Manutenção eleva para 36 os dias sem sessão na Assembleia Legislativa

Nem precisava o deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) ter apresentado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que aumentou para 72 dias a folga dos parlamentares na Assembleia Legislativa da Paraíba. Isso porque a tese do de grão em grão a galinha enche o papo já valeria para garantir uma paradinha considerável para os deputados. Só de junho para cá, contabilizando-se duas manutenções na Casa, os parlamentares ganharam 36 dias de folga.

A última anunciada foi o conserto do vazamento de um esgoto, que vai consumir 10 dias de trabalho. Ou seja, as sessões voltam a ser realizadas apenas na semana que vem. Isso se o trabalho obtiver êxito. O presidente da Casa, Adriano Galdino (PSB), garantiu que não haverá prejuízo para os trabalhos, visto que a pauta está limpa. Enquanto isso, dormem nas gavetas do Legislativo projetos como a PEC do Voto Aberto e as CPIs dos Pardais e do Telemarketing.

Não digo que a reforma é irrelevante ou que os deputados precisam trabalhar sentindo mau cheiro. Mas nada impediria que suas sessões fossem realizadas fora, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo. Não seria uma inovação. É bom lembrar que segundo nota divulgada pela Assembleia Legislativa, o trabalho administrativo na Casa continua.

PSDB falha na tentativa de capitalizar indignação popular contra Dilma Rousseff

A data, o 16 de agosto, era sugestiva. Nela, em 1992, aconteceu o primeiro dos grandes protestos que pediam o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. O que ocorreu meses depois. No centro das atenções, agora, a presidente Dilma Rousseff (PT), que amarga popularidade inferior à do hoje senador alagoano, com não muito mais do que 7%. Some-se a isso os escândalos de corrupção envolvendo o governo. Mesmo assim, os tucanos falharam.

Manifestações convocadas por organizações contrárias ao governo ocorrem com tranquilidade na Esplanada dos Ministérios (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Manifestações convocadas por organizações contrárias ao governo ocorrem com tranquilidade na Esplanada dos Ministérios (Antonio Cruz/Agência Brasil)

As principais lideranças do PSDB, notadamente o senador Aécio Neves, saíram às ruas para pedir o impeachment da presidente. Isso na esperança de que a pressão repercuta na cassação do mandato de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele foi para a rua em Belo Horizonte (MG), enquanto os senadores Aloysio Nunes, em Brasília (DF); José Serra, em São Paulo (SP), e Cássio Cunha Lima, em João Pessoa, também apostaram suas popularidades nos protestos.

O resultado das manifestações foi comemorado pelos petistas. A cúpula nacional, que se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, neste domingo (16), foi cautelosa. O restante, nem tanto. Em João Pessoa, o presidente estadual da sigla, Charliton Machado, ironizou através das redes sociais a participação dos tucanos. “Cássio Cunha Lima consegue a proeza de mobilizar 100 pessoas no protesto fascista em João Pessoa.‪#‎NãoVaiTerGolpe‬”, disse.

A ironia tem um pouco de exagero. A Polícia Militar estimou em 800 o número de manifestantes em João Pessoa e 350 em Campina Grande. A participação foi inferior à registrada nos protestos de março e abril. O fenômeno não foi diferente do contexto nacional. O portal G1 trouxe quadro em que, somados os protestos de todo o Brasil, fica claro que o deste domingo, com 879 mil, teve frequência maior que o de abril, com 701 mil, mas é muito inferior a março, 2,4 milhões.

Com isso, fica claro que a cassação ou o impeachment da presidente vai depender exclusivamente da comprovação de crime relacionado a ela. As pressões das ruas mostraram ser insuficientes para acelerar o processo. Ficou claro que o PSDB não conseguiu representar as vozes das ruas.

Manifestação deste domingo é “última cartada” para os defensores do impeachment

A manifestação puxada neste domingo (16) pelo Movimento Brasil Livre para o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) servirá de termômetro para se aferir o poder do antipetismo. Se houver uma grande movimentação, dela podem surgir as bases para um eventual impedimento da gestora, independente do grau de culpa dela com os escândalos hora denunciado pela operação Lava Jato. Nada supera a pressão popular.

