Irmãos Cartaxo assumem o PSD em meio a clima tenso com ex-aliados

Casa nova, vida nova. É com essa lógica que o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, tem se movido em sua nova rotina, agora filiado ao PSD. Como o acertado no momento da filiação, o irmão dele, Lucélio Cartaxo, vai assumir a presidência do diretório municipal da sigla, na capital. A data será acertada entre os dois, em reunião na tarde desta quarta-feira (23). Sobre a aliança com PSB e PT, seu antigo partido, Luciano Cartaxo acha que é página virada.

LucianoCartaxo

O PT aprovou ontem resolução que determina a saída dos petistas do governo. Por conta disso, pelo menos dez secretários e adjuntos resolveram pedir desfiliação. Três ainda permanecem na Prefeitura e no PT. São eles Lúcius Fabiani (Emlur), Hildevânio Macedo (Desenvolvimento Urbano) e o adjunto de Comunicação, Ânderson Pires. Das queixas de que sua saída foi pouco conversada, Cartaxo nega. Diz que conversou com várias lideranças.

O consenso entre os aliados do prefeito Luciano Cartaxo é que haveria muita dificuldade para ele se reeleger estando no PT. A crise política nacional, agravada pelas denúncias de corrupção envolvendo lideranças do Partido dos Trabalhadores, segundo eles, faria com que o gestor pessoense se desdobrasse em dar explicações. Em relação ao PSB, ao ser ouvido pelo blog, Luciano Cartaxo disse que não é segredo o rompimento, mas culpa os socialistas. “Eles já falavam em lançar candidato”, disse.

O PSB tem apressado as articulações para a disputa da prefeitura de João Pessoa desde a semana passada, quando Cartaxo anunciou a filiação ao PSD do deputado federal Rômulo Gouveia, adversário do governador Ricardo Coutinho. Ontem, o presidente do Diretório Municipal da sigla socialista, Ronaldo Barbosa, atribuiu ao prefeito o rompimento da aliança firmada na eleição do ano passado, quando o agora ex-petista apoiou a reeleição de Coutinho.

PT dá cinco dias para secretários entregarem os cargos em João Pessoa

A executiva do Partido dos Trabalhadores, em João Pessoa, decidiu endossar a decisão do diretório estadual da sigla, que determinou aos filiados que entreguem os cargos na Prefeitura de João Pessoa. A decisão foi tomada por causa da saída do prefeito Luciano Cartaxo do PT, na semana passada. Na oportunidade, o gestor lembrou as denúncias de corrupção que pesam sobre lideranças do partido e disse que a administração municipal não podia mais responder pelos erros dos outros.

Nesta terça-feira (22), o partido deu prazo de cinco dias para que quem decidiu permanecer no cargo possa rever a decisão. Quem desobedecer, vai responder a processo e deve ser expulso da sigla. O superintendente da Autarquia de Limpeza Urbana (Emlur), Lúcius Fabiani; o secretário de Desenvolvimento Urbano, Hildevânio Macedo, e o secretário adjunto de Comunicação, Ânderson Pires, decidiram não entregar os cargos e vão brigar para permanecer na sigla.

O partido também decidiu entrar na Justiça para reaver o mandato do vereador de João Pessoa, Benilton Lucena. Já o vereador Fuba foi orientado a assumir postura de independência em relação ao governo municipal, votando apenas no que for de interesse para a cidade.

 

Confira a nota divulgada pela sigla

1 – Endossar a Resolução Política aprovada pela Executiva Estadual do PT PB, que determinou a entrega imediata de todos os cargos em comissão de filiados petistas no atual Governo Municipal;

2 – Estabelecer um prazo de cinco (05) dias corridos, a contar desta data para que estes filiados deixem o governo ou sofrerão as sanções previstas no Estatuto Partidário;

3 – Orientar o nosso mandato na CMJP, representado pelo Vereador Flávio Eduardo (FUBA) a exercer uma linha de independência em relação ao Governo, votando apenas as matérias que sejam de total interesse do povo de João Pessoa, sempre exercendo seu papel constitucional de fiscalização do executivo;

4 – Em parceria com as instâncias Estadual e Nacional, envidar todos os esforços políticos e jurídicos na recuperação do mandato do Vereador Benilton Lucena eleito nas ultimas eleições municipais em nosso partido. Esta luta está apenas começando;

5 – Por fim, convocar para o próximo dia 26 de setembro de 2015 o Diretório Municipal, a fim de reorganizarmos a nossa instância e deliberarmos sobre a atual conjuntura política.

