Quando a imprensa e a cidadania enfurecem os deputados gazeteiros

A foto do plenário quase vazio, na Assembleia Legislativa, que ilustra a capa do Jornal da Paraíba desta quarta-feira (22), deixou enfurecidos os deputados estaduais. No momento de corporativismo, é comum todos se darem as mãos, mas é bom que se diga: eles não terão como esticar a verdade a ponto de desmentir a imagem. E por mais que a intenção seja negar, os discursos inflamados dos parlamentares para contestar o jornal apenas reafirmam tudo o que foi dito na matéria em texto e imagem.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

A reportagem assinada pela repórter Michelle Farias, com fotos de Francisco França, diz que a sessão na Assembleia Legislativa nesta terça-feira foi declaratória, leia-se, não houve votação de matérias porque 20 deputados estaduais marcaram presença, mas quando o presidente em exercício, João Henrique (DEM), tentou iniciar a ordem do dia, às 10h30, só 12 estavam presentes no plenário. Enquanto isso, seis deputados acompanharam integralmente a agenda do governador em exercício, Adriano Galdino. A última sessão ordinária na Casa completou uma semana hoje.

Assembleia

O resumo da ópera, e desafio qualquer deputado a desmentir isso, é que não foi possível iniciar a sessão deliberativa por insuficiência de deputados no plenário. Por isso, João Henrique suspendeu a apreciação de matérias. Houve pronunciamentos no pequeno e no grande expediente, mas às 11h não havia praticamente mais nenhum deputado na Casa. Vou retirar cada palavra dita aqui se os deputados mostrarem imagens da sessão que possam desmentir qualquer palavra ou mesmo negue as fotos assinadas pelo repórter fotográfico Francisco França.

O presidente licenciado do Legislativo, Adriano Galdino (PSB), que até a manhã de hoje ocupava interinamente a cadeira de governador, ligou para a reportagem pedindo “sensibilidade” em relação ao caso. Ele alega que é prerrogativa dos deputados acompanhar a agenda do governador. O que foi ontem feito por Ricardo Barbosa (PSB), Charles Camaraense (PSL), João Gonçalves (PSD), Genival Matias (PT do B), Zé Paulo (PC do B) e Branco Mendes (PEN). Mas resta uma pergunta: por que isso não é feito em horário diverso ao das sessões no Legislativo?

O quórum para iniciar a ordem do dia é conferido às 10h30. Isso foi feito por João Henrique, ontem. Ele mesmo reconhece que 19 deputados marcaram o ponto, mas não permaneceram. Agora, é de estranhar que diante de tantos fatos, os deputados, mesmo os não gazeteiros, insistam em dizer que “a sessão foi realizada normalmente”. A presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Estela Bezerra (PSB), por exemplo, se apressou em dizer que várias matérias foram votadas na CCJ. E o que isso tem a ver com a suspensão das votações em plenário, fruto da reportagem?

O líder da oposição, Renato Gadelha (PSC), fez discurso também criticando o Jornal da Paraíba, mas não nega que a sessão ordinária foi cancelada por causa da gazeta dos colegas. É a prova de que quando o corporativismo entra em campo, oposição e situação na Assembleia Legislativa adentram o mesmo saco de farinha calçando sapatos com o mesmo número. É muita falta de respeito com o eleitor e com o cidadão que paga impostos com o único objetivo de ver seus interesses defendidos pelos representantes do povo.

Ao invés disso, de se preocupar com os interesses do cidadão, é vergonhoso ver todos se unindo para salvar a própria pele e a dos gazeteiros. Talvez por entenderem que um dia poderão ser eles na mesma situação. O que sintetiza de tudo o que temos visto é o projeto do deputado Ricardo Barbosa (PSB), que quer aumentar para 72 dias o período de recesso na Casa. Em conversa com o blog, a deputada Estela Bezerra, que se posicionou contra, disse que os deputados ganhavam muito e trabalhavam pouco. Hoje, recorrendo ao corporativismo, o discurso é outro.

Um recado aos navegantes: não subestimem a inteligência do povo.