Abaixo, o vídeo Chega, feito pela banda “Os Reaça” para o protesto:

O fato mais forte em defesa da presidente Dilma, até o momento, é não existir nada concreto que a ligue aos escândalos. Nada ainda que justifique o impeachment. Até porque incompetência política e administrativa ainda não são previstas como crime no Código Penal. Tudo muda, no entanto, se houve pressão popular. Ela pode verdadeiramente influenciar a questão jurídica e legislativa, nos moldes do que ocorreu com Fernando Collor de Mello.

Abaixo, a contraofensiva petista:

Nao golpe

Em viagem recente a Brasília, procurei conversar com jornalistas, políticos e até personalidades do mundo jurídico – uma delas militando na Procuradoria da República. Resultado: a participação das ruas surge como ponto crucial, na avaliação de todos eles, para uma eventual cassação ou impeachment. Os adversários de Dilma, notadamente o PSDB, atacam em várias frentes. Impeachment ou cassação por questão eleitoral. O que vier é lucro.

Vejo como erro, no entanto, a manifestação do PSDB de apoio ao movimento. O partido assumiu papel de protagonismo nos protestos, apesar de o distanciamento histórico não ter apagado o passado de escândalos que evolveu a gestão de Fernando Henrique Cardoso. E o que aconteceu na época não dá para ser comparado com o agora, pelo fato de que antes praticamente nada era investigado. Ia para baixo do tapete. Todos lembram disso.

Apesar de pouco provável, Dilma estaria frita se fossem repetidos os movimentos de junho de 2013, quando as pessoas foram às ruas com pautas difusas, mas sinceras e não contaminadas por partidos políticos. O cenário para este domingo permanece um completo mistério. A mobilização para atrair os manifestantes foi muito acanhada. Quem se esforçou mesmo foi o PSDB, que entende pouco de rua e corre o risco de converter o movimento em comício.

Por conta disso, se a frequência for boa, o PSDB pode comemorar. O partido entende, no entanto, que a melhor bandeira não é a do impeachment. Até porque ela favorece o PMDB, que veria o atual vice-presidente, Michel Temer, assumindo o poder. Nesse meio tempo, até a eleição, prepararia o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para a sucessão. Resta ao PSDB que o clima se agrave a ponto de pressionar o TSE a cassar Dilma por crime eleitoral.

A cassação por crime eleitoral suscitaria uma nova eleição. Com isso, o senador Aécio Neves, segundo colocado no pleito do ano passado, tentaria, agora com mais chances, chegar à Presidência da República. Isso independente de boa parte dos organizadores do movimento flertarem perigosamente com um golpe militar. O fato de o protesto ter concentração em frente ao Grupamento de Engenharia do Exército, em João Pessoa, alimenta a desconfiança.

Petistas e tucanos já chegaram à conclusão de que se o protesto tivesse ocorrido uma semana antes, a participação popular seria maior. Na semana passada, Dilma Rousseff amargou algumas de suas maiores derrotas na Câmara. Foi isso que fez a petista despertar. Não por acaso, além de uma agenda positiva, a presidente buscou o apoio da Justiça e do Legislativo. Resultado: adiamento para o julgamento das contas no TCU e congelamento de ações no TSE.

Com o auxílio do ex-presidente Lula, expert em sair de enrascada política, Dilma conseguiu isolar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua pauta bomba que tem como destino preparar a Casa para o impeachment da presidente. Nesse contexto, foi vital puxar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), para o lado dela. O contexto no PMDB é que se o carro do impeachment embalar, atropela o PMDB, porque pressiona também o TSE.

Tudo muda, no entanto, se os protestos de hoje em todo o país forem de grandes proporções.

Bancada jovem do PSDB lança vídeo com convocação para protestos

Os integrantes da bancada jovem do PSDB na Câmara dos Deputados divulgaram vídeo com convocação para o protesto contra a presidente Dilma Rousseff (PT), marcado para domingo nas principais cidades do Brasil. Na Paraíba, o evento promovido pelo movimento “Vem pra rua” acontecerá em João Pessoa e em Campina Grande. Entre os participantes do vídeo está o deputado federal paraibano Pedro Cunha Lima, filho do senador Cássio Cunha Lima, também defensor das manifestações. Nas imagens, em sequência, eles vão surgindo e dizendo que não aguentam mais “tanta roubalheira”, “mentira” e “incompetência”. O desfecho é dizendo que domingo eles vão para a rua.