Dirigentes e secretários acompanham Luciano Cartaxo e deixam o PT

A saída do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, do PT começa a dar contornos finais à briga que se criou entre o gestor e sua antiga sigla. Até agora, pelo menos dez secretários municipais e adjuntos que eram filiados ao partido anunciaram que seguem o agora ex-petista. O destino provável é o PSD, agremiação que abrigará o prefeito. Luciano Cartaxo anunciou a saída do Partido dos Trabalhadores na semana passada, em meio a críticas ao partido.

LucianoCartaxo

Oficializaram a saída do partido Adalberto Fulgêncio (Gestão Governamental e Articulação Política), Edilma Ferreira Costa (Educação), Geraldo Amorim (Segurança Pública e Cidadania), Maurício Burity (Funjope), Roberto Pinto (Mobilidade Urbana), Zennedy Bezerra (Planejamento), Sérgio Ricardo (Controladoria), Antônio Jácome (Ouvidoria), Joubert Fonseca de Andrade (Desenvolvimento Social – adjunto) e Oscar Moura (Juventude, Esporte e Recreação – adjunto).

O grupo faz caminho diferente dos titulares de pastas que pretendem continuar no partido, mesmo descumprindo a orientação da sigla de deixar o governo municipal. São eles o secretário de Desenvolvimento Urbano, Hildevânio Macedo, e o superintendente da Autarquia de Limpeza Urbana (Emlur), Lucius Fabiani, além do secretário adjunto de Comunicação, Ânderson Pires.

Nesta terça-feira também anunciaram a desfiliação do PT dirigentes da sigla como próprio Lucélio Cartaxo (que era presidente municipal), Francisco José, Deise Anne Cavalcanti, Francineide Riberio Viana, Eduardo Arruda Amorim, Fabiano Penaforte Priore, Fernanda Barbosa da Cunha, Sheila de Menezes, Thiago Modesto Gomes e Kátia Regina Barbosa da Cunha.

O Partido dos Trabalhadores realiza reunião na noite desta terça-feira para decidir o destino dos filiados ao partido que não deixaram a prefeitura. Eles deverão ser expulsos da sigla, segundo informação do presidente estadual do partido, Charliton Machado.

Ricardo, Cássio e Luciano Cartaxo não se cumprimentam na posse de Fialho

O clima político na Paraíba pesou desde a semana passada nas relações das principais lideranças do Estado. A posse do paraibano Rogério Fialho na presidência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), nesta segunda-feira (21), foi recheada de políticos e autoridades. Lá, os hoje desafetos não tiveram como evitar encontros frontais. Mesmo assim, o governador Ricardo Coutinho (PSB) não trocou sequer uma palavra com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), nem com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB).

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

O tucano e o pessedista, vale lembrar, eram aliados do governador até recentemente. Cássio e Ricardo estiveram juntos na disputa das eleições de 2010, quando ambos foram eleitos. Estiveram em campos opostos em 2014, quando disputaram o governo e o tucano foi derrotado. Do fim de semana para cá, no entanto, o clima esquentou com troca de “gentilezas” entre os dois. Ricardo chamando Cássio de “malandro” e sendo tratado pelo tucano como “mentiroso”.

Já Luciano Cartaxo trocou o PT, aliado do governador, pelo PSD, aliado do senador. Resultado: um clima de estranheza entre eles. Apesar de Ricardo Coutinho não ter se pronunciado sobre o assunto, o presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, disse que para o partido Cartaxo fez opção pela aliança com Cássio Cunha Lima para 2016. Por isso, a relação entre ele e os socialistas, inclusive o governador, está inviabilizada.

