Assassino confesso da família na Espanha usava “elmo do terror” durante chacina

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Patrick Gouveia exibe medalhão conde se vê o símbolo nórdico “elmo do terror”. Reprodução/Rede Globo

A investigação policial, na Espanha, ainda tem muito o que explicar sobre os motivos que levaram o jovem François Patrick Nogueira Gouveia a matar e esquartejar o tio, a mulher e os dois filhos deles na longínqua cidade de Pioz, no país europeu. Psicopatia, como indica uma das linhas de investigação; pura maldade, como teria se descrito o próprio Patrick, ou questão espiritual, como acredita um outro tio? De fato, há muitas pontas soltas na apuração. Uma delas é o medalhão usado durante o ato e exibido por ele em fotos.

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Foto enviada por Patrick Gouveia para Marvin Henriques no dia dos assassinatos. Reprodução/Rede Globo

O medalhão usado por Patrick Gouveia traz no centro um símbolo formado por um círculo entrecortado por tridentes. Trata-se de um símbolo escandinavo, denominado Ægishjálmur, e que deve ter origem na cultura viking, explica o professor doutor Johnni Langer, do Programa de Pós-graduação de Ciências da Religião da Universidade Federal da Paraíba (PPGCR-UFPB). “O símbolo traria vitória a seu possuidor”, ele acrescenta.

patrick-elmo-5Sites que tratam sobre símbolos nórdicos se referem ao “elmo do terror” como instrumento utilizado pelos vikings para obter coragem e invencibilidade; inspirar o terror no inimigo; expandir a percepção do seu utilizador e iludir o inimigo, causando-lhe perturbações visuais e alucinações. Algumas fontes referem que, utilizado com os devidos conhecimentos, este símbolo dotaria o seu portador com o poder da invisibilidade.

Patrick Gouveia assassinou a família no dia 17 de agosto. Via whatsapp ele revelou para o amigo Marvin Henriques Correia, de 18 anos, que matou primeiro a mulher do tio, Janaína Santos Américo,  depois os dois filhos pequenos do casal, Maria Carolina e Davi. O último foi o tio, Marcos Campos Nogueira. Um áudio tornado público nesta quinta-feira (3), gravado dias antes do crime, mostra Campos reproduzindo uma frase atribuída a Patrick, na qual ele se dizia mal e gostar disso.

“Ele disse para Janaína [esposa de Marcos], antes da gente se mudar [de Torrejón para Pioz]: ‘eu sou uma pessoa má. Eu tenho uma carinha de bobo, mas não sou uma pessoa boa, não. Eu sou uma pessoa má, e gosto de ser mau’ ”, contou Marcos na mensagem, dias antes de morrer. À polícia, o colega que acompanhava tudo à distância, Marvin Henriques Correia, preso preventivamente há uma semana, descreveu o jovem como aficionado por “literatura macabra e psicótica”.

Henriques, ao ser preso, negou envolvimento com as mortes, apesar de ser apontado pela polícia como a pessoa que teria orientado o amigo sobre como proceder no esquartejamento. Ao falar das preferências literárias de Patrick Gouveia, Marvin negou que compactuasse com os mesmos interesses. Entretanto, na casa dele, foi apreendido o livro “A parte obscura de nós mesmos: uma história de perversos”, de autoria de Elizabeth Roudinesco. A família nega qualquer relação.

O livro em questão teria pertencido à mãe de Marvin Henriques, a psiquiatra Andréia Ligia Vieira Correia, já falecida. Ela é uma das autoras do livro “Doutor, meu filho é normal?”, que dá dicas para as mães sobre o que observar no comportamento dos filhos. À polícia, o jovem disse não ter tido a consciência de cometimento de crime e se mostrou arrependido. O caso veio à tona porque um amigo de Marvin teve acesso às fotos e denunciou o caso à Polícia Federal.

Ocultismo
patrick-elmo-3No mesmo dia em que defendeu prisão perpétua para Patrick Gouveia, outro tio dele, Walfran Campos, abriu um leque gigantesco de suposições sobre o que teria levado o sobrinho a praticar o crime. O jovem é descrito pela família como uma pessoa tranquila. “Pode ser isto, problema mental, psicológico, que pode ser até espiritual, que muita gente não acredita, mas eu não descarto, como possa ser também a maldade”, pontuou, durante entrevista ao Jornal da Paraíba.

Uma reportagem divulgada pelo Fantástico, da Rede Globo, mostra coincidências envolvendo o número 17. O crime ocorreu no dia 17 de agosto e os corpos foram encontrados um mês depois, no dia 18 de setembro. Depois das mortes, Patrick Gouveia retornou a João Pessoa e mandou tatuar no peitoral o símbolo XVII, em algarismos romanos. Ele, segundo Marvin Henriques, não gostava do número.

Procurado pela reportagem, o coordenador do Programa de Pós-graduação de Psicologia da UFPB, Cícero Roberto Pereira, explicou que as investigações precisarão avançar em relação às causas que motivaram o crime para que se possa tirar conclusões sobre uma eventual psicopatia do jovem ou outros tipos de motivações. Sobre o medalhão com o “elmo do terror”, ele evitou tecer comentários sobre a consciência ou não do jovem em relação à simbologia do medalhão.

5 comentários - Assassino confesso da família na Espanha usava “elmo do terror” durante chacina

  1. Luiz Ribeiro Disse:

    Um fato marcante de crime, maldade, só isso vale..

  2. Gabriel Disse:

    Como explorar mais um assassinato? Ah, vamos fazer de um pingente notícia…

  3. Andrey Porto Disse:

    Jornal praticando sensacionalismo barato, tá precisando de vendas? O único motivo pra o assassinato foi a mente doentia do garoto. Psicólogos e psiquiatras já apontam isso; mostram que o garoto apresentava comportamento com distúrbios, psicopatia. Jornal da Paraíba, cada vez mais caindo no conceito de informativo pra sensacionalista.

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