O grupo faz parte da ala mais radical em defesa do impeachment da presidente. Os “cabeças pretas”, como são chamados no partido, fazem um contraponto à ala mais antiga, a dos “cabeças brancas”, formada por expoentes como o ex-presidente Fernando Henrique e o senador Aloysio Nunes (SP), que preferem ver a presidente “sangrar” no cargo e ser derrotada nas urnas. Isso caso não surja um crime que a implique de forma clara. Em João Pessoa, o protesto tem concentração em frente ao Grupamento de Engenharia e Construção, do Exército, de onde os manifestantes seguem em direção ao Busto de Tamandaré. E como já deixaram claro, os deputados do PSDB estarão presentes

 

 

Agora são dois paraibanos presidindo CPIs nocivas ao governo Dilma

Um governista com postura de oposição, outro de oposição no sentido clássico. Esse, a grosso modo, é o posicionamento dos dois paraibanos que passaram a comandar comissões parlamentares de inquérito na Câmara dos Deputados. Hugo Motta (PMDB) na CPI da Petrobras e agora Efraim Filho (DEM), na CPI dos Fundos de Pensão. Além de jovens, o outro ponto em comum é que as duas investigações constrangem o governo.

Efraim Filho na instalação da CPI

Efraim Filho na instalação da CPI

Tanto Hugo Motta quanto Efraim Filho foram tirados da manga do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O nome do democrata foi confirmado no voto, nesta quarta-feira (12), em Brasília. E se a CPI da Petrobras tem sido ofuscada pela operação Lava Jato, mais efetiva nas prisões e revelação de crimes, a dos Fundos de Pensão tem muito o que revelar, principalmente sobre para onde foi o dinheiro dos segurados.

Hugo Motta em sessão da CPI da Petrobras

Hugo Motta em sessão da CPI da Petrobras

Postalis, dos Correios e Telégrafos; Petros, da Petrobras; Funcef, da Caixa Econômica, e Previ, Banco do Brasil. Em todas há denúncias de que o dinheiro foi desviado ou mal aplicado por gestores indicados pelo Partido dos Trabalhadores. É uma caixa-preta que precisa ser aberta. Os servidores das estatais têm reclamado do que chamam de sumiço do dinheiro. É uma CPI que poderá projetar nacionalmente Efraim, por não ter a concorrência da PF e do MPF.

“Se queremos mudar a forma como as coisas acontecem no Brasil, não há hora melhor que essa. Os fundos de pensão são uma caixa-preta. Estão jogando com o futuro das pessoas. Aposentados, pensionistas e trabalhadores que contribuíram para esses fundos estão desesperados e desamparados”, enfatizou Efraim Filho em conversa recente com o blog. Na Câmara dos Deputados, a informação é a de que vem bomba por aí.

Movimento pelo impeachment de Dilma, em João Pessoa, flerta com os militares

Os participantes do “Movimento vem pra rua”, em João Pessoa, podem dizer o que quiserem, mas o protesto de domingo, na capital paraibana, que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), flerta perigosamente com o regime militar. Prova disso é que a concentração para o evento, prevista para as 13h30, ocorre em frente ao Grupamento de Engenharia, na Epitácio Pessoa, de onde, por volta das 15h, o grupo segue em direção ao Busto de Tamandaré.

Foto: Diário do Centro do Mundo

Foto: Diário do Centro do Mundo

O “ato falho” dos organizadores dá munição aos petistas que insistem na tese de que o impedimento do mandato da presidente é um ato golpista. A saber, a Constituição estabelece critérios muito rígidos para justificar um impeachment. Há uma articulação em andamento na Câmara dos Deputados, promovida pelo presidente do Poder, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas ela vai depender, por exemplo, de uma reprovação do governo no Tribunal de Contas da União. Estão em análise os balancetes de 2014, quando foram registradas as polêmicas pedaladas fiscais.