Ricardo diz que estados gastam mal, mas defende CPMF para equilibrar a saúde

O governador Ricardo Coutinho vai para o encontro da Executiva do PSB com os governadores eleitos pela sigla, nesta terça-feira (22), em Brasília, com um discurso que destoa um pouco do pregado pela direção do partido. Primeiro, defende que a sigla seja coerente com a “sua luta pela democracia”, em alusão ao movimento “Fora Dilma”. A outra é a defesa veemente da recriação da CPMF, o famoso imposto do cheque.

Francisco França

Ricardo Coutinho com Paulo Câmara e Robinson Faria. Foto: Francisco França

Ricardo Coutinho, ao contrário da corrente majoritária do partido, defende que a presidente Dilma Rousseff (PT) conclua o seu mandato. Em relação à movimentação pelo impeachment da gestora, ele tem reiteradas vezes dito que representa um golpe contra a democracia. A entrevista foi concedida durante a posse do desembargador paraibano Rogério Fialho na presidência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), com sede no Recife.

A reunião em Brasília inclui ainda o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e o do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg. Os colegas vêm com certa reserva a recriação do imposto. Já Coutinho deixa claro que a CPMF é o “o tributo mais democrático que existe”. “O estado brasileiro precisa ter dinheiro para distribuir esses recursos. Se distribui mal ou bem aí é outra discussão que eu topo fazer. Porque eu acho que distribui mal”, pontua Ricardo Coutinho.

Apesar de admitir que o poder público gasta mal, Ricardo Coutinho defendeu que o tributo é importante para dar saúde à população, bem como para “resgatar uma política pública de segurança”. A crítica do gestor paraibano em relação à presidente Dilma é porque ela propôs uma alíquota de 0,20% e, com isso, excluiu estados e municípios. A proposta é que o percentual cresça para R$ 0,38% e, assim, atenda aos outros entes. “Acho que faltou sensibilidade, estratégia ao governo”, disse Coutinho.

PT dá ultimato aos filiados que ainda não deixaram a prefeitura

A saída do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, do PT, na semana passada, ainda não foi digerida pela direção do partido no Estado. Depois de determinar que todos os auxiliares do governo municipal entreguem os cargos, agora a sigla inicia o processo de conferência de quem atendeu. O partido não estabeleceu data limite, ainda, mas isso será feito em reunião do diretório de João Pessoa, nesta terça-feira (22).

O presidente estadual do partido, Charliton Machado, disse que quem não deixar a prefeitura será expulso do partido. Do primeiro escalão, até agora, deixaram o governo municipal Giucélia Figueiredo (Mulheres), Marta Moura (Ação Social), Jackson Macedo (Orçamento Participativo) e Eder Dantas (Transparência). Os dirigentes do PT esperam ainda a posição de Lucius Fabiani (Emlur) e Hildevânio Macedo (Sedurb).

Dos secretários, quem se antecipou em deixar o partido foi Adalberto Fulgêncio (Articulação Política). Ele, no entanto, não confirmou se vai se filiar ao PSD, assim como fez o prefeito Luciano Cartaxo e o irmão, Lucélio Cartaxo. Charliton Machado explicou que tem recebido a todo instante a confirmação de novas saídas de governo, vindas de secretários adjuntos, diretores e chefes de gabinete.

Os petistas não falam qual será o destino da sigla no ano que vem, se lançam candidatura própria ou entram na linha de apoio a outra sigla, a exemplo do PSB do governador Ricardo Coutinho que trabalha para lançar candidato no ano que vem. O PT é o partido com maior tempo de televisão, por ter o maior número de assentos na Câmara dos Deputados.

Sem fazer conta disso, o prefeito Luciano Cartaxo diz a aliados que tomou a decisão de sair do PT por causa dos escândalos nacionais que envolvem a sigla. Ele diz que não faz sentido os secretários municipais estarem dando justificativas o tempo todo pelos “erros” de dirigentes e lideranças do partido envolvidas com corrupção no plano nacional. Além disso, alega ainda que havia uma articulação dentro do partido para obrigá-lo a se submeter a prévias dentro da sigla.

