PSDB x PT: a inevitável sensação do sujo falando do mal lavado

Entenda como um desabafo quem quiser. Mas os discursos embalados pelos líderes tucanos neste domingo (6), durante convenção do partido, em Brasília, deixam claro que a política brasileira precisa mesmo ser passada a limpo, como sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nesse caso, partindo para um sentido mais amplo, a corrupção e os desmandos durante o governo petista teriam um concorrente à altura, se comparado ao período tucano.

Foto: Igo Estrela/PSDB

Foto: Igo Estrela/PSDB

Para quem tem o teto de vidro, é difícil apontar um dedo sem que os outros quatro deixem de ter como alvo o acusador. Quando FHC diz “precisamos ir até o fim para que o Brasil seja passado a limpo”, é impossível não colocar o Petrolão ao lado de tudo o que aconteceu durante as privatizações e suas offshores. São muitas denúncias sobre o governo petista e suas lideranças, mas elas não deixaram de existir nas gestões tucanas. Discutir gravidade é questionável.

Da mesma forma, a defesa do líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), para que haja cassação da presidente Dilma Rousseff (PT) sempre gera estranhamento. É fato que para os eleitores, ela praticou estelionato eleitoral, mentindo sobre o plano de governo. Por isso, amarga 9% de aprovação, segundo o Ibope. Mas é bom que se diga que Dilma não é investigada no escândalo da Lava Jato. Cássio, por outro lado, já foi cassado por corrupção eleitoral.

Ao defenderem o “fora Dilma”, os tucanos recorrem agora ao mesmo expediente dos petistas após a reeleição de Fernando Henrique, em 1998. Naquela época, o lema era o “fora FHC”, que contou com uma ajudinha dos maus resultados na economia amargada pelo segundo mandato tucano. Isso abriu caminho para a vitória de Lula, em 2002. Em crise, o governo de Dilma pode abrir caminho para outra liderança, em 2018.

Mas o fato mesmo que contraria qualquer discurso tucano ou petista é que, tirando a retórica estimulada pela pouca memória política brasileira, a trajetória dos dois partidos no poder se envolve e se confunde com os mesmos altos e baixos. Em português claro e cristalino, “é o sujo falando do mal lavado” em todos os aspectos. A política nacional, por isso, precisa mesmo ser passada a limpo. Mas só o eleitor pode fazer isso.

Luiz Couto diz que defensores da redução maioridade “responderão perante Deus”

Voz dissonante entre os deputados federais paraibanos por se posicionar contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, o deputado federal e padre Luiz Couto (PT) tem endurecido o discurso contra os colegas de parlamento. Ele diz que os deputados favoráveis à mudança “responderão diante de Deus” pelo assassinato, estupro e aliciamento de adolescentes que serão encarcerados a partir da inovação da lei.

Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Da Paraíba, além de Couto, apenas Damião Feliciano (PDT) votou contra o projeto na Câmara dos Deputados. Outro colega de parlamento, Wilson Filho (PTB), pagou o preço por sua consciência na última sexta-feira (3). Na oportunidade, durante a instalação, em João Pessoa, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a violência contra jovens negros pobres, ele ouviu uma sonora vaia da plateia.

Deputados federais de todo o país, em especial da Paraíba, seguiram à risca as pesquisas de opinião pública, que apontam apoio superior a 75% da população ao tema redução da maioridade penal. Mas eles vão enfrentar uma oposição muito forte de quem, sobriamente, sabe que reduzir a idade mínima “pra descer pro Roger” não resolve. Na verdade, tende a piorar a segurança, com jovens fazendo pós-graduação no mundo do crime.

Para Luiz Couto, a PEC 171 é uma enganação. “O próprio número 171 diz que é estelionato. Estão querendo colocar na criança e no adolescente a culpa da violência, quando esta é praticada pelos adultos, que não dão o exemplo. Ao dizer que o encarceramento recupera, está-se dando um exemplo que não acontece. Colocar essas crianças e adolescentes nos presídios significa responsabilizá-las e deixá-las numa masmorra para serem ainda mais vítimas da violência”.

Luciano Cartaxo manda recado a Charliton: quer PSDB e PMDB no palanque

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), tem mandado recados para o presidente do seu partido, no estado, Charliton Machado. Ele não vai abrir mão de pelo menos tentar manter todas as alianças administrativas para a disputa da reeleição, no ano que vem, mesmo que isso contrarie a orientação nacional da sigla petista. O entendimento é que não se ganha eleição dividindo, principalmente quando os hoje aliados podem migrar para a oposição.

