“É um escárnio”, diz secretário sobre juiz da propaganda de João Pessoa

Luis Torres_sobre juizNão ia demorar a acontecer e aconteceu neste domingo (11). O secretário de Comunicação do Estado, Luís Torres, usou as redes sociais para fazer um desabafo contra a escalação de José Ferreira Ramos Júnior, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), para a função de juiz da propaganda de mídia de João Pessoa. A queixa aconteceu horas depois de o magistrado ter proferido decisão favorável à coligação “Força da União por João Pessoa”, encabeçada pelo prefeito e candidato à reeleição, Luciano Cartaxo (PSD). Os socialistas foram obrigados a retirar do ar uma propaganda em que o vice na chapa encabeçada por Cartaxo, Manoel Júnior (PMDB), faz críticas ao gestor. A assessoria jurídica da sigla pessedista alega que a propaganda não tomou o cuidado de dizer que a crítica foi feita há dez meses.

A “suspeição” levantada pelo secretário, que ele corre em dizer que é pessoal, do cidadão Luís Torres, leva em conta o fato de Ferreira Júnior ser casado com a deputada estadual Daniella Ribeiro (PP). O ingrediente “suspeito” em toda essa história, segundo ele, seria o fato de os pepistas, na capital, estarem na base de apoio de Luciano Cartaxo e terem, inclusive, contribuído com tempo de TV para a coligação. “Somente a relação direta entre o juiz e uma liderança política que torce pela vitória do prefeito Luciano Cartaxo, antes mesmo dele prolatar qualquer decisão, já sugeriria ao TRE que o deixasse de fora do processo”, diz o secretário em um dos trechos. Diz ainda que se integrasse o jurídico do PSB pediria a suspeição do magistrado. Com a palavra, José Ferreira Ramos Júnior…

Confira a íntegra da postagem do secretário

“Mesmo observando de longe as eleições deste ano em João Pessoa, entre tantos fatos, um deles tem provocado meu instinto jornalístico e, antes dele, meu senso de cidadão, não me deixando passar omisso. Eis que faço neste espaço de uso completamente pessoal.
O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba não poderia jamais permitir que a propaganda de mídia das eleições na Capital, que inclui principalmente o Guia Eleitoral, um dos mais importantes instrumentos de qualquer eleição, estivesse nas mãos de um juiz que tivesse qualquer ligação direta com um dos partidos envolvidos no processo.
É um escárnio. E parece que todo mundo faz cara de paisagem como se estivesse com medo de praticar bullying.
Falando claramente, é inconcebível que o juiz José Ferreira Ramos Júnior, marido da deputada Daniella Ribeiro, dirigente do Partido Progressista, que integra a coligação encabeçada pelo prefeito Luciano Cartaxo, garantindo-lhe, além de outras coisas, tempo de televisão no próprio Guia Eleitoral, seja o julgador desse processo.
Isso, talvez, seja o caso mais escandaloso de permissividade das eleições municipais deste ano no Brasil.
Não tenho nada contra o juiz José Júnior, a quem reputo, inclusive, uma excelente carreira jurídica e uma afabilidade pessoal digna de uma educação admirável.
Mas esse é um caso rasgado de inadequação.
Somente a relação direta entre o juiz e uma liderança política que torce pela vitória do prefeito Luciano Cartaxo, antes mesmo dele prolatar qualquer decisão, já sugeriria ao TRE que o deixasse de fora do processo.
Não bastasse isso, no entanto, o juiz contabiliza em suas decisões um placar totalmente favorável ao prefeito Luciano Cartaxo. Parece, pelo o que tenho acompanhado pela imprensa, que o marido da deputada Daniella Ribeiro acatou todos os pedidos da coligação do prefeito Cartaxo, apoiada pelo PP, e negou todos os pedidos da coligação encabeçada pela professora Cida Ramos.
O TRE não está vendo isso? Ninguém está vendo isso?
Eu, de minha parte, se estivesse integrando o jurídico da coligação do PSB, ou qualquer outra coligação em disputa em João Pessoa, já teria pedido formalmente a suspeição do juiz José Ferreira Ramos Júnior. Repito: ao que sei, um magistrado conceituado. Mas, sabidamente, no lugar errado.
E que, convenhamos, deve ter hoje o trabalho nas eleições de João Pessoa extremamente aprovado. Principalmente dentro de casa.”

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