Luciano Cartaxo divulga nota em resposta a críticas do PT paraibano

Um dia depois da reunião do PT que decidiu pelo desembarque da gestão do prefeito Luciano Cartaxo, em João Pessoa, o gestor divulgou nota rebatendo as críticas dos agora ex-correligionários. Cartaxo se apressou em dizer que lamenta o posicionamento dos colegas, de deixarem a gestão e esclareceu que as críticas feitas por ele aos escândalos que envolvem o PT se referem ao contexto nacional, não ao municipal.

“Em nenhum momento fiz qualquer associação dos militantes do PT da Paraíba com os fatos ocorridos no cenário nacional, deixando claro que a decisão não passa por desentendimentos políticos, nem administrativos, com a sigla no estado”, pontuou o gestor pessoense. Cartaxo também fez considerações em relação ao tratamento de sua nova legenda como “conservadora”, feita pelos petistas.

“O Partido Social Democrático (PSD), ao qual me filiei, integra a base do governo Dilma desde o período eleitoral do ano passado. Portanto, está no mesmo conjunto de forças que dá sustentação ao mandato da presidente no Congresso. A sigla também ocupa o Ministério das Cidades, com Gilberto Kassab”, disse Luciano Cartaxo, assegurando em seguida que dará sequência às obras que considera prioritárias para João Pessoa.

Em nota divulgada ontem, o PT deu a entender que agora vai centrar suas atenções no diálogo político apenas com os partidos situados mais à esquerda na política nacional. “Não nos furtaremos a enfrentar o atual cenário, construindo diálogos e debates políticos com os partidos progressistas e do campo democrático e popular, buscando prosseguir nossa caminhada em coerência com nossas ideias e propostas do PT, iniciando no processo eleitoral de 2016”, dizia a nota.

Confira as duas notas:

Nota de Luciano Cartaxo

Em resposta às declarações do Partido dos Trabalhadores (PT), o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, concede as seguintes considerações:

1. Respeito a decisão da executiva estadual do PT, partido em que militei por mais de 20 anos. No entanto, lamento o posicionamento de deixar a gestão, uma vez que a sigla tem quadros administrativos qualificados, que sempre cumpriram um papel importante nas transformações realizadas em João Pessoa nos últimos anos.
2. Em nenhum momento fiz qualquer associação dos militantes do PT da Paraíba com os fatos ocorridos no cenário nacional, deixando claro que a decisão não passa por desentendimentos políticos, nem administrativos, com a sigla no estado.
3. Ao assumir a prefeitura, uma ampla base de partidos deu apoio à gestão, até então liderada pelo PT. Em nenhum momento, o partido demonstrou a necessidade de qualquer rompimento com outras siglas na esfera municipal.
4. O Partido Social Democrático (PSD), ao qual me filiei, integra a base do governo Dilma desde o período eleitoral do ano passado. Portanto, está no mesmo conjunto de forças que dá sustentação ao mandato da presidente no Congresso. A sigla também ocupa o Ministério das Cidades, com Gilberto Kassab.
5. Meus ideias políticos seguem os mesmos, desde quando entrei na vida pública. Continuo na mesma trilha, defendendo as causas populares, a inclusão social e os menos favorecidos, com a coragem para fazer o que precisa ser feito. Pode ser que alguns tenham abandonado as suas bandeiras. Eu, seguirei com as minhas, levando adiante o sonho que me motivou a ingressar na política: fazer o bem, fazer o certo.
6. A escolha que sempre tracei também se reflete nas políticas adotadas, como as creches em tempo integral, o Banco Cidadão, o maior programa de habitação dos últimos anos, além da oferta de novos espaços públicos, a exemplo da Calçadinha da Orla e da Nova Lagoa. São ações que também podem e devem continuar com o apoio direto ou indireto do Governo Federal, como ocorre em qualquer capital do país.
7. Esta foi uma decisão baseada em princípios, com muita coerência e coragem. Agradeço a todos os companheiros pelo muito que realizamos ao longo de todos esses anos. Digo isso, reforçando que o meu compromisso com João Pessoa e com o trabalho pela cidade será sempre maior do qualquer partido político.