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

Machado deu declarações recentemente de que o PT, em João Pessoa, tem aliado prioritário: o PSB. Não haveria, portanto, espaço para o PSDB e o DEM na chapa. O impedimento seria o fato de as duas legendas serem adversárias e críticas da presidente Dilma Rousseff. Para o dirigente petista, não haveria alinhamento ideológico entre as agremiações que justificasse o alinhamento. O pronunciamento surge no momento em que o PSDB e PMDB, hoje aliados, discutem candidatura.

Luciano Cartaxo, no entanto, segue no caminho contrário. Sabe que dificilmente o PSB abrirá mão do desejo de lançar candidatura própria no próximo ano. O governador Ricardo Coutinho (PSB) já disse que não tem dívida partidária com o PT, por isso, não está obrigado a retribuir o apoio recebido no ano passado. Os dirigentes estaduais do PSDB, por outro lado, estão dispostos a discutir um acordo, já que a sigla tem três vereadores na base aliada do prefeito.

Cartaxo, nesta semana, deixou bem claro que as portas estão abertas para todos os partidos que desejem trabalhar pela sua reeleição. Quer o PSDB e o PMDB, siglas que ensaiam candidaturas próprias, inclusive, com uma aliança entre elas. A lógica é a de que ele não pode repetir o erro de Cássio Cunha Lima (PSDB), no ano passado, que se achando eleito governador não quis o PT no arco de alianças, porque achava que Dilma Rousseff estava mal. Também não quis o PMDB.

O resultado dessa história, envolvendo o senador tucano, todo mundo conhece…

O vergonhoso jogo do “só termina quando acaba” de Eduardo Cunha

Nunca o jeitinho foi tão usado na política brasileira. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem se transformado em uma especialista nisso. Primeiro, durante a votação da reforma política, conseguiu ressuscitar a doação de empresas para campanhas, após uma derrota no dia anterior. Fracassado na primeira votação, negociou, ameaçou e conseguiu a aprovação de um projeto mutilado, mas atendendo aos seus interesses.

Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Na madrugada desta quinta-feira (2) não foi diferente. Cunha viu, um dia antes, seu objetivo de ver a redução da maioridade de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos reprovado. Faltaram míseros cinco votos. Horas depois, em meio a negociações e novas ameaças, de acordo com o relatado em discurso do deputado Sílvio Costa (PSC-PE), conseguiu dar o jeitinho de um projeto muito parecido voltar à discussão.

O texto aprovado, fruto de emendas dos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Andre Moura (PSC-SE), mantém a redução da maioridade, de 18 para 16 anos, nos casos de crimes hediondos (estupro, sequestro, latrocínio, homicídio qualificado e outros), homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. Exclui apenas temas como envolvimento em tráfico. Foi a versão eduardesca do “só termina quando acaba”.

A proposta ainda precisa ser votada em segundo turno antes de seguir para o Senado. Lá, o tema em discussão é a mudança do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) com penas mais duras. Ontem, o deputado federal paraibano Efraim Filho (DEM), antes da nova votação, falou sobre sua decepção com o resultado da primeira. Ele falou que alguns deputados ficaram intimidados por causa dos protestos. Todos agora têm motivos para rir.

Agora, é duro imaginar que a criminalidade vai ser reduzida com a redução da maioridade penal. De acordo com estudo do Ministério da Justiça, os adolescentes são responsáveis por menos de 1% dos crimes. Os defensores da matéria dizem que 87% da população aprova a proposta. O sim ganhou por 323 a 155, portanto, atendendo à vontade popular. Só quero ver quando um monte de adolescentes estiver nos presídios tomando aulas com os mestres…

Como votaram os deputados federais paraibanos?