Pesquisa CNT/MDA mostra que os conservadores perderam a vergonha

A 128ª Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT/MDA), divulgada nesta terça-feira (21), mostra muito mais que a queda da avaliação positiva do governo Dilma Rousseff (PT), que agora gira em torno de 7,7%. Mostra que a parcela mais conservadora da população, aquela que defende um novo golpe militar, perdeu a vergonha e já não esconde esse desejo de ninguém. Isso talvez explique o fato de o maior representante deste grupo, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) ter pontuado na pesquisa.

Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados

Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados

O voto de Bolsonaro vem justamente dos defensores do golpe militar, da homofobia, do patriarcalismo, enfim, da velha máxima do “família, tradição e propriedade”. E essa parcela da população não é restrita aos 5,5% dos eleitores que disseram que votariam nele em uma eventual disputa para a Presidência, caso os candidatos fosse o ex-presidente Lula (24,9%), Marina Silva (23,1%) e Geraldo Alckmin (21,5%). Ao contrário de Marina, que tem muito recall, mas pouca musculatura para a reta final, não é de estranhar o crescimento dos conservadores.

Isso já é visto nas disputas legislativas. O Rio de Janeiro elegeu com as maiores votações três representantes da parcela mais conservadora da população. No topo estão Jair Bolsonaro, do PP (464.572 votos); Clarissa Garotinho, do PR (335.061 votos), e Eduardo Cunha, do PMDB (232.708 votos). O mesmo ocorre em praticamente todos os estados brasileiros. O grande motivo disso também está na pesquisa CNT/MDA: a fraqueza do governo petista, com mais de 70% da população considerando a gestão de Dilma Rousseff ruim ou péssima.

Aécio Neves (PSDB), que hoje transita bem entre conservadores e alguns setores da esquerda venceria as eleições, se elas fossem hoje, ganhando até do ex-presidente Lula. O mineiro teria 35,1% dos votos, seguido pelo petista, com 22,8%, e Marina Silva, com 15,6%. A prova do desgaste de Dilma é que dos mais de 2 mil entrevistados ouvidos pela CNT, 44,8% acreditam que se Aécio Neves tivesse vencido as últimas eleições, o governo estaria melhor que o da presidenta Dilma.

Pela situação do ex-presidente Lula na pesquisa, o humor do eleitor com a presidente Dilma e com o PT, principalmente depois dos escândalos de corrupção, não é dos melhores.

A agenda dispensável da vice-governadora na viagem à Rússia

A Secretaria de Comunicação do Estado deve ter encontrado dificuldades para dar ares de seriedade à agenda da vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT), na visita à Rússia. O conteúdo noticioso diz que ela aproveitou a estada no país para divulgar o potencial da Paraíba em áreas como indústria, comércio e turismo. Apesar disso, não se reuniu com autoridades russas ou mesmo empresários. O encontro ficou restrito ao embaixador do Brasil no país, Antônio Guerreiro.

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Lígia Feliciano viajou à Rússia acompanhada do marido, o deputado federal Damião Feliciano (PDT), que se encontra de férias. Graças ao compromisso da vice em um dos principais parceiros comerciais do Brasil, o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (PSB), e o presidente do Tribunal de Justiça, Marcos Cavalcanti, puderam ser empossados no governo do Estado no período de licença de Ricardo Coutinho (PSB).

Além de servir para a posse de Galdino e Cavalcanti, essa agenda da vice-governadora terá pouca utilidade. Ao menos as fotos dela e do marido com a bandeira da Paraíba ficaram interessantes.

Rastro de corrupção toma as prefeituras do interior da Paraíba

O que a operação Lava Jato tem a ver com as operações Andaime e Monte Sinai, esta última desencadeada na manhã desta terça-feira (21)? Aparentemente, nada. Mas na verdade, tem tudo a ver. A Lava Jato tem servido de parâmetro para que os órgãos de controle de todo o país potencialize um trabalho que não é novo, mas que nunca produziu tantos efeitos positivos na punição dos gestores corruptos.

