Santa Rita vive dias de Sucupira com a indefinição política

Quem assistiu “O bem amado”, novela de Dias Gomes, se acostumou às peripécias de Odorico Paraguaçu, personagem de Paulo Gracindo, nas suas articulações para se manter no poder. O drama dava lugar ao cômico, dado o carisma do personagem. Em Santa Rita, município da Região Metropolitana de João Pessoa, o drama da briga pelo poder não dá lugar a nada além disso. Entra Reginaldo Pereira ou Netinho de Várzea Nova, o resultado é o mesmo: a população pagando o pato ela incompetência.

Crédito: Francisco França

Crédito: Francisco França

A história da cidade, aliás, é pródiga nisso. Basta lembrar que a dupla Reginaldo e Netinho foi eleita para suceder o controverso Odilon Ribeiro, que chegou a ser cassado no exercício do mandato e conseguiu se manter no cargo. Os dois uniram forças com a promessa de mudar Santa Rita. Não rolou. Reginaldo assumiu a prefeitura e teve o mandato cassado pela Câmara Municipal. Foi, então, sucedido pelo vice, Netinho de Várzea Nova. Em meio a denúncias, nova decisão da Câmara desfez a troca.

No entra e sai, ainda não eliminado, vieram denúncias de corrupção tanto de um lado quanto do outro. Talvez nenhum ou os dois estejam com a verdade. Recentemente, Reginaldo Pereira viu o Conselho Regional de Medicina determinar o fechamento de 15 dos 40 postos de saúde existentes na cidade. Todos sem condições sanitárias e estrutura para funcionar. Antes disso, o Ministério Público entrou na Justiça para impedir que o gestor gastasse quase R$ 1 milhão na festa da padroeira, em maio.

A cidade vive a realidade de os servidores da saúde estarem sem salários e até a ambulância do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) ficou parada por falta de estrutura e pagamento dos profissionais. Isso para falar apenas sobre um dos problemas. Como disse no início do artigo, Sucupira era um lugar onde o inusitado era convertido em graça. No caso de Santa Rita, o que Reginaldo Pereira e Netinho fizeram lá não tem graça nenhuma.

No encontro de governadores do PSB com Dilma, Ricardo cobra mais recursos

Os governadores do PSB se reúnem na manhã desta quarta-feira (30) com a presidente Dilma Rousseff (PT) com bala na agulha para a conversa. O encontro teve início às 10h, mas a discussão em torno do que dizer à presidente foi definido mais cedo, durante café da manhã entre Ricardo Coutinho, da Paraíba; Paulo Câmara, de Pernambuco, e Rodrigo Rollemberg, do Distrito Federal. Os três gestores sabem que a petista pedirá apoio político e vão cobrar apoio administrativo.

Francisco França

Ricardo, Paulo Câmara e Robinson Faria Foto: Francisco França

O cálculo é bem simples. Dilma Rousseff está na corda bamba e precisa de todo o apoio que conseguir para evitar o risco de impeachment, gestado estrategicamente na oposição com a ajuda de setores do PMDB, notadamente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. O agravante é que a bancada do PSB no Congresso Nacional se posicionou recentemente favorável ao impedimento da presidente. Dilma espera que os governadores possam reverter isso.

Os estados, por outro lado, cobram a imediata autorização para que eles possam captar empréstimos com instituições financeiras internacionais. Só a Paraíba pleiteia mais de R$ 1,5 bilhão. O governador Ricardo Coutinho vai aproveitar o encontro também para cobrar a liberação de recursos para a execução as obras hídricas em curso na Paraíba. O principal foco é a adutora Acauã-Araçagi, que tem custo estimado em R$ 1 bilhão.

Troca de farpas entre Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo já esquenta disputa

Ainda vai demorar mais de um ano para o dia em que o eleitor sairá de casa e seguirá para as urnas para decidir o futuro prefeito de João Pessoa. Mas isso não tem impedido que diretamente ou através de auxiliares o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), e o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), troquem farpas a todo instante. O primeiro quer lançar um aliado para a disputa da capital, enquanto o segundo vai brigar pela reeleição.

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O clima de estranhamento começou com a saída do prefeito do PT, partido que integra a base aliada do governador. De lá para cá, expressões como “lealdade não é para poucos”, dita por Cartaxo para acusar Coutinho de não cumprir o compromisso de apoiá-lo para a reeleição, passaram a ser comuns. O pessedista também chama o governador de “soberbo”. De volta, o socialista disse que o “pessoense precisa voltar a sorrir” e questiona a fidelidade de Cartaxo.