Luciano Cartaxo
Prefeito de João Pessoa

Nota da executiva do PT

A Comissão Executiva Estadual do PT – PB, reunida em 18 de setembro de 2015, em total sintonia com a Direção Nacional do Partido, em virtude da decisão política do Senhor Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo Pires de Sá, em se desvincular dos quadros do PT,  considerando:
a) A surpresa com que o partido foi tomado pelo ato de tamanha importância, agravando-se por sua escolha por um partido conservador, cuja política nega todo o seu discurso anterior;

b) O que representou a eleição de um Prefeito do PT em João Pessoa nos 35 anos de nossa história;

c) Que a vitória do projeto petista buscou o protagonismo político e a construção de uma cidade democrática, participativa e menos desigual. Não haveria candidatura, nem mandato de Luciano Cartaxo, não fosse o PT e a sua militância;

d) Que a grande maioria das políticas implementadas pelo Governo de João Pessoa são programas executados com recursos do Governo da presidenta Dilma – PT, a exemplo do Minha Casa Minha Vida, os CREI’s do Projeto Brasil Carinhoso, as UPAS, a Urbanização da Lagoa, as Escolas de Tempo Integral, etc

Resolve aprovar por UNANIMIDADE:
1 – Destacar a importância da unidade do movimento popular e de esquerda em apoio à continuidade do mandato da presidente Dilma, da defesa dos direitos da classe trabalhadora da democracia e da soberania nacional.
2 – Conclamar a militância petista a empreender um esforço coletivo no sentido de fortalecer o PT a partir de um grande movimento de reorganização partidária que priorize o debate politico ideológico, a valorização de suas instâncias e que qualifique nossas relações com base no programa partidário.
3 – Continuar acreditando em um modelo de relacionamento e organização politica com base no debate de ideias e convicções. Desta forma, DELIBERAMOS que todos os filiados e filiadas que estão compondo o Governo Municipal de João Pessoa entreguem seus cargos ao atual gestor;
4 – Não nos furtaremos a enfrentar o atual cenário, construindo diálogos e debates políticos com os partidos progressistas e do campo democrático e popular, buscando prosseguir nossa caminhada em coerência com nossas ideias e propostas do PT, iniciando no processo eleitoral de 2016.
5 – Por fim, conclamamos a Direção Municipal de João Pessoa que imediatamente convoque uma ampla plenária de avaliação da nova conjuntura avaliando e decidindo os rumos do PT em nossa cidade em sintonia com as deliberações das instancias superiores.

Ricardo discute com governadores do PSB a recriação da CPMF

A conta dos governadores aliados à presidente Dilma Rousseff (PT) de que já há 20 gestores favoráveis ao retorno da CPMF não inclui o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Pelo menos não ainda. O gestor paraibano participa na próxima terça-feira (22) de um encontro com dos governadores socialistas com o presidente do partido, Carlos Siqueira. Além dele, estarão Paulo Câmara (Pernambuco) e Rodrigo Rollemberg (Distrito Federal).

Crédito: Francisco França

Crédito: Francisco França

Apesar das manifestações favoráveis de Ricardo Coutinho, anteriormente, à recriação do tributo, há orientação partidária para que a decisão seja conjunta. O governador viaja segunda-feira para o Recife, para a posse do desembargador paraibano Rogério Fialho na presidência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. De lá, ele segue para Brasília acompanhado de Paulo Câmara. Dos gestores socialistas, Ricardo é o único que se coloca claramente na base de apoio à presidente.

Nesta sexta-feira (18), à Agência Brasil, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, negou que tenha ocorrido falta de mobilização dos governadores e de que apenas oito deles estejam a favor da recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), proposta pelo governo federal. Ele disse que o assunto foi discutido na segunda-feira passada durante o jantar com a presidenta Dilma Rousseff, em Brasília, quando estavam presentes 20 governadores. De lá, segundo Pezão, saíram oito coordenadores para ir ao Congresso discutir a medida com os parlamentares.

