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Ibope revela que os políticos de hoje não representam os brasileiros

O Ibope divulgou nesta segunda-feira (27) uma pesquisa de opinião sobre os presidenciáveis e, acreditem, os números chamaram a atenção muito mais pela rejeição que pela preferência. Tudo perfeitamente explicado pelos escândalos de corrupção que enlamearam as lideranças do Partido dos Trabalhadores, mas que a oposição não consegue capitalizar. Tem sido difícil para ela se afastar da antiga tese de que são todos farinha do mesmo saco.

Mas vamos aos números. Se as eleições de 2018 fossem hoje, 55% do eleitorado não votaria de jeito nenhum no ex-presidente Lula (PT). A coisa não é muito melhor quando os candidatos são José Serra (54%), Geraldo Alckmin (52%) e Aécio Neves (47%), os três do PSDB, ou mesmo com Ciro Gomes (PDT), com 52%, e Marina Silva (Rede), com 50% dos eleitores deixando bem claro que não votariam nela.

Isso explica muita coisa. Todas elas ligadas ao momento político brasileiro, apesar de a raiz estar lá atrás, em 2013, quando milhares de pessoas foram às ruas com pautas de reivindicações difusas, mas tendo a corrupção como principal ponto da insatisfação. De lá para cá, foram Mensalão e Lava Jato, envolvendo PT e aliados, e escândalo dos trens acertando em cheio os tucanos.

O resultado disso é que nenhuma liderança nacional pode hoje dizer que representa a massa insatisfeita com a política. Até por que a insatisfação tem como alvo a classe política, que teima em se enlamear. A presidente Dilma Rousseff (PT) não tem crime de corrupção ligado diretamente a ela, mas todos sabem que quando candidata à reeleição, ela mentiu descaradamente para vencer as eleições.

O ex-presidente Lula vê cada vez mais a operação Lava Jato se aproximando. Nesta segunda-feira, a Polícia Federal cumpriu mandato de busca no escritório de um dos filhos dele, Luís Cláudio Lula da Silva, dentro da operação Zelotes. E o que dizer de Aécio Neves, aquele do aeroporto construído com dinheiro público nas terras da família? Ou o que, quando governador de Minas, usava o avião do governo para curtir as noites cariocas?

Bem, o fato é que os protestos que pedem a saída de Dilma do governo desde o início do ano pregando o impeachment conseguem a façanha de ir para a rua e não atrair povo. Caiu no descrédito também. Aécio, em certo momento, achou que poderia capitalizar a insatisfação popular. Fez mobilização, foi para a rua, e o protesto foi um grande fracasso, menor que os anteriores. É por isso que Marina Silva não tem botado o nariz fora de casa.

Temos a Câmara dos Deputados comandada por um Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enlameado por denúncias de corrupção e dinheiro podre na Suíça. Coisa parecida acontece com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ambos estão sendo investigados na Lava Jato por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. Quer saber, os brasileiros têm toda a razão de estarem insatisfeitos com a política.

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