CPMF tem tudo para virar o Fiat Elba da presidente Dilma Rousseff

Que a presidente Dilma Rousseff (PT) entrou em uma bolha desde que ganhou as eleições, no ano passado, não é surpresa para ninguém. Mas essa proposta de recriar a antiga CPMF, o nada saudoso imposto do cheque, parece prova inequívoca disso. O projeto, que ainda não tomou forma, apesar de já existir percentual para ser cobrado sobre as movimentações financeiras (0,38%), tem tudo para levar o governo dela para o subsolo.

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O tema criação do novo imposto foi apresentado nesta sexta-feira (28) para os governadores do Nordeste, aos quais Dilma falou sobre a necessidade de se criar novas fontes de financiamento. A proposta soa como música para os ouvidos dos gestores, preocupados com a falta de recursos para financiar a saúde. O governador Ricardo Coutinho (PSB) não cansa de falar que o custeio mensal passou de R$ 13 milhões para R$ 55 milhões e cobrar ajuda.

O problema é que novamente a presidente busca opiniões e apoios de quem está disposto a compartilhar com o que ela pensa. Mas é bom que se diga, a guerra para aprovar um novo imposto será travada na Câmara dos Deputados e no Senado, onde Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente, já se posicionaram contra. Dilma não tem o apoio do Congresso e não tem do vice, Michel Temer, todos do PMDB.

A presidente também não calcula o impacto negativo que a medida terá à sua popularidade. A população, não apenas os oposicionistas, não querem nem ouvir falar de novos impostos. A popularidade da gestora, que não ultrapassa a casa dos 7%, segundo o Datafolha, deve cair ainda mais com o embate. Se a presidente não pregasse apenas para catequizados, saberia que ninguém quer ser convidado a pagar pela corrupção e pela incompetência do governo.

Para ser mais exato, ao invés de elevar os impostos, funcionaria mais como apelo social reduzir os gastos do governo, torná-lo mais transparente e menos corrupto. Conversei nesta semana com o deputado federal Efraim Filho (DEM) e, literalmente, ficou claro que a oposição no Congresso vai usar a criação do novo imposto para “sangrar” ainda mais a já combalida popularidade da presidente, que enfrenta processos no TSE e corre risco na Câmara.

Com a popularidade melhor do que a de Dilma, o ex-presidente Fernando Collor (AL), hoje senador pelo PTB, foi alvo de impeachment. O único crime comprovado contra ele, na época, foi o recebimento de um Fiat Elba por vias ilegais. Se o Petrolão não implicar a presidente, como quer a oposição, o novo “imposto do cheque” poderá ocupar esse papel. E dessa, com a popularidade também em baixa, nem o ex-presidente Lula conseguirá salvar a Dilma Rousseff.

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