A operação Monte Sinai tem como epicentro a pequenina cidade sertaneja de Monte Horebe, que, apesar da dimensão, é referência de grandes escândalos de corrupção. No episódio atual, a prefeita Cláudia Aparecida Dias (ex-DEM) e o secretário municipal da Administração, Erivaldo Jacó de Sousa, foram proibidos de se aproximar a menos de 100 metros de qualquer prédio público da cidade. O mesmo, segundo decisão do Tribunal de Justiça, vale para o ex-prefeito Erivan Guarita.

A operação desencadeada por equipes do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB), em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Militar da Paraíba (PMPB), tem o objetivo de coibir desvios de recursos públicos na administração municipal. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em residências, escritórios e empresas que teriam ligação com o esquema.

Ouvida pela CBN João Pessoa, a prefeita não se mostrou surpresa com a operação por, segundo ela, saber que todos os prefeitos do Alto Sertão estão sendo investigados. “Quando decidi entrar na política, sabia dos percalços”, disse Cláudia Aparecida, que foi auxiliar na gestão de Erivan Guarita, a mesma que teve todas as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A cidade tem histórico de corrupção. Ano passado, foi preso o ex-prefeito José Dias Palitot, também condenado.

As investigações tiveram início há mais de três anos e fazem parte de um desdobramento da ‘Operação Transparência’, também realizada pelo Gaeco e que investigou esquemas de corrupção e fraudes em dezenas de municípios paraibanos. Em Monte Horebe, os desvios investigados pelo Ministério Público teriam ocorrido entre os anos de 2010 e 2012 e vão desde desvios de recursos públicos, que deveriam ser usados para a compra de alimentação, a obras de construção civil e na contratação ilegal de “funcionários fantasmas”.

No mês passado, puxada pela Polícia Federal, Controladoria Geral da União e Ministério Público Federal foi desencadeada a operação Andaime, para investigar fraudes em licitações em 16 prefeituras do Sertão. Várias pessoas foram presas, inclusive auxiliares e servidores da Prefeitura de Cajazeiras. Vamos esperar que as prisões e operações sirvam de exemplo e inibam novos casos de corrupção nas prefeituras.

Memes unem Cássio e Ricardo, Dilma e Cunha no Dia do Amigo

Tudo é possível no mundo virtual, inclusive figuras políticas inimigas se tornarem muy amigas. Como em anos anteriores, a ironia tomou conta, nesta segunda-feira (20), das redes sociais, com memes unindo figuras que um dia andaram juntas, ou nem tanto, mas que estão às turras na atualidade. Cássio Cunha Lima (PSDB) e Ricardo Coutinho (PSB) dividiam o mesmo projeto político até meados do ano passado, quando o senador tentou tomar o governo de Ricardo.

Os presidentes Dilma Rousseff (PT), da República, e Eduardo Cunha (PMDB), da Câmara dos Deputados, se não eram amigos, mantinham um mínimo de diálogo institucional até a semana passada, quando Cunha prometeu “explodir o governo”. Nas redes sociais, são amigos (da onça), que seja. Também tem os sérios, com o ex-presidente Lula ao lado da petista Dilma Rousseff, demonstrando sintonia, apesar de, nos bastidores, a informação ser de uma relação não tão boa.

Confira:

Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima

Ricardo e Cassio

 

Dilma Rousseff e Eduardo Cunha

Dilma e Eduardo

 

Dilma Rousseff e Lula

LulaDilma

Vingança de Cunha contra Dilma expõe fragilidades da Câmara dos Deputados

O “rompimento” do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com a presidente Dilma Rousseff (PT) tende a evidenciar mais que o temperamento vingativo do parlamentar carioca. Vai deixar no cidadão a sensação de que a Casa, além de cara, trabalha pouco. Cunha usou as redes sociais, neste fim de semana, para anunciar que vai limpar da pauta o julgamento das contas de ex-presidentes da República, apreciadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas nunca analisadas pelos deputados.

Imagem: reprodução do Facebook

Imagem: reprodução do Facebook

O anúncio do deputado não tem anda de republicano, apesar de ser importante para que se passe a limpo esses balancetes apreciados pelo TCU. Ele quer limpar a pauta para votar as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff. Cunha acusa a gestora de ter mexido os pauzinhos para que as denúncias contra ele na operação Lava Jato, da Polícia Federal, viessem a público. O deputado vê no desejo do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de ser reconduzido ao cargo, como a brecha encontrada pela presidente para comprometê-lo.

