Cineasta que protestou contra Temer deixa o governo

aquarius

Imagem: Reprodução/Uol

O cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de “Aquarius” e “O Som ao Redor”, pediu desligamento do cargo que exercia no governo federal. Ele encaminhou carta ao presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Luiz Otávio Cavalcanti, nesta quarta-feira (5), comunicando a decisão. Mendonça atraiu contra si a ira de integrantes do governo do presidente Michel Temer (PMDB), ainda no curso do processo de impeachment, por causa de um protesto durante a estreia de “Aquarius”, em Cannes, quando a equipe do filme, liderada pelo diretor e pela atriz Sônia Braga, protestou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Os integrantes do filme, inclusive Mendonça, seguraram cartazes onde se lia “Um golpe ocorreu no Brasil”, “Resistiremos” e “Brasil não é mais uma democracia”. A sequência das polêmicas contabiliza episódios como a não escolha do filme pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar 2017 e ainda o estabelecimento de censura de 18 anos para a exibição do longa nos cinemas. O diretor brigava para que a idade mínima fosse de 16 anos, o que só ocorreu após muita polêmica, inclusive com críticas contra o governo federal sobre uma eventual perseguição ao elenco do filme.

Na carta que enviou enviou à direção da Fundaj para justificar o pedido de desligamento, o profissional disse que precisava deixar o cargo por causa da sua ascensão como cineasta e o aumento de suas viagens nacionais e internacionais para apresentar seus trabalhos. “Vejo que equilibrar minha função fixa e diária na instituição com minhas produções torna-se finalmente inviável”, diz na carta. Mendonça ressaltou ainda que se esforçou para exercer as duas atividades, mas admite que não foi possível. Ele exercia cargo na coordenadoria do Cinema da Fundação há 18 anos.

 

 

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