Pelo não
Damião Feliciano (PDT)
Luiz Couto (PT)

Pelo sim
Efraim Filho (DEM)
Hugo Motta (PMDB)
Manoel Júnior (PMDB)
Veneziano Vital do Rêgo (PMDB)
Rômulo Gouveia (PSD)
Pedro Cunha Lima (PSDB)
Wilson Filho (PTB)
Benjamin Maranhão (SD)

Não participaram da votação
Aguinaldo Ribeiro (PP)
Wellington Roberto (PR)

Festa junina provoca suspensão de atendimento no PSF de Mangabeira

Terça-feira, 30 de junho, 15h. Não era feriado ou nada que o equivalha, mas a Unidade de Saúde da Família (PSF) de Mangabeira IV, em João Pessoa, estava com as portas fechadas, mas só para o atendimento aos pacientes. Lá dentro, ocorria uma animada festa junina, com direito a arrasta-pé, ornamentação e tudo. O caso foi flagrado pela dona de casa Roseli Firmino que, com crise hipertensiva, procurou atendimento na unidade de saúde. Mesmo passando muito mal, foi aconselhada a ir para casa e retornar no dia seguinte, no caso, esta quarta-feira. Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde informou que o órgão vai apurar a denúncia e responsabilizar quem autorizou a comemoração no USF em pleno horário de expediente.

SaoJoao

Maioridade penal: os jovens não vão mais pagar pela incompetência do Estado

A pressão dos movimentos sociais surtiu efeito. Os defensores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos não conseguiram votos suficientes para a aprovação da matéria. A maioria dos parlamentares, inclusive os paraibanos, entendia que a medida resolveria o problema da violência. A solução era jogar em masmorras os adolescentes em conflito com a lei. Mas eles não conseguiram o quórum mínimo de 308 votos.

Foto: Marcelo Camargo_Agencia Brasil

Foto: Marcelo Camargo_Agencia Brasil

Vale ressaltar que apesar de insuficientes, os defensores da redução ficaram a cinco votos da aprovação. Foram apenas 184  parlamentares contra. Com a rejeição do substitutivo, restará ao presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a votação da PEC original e das apensadas. Pelo projeto votado nesta terça-feira, adolescentes entre 16 e 18 anos também poderiam ser condenados por crimes de lesão corporal grave ou lesão corporal seguida de morte e roubo agravado.

O embate foi grande. O clamor da população deu o tom do discurso dos defensores do projeto, antes e durante a votação. Agora, convenhamos, não custa questionar os deputados se a causa da violência não seria a falha na aplicação de recursos na educação, na construção das praças e em locais de vivência por parte dos governos que eles representam. Em João Pessoa, por exemplo, os bairros mais violentos não têm escolas decentes, praças ou qualquer política mais eficaz de combate à violência. O governador Ricardo Coutinho, quando o tema é violência, joga o problema para o governo federal.

O deputado federal Sílvio Costa (PTB-PE), em seu discurso, foi muito feliz ao analisar a corrida pela aprovação do projeto da maioridade penal na Câmara dos Deputados. Depois de ouvir defensores em discursos seguidos dizerem que votariam pela redução da maioridade porque a população, majoritariamente, é a favor, ele lembrou que a maioria da população saiu às ruas e pediu um golpe militar no Brasil em 1964. A maioria também levou Hitler ao poder na Alemanha.

A população vai sempre exigir uma solução sem muita discussão. Se alguém chega e diz que a violência vai cair com a redução da maioridade, lógico que o povo, aflito, com medo, vai se manifestar a favor. Só que o presídio não é um portal que levou Alice ao País das Maravilhas. Os jovens que serão presos não voltarão à sociedade melhores do que foram para o presídio. Serão mais letrados em criminalidade, mais cruéis.

É bom dizer que a maioria da população é favorável à redução da maioridade. Só que essas mesmas pessoas, se questionadas, se diriam a favor da pena de morte, dos trabalhos forçados e do extermínio. Por medo, querem apenas se livrar dos criminosos. O fato é que os adolescentes cometem menos de 1% dos crimes no Brasil e representam 36% das vítimas. O Mapa da Violência, vale lembrar, aponta João Pessoa como a segunda capital mais violenta do país para os jovens.

Então, quem é mais criminoso? O adolescente em conflito com a lei ou a sociedade em que ele está inserido?

Como votaram os deputados federais paraibanos?

Pelo não
Damião Feliciano (PDT)
Luiz Couto (PT)

Pelo sim
Efraim Filho (DEM)
Hugo Motta (PMDB)
Manoel Júnior (PMDB)
Veneziano Vital do Rêgo (PMDB)
Wellington Roberto (PR)
Rômulo Gouveia (PSD)
Pedro Cunha Lima (PSDB)
Wilson Filho (PTB)
Benjamin Maranhão (SD)

Não participou da votação
Aguinaldo Ribeiro (PP)