Pezão explicou que os governadores tomaram esta decisão porque alguns eram de estados mais distantes e precisavam voltar. “Todos eles são favoráveis. O único governador que até agora eu vi se manifestar contra foi o [Raimundo] Colombo de Santa Catarina. Todos os governadores precisam ter uma nova fonte de financiamento para a previdência pública e para a saúde. Isso nos une a todos”, disse.

Segundo Pezão, foi do governador do Maranhão, Flávio Dino, a ideia de elevar a alíquota para 0,38% para que a diferença entre o percentual e a proposta de 0,2% do governo possa ser transferida para os estados:

Os recursos seriam utilizados na seguridade social. “Para quem precisar, usa na saúde, e quem não precisar usa na previdência pública. Isso foi muito conversado entre a gente, mas estamos vivendo em uma grande democracia e quem vai deliberar é o Congresso Nacional”. Se os recursos não saírem da CMPF que se crie algum outro imposto, disse ele.

O governador do Rio revelou que, antes de mandar ao Congresso o projeto de recriação da CPMF, ele enviaria uma proposta de reforma da previdência pública. “Não tem como, hoje, os estados arcarem com o custo que está a previdência pública, com as pessoas se aposentando cedo. As pessoas estão vivendo mais e continuam levando tudo o que têm na ativa. Essa conta não fecha. Só no Brasil tem isso”, apontou.

Pezão disse que há muito tempo defende esta reforma e adiantou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, recebeu bem a proposta apresentada pelos governadores. Outra mudança defendida por ele, é o comprometimento de pagamento dos estados da receita corrente líquida.

“Hoje, os estados pagam quase 13% da receita corrente liquida. Se nós reduzíssemos, nesta dificuldade que estamos, por dois ou três anos, para 9%, isso dá uma folga para todos os estados e prefeituras das capitais. Tem estado, como Alagoas, que paga 14%”. Segundo o governador, no caso do Rio, seria um alívio no caixa de quase R$ 4 bilhões ao ano, afirmou o governador.

Pezão disse que tem se dedicado a sugerir alternativas para recuperar as finanças dos estados: “Cada dia eu estou estudando uma coisa que me permita fazer a travessia neste momento de crise dentro do país. Acho que a gente tem que debater, mas acho que a reforma da previdência é fundamental, como é a tributária, reforma política. Acho que o país tinha que aproveitar o momento de crise e discutir isso”, analisou.

O governador deu as declarações após participar, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), da cerimônia de implantação das audiências de custódia. O sistema determinará um processo mais rápido para os presos em flagrante, que após a presença do juiz poderá receber a liberdade provisória, conforme avaliação do magistrado, diante das condições de análise da ficha criminal. O Rio é o vigésimo estado a adotar a regra. A expectativa é que sejam atendidos 20 presos por semana na cidade

PSB e PT veem aproximação de Cartaxo com Cássio e deixam aliança

A eleição para prefeito de João Pessoa vai acontecer daqui a pouco mais de um ano, mas o tabuleiro de xadrez já ganha contornos próximos do que teremos no pleito de 2016. O movimento de Luciano Cartaxo para se filiar ao PSD, deixando o PT, foi visto pela sigla petista e pela direção estadual do PSB como um passo rumo à base aliada do senador Cássio Cunha Lima (PSDB). Os petistas, por isso, aprovaram nesta sexta-feira (18) a saída do governo Cartaxo.

Muito emocionado, o presidente estadual da sigla, Charliton Machado, se mostrou magoado com as críticas do prefeito ao PT. Luciano Cartaxo disse durante a solenidade de desfiliação do partido que não era justo ele e os auxiliares da prefeitura serem obrigados a dar explicações sobre os escândalos de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores e o governo da presidente Dilma Rousseff. É bom lembrar que mesmo deixando a sigla, o gestor permanece na base aliada da presidente.