O fato é que os protestos precisam ser vistos como legítimos e democráticos, mas perdem esse status a partir do momento que flertam com regimes ditatoriais. Até por que a defesa da ditadura só é comum a pessoas que não viveram, não leram a respeito ou que se beneficiaram muito com os anos de chumbo. É difícil acreditar que militantes do PSDB, a exemplo do senador Cássio Cunha Lima, que apoia a manifestação, aceite participar de uma concentração em frente ao Grupamento. Até porque o pai dele, Ronaldo Cunha Lima, foi cassado pelos militares.

É importante que as manifestações democráticas, que ganharam força no Brasil a partir de junho de 2013, não sejam convertidas nos antigos atos pela Tradição, Família e Propriedade, que abriram caminho para o golpe militar. Tudo o que o Brasil não precisa a essa altura é de uma outra ditadura. Se não houver crime comprovado contra Dilma Rousseff, assim como aconteceu com Fernando Collor, melhor deixar que as urnas se encarreguem de relegá-la ao esquecimento. O Brasil está cansado de golpe.

Para José Maranhão, Manoel Júnior é candidato e deveria assumir posição

Maior nome do PMDB na Paraíba, o senador José Maranhão descartou a possibilidade de alinhamento com qualquer partido no próximo ano, em João Pessoa, se, com ela, a sigla não assumir a cabeça de chapa. Isso, segundo ele, vale até para o PSB do governador Ricardo Coutinho. Para o peemedebista, o deputado federal Manoel Júnior é candidato natural e já deveria estar fazendo o contraponto ao prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT).

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A posição de Maranhão põe por terra as pretensões do deputado estadual Gervásio Maia, que reivindica o cumprimento de um acordo que daria a ele a presidência do PMDB em João Pessoa. Maia é um dos poucos, se não o único, peemedebistas que evitam fechar questão em relação à candidatura própria na capital. Por conta disso, é acusado por Manoel Júnior de planejar uma coligação com o PSB, na qual figuraria como vice.

O quesito aliança, inclusive, é visto com ceticismo pelo presidente estadual do PMDB, para quem o partido deverá ter candidatura em todos os municípios onde tiver condições de vitória. As contas de Maranhão incluem João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos e Sousa, algumas das principais cidades do Estado. A posição do senador segue a linha da orientação nacional e contraria o desejo do PSB, que cobra contrapartida em João Pessoa para apoiar o PMDB em Campina Grande.

Se a postura vai ser mantida, só o tempo dirá.

Hugo Motta terá dificuldades para explicar pagamentos a locadoras fantasmas

O deputado federal Hugo Motta (PMDB-PB) está em posição de proa, na política nacional, com o comando da mais importante Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso, a que investiga fraudes na Petrobras. Apesar disso, a denúncia de que pagou locação de veículos a empresas fantasmas com recursos públicos, entre 2011 e 2013, carece de melhor explicação. Afinal, as locadoras pagas, como diz o matuto, estão mais sujas que pau de galinheiro.

Crédito: Lucio Bernardo Jr./Agência Câmara

Crédito: Lucio Bernardo Jr./Agência Câmara

Mas vamos historiar melhor o caso para mostrar como uma investigação do Ministério Público de Pernambuco envolveu o deputado paraibano. Corre no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), já com decisão pela sua admissibilidade, uma ação civil de improbidade administrativa contra o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Edson de Souza Vieira (PSDB). O motivo: fraude em licitação e contratação de empresas fantasmas de locação de veículos.

Ao todo, há 11 réus na ação, entre pessoas físicas e jurídicas, entre elas, as empresas Malta Locadora LTDA, KMC Locadora Eireli e RC & MC Comércio e Locação de Veículos LTDA ME. Entre elas, segundo constatou o Ministério Público, em inquérito conduzido inicialmente pela promotora Bianca Stella Barroso (a mesma que levou 10 vereadores de Caruaru para a cadeia), ficou comprovado que as firmas não prestaram o serviço, não têm endereço e são fantasmas.

As empresas, com ajuda do prefeito e da comissão de licitação, conseguiram a locação de veículos para Santa Cruz do Capibaribe, com contrato superior a R$ 1,6 milhão, agora cobrados na Justiça. Pior, as investigações mostraram que a KMC, por exemplo, possui apenas um carro registrado no Detran. A quebra de sigilo bancário mostrou que o dinheiro recebido pelas empresas era rateado entre os suspeitos, com saques e transferências em contas do Itaú.

