Ricardo e o malabarismo com os números das eleições de 2016

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Ricardo Coutinho reúne prefeitos eleitos para projetar as gestões municipais com base nas diretrizes socialistas

A matemática é uma ciência exata e empresta lógica a tudo no nosso dia a dia. Correto? … Nem sempre. A premissa, apesar de fazer muito sentido, não resiste aos discursos políticos. Um exemplo típico é o do governador Ricardo Coutinho (PSB). Depois de amargar uma fragorosa derrota nas urnas nos principais municípios da Paraíba, neste ano, o socialista promoveu uma reunião com os prefeitos eleitos do partido para discutir as prioridades das gestões. De quebra, aproveitou para usar os dados extraídos das urnas para dizer que a sigla socialista foi a maior vencedora neste ano. E foi, porém, com um reinado praticamente restrito aos rincões do Estado.

O PSB conquistou 53 municípios nas urnas, bem menos que PMDB, quando José Maranhão era governador, e PSDB, quando Cássio Cunha Lima dava as cartas. Mesmo assim, os socialistas têm dados importantes para apresentar como referência de sucesso. O partido teve o maior número de votos recebidos. Foram 592.480, contra 409.429 dos tucanos e 374.074 dos pessedistas. Apesar disso, os aliados do governador vão governar os destinos de bem menos paraibanos que os oposicionistas juntos. Só João Pessoa e Campina Grande, governados por Luciano Cartaxo (PSD) e Romero Rodrigues (PSDB), vão comandar os destinos de mais de 1,2 milhão de pessoas.

Os números são mais alarmantes no que diz respeito ao comando nos municípios e põem em risco o desejo do governador de fazer o sucessor em 2018, quando não poderá disputar a reeleição. Ricardo tem uma avaliação pessoal superior a 80%, porém, saiu das urnas deste ano com fama de mal padrinho na tentativa de eleger Cida Ramos em João Pessoa e Adriano Galdino em Campina Grande. A primeira ficou quase 100 mil votos atrás de Cartaxo. Já o segundo amargou uma derrota vergonhosa, ficando em quarto lugar na disputa pela prefeitura no pleito vencido pelo atual gestor, Romero Rodrigues, no primeiro turno.

Acrescentando números à discussão, podemos dizer que os partidos de oposição ao governador os destinos de 2,8 milhões de paraibanos, ao passo que os socialistas e seus aliados vão comandar 1,1 milhão de habitantes. É pouco representativo? Não, porque o governador está impedido de disputar a reeleição. Apesar disso, o resultado é inversamente proporcional aos esforços e projeções dos socialistas, que precisarão chegar fortes em 2018 para tentar eleger o sucessor de Ricardo Coutinho. O partido tem massa de manobra para se aproximar do desejável. Passados poucos dias do pleito, já atraíram três prefeitos “adversários” para as fileiras do PSB.

Os socialistas iniciam um processo de atração de prefeitos adversários para que se cumpra o projeto do partido, de se aproximar dos 100 prefeitos. É difícil dizer se isso será possível, já que a política tem dois atrativos: poder e perspectiva de poder. A segunda opção sempre tende a ser mais motivadora, pelo fato de representar a renovação. O eleitorado paraibano tem se mostrado ávido pelas substituições dos grupos políticos no poder. Foi assim com os ex-governadores Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão e Cássio Cunha Lima, cada um com o seu tempo à frente do Executivo. Para derrubar esta máxima, em 2018, o governador precisará retirar números mais consistentes da urna.

2 comentários - Ricardo e o malabarismo com os números das eleições de 2016

  1. Marcelo Sitônio Disse:

    A partir do seu comentário, podemos concluir que o governador é tão manipulador que quer fazer de uma ciência exata, inexata. Nos cálculos dele, 2+2 será sempre igual a 5.

  2. Acontece que agora, RC não tem mais as tetas de Dona DR para mamar, acabou a bacia leiteira dele, sem dinheiro ninguém compra nada e tem mais todo apogeu tem seu declínio e o de RC está bem próximo.

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