‘Batida de pino’ de Renato Martins ocorreu após tentar apoio de Cartaxo

Renato Martins fez denúncias graves contra aliados. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

Renato Martins culpa a derrota pelas declarações contra aliados. Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

O vereador de João Pessoa, Renato Martins (PSB), usou a tribuna da Câmara Municipal, nesta terça-feira (18), para dar provas incontestes de que ‘pino é feito para ser batido’. Depois de 15 dias de silêncio e recolhimento, seguidos às graves denúncias contra lideranças da sigla, acusadas por eles de fazerem uso de corrupção para eleger uma bancada socialista para a Casa, o parlamentar contemporizou. Atribuiu as denúncias contra a deputada Estela Bezerra, a secretária de Administração, Livânia Farias, e ao procurador Geral do Estado, Gilberto Carneiro, ao destempero provocado por sua derrota nas urnas.

“Vazaram um zap onde debatia com um filiado do PSB, pertencente a um grupinho que fazia chacota comigo. Não vazei o áudio. Aproveitaram um momento de emoção diante da dor de uma derrota para me prejudicar por disputas pequenas por espaço. Meu interesse era me defender daquela chacota. Bateram em mim e eu usei as fofocas que se escutam em todas as esquinas para me defender. Eu estava num momento de emoção. A derrota emociona. Este grupo veio tirar onda e na mesma hora respondi com aquilo que escuto em todo canto”, disse Martins na sessão desta segunda-feira (18).

Renato Martins em Brasília, pouco antes das audiências

Renato Martins em Brasília, pouco antes das audiências

A convicção do vereador em relação às denúncias foi reduzindo com o tempo. Os áudios com as acusações foram vazados no dia 5 deste mês, portanto, três dias após as eleições. Diferente do que é dito agora, o vereador se manteve na ofensiva no primeiro momento. Ao ser ameaçado de processo pela direção municipal do partido, disse que teria como comprovar tudo. Fez postagem no Facebook neste sentido, depois apagada por ele. No mesmo dia, seguiu para Brasília, onde buscou uma audiência com um deputado aliado do prefeito Luciano Cartaxo (PSD). Queria apoio. Disse que o partido pediu para assinar uma carta negando tudo e ele recusou. Garantia ter provas das acusações. O encontro com o aliado de Cartaxo ocorreu antes de uma audiência com o deputado Damião Feliciano.

Na reunião com o aliado de Cartaxo, Renato Martins pediu uma audiência com o prefeito reeleito, mas foi avisado posteriormente que o pessedista não entraria nesta polêmica. Na sequência, o vereador viajou para Fortaleza, no Ceará, sua cidade natal. De lá, manteve contato com aliados. Sem o apoio esperado dos adversários, manifestou arrependimento das acusações e disse que usaria o plenário da Câmara para negar tudo. Um dos seus aliados disse nesta segunda-feira (18) que havia retratação por parte do vereador. Representantes da bancada de oposição na Assembleia procuraram o Ministério Público e pediram investigação.

Renato Martins em postagem apagada das redes sociais

Renato Martins em postagem apagada das redes sociais

Renato Martins chegou a ser convidado pelo Ministério Público da Paraíba a dar explicações sobre as acusações feitas. Um aliado próximo ao vereador relatou que, na época, ele o convidou a se unir na “guerra” contra o que chamou de corruptos do partido. Não conseguiu convencê-lo. Sem o apoio que esperava, o vereador foi convencido a desmentir tudo e colocar a culpa na emoção por conta da derrota e isso foi feito. A tendência, agora, é que os processos prometidos por Estela, Gilberto Carneiro e o vereador eleito Tibério Limeira sejam retirados.

Lembrando a denúncia

Após sair das urnas derrotado, o vereador foi alvo de um vazamento de um áudio com denúncias sérias. Nele, Renato Martins dizia que lideranças do partido fizeram uso de corrupção, com o auxílio do governo do Estado, para financiar “corruptos” da sigla para a Câmara Municipal. A lista de “corruptores” apontada incluía a deputada estadual Estela Bezerra (PSB), a secretária de Administração, Livânia Farias, e até o procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro.

“É a corrupção de Livânia (Farias) que bancou a eleição de Tanilson (Soares), somada ao roubo que Tibério (Limeira) fez. Ele e Estela saquearam o dinheiro do Estado ao longo dos quatro anos. De vários órgãos, inclusive com Krol (Jânio, da Codata), com muita tecnologia, inclusive ai dentro de um laboratório para a Educação e vendendo aparelhos de nota fiscal para órgãos comerciais, estabelecimentos comerciais foram obrigados a trocar um aparelho de R$ 500 por outro de R$ 3 mil, comprado de uma empresa ligada a Krol”, disse.

Renato Martins continuou dizendo que tudo teria ocorrido “com intermédio de Estela Bezerra, a deputada corrupta. E claro que a deputada corrupta fez um vereador corrupto para ter silêncio na Câmara. Não vão fazer opinião, são silenciosos. São corruptos igual a (Luciano) Cartaxo (prefeito reeleito de João Pessoa)”. Ele continua: “Tanilson (Soares) recebeu dinheiro de Livânia, que é corrupta maior, chefe, né? Da corrupção dentro do Estado. E aí você tem correndo por fora Tanilson, que tem um dinheiro próprio, com Léo Bezerra que saqueou a Saúde, inventando mentiras. Saqueou o Detran, com as casas lotéricas, com as maquinetas, saqueou a Lotep”.

E completou, em outro áudio, com acusações contra Gilberto Carneiro, acusado por ele de envolvimento no caso Desck. “Ele (Carneiro) até impediu a CPI da Lagoa, porque não queria ir mais para a Câmara, naquele escandaloso caso em que ele recebeu comissão na compra de material escolar que nunca chegou nas escoals. Nestes casos a gente precisa agir. É papel do vereador lutar e eu sou um vereador de luta”, disse. Procurado pelo blog nesta manhã, Renato Martins não atendeu e nem retornou as ligações. Um assessor dele disse que o parlamentar garantiu ter como provar as acusações e que tem mais coisas para revelar.

A única entre os eleitos a não ser citada na relação de beneficiados com corrupção por Renato Martins foi a vereadora eleita Sandra Marrocos. O partido elegeu ainda Léo Bezerra, Tanilson Soares e Tibério Limeira.

comentários - ‘Batida de pino’ de Renato Martins ocorreu após tentar apoio de Cartaxo

  1. Rubens Figueiredo Disse:

    É o comportamento fiel de uma pessoa incapacitada para cumprir um mandato eletivo. Foi eleito e não soube de forma nenhuma manter o seu eleitorado, logo, não representou bem. E além do mais é covarde, não assume o que faz, tenha uma atitude descente pelo menos no fim do mandato que o povo de J.Pessoa, por descuido, lhe concedeu. Seja homem uma vez na vida!

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *