Dilma Rousseff quer dar seis ministérios, mas o PMDB quer mesmo é a Presidência

Se a presidente Dilma Rousseff (PT) ligou a TV antes de viajar para os Estados Unidos, nesta quinta-feira (24), viu de uma só vez que “dorme com o inimigo” e que “o perigo mora ao lado”. Nas duas observações, o perigo atende pelo nome de PMDB. A propaganda do partido que foi ao ar antes do Jornal Nacional mostra que não vai adiantar a gestora se desdobrar para tentar agradar o partido com a oferta de seis ministérios, porque ele quer mesmo são os 39.

O programa eleitoral do PMDB, na forma, foi muito bem feito, com discurso bem medido por quem sabe exatamente o que quer dizer e a quem. Busca preencher o espaço criado pela crise política e econômica, fruto da inabilidade gritante da presidente Dilma Rousseff. Fala de intolerância com a corrupção com a convicção de quem não parece, mas tem quadros investigados pelo mesmo escândalo que enlameia lideranças do Partido dos Trabalhadores.

Não fosse o velho PMDB de guerra, banhado em escândalos e fisiologismo, como várias vezes denunciou o deputado federal peemedebista Jarbas Vasconcelos (PE), o discurso poderia até pegar. O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, falam em unir forças e definir “o Brasil que queremos”. Os dois estão sendo investigados na operação Lava Jato, acusados de receber propina de empreiteiras.

Mas os fios condutores mesmo são as crises política e econômica e como o PMDB e o vice-presidente da República, Michel Temer, estão prontos para resolver a parada, unificando o Brasil. Por pouco não defende explicitamente o impeachment da presidente, apesar de que esse é o tom subliminar em toda a propaganda. “É hora de deixar o estrelismo de lado, é hora de virar esse jogo, é Hora de reunificar os sonhos”, diz a apresentadora

No programa, também há crítica clara à proposta de criar impostos e de chamar a sociedade para pagar a conta. Em linhas gerais, defende a mesma coisa da exibida pelo PSDB há alguns meses, só que com mais competência, apesar de o discurso de retidão não combinar com a biografia da maioria dos peemedebistas que participaram. “O brasil que era gentil. Agora cobra a conta. Isso dói”, enfatiza a apresentadora.

O presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, lembra a participação do PMDB na transição democrática do Brasil, que resultou na posse de José Sarney na Presidência, deixando claro que a sigla está pronta para desempenhar esse papel mais uma vez. É seguido do vice-governador de Pernambuco, Raul Henry, dizendo que existe muita gente capaz e pronta para entregar o Brasil que foi prometido. Isso para introduzir Temer.

O vice-presidente faz o discurso de encerramento, com entonação especial na hora de falar em “assumir” e “corrigir erros”. Diz que já viu e enfrentou momentos mais difíceis. “Boa noite e dias melhores para todos nós”, diz Temer no encerramento. E tem petista ainda chamando o senador Aécio Neves (PSDB-MG) de golpista…

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