Base de Luciano Cartaxo tenta brecar fuga de aliados do governo

A recente instabilidade na base aliada do prefeito Luciano Cartaxo (PT), em João Pessoa, fez com que os articuladores do partido passasse a cobrar uma manifestação dos simpatizantes do governo na Câmara Municipal. E a resposta veio. Logo depois de o gestor anunciar um pacote de entregas de 39 obras no estado, até o fim do ano, pelo menos três vereadores saíram do “armário” para externar o apoio ao gestor pessoense.

LucianoCartaxo

O caso mais extremo é o do vereador Sérgio da SAC, que anunciou a saída do PSL para se manter o projeto de reeleição de Luciano Cartaxo. Ele disse que vai à direção nacional do partido para oficializar a desfiliação e vai procurar um partido aliado para se filiar. A briga interna de SAC é com o presidente estadual do seu partido, Tião Gomes, que tem preferência pelo apoio uma eventual candidatura do PSB a prefeito da capital.

Assim como ele, anteciparam o apoio os vereadores Marco Antônio (PPS) e Durval Ferreira (PP), respectivamente, líder do governo e o presidente da Câmara Municipal. O PPS do vice-prefeito Nonato Bandeira poderá orbitar o projeto de outro grupo político no ano que vem, já que Bandeira tem se distanciado de Cartaxo. A sigla, inclusive, não teve a fusão com o PSB do governador Ricardo Coutinho descartada. Isso vai depender da reforma política.

A base aliada do prefeito tem 24 vereadores, dos 27 possíveis. Só que, entre eles, há representantes do PMDB, PSB e PSDB, que têm trabalhado com a perspectiva de uma candidatura própria no próximo ano. Por causa disso, vários vereadores filiados a estes partidos poderão trocar de partidos, se quiserem se manter na base aliada. O prazo para que isso seja feito se extingue no dia e de outubro deste ano.

Cerveja Itaipava vai estampar fotos de Eduardo Campos nas suas latinhas

As cervejarias estão acostumadas a prestar homenagens a festas tradicionais, muitas delas patrocinadas por elas. Carnaval, São João, etc., compõem a lista das festividades favoritas das empresas. O Grupo Petrópolis, detentor da marca Itaipava, decidiu ir além: vai estampar nas latinhas que circulam em Pernambuco a foto do ex-governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), falecido em acidente aéreo no dia 13 de agosto do ano passado.

Eduardo CamposCErveja

Além da foto, as latinhas trarão a frase “não vamos desistir do Brasil”, dita por ele durante entrevista à Rede Globo e que foi tratada informalmente como um slogan de campanha em 2014, quando Campos figurava entre os candidatos à Presidência da República, contra Dilma Rousseff. Ele foi substituído pela companheira de partido, Marina Silva, que figurava como vice na chapa. A fundadora da Rede ficou em terceiro lugar na disputa.

Na justificativa, a cervejeira lembra a importância do socialista para a instalação da empresa em Pernambuco. Eduardo completaria 50 anos no próximo dia 10.

Veja a nota:

“O Grupo Petrópolis reconhece a importância de Eduardo Campos, enquanto Governador do Estado de Pernambuco, para a implantação de nossa unidade em Itapissuma. Durante as tratativas, a admiração pelo Governador se estendeu à família. E nesse momento, atendendo a uma ideia de pessoas próximas a ele. O Grupo desenvolveu uma lata especial de Itaipava, com tiragem limitada, que homenageia o ex-governador.”

A caixa de pandora de Rennan Trajano pode puxar mais gente para o escândalo

Não se sabe onde vai parar, ou se vai parar, a ânsia do ex-tesoureiro da prefeitura de Campina Grande, Rennan Trajano, para derrubar os irmãos Veneziano Vital do Rêgo (ex-prefeito e atual deputado federal) e Vital do Rêgo (ministro do Tribunal de Contas da União). Em conversa com ele, o recado foi o seguinte: quer destruir politicamente os irmãos e diz ter bala na agulha para isso. Inclusive sobre o lendário mensalinho pago a vereadores na Câmara Municipal.

Edição do JP

Trajano se coloca como operador de um esquema de corrupção que foi abandonado pelos supostos beneficiados. Por enquanto, do que veio a público, é apenas a palavra dele contra as auditorias do Tribunal de Contas descobertas pelo Jornal da Paraíba e que, no desespero, foi divulgado por Veneziano. Ele soube por nossa equipe da existência dos documentos que serviriam como salvo-conduto nas acusações. A menos que as novas investigações apontem que a Corte foi induzida ao erro, como diz Trajano.

Em sua casa, Rennan Trajano guarda pilhas de documentos acumulados durante o período em que foi tesoureiro. Muito mais coisas ele diz ter entregue ao Ministério Público Federal, como empenho para conseguir um acordo de delação premiada. Lá estão cerca de R$ 2 milhões em cheques da prefeitura que ele diz ter resgatado com agiotas após vender propriedades dele e da família para pagar supostas dívidas de campanha dos irmãos Vital.

Da JGR Construções, a empresa que ele diz ter sido usada para desviar recursos para a campanha de Vitalzinho ele mostrou todos os documentos. E até uma tese envolvendo o servidor Roberto Cantalice, da prefeitura de Campina Grande. Ele era proprietário da JGR antes de ela fazer contratos com a prefeitura. O servidor é relacionado, no ano seguinte, entre os técnicos que guiaram os auditores do Tribunal de Contas na inspeção às obras. Tudo está documentado.

Trajano diz que a JGR recebia os cheques e os repassava para a Compec, que os descontava, retirava uma comissão e repassava o restante do dinheiro para o hoje delator. Rennan Trajano, então, repassava o dinheiro para Vital. Se alguém for fiscalizar a obra, ele assegura, vai encontrar tudo pronto, porque a Compec já havia feito o mesmo trabalho anteriormente com recursos da Caixa Econômica Federal. A JGR, então, seria só para resgatar o dinheiro.

