esquerda, como Miguel Arraes, em Pernambuco, e Leonel Brizola, no Rio Grande do Sul. O país fervilhava, com os ideais de uma sociedade menos desigual. Se daria certo e se o país viraria à esquerda, ninguém tem condições de dizer, porque o golpe militar sepultou essa experiência. Mas é possível dizer que por mais controvertida que seja, a figura de Fidel Castro inspirou tudo isso. Então, não temos como receber a notícia da morte do líder da revolução cubana sem relembrar tudo o que o movimento político daquele país representou para o Brasil.

3 comentários - Fidel Castro e a revolução que resultou no golpe militar brasileiro

  1. Boa reflexão. Agora para entender um outro lado da história, recomendo ler A ILHA de Fernando Morais. Só assim pode-se ter uma dimensão de como Cuba era no ano de 1959.

  2. ronaldo albuquerque. Disse:

    Um tirano sanguinário e impiedoso que mandou matar milhares de inocentes. Agora sua alma deve se encontrar queimando no fôgo do inferno.

  3. Um tirano sanguinário e impiedoso que mandou matar milhares de inocentes. Agora sua alma deve se encontrar queimando no fôgo do inferno para sempre.

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