Depois de Hugo Motta, Nabor Wanderley vira alvo de delação premiada

Nabor Wanderley terá que recorrer ao TRT para continuar candidato. Foto: Roberto Guedes/ALPB

Nabor Wanderley conseguiu no TRE a liberação para disputar a prefeitura. Foto: Roberto Guedes/ALPB

A operação Desumanidade promete muita dor de cabeça ainda para o clã Motta. Depois de acusar o deputado federal Hugo Motta de ter recebido 20% de propina para a execução de contratos pagos pela prefeitura de Patos, durante o mandato da prefeita afastada Francisca Motta, o empresário José Aloysio da Costa Machado Neto, um dos donos da Soconstrói, agora mira o deputado estadual e candidato a prefeito da cidade, Nabor Wanderley, pai de Hugo. As acusações contra os peemedebistas foram feitas ao Ministério Público Federal em forma de proposta de delação premiada. As informações foram divulgadas pelo jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de São Paulo, e confirmadas pelo blog. O empresário alega que pagou 10% de propina a Nabor para a execução dos contratos.

O período relatado por Aloysio é 2010, quando Nabor Wanderley era prefeito de Patos, Hugo já era deputado federal e Francisca Motta ainda ocupava uma das 36 cadeiras da Assembleia Legislativa. “Hugo Motta já era deputado federal nesta época. Nabor ganha as eleições e todas as obras vão ser executadas por Segundo Madruga, as empresas eram emprestadas, 10% do valor das obras iriam para o grupo político comandado por Nabor – o grupo envolve Nabor, Hugo Motta, Chica Motta, Ilanna Motta e outros menores”, explicou o empresário em sua proposta de delação, gravada em vídeo no dia 4 de agosto. Segundo Madruga, na época, era casado com a irmã de Hugo, filha e Ilanna Motta. O envolvimento dele, segundo as investigações, teria ido de uma gestão a outra (Nabor a Francisca Motta).

Nabor Wanderley chegou a ter o registro de candidatura impugnado pela Justiça Eleitoral, por causa de contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), mas a decisão deverá ser reformada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Este, pelo menos, é o entendimento da maioria da corte. A proposta de delação do empresário José Aloysio da Costa Machado Neto inclui obras referentes às gestões de Nabor e Francisca Motta.

O recorte a seguir faz referência às denúncias mais recentes, investigadas na gestão de Francisca Motta:

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Segundo Madruga, prefeito de Emas, foi um dos presos no dia 9 deste mês no curso da operação Veiculação. Na mesma ação, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria Geral da União (CGU) levaram para a cadeia Ilanna Motta, filha de Francisca Motta (ex-chefe de Gabinete de Patos), e o prefeito de São José de Espinharas, Renê Caroca, marido de Ilanna. Este último é candidato à reeleição. Na época, apesar de não ter sido presa, Francisca Motta, a exemplo dos outros dois gestores, foi afastada do cargo. Todos foram soltos, com exceção de Ilanna, que está em prisão domiciliar, com licença para trabalhar no Tribunal Regional do Trabalho e obrigada a se recolher no período da noite.

Contrato

Na proposta de delação, segundo o jornalista do Estadão, o empresário também afirmou que Segundo Madruga se reuniu com Nabor Wanderley para determinar que a obra de terraplanagem, alvo da denúncia, ficaria a cargo da empresa de fachada Suport. O fato teria ocorrido em 2010, para um contrato de R$ 1,096 milhão. A escolha da empresa teria ocorrido por direcionamento da licitação. O edital deveria atender as especificidades da empresa, para que ela fosse escolhida. Isso teria sido articulado por Segundo Madruga e Hugo Motta, de acordo com a denúncia.

 

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