A justificativa de Cunha para o rompimento não passa de cortina de fumaça, já que se o governo tivesse tanto poder para influenciar a Lava Jato, não haveria tanto petista enrolado. Mas pior do que isso é que a não apreciação das contas dos ex-presidentes não inclui apenas o primeiro mandato de Dilma ou mesmo de Lula. Elas apresentam até do ex-presidente Fernando Collor, cassado em 1992. Traz também de Fernando Henrique. Algumas já prontas para serem apreciadas.

O interesse de Cunha, vale reforçar, não é passar essas contas a limpo, mas deixar a pauta pronta para votar o relatório do TCU de 2014, que trata das pedaladas fiscais – os episódios em que os bancos públicos bancaram os programas sociais do governo quando houve atraso nos repasses. O caso deve ser apreciado por esses dias pela corte. Se os balancetes forem rejeitados, podem abrir caminho para o processo de impeachment da presidente.

Por isso, Cunha quer botar as contas antigas na ordem do dia a partir de agosto. É a vingança revelando o descaso.

Licença do governador Ricardo Coutinho começa com viagem a Garanhuns

O governador Ricardo Coutinho (PSB) aproveitou o primeiro dia da sua licença, de fato, para participar neste sábado (18) do badalado Festival de Inverno de Garanhuns, em Pernambuco. O gestor está afastado do governo desde a última quinta-feira (16), mas ainda representou a Paraíba no Encontro de Governadores do Nordeste, em Teresina, no Piauí. No click blog de Roberta Jungmann, além da deputada estadual Estela Bezerra, estão o secretário de Cultura de Pernambuco, Marcelino Granja; a presidente da Fundarpe, Márcia Souto, e o prefeito de Garanhuns, Izaías Regis (PTB). Durante a licença de 10 dias, o governo da Paraíba será comandado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, e pelo presidente do Tribunal de Justiça, Marcos Cavalcanti.

Fonte: Blog de Roberta Jungamann

Fonte: Blog de Roberta Jungamann

Estela Bezerra critica “folga” defendida por Ricardo Barbosa na Assembleia

A deputada estadual Estela Bezerra (PSB) tem sido muito firme nos argumentos contrários à ampliação do recesso parlamentar na Assembleia Legislativa. O projeto é de um correligionário, o deputado Ricardo Barbosa e prevê a elevação de 15 apara 30 dias o período de descanso do meio do ano. Ele apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Na prática, eleva para 72 dias as férias dos parlamentares. Uma maravilha, para eles.

Ricardo Barbosa faz fotos na fosse de Adriano Galdino

Ricardo Barbosa faz fotos na fosse de Adriano Galdino

 

Estela foi a única entre todos os deputados que não subscreveu a proposta. Disse considerá-la absurda, inclusive quando se usa o Judiciário como referência e não a escala de trabalho de qualquer cidadão comum. “Se os juízes têm regime diferente, eles deveriam se ajustar também”, pondera. Sobre a Assembleia Legislativa, a constatação da socialista é a de que os deputados ganham muito e produzem pouco.

O discurso de Estela tem similaridades com o da opinião pública, mas o projeto passa se não houve pressão popular. Afinal, o salário gira em torno dos R$ 25,2 mil mensais, sem contar as vantagens. Ricardo Barbosa (PSB), autor da PEC, diz não querer ser mal interpretado. Alega que a medida oficializa o que já existe na prática, com desculpas do Legislativo para adiar o retorno ao trabalho, a exemplo de reformas. A queixa dele é pertinente, mas a solução, não.

Tribunal de Contas dos Municípios da Paraíba não pode ser instalado, diz o TJ

A polêmica sobre a instalação ou não do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) virou uma grande piada, em grande parte, incentivada por setores do governo do Estado. Tudo porque o Tribunal de Justiça da Paraíba proferiu decisão que torna inconstitucional a sua instalação. O caso foi julgado sem muito alarde em janeiro deste ano, inclusive, após ouvir o governo. O assunto é tratado em matéria do jornalista Lenilson Guedes, hoje (16), no Jornal da Paraíba.