E é aí que chegamos ao deputado paraibano, Hugo Motta. Apesar de ele não fazer aparte da denúncia do Ministério Público de Pernambuco, a existência de uma conta do Itaú, em Patos, com recursos transferidos pelas empresas suspeitas fez com que os promotores ampliassem a apuração. Daí verificaram pagamentos feitos pelo deputado paraibano com recursos da verba indenizatória para a KMC Locadora Eireli e a RC & MC, as duas tidas como fantasmas.

Com pagamentos que iam de R$ 5 mil a R$ 10 mil, feitos pelo deputado, o Ministério Público viu como suspeita a existência de transferências feitas pela RC & MC para uma conta do Itaú, em Patos. Ao Blog, o Ministério Público, por meio de sua assessoria, explicou que não há investigação específica contra Hugo Motta, até por ele ser de outro estado e ter foro privilegiado. Eles não descartam, no entanto, encaminhar a denúncia para o MPF da Paraíba.

A ficha corrida dos indiciados, no escândalo das locações, em Pernambuco, não é pequena. Os proprietários da RC & MC, por exemplo, Mônica Paixão Caetano e Rafael Guilherme Caetano dos Santos, mãe e filho, já foram presos por receptação de veículos roubados no Recife. A KMC, também suspeita, manteve contratos, em 2013, com as prefeituras paraibanas de Emas, São José de Espinharas, Teixeira e Santa Teresinha.

A repercussão do caso, publicado inicialmente no blog de Ney Lima, de Santa Cruz do Capibaribe, fez com que Hugo Motta divulgasse nota se defendendo. Ele alegou questões factíveis em sua defesa, argumentando que não existe denúncia oferecida contra ele e que todos os contratos de locação foram auditados pela Câmara dos Deputados. Mas, é bom que se diga, a análise é feita sobre documentos oficiais, o que não é um obstáculo para as empresas fantasmas conseguir.

O que fez o MPPE olhar mais atentamente para Hugo Motta foi a constatação de um depósito na conta RM LOC 13/03/13 R$ 9.000,00. A ação se refere nestes termos à transferência: “… Curioso ressaltar que a Conta Corrente identificada como “RM LOC” pelo depositante, refere-se à Agência 0364 do Banco itaú S/A, localizada no município de PATOS/PB. Nessa toada, imperioso mencionar que RAFAEL GUILHERME CAETANO SANTOS, por meio da RC & MC COMÉRCIO E LOCAÇÕES DE VEÍCULOS LTDA/ME, bem como a pessoa de CARLOS ALEXANDRE FERNANDES MALTA, por meio da KMC LOCADORA, forneciam seus serviços, alternadamente, a um mesmo Deputado Federal, Hugo Motta (PMDB/PB), com base eleitoral no Município de Patos/PB, vislumbrando-se um possível, longo e ilícito estratagema firmado para fraudar licitações (referentes à locações de veículos)…” Isso o deputado precisa explicar.

Para quem quiser consultar no Tribunal de Justiça de Pernambuco, o número do processo é 0002476-74.2015.8.17.1250. (Colaborou Ney Lima, do Blog do Ney Lima).

Ricardo Coutinho cobra que Dilma enfrente ela própria a crise política

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), tem sido mais efetivo que as lideranças petistas na defesa da presidente Dilma Rousseff (PT). A gestora tem vivido um inferno astral sem tamanho desde o início do segundo mandato, em janeiro, quando deu início à política de contenção dos investimentos. Aliado a isso, as novas etapas da operação Lava Jato jogaram no solo a avaliação positiva da gestão petista, por causa das acusações de corrupção na Petrobras.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

Coutinho entende que cabe à presidente enfrentar a crise, sem fazer uso de articuladores políticos. Dilma ostenta uma reprovação do seu governo de 71%, a maior em 25 anos da série histórica do Instituto Datafolha. Pior até do que o ex-presidente Fernando Collor, hoje senador, que foi alvo de um impeachment em 1992. No próximo dia 16, o Movimento Brasil Livre programa uma manifestação de grandes proporções, inclusive na Paraíba, para pedir o impedimento do mandato da gestora petista.

