Empresário diz ao MPF que pagou propina de 20% para Hugo Motta

Crédito: Lucio Bernardo Jr./Agência Câmara

Crédito: Lucio Bernardo Jr./Agência Câmara

As acusações de corrução na prefeitura de Patos, no Sertão paraibano, chegaram ao deputado federal Hugo Motta (PMDB). O parlamentar, que presidiu a CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados, é acusado de ter recebido propina de 20% dos contratos firmados entre o poder público municipal e o grupo de empresários investigados no âmbito da operação Desumanidade. Ao Ministério Público Federal da Paraíba, o empresário José Aloysio Machado da Costa Júnior, dono da empresa Soconstrói, ofereceu a informação em forma de delação premiada. Ele se encontra em prisão domiciliar. As informações são do blog de Fausto Macedo, do Estadão.

De acordo com a publicação, José Aloysio teria pago a propina para a campanha de reeleição de Hugo Motta, em 2014. O dinheiro viria das obras de construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em depoimento gravado em vídeo e repassado para os investigadores, o empresário disse que o dinheiro teria saído do Contrato 51/2013. O referido contrato previa a construção de 11 unidades básicas de saúde (UBS) e de uma academia de saúde em Patos. Os desvios de recursos foram denunciados no curso da operação, que corre em segredo de Justiça. Parte dos recursos para a obra foi bancada com emendas parlamentares do deputado.

A aceitação ou não da delação ficará a cargo do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo fato de Hugo Motta ter foro privilegiado. Ele integrava o grupo mais próximo ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cassado por quebra de decoro parlamentar. A prefeitura de Patos era comandada pela avó do deputado paraibano, Francisca Motta (PMDB), que foi afastada do cargo por determinação do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5). A mãe dele, ex-chefe de Gabinete do município, Ilanna Motta, se encontra em prisão domiciliar, em decorrência das investigações na operação Veiculação.

Empresários

José Aloysio integra o núcleo empresarial dos acusados de envolvimento nos supostos esquemas de fraudes em licitações e desvio de dinheiro em obras executadas pela prefeitura de Patos. Foram presos na operação José Aloysio Júnior e Cláudio Roberto Medeiros, além de José Aloysio da Costa Machado Neto (pai de Aloysio Júnior e o grande chefe da empresa) e Severino Alves de Figueiredo. Todos integravam o grupo que comandava a Soconstroi Construções e Comércio LTDA. Uma parte do grupo foi presa no dia 28 de julho e o restante em 10 de agosto, quando foram ouvidos.

Documentos conseguidos com exclusividade pelo blog apresentam indícios de que o suposto esquema possuía uma estrutura complexa e desconectada dos princípios republicanos. As investigações, que resultaram em mandados de condução coercitiva e busca e apreensão autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), tiveram como principal foco a Prefeitura de Patos. A Francisca Motta e a filha dela, Ilanna Motta (chefe de Gabinete), segundo o MPF, teriam utilizado a empresa Soconstroi para vencer licitações previamente direcionadas e que, após vencidas, “a empresa funcionava apenas como uma fachada para encobrir a ilegalidade na execução das obras, as quais ficavam a cargo de amigos, familiares e agentes públicos da própria Prefeitura Municipal de Patos ou até de outra Prefeitura”.

 

Operação Desumanidade

Trata-se de investigação que apura fraude à licitação, desvio de recursos e lavagem de dinheiro em obra de município do sertão do estado. As apurações ocorrem sob sigilo por determinação do Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

 

 

comentários - Empresário diz ao MPF que pagou propina de 20% para Hugo Motta

  1. Não só Hugo Motta.
    Mais de 200 parlamentares federais são investigados pelo STF.
    No ritmo atual não serão julgados nunca.
    Leia, assine e divulgue petição por MUTIRÃO no STF.
    bit.ly/MutiraoSTF

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