Ao analisar uma ação movida pelo Partido dos Trabalhadores, o TJPB entendeu que o projeto aprovado em 24 de novembro de 1994 e que, desde então, passou a figurar na Constituição do Estado era, na verdade, inconstitucional. Tudo por que, na época de sua apresentação, o projeto não atendia a um princípio básico: faltava-lhe prévio estudo de impacto financeiro. O relator foi o desembargador Leandro dos Santos.

Por conta disso, toda a polêmica surgida em forma de uma eventual retaliação do governo por causa do erro formal do Tribunal de Contas do Estado (TCE) no repasse de dados para uma das ações que pede a cassação do governador Ricardo Coutinho (PSB) no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não passa de jogo de cena. Até por que, como partes interessadas, dificilmente essa informação não seria levada ao conhecimento da Assembleia Legislativa e do governo do Estado.

Ontem mesmo, o procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro, disse achar a proposta viável do ponto de vista técnico. O que abre a difícil perspectiva de a decisão não ter chegado ao conhecimento dele. A polêmica ganhou corpo depois que o líder do governo da Assembleia Legislativa, Hervázio Bezerra (PSB), deu declarações no sentido de que o governador poderia instalar o TCM.

Depois de toda a polêmica, a certeza é a de que tudo não passou de balão de ensaio. O governador Ricardo Coutinho ficou chateado, sim, com os dados sobre contratação de pessoal repassados erroneamente para o TRE. A informação de que ele teria contratado 40 mil profissionais sem concurso em período vedado poderia cassar o seu mandato. Mas daí a instalar o TCM só para retaliar o Tribunal de Contas é pouco republicano demais.

Afinal, quem vive buscando fazer economia e contando as moedas para concluir obras não ia gastar mais de R$ 100 milhões por ano para bancar outro novo tribunal. Isso, literalmente, não entra na cabeça de quem pare para fazer as contas. Conclusão: todo não passa de alarme falso, criado ou não no seio do governo. O TCM, pode-se dizer, é um fantasma caro e que não existe mais.

A Assembleia Legislativa suspenderá os trabalhos para a posse de Galdino

O agrado que o governador Ricardo Coutinho (PSB) decidiu fazer com o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), e o presidente do Tribunal de Justiça, Marcos Cavalcanti, empossando os dois para o período de sua licença de 10 dias, tem rendido muito bochicho. Coisa digna da novela “O bem amado”, de Dias Gomes. Principalmente quando o assunto é o presidente do Legislativo. Já há até sucessão de fatos curiosos relacionados à posse dele.

Posse

Só para se ter uma ideia, não haverá sessão na Assembleia Legislativa amanhã (16). O presidente da Casa, agindo como calouro em baile de debutantes, tem convidado a todos para sua posse. Não vai faltar selfie na solenidade. Para completar, depois de dizer que a “ficha ainda não caiu”, Adriano Galdino prometeu visitar sua cidade natal, Pocinhos, já governada por ele, investido do cargo de governador do Estado.

É bem verdade que, na Paraíba, a transmissão de cargo é uma forma de manter os poderes independentes sob um mesmo guarda-chuvas. Uma postura travestida de democrática, mas que não tem nada de republicana. Galdino, ainda empolgado, assume o governo amanhã. Já Marcos Cavalcanti passa a ocupar o cargo a partir do dia 22. E alguém sabe o porquê de a vice-governadora Lígia Feliciano não assumir o cargo?

Fico imaginando coisa dessas no contexto nacional. Não lembro aqui quando o presidente da Câmara dos Deputados assumiu a Presidência da República desde Ranieri Mazzilli, após o golpe de 1964. Imagine o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o terceiro na linha de sucessão. Esse “acordo de cavalheiros” não é ilegal, mas não cabe na conta de republicano. Não custa lembrar que os poderes precisam ser autônomos e cada um tem o seu papel. Tudo além disso é “jeitinho”.