Ricardo Coutinho integra um partido que faz oposição nacionalmente à presidente Dilma, apesar disso, tem mantido posição de apoio. Faz críticas, inclusive, ao que chama de postura irresponsável da oposição, notadamente, do PSDB do senador Cássio Cunha Lima. Nesse contexto, a crítica à tentativa de impeachment, com ênfase na judicialização da campanha, remete ao âmbito paroquial, uma vez que Cássio tenta a cassação do gestor paraibano por supostas irregularidades na campanha eleitoral.

Assim como Coutinho, o presidente estadual do PT, Charliton Machado, se mostrou irritado nesta sexta-feira com os noticiários nacional e local. Principalmente com a informação de que Dilma Rousseff já teria escrito a sua carta de renúncia do governo. Uma piada, segundo ele. Fez críticas também ao senador Cássio Cunha Lima, aliado de primeira ordem do ex-candidato a presidente pela sigla tucana, Aécio Neves. O paraibano foi citado como político de “baixa estatura moral”.

Os protestos das duas lideranças são reflexo da situação política do país, de extrema instabilidade. O cenário na Câmara dos Deputados foi montado para um possível processo de impeachment da presidente. Tudo vai depender de uma eventual reprovação dos balancetes dela no Tribunal de Contas da União (TCU), onde as “pedaladas fiscais” são apontadas como causa suficiente para a rejeição. Caso o TCU dê sinal verde, será difícil barrar o impedimento da gestora. Clima para cassação já existe.

 

Até o governo jogou a toalha em relação à gestão de Dilma Rousseff

Seria difícil qualquer pessoa imaginar, no fim do ano passado, a instabilidade política e econômica alcançada hoje do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). A grosso modo seria possível dizer que grande parcela da população apertaria o reset e tiraria ela da Presidência da República, independente do custo democrático disso. Um exagero, em certa medida, mas que retrata um governo que parece não ter piloto. Dilma saiu para as férias do fim de ano e não voltou.

Para ser mais claro, 71% das pessoas ouvidas pelo Instituto Datafolha gostariam que ela não tivesse voltado. Esse é o montante da rejeição da presidente, o maior da história. Outro dado grave e que atesta a instabilidade é que 66% da população é a favor de um impeachment, nos moldes do que aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor, hoje senador. O caminho deve ser mesmo uma eventual reprovação as contas do governo pelo Tribunal de Contas da União.

O Partido dos Trabalhadores leva ao ar, na noite desta quinta-feira (6), a sua propaganda política de dez minutos. No vídeo, já disponível no G1, Dilma Rousseff diz saber suportar pressão e até injustiça – isso não causa surpresa. Mas o fato é que o discurso petista, de tão desgastado, convence pouco. O ator José Abreu conduz o programa, que culpa a oposição pelo clima de descontrole. Alega que a gestão petista evitou por seis anos que a crise internacional atingisse o Brasil.

Em relação à crise no governo de Dilma, culpar a oposição vai no sentido contrário ao que se tem visto nas votações no Congresso Nacional, onde a base aliada, incluindo o PT, tem imposto derrotas monumentais à presidente. Ontem, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, pediu ajuda aos oposicionistas, com um ar de que está tudo perdido. O desabafo do ex-presidente Lula a aliados foi nesse sentido. Comparando com o mensalão, ele disse que nem crescimento econômico abafaria.

A declaração mais enigmática foi dita pelo vice-presidente e articulador do governo, Michel Temer, para quem o Brasil precisa de “alguém que tenha capacidade de reunificar todos”. A frase animou a oposição, por ficar claro que essa pessoa não é a presidente Dilma Rousseff. Mas é importante lembrar que em caso de cassação quem assumiria seria o próprio Temer. Os ingredientes para a cassação estão lançados. Os conspiradores são muitos.

Em contrapartida, a economia vai mal, a condução política vai pior e o envolvimento de lideranças do PT no escândalo da Lava Jato só agrava a situação. Tem pouca coisa que Dilma Rousseff possa fazer para estancar a deterioração completa do seu governo. Uma delas é tirar a cabeça do buraco.