Procurado pelo blog, o presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, disse que a sigla esperaria a posição do PT, anunciada horas depois. Apesar disso, disse entender que o movimento do prefeito Luciano Cartaxo representa a dissolução da aliança com os socialistas para se aproximar do senador Cássio Cunha Lima, adversário do governador Ricardo Coutinho. “Isso ficou muito claro”, reforçou Rosas, que se disse surpreso.

“Qual a lógica de você deixar o PT da presidente Dilma Rousseff para se filiar a um partido da base aliada?”, questionou Rosas, reforçando que o PSB vai dar seguimento aos preparativos para a eleição do ano que vem. Ele revela que a sigla socialista tem 157 pré-candidatos a prefeito para a disputa do ano que vem. Os socialistas não cansam de repetir que, no caso de João Pessoa, o partido tem quadros para a disputa.

O PT estadual, por outro lado, anunciou no início da tarde de hoje a entrega dos cargos na prefeitura de João Pessoa. A sigla comanda sete secretarias, além de cargos de adjuntos em várias pastas e diretorias. Todos terão que colocar o cargo à disposição do prefeito e poderão ser punidos se forem mantidos nos cargos. Com isso, fica claro que a tendência do partido é construir um projeto próprio ou apoiar um eventual candidato do PSB do governador Ricardo Coutinho.

A maior crítica feita pelos petistas é que não houve qualquer diálogo entre o prefeito e o partido em sua decisão de deixar o PT, o que dificulta a manutenção da aliança. As peças estão postas no xadrez para 2016 e no tabuleiro, visivelmente, PT e PSB estão em lado oposto ao PSD de Luciano Cartaxo.

Cartaxo temia influência de Ricardo Coutinho sobre o PT

O exemplo do Recife, onde o prefeito do PT, em 2012, teve retirado o direito de disputar a reeleição foi citado pelos aliados do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, como estímulo para que ele trocasse o PT pelo PSD. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, pelo gestor pessoense, que via crescer dentro do partido a influência do governador Ricardo Coutinho (PSB). O senso comum no Paço Municipal é que o socialista se move para emplacar um sucessor a capital.

Apesar das negativas do presidente estadual do PT, Charliton Machado, os aliados de Luciano Cartaxo começaram a ver com desconfiança as movimentações dos deputados Luiz Couto (federal) e Anísio Maia (estadual), além do ex-deputado estadual Rodrigo Soares. Todos, segundo eles, estariam trabalhando para submeter o gestor pessoense a uma prévia no partido, com o objetivo de inviabilizar a sua campanha.

“É o mesmo pessoal que tentou inviabilizar a campanha dele (Luciano) em 2012 e que não queria a candidatura de Lucélio Cartaxo para o Senado, em 2014”, disse um dos auxiliares de Luciano Cartaxo, que pediu reserva. O agora ex-petista não tem dúvidas de que o governador Ricardo Coutinho lançará candidatura própria em João Pessoa e, por isso, teria a intenção de inviabilizar a sua candidatura à reeleição. No Recife, o prefeito João da Costa foi substituído pelo senador Humberto Costa, em 2012, e foi derrotado pelo candidato do PSB, Geraldo Júlio.

Na entrevista coletiva para anunciar a saída do PT, o prefeito revelou como principal motivo o enlameamento da sigla por causa dos escândalos de corrupção. Ele diz que os auxiliares do governo têm sido questionados pelos eleitores sobre os escândalos. “Por problemas que não geramos, que não ocorreu aqui”, reforçou Cartaxo. Além disso, no PSD, ele ganhou autonomia para conduzir as alianças.

Apesar do clima de desconfiança, Luciano Cartaxo evitou falar em rompimento com o PSB de Ricardo Coutinho. Disse que a aliança está mantida e justificou que a entrega do cargo no governo por Lucélio Cartaxo aconteceu porque a indicação era do PT. O fato é que sem as amarras impostas pelo PT nacional, se a aliança com o PSB não for possível, nada impede Luciano Cartaxo de compor com o PSDB, que hoje já integra o governo municipal.