A caixa de pandora de Rennan Trajano pode puxar mais gente para o escândalo

Não se sabe onde vai parar, ou se vai parar, a ânsia do ex-tesoureiro da prefeitura de Campina Grande, Rennan Trajano, para derrubar os irmãos Veneziano Vital do Rêgo (ex-prefeito e atual deputado federal) e Vital do Rêgo (ministro do Tribunal de Contas da União). Em conversa com ele, o recado foi o seguinte: quer destruir politicamente os irmãos e diz ter bala na agulha para isso. Inclusive sobre o lendário mensalinho pago a vereadores na Câmara Municipal.

Edição do JP

Trajano se coloca como operador de um esquema de corrupção que foi abandonado pelos supostos beneficiados. Por enquanto, do que veio a público, é apenas a palavra dele contra as auditorias do Tribunal de Contas descobertas pelo Jornal da Paraíba e que, no desespero, foi divulgado por Veneziano. Ele soube por nossa equipe da existência dos documentos que serviriam como salvo-conduto nas acusações. A menos que as novas investigações apontem que a Corte foi induzida ao erro, como diz Trajano.

Em sua casa, Rennan Trajano guarda pilhas de documentos acumulados durante o período em que foi tesoureiro. Muito mais coisas ele diz ter entregue ao Ministério Público Federal, como empenho para conseguir um acordo de delação premiada. Lá estão cerca de R$ 2 milhões em cheques da prefeitura que ele diz ter resgatado com agiotas após vender propriedades dele e da família para pagar supostas dívidas de campanha dos irmãos Vital.

Da JGR Construções, a empresa que ele diz ter sido usada para desviar recursos para a campanha de Vitalzinho ele mostrou todos os documentos. E até uma tese envolvendo o servidor Roberto Cantalice, da prefeitura de Campina Grande. Ele era proprietário da JGR antes de ela fazer contratos com a prefeitura. O servidor é relacionado, no ano seguinte, entre os técnicos que guiaram os auditores do Tribunal de Contas na inspeção às obras. Tudo está documentado.

Trajano diz que a JGR recebia os cheques e os repassava para a Compec, que os descontava, retirava uma comissão e repassava o restante do dinheiro para o hoje delator. Rennan Trajano, então, repassava o dinheiro para Vital. Se alguém for fiscalizar a obra, ele assegura, vai encontrar tudo pronto, porque a Compec já havia feito o mesmo trabalho anteriormente com recursos da Caixa Econômica Federal. A JGR, então, seria só para resgatar o dinheiro.

O controle interno da prefeitura vai confrontar as medições da obra executada um ano antes pela Compac, de propriedade de Eduardo Victor. Eu, particularmente, torço para que tudo seja mentira e que haja lisura em todos os contratos. Afinal, seria péssimo para nossas instituições a constatação de que todo mundo pode ser enganado dessa forma. Mas se for verdade, vamos saber logo-logo, já que o caso está nas mãos da Procuradoria Geral da República e ela quer mostrar serviço.

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