Aos poucos, os auxiliares de ambas as partes vêm deixando o pelotão de frente dos ataques para que os “generais” assumam o embate. E, nesse contexto, Ricardo e Cartaxo não têm perdido a oportunidade de trocar farpas, mesmo que, em alguns casos, usem aliados para isso. Na tarde desta terça-feira (29), por exemplo, o vereador Bira Pereira (ex-PT) foi escalado para responder o governador, com acusações sobre a escalada da violência no Estado.

Em resposta ao comentário de Ricardo Coutinho de que “João Pessoa precisa voltar a sorrir”, o vereador divulgou nota em que ataca a gestão socialista no Estado, dizendo que “a Paraíba precisa parar de chorar”. Do PSB, quem deve ocupar esse espaço de críticas é o deputado estadual Ricardo Barbosa e a deputada Estela Bezerra, ambos ácidos ao comentar a gestão de Luciano Cartaxo. Ou seja, teremos trocas de farpas à vontade.

PSB vai ressuscitar conselho político para discutir eleição em João Pessoa

O PSB do governador Ricardo Coutinho vai ressuscitar o conselho político para discutir a disputa eleitoral em João Pessoa. O partido oficializou o desejo de disputar a prefeitura da capital desde que o atual prefeito e ex-aliado Luciano Cartaxo decidiu trocar o PT pelo PSD, há duas semanas. A sigla socialista entendeu o movimento como rompimento de aliança, já que os pessedistas são vistos como oposição ao governo do Estado. As discussões em torno da formação do conselho ocorrerão no início do próximo ano.

O presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, explicou que pelo menos dez partidos já integram o arco de alianças da sigla socialista com vistas às eleições do próximo ano. A lista é composta principalmente pelos partidos que dão sustentação ao governo socialista. É bom lembrar que o conselho político não é a única instância para a definição do candidato socialista à prefeitura da capital, já que o partido decidiu realizar plenárias para isso. O nome mais forte é o do secretário de Recursos Hídricos, João Azevedo, mas a deputada estadual Estela Bezerra não está descartada.

O artifício do conselho político foi usado pelo hoje governador Ricardo Coutinho quando ainda definia o vice para a disputa da reeleição em João Pessoa, em 2008. Na época, PMDB e PT se engalfinharam para indicar o vice, mas na hora da definição valeu a palavra de Ricardo, que optou pelo nome do ex-prefeito Luciano Agra, falecido no ano passado. Os desentendimentos resultantes do debate fizeram o então vice, Manoel Júnior, assumir uma postura de oposição em relação ao hoje governador.

PT de João Pessoa deve perder mais de 40 filiados para o PSD de Cartaxo

O Partido dos Trabalhadores, em João Pessoa, inicia a partir desta semana uma verdadeira profissão de fé, para recompor os seus quadros. Pelo menos 40 militantes, alguns deles históricos, se desfiliaram da legenda para seguir o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, que deixou a sigla para se filiar ao PSD. As atenções do PT estão voltadas para o vereador Benilton Lucena. O entendimento é o de que o mandato pertence ao partido, por isso, os dirigentes vão brigar na Justiça para reavê-lo.

O cálculo feito pelo presidente estadual do partido, Charliton Machado, é o de que mais de 40 petistas deixem a sigla. Do efetivo, ele coloca apenas o secretário de Desenvolvimento Urbano de João Pessoa, Hildevânio Macedo, e o de Articulação Política, Adalberto Fulgêncio, como históricos. Muitos dos outros, na avaliação dele, entraram no partido por questões fisiológicas. “Quando um partido vira poder, surgem muitos aproveitadores”, observa o dirigente, sem citar nomes.

O partido começa agora a discutir os planos para o próximo ano. A vice na Executiva, Aparecida Diniz, foi efetivada como titular e vai coordenar as discussões em relação à política de alianças. O partido poderá lançar candidatura própria no próximo ano ou investir em uma aliança com o PSB do governador Ricardo Coutinho. Não há a mínima possibilidade de uma composição com Luciano Cartaxo, pelo tom crítico dele ao deixar a sigla.

