Com empresas fora, até mortos já figuram entre os doadores de campanha

Cena do seriado The Walking Dead

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Não, não se trata da onda cinematográfica de filmes sobre mortos-vivos perambulando pelas cidades. Falo dos mortos, mortos que estão inseridos no ranking de doações de dinheiro para os candidatos a prefeito e a vereador pelo Brasil a fora. Os dados foram divulgados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O órgão identificou nada menos que 38,9 mil doadores suspeitos, 1,4 mil despesas com indícios de irregularidades e 34% de irregularidades do total de contas analisadas. Os dados não foram destrinchados e serão analisados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o tribunal já revelou a existência de muitos defuntos na lista.

Os indícios de irregularidades foram encontrados nas prestações de contas dos candidatos às eleições de outubro, entregues à Justiça Eleitoral. De acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, as irregularidades podem resultar na impugnação das candidaturas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). “Nós temos que acompanhar isso com rigor. Já tivemos no passado mortos que votavam. Agora, temos mortos que doam”, disse Mendes. Os dados fazem parte da primeira lista de indícios de irregularidades encontradas na prestação de contas dos candidatos às eleições de outubro.

Neste ano, passou a vigorar nova regra, instituída pela Reforma Eleitoral aprovada no ano passado, na qual os partidos e candidatos são obrigados a enviar à Justiça Eleitoral dados sobre arrecadação e despesas de campanha a cada 72 horas. Com a nova lei, as doações de empresas foram proibidas e foram permitidas somente doações por pessoas físicas, limitadas a 10% do rendimento do ano anterior. Antes da vigência da nova regra, os dados eram enviados somente três vezes durante a campanha, com duas prestações parciais e prestação de contas finais. Para analisar os dados, o TSE firmou um convênio com o TCU.

De acordo com Aroldo Cedraz, presidente do TCU, os dados representam 34% de irregularidades do total de contas analisadas. “Há indícios claros de várias irregularidades. Para vocês terem uma ideia são 34% de irregularidades que nós estamos verificando, no primeiro momento, em relação aos doadores. Em relação aos fornecedores, 2% de irregularidades. Mas, claro, isso nós iremos passar às mãos do presidente do TSE, que poderá encaminhar esses dados aos juízes eleitorais dos municípios para que possam checar melhor esses dados”, disse. Foram analisadas 114,5 mil doadores e 60,9 mil fornecedores.

comentários - Com empresas fora, até mortos já figuram entre os doadores de campanha

  1. genezio Fernandes figueredo Disse:

    O TSE tem que impugnar a candidatura de quem recebeu essa doação,sumariamente.

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