Jogo dos números e viés ideológico na briga entre Ricardo e o governo Temer

A briga entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o governo provisório do presidente Michel Temer (PMDB-SP) pelos R$ 17,5 milhões estornados das contas do Estado tem revelado, antes de tudo, muita informação conflitante e grande viés ideológico. O dinheiro seria usado para concluir as obras do viaduto do Geisel, em João Pessoa, considerada vital pelos socialistas para contribuir com a pré-candidatura de Cida Ramos (PSB) a prefeita da capital. O combustível é a briga política entre aliados de Temer e da presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

RICARDO E DILMA

Os dois lados apresentam números conflitantes na “guerra” de notas oficiais e discursos sobre o tema. O valor total do contrato é de R$ 17,8 milhões e foi firmado em 2012. Este é o único consenso. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, diz que o governo federal resgatou os R$ 17,5 milhões do convênio, o equivalente à integralidade do contrato, porque o dinheiro foi passado de forma ilegal pelo “governo afastado” de Dilma Rousseff (PT), aliada de primeira ordem de Ricardo, que fez campanha contra Michel Temer.

A partir daí, vem a grande contradição. O governo do Estado diz ter executado 58% da obra, mas o Ministério das Cidades reconhece apenas 22%. Por conta disso, segundo Bruno Araújo, não faria sentido repassar todo o dinheiro para uma obra que não está concluída, como determina a sistemática adotada pelo Ministério. Ele diz que Dilma Rousseff privilegiou Ricardo Coutinho, por ser aliado, em detrimento de outras obras mais avançadas em estados comandados por adversários políticos dela.

Matéria publicada no Jornal da Paraíba pelo jornalista Rubens Nóbrega é muito elucidativa sobre essa questão numérica. Contra o discurso de Ricardo, nos balancetes do Ministério das Cidades, o viaduto do Geisel é contabilizado como uma obra atrasada. Do contrato de R$ 17,8 milhões, foram subtraídos R$ 17,5 milhões pelo governo federal e pagos apenas R$ 239,5 mil. Pelas medições, o ministro admite liberar mais R$ 3,8 milhões, se o caso não for judicializado por Ricardo. Se for…

Ricardo fala em perseguição e o embate vai municiar o discurso da militância durante a vinda da presidente afastada Dilma Rousseff à Paraíba nesta quarta-feira (15). Neste fim de semana, ele disse que Temer quer resgatar a “Velha República”. De quebra, os adversários do governador no Estado, a exemplo do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), do mesmo partido de Bruno Araújo, foram apontados como incentivadores do corte no repasse dos recursos.

O fato é que tirando o viés político, se o governador quiser ver a obra concluída, terá que jogar o jogo do Ministério das Cidades e comprovar que executou mais da obra que o registrado pela pasta. Pode judicializar, mas isso vai retardar ainda mais a liberação de recursos. Por fim, poderá sacrificar outras obras para priorizar o viaduto. O orçamento total do empreendimento é de R$ 38 milhões e a previsão de entrega é agosto.

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