Ricardo Coutinho critica indicação de Manoel Júnior para ministério

O governador Ricardo Coutinho (PSB) não gostou nenhum pouco da indicação do deputado federal Manoel Júnior (PMDB) para o Ministério da Saúde. Principal aliado da presidente Dilma Rousseff (PT), na Paraíba, ele disse não ver como positiva a troca de um técnico (Arthur Chiro) por um político.

A avaliação do governador foi feita durante a posse do presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep), Buega Gadelha, ocorrida na última sexta-feira (26). No evento, Ricardo Coutinho disse que a escolha de um político para a pasta traria prejuízos, pelo risco de haver politização das ações.

Também no evento, o deputado federal evitou polemizar com o governador. Manoel Júnior é médico de formação e foi indicado para a pasta pelo líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (SP). Manoel Júnior, ao comentar as declarações de Ricardo, seu adversário político, tratou de dizer que a presidente Dilma tem avaliação diferente.

Antes crítico da presidente, Manoel Júnior tratou de dizer que foi mal interpretado quando pediu que Dilma Rousseff renunciasse ao mandato por falta de condições de governar.

Ricardo diverge do PSB nacional, mas não vai deixar a sigla

O desconforto do governador Ricardo Coutinho dentro do PSB, por causa da posição da da sigla de fazer oposição à presidente Dilma Rousseff (PT), não é suficiente para ele mudar de partido. A avaliação foi repassada por governistas após entrevista do presidente municipal do partido, Ronaldo Barbosa, na CBN João Pessoa. Respondendo a uma pergunta do cientista político José Artigas, Barbosa admitiu a possibilidade, apontando o PT e a Rede como opções.

O governador participou de reunião da sigla em Brasília, na última terça-feira (22). Na oportunidade, os deputados do partido se posicionaram pela adoção de uma postura de oposição à presidente Dilma, inclusive com a perspectiva de apoio ao impeachment. O PSB também decidiu se posicionar contra a recriação da CPMF, defendida por Coutinho. A posição será submetida ainda à Executiva Nacional do PSB, que dará a posição oficial sobre o caso.

Uma fonte do governo deixou claro que Ricardo Coutinho não pensa em deixar o partido e, como governador, terá autonomia para externar suas posições. “Ricardo nunca foi de esconder ou atenuar posições. Não será diferente dentro do PSB”, disse em reserva uma fonte próxima ao governo, acrescentando que o gestor trata como um equívoco a defesa do impeachment, considerado por ele um golpe. O caminho, segundo ele, deveria ser recriar os caminhos para sair da crise.

Dilma Rousseff quer dar seis ministérios, mas o PMDB quer mesmo é a Presidência

Se a presidente Dilma Rousseff (PT) ligou a TV antes de viajar para os Estados Unidos, nesta quinta-feira (24), viu de uma só vez que “dorme com o inimigo” e que “o perigo mora ao lado”. Nas duas observações, o perigo atende pelo nome de PMDB. A propaganda do partido que foi ao ar antes do Jornal Nacional mostra que não vai adiantar a gestora se desdobrar para tentar agradar o partido com a oferta de seis ministérios, porque ele quer mesmo são os 39.

O programa eleitoral do PMDB, na forma, foi muito bem feito, com discurso bem medido por quem sabe exatamente o que quer dizer e a quem. Busca preencher o espaço criado pela crise política e econômica, fruto da inabilidade gritante da presidente Dilma Rousseff. Fala de intolerância com a corrupção com a convicção de quem não parece, mas tem quadros investigados pelo mesmo escândalo que enlameia lideranças do Partido dos Trabalhadores.

Não fosse o velho PMDB de guerra, banhado em escândalos e fisiologismo, como várias vezes denunciou o deputado federal peemedebista Jarbas Vasconcelos (PE), o discurso poderia até pegar. O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, falam em unir forças e definir “o Brasil que queremos”. Os dois estão sendo investigados na operação Lava Jato, acusados de receber propina de empreiteiras.

Mas os fios condutores mesmo são as crises política e econômica e como o PMDB e o vice-presidente da República, Michel Temer, estão prontos para resolver a parada, unificando o Brasil. Por pouco não defende explicitamente o impeachment da presidente, apesar de que esse é o tom subliminar em toda a propaganda. “É hora de deixar o estrelismo de lado, é hora de virar esse jogo, é Hora de reunificar os sonhos”, diz a apresentadora

No programa, também há crítica clara à proposta de criar impostos e de chamar a sociedade para pagar a conta. Em linhas gerais, defende a mesma coisa da exibida pelo PSDB há alguns meses, só que com mais competência, apesar de o discurso de retidão não combinar com a biografia da maioria dos peemedebistas que participaram. “O brasil que era gentil. Agora cobra a conta. Isso dói”, enfatiza a apresentadora.

O presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, lembra a participação do PMDB na transição democrática do Brasil, que resultou na posse de José Sarney na Presidência, deixando claro que a sigla está pronta para desempenhar esse papel mais uma vez. É seguido do vice-governador de Pernambuco, Raul Henry, dizendo que existe muita gente capaz e pronta para entregar o Brasil que foi prometido. Isso para introduzir Temer.

O vice-presidente faz o discurso de encerramento, com entonação especial na hora de falar em “assumir” e “corrigir erros”. Diz que já viu e enfrentou momentos mais difíceis. “Boa noite e dias melhores para todos nós”, diz Temer no encerramento. E tem petista ainda chamando o senador Aécio Neves (PSDB-MG) de golpista…

Mais três secretários da gestão municipal pedem desfiliação do PT

Mais três secretários da Prefeitura de João Pessoa anunciaram a desfiliação do PT. Hildevânio Macedo, do Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Anderson Pires, Adjunto da Comunicação Social (Secom) e Lucius Fabiani, da Emlur, vão seguir com o Prefeito Luciano Cartaxo para o PSD. A decisão foi tomada após reunião onde foram definidas as diretrizes do partido para a Capital

Os secretários escutaram de Luciano Cartaxo, que o PSD será agora o espaço partidário para formulação de políticas públicas, como as que vêm sendo implementadas em João Pessoa nos últimos dois anos.

A proposta de fortalecimento do PSD, com um trabalho de crescimento em toda Paraíba foi uma das diretrizes que o prefeito Luciano Cartaxo tratou em conversa com os secretários. A participação de quadros com experiência, engajados no sucesso da gestão municipal será de grande importância para esse trabalho de construção partidária.

Para os secretários, o desafio de um novo projeto com perfil progressista foi determinante para a decisão de filiação ao PSD. “Será a oportunidade de resgatar bandeiras e elaborar políticas públicas dentro de um espaço mais amplo e sintonizado com a sociedade e o momento que o Brasil vive”, destacou Anderson Pires.

Ministério para Manoel Júnior e posse de Olenka aproximam PMDB do PSB

O cenário político é cada vez mais propício a uma aliança já no primeiro turno entre o PSB e o PMDB para a disputa das eleições, em João Pessoa, no ano que vem. Dois fatos colaboram para isso. Um articulado pelos socialistas e outro, ainda não confirmado, seria um lance de pura sorte. O primeiro fato é a nomeação de Trócolli Júnior para a Articulação Política do governo, que abriu espaço para a posse de Olenka Maranhão na Assembleia Legislativa. O outro, caso confirmado, será a posse de Manoel Júnior no Ministério da Saúde.

Vamos aos fatos. A estratégia do governador Ricardo Coutinho (PSB) ao colocar Trócolli Júnior na Articulação Política tinha como objetivo fortalecer a interlocução dos socialistas entre os peemedebistas. Até porque ela beneficia a sobrinha do senador José Maranhão, principal liderança do PMDB no Estado. O movimento foi pensado, vale ressaltar, para isolar Manoel Júnior do seu desejo de ser candidato a prefeito de João Pessoa. Não custa lembrar que a eleição do deputado federal para a presidência do PMDB da capital foi recheada de muita discussão interna.

O entrave (Manoel Júnior) deixa de existir na possibilidade de ele assumir o cargo de ministro da Saúde do governo de Dilma Rousseff (PT). O parlamentar, inclusive, assumiu tom mais ameno em relação à gestora petista ao saber da sua indicação para o cargo pelo PMDB. Recentemente, ele sugeriu que ela renunciasse ao cargo. Agora, no entanto, diz ter visto evolução na articulação da presidente. A gestora, por outro lado, tem tratado o deputado federal paraibano como favorito. Caso ele assuma a pasta, dificilmente será candidato na próxima eleição.

Dentro dessas articulações, o PSB do governador Ricardo Coutinho deverá lançar candidatura própria no ano que vem contra o hoje prefeito Luciano Cartaxo (ex-PT), agora filiado ao PSD. Os nomes mais cotados do PSB são o secretário de Infraestrutura João Azevedo e a deputada estadual Estela Bezerra.