O controle interno da prefeitura vai confrontar as medições da obra executada um ano antes pela Compac, de propriedade de Eduardo Victor. Eu, particularmente, torço para que tudo seja mentira e que haja lisura em todos os contratos. Afinal, seria péssimo para nossas instituições a constatação de que todo mundo pode ser enganado dessa forma. Mas se for verdade, vamos saber logo-logo, já que o caso está nas mãos da Procuradoria Geral da República e ela quer mostrar serviço.

Estranhamento entre PSB e PT começa pelas beiradas. Rompimento à vista

Em recente comentário na CBN João Pessoa, revelei o que tinha escutado de auxiliares do governador Ricardo Coutinho (PSB) que o aniversário da cidade seria o divisor de águas em relação à hoje frágil aliança entre socialistas e petistas. As entregas planejadas pelo governador são de cunho municipalista, de quem tem mais interesse na capital do que ajudar um aliado de outro partido. Pois bem, não foi preciso esperar as inaugurações acontecerem. A guerra já começou.

Primeiro o secretário de Comunicação do Estado, Luís Torres, veio a público dizer que a gestão de Luciano Cartaxo, em João Pessoa, precisa dar respostas mais ágeis à população. A mesma observação feita anteriormente pelos deputados Estela Bezerra e Ricardo Barbosa; o presidente da executiva municipal, Ronaldo Barbosa, e, sem ser muito direto, pelo governador Ricardo Coutinho. O gestor chegou a dizer que o governo tem executado as grandes obras de mobilidade na capital.

Irritado, o vereador petista Bira Pereira divulgou nota nesta quarta-feira (29) com críticas a Torres, mas, sobretudo, dizendo que “setores do PSB estão sofrendo de dor de cotovelo”. “Primeiramente, essas colocações do porta-voz do governador só demonstram que vários setores do PSB estão com uma profunda dor de cotovelo pela presente atuação do prefeito Cartaxo, que representa uma gestão transformadora e aprovada pela população pessoense”, disse.

O governador anunciou na última segunda-feira as entregas do teatro do Centro de Convenções, Trevo das Mangabeiras, Central de Polícia e Escola Técnica para marcar o aniversário de João Pessoa. Luciano Cartaxo faz isso nesta quinta-feira. O clima entre os dois lados já é de acirramento, mas ainda não de rompimento. Tanto Ricardo, quanto Cartaxo vão evitar o embate. Ele só vai acontecer se o prefeito não estiver bem no próximo ano. Qualquer avaliação feita agora, principalmente as menos confiáveis, terão pouco impacto na composição da aliança.

Galdino convoca para esta quinta-feira encontro com deputados e vai cobrar assiduidade

O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (PSB), cumpriu a promessa e convocou todos os deputados estaduais para uma reunião, amanhã (28), às 9h, na sala da presidência da Casa. A pauta do encontro inclui assiduidade, presença em plenário e funcionamento das comissões. O motivo: as constantes suspensões dos trabalhos no Legislativo por causa da ausência dos parlamentares no plenário.

O anúncio foi feito depois das votações ocorridas nesta terça-feira, quando foram votadas 41 matérias entre projetos e requerimentos. Desde o retorno dos trabalhos na Casa, após o recesso, esta foi a terceira sessão deliberativa registrada na Casa, das nove possíveis. Em contato com o blog, Galdino disse que vai chamar o feito à ordem. Na semana passada, os deputados reclamaram do Jornal da Paraíba por ter mostrado as cadeiras vazias no Legislativo em pleno dia de trabalho.

A agenda com cara de turismo da vice-governadora na Rússia

A visita oficial da vice-governadora da Paraíba, Lígia Feliciano, à Rússia tem sido recheada de fatos pitorescos. Depois de anunciar que estava no país para divulgar o potencial da Paraíba em áreas como indústria, comércio e turismo e ter se reunido apenas com o embaixador brasileiro Antônio Guerreiro, temos novidades. A mais recente foi o encontro da gestora com o atacante da seleção brasileira, Hulk, que joga no Zenit. Mas ela não tietou o jogador sozinha. Lígia está sendo acompanhada na viagem pelo marido e deputado federal Damião Feliciano (PDT). Sinceramente, espero que a Paraíba não esteja desembolsando nada por isso.

Ligia visita Hulk na Rússia 1

Adriano Galdino reúne colegiado de líderes para chamar o feito à ordem na Assembleia

Uma semana depois da polêmica em relação à gazeta na Assembleia Legislativa da Paraíba, o presidente da Casa, Adriano Galdino (PSB), anunciou a convocação do colegiado de líderes para, segundo ele, “chamar o feito à ordem”. O posicionamento se segue ao fato de após três semanas do prazo para o retorno dos trabalhos no Legislativo, apenas duas sessões deliberativas terem ocorrido. O motivo: a ausência dos deputados no plenário.

Adriano Galdino

As ausências nas sessões foram alvo de críticas de Adriano Galdino no início da legislatura, quando ele prometeu cortar o ponto dos deputados faltosos. Apesar do compromisso, ninguém foi punido por causa disso até o momento. Questionado sobre o assunto, o presidente da Casa disse que vai dialogar com os colegas e “resolver a situação”. Tem se tornado comum os parlamentares marcarem o ponto no início da sessão, mas não ficarem para a ordem do dia.

Para o seu retorno, após a interinidade no governo do Estado, Adriano Galdino prometeu agilizar a tramitação do projeto que estabelece o voto secreto na Casa, bem como a instalação das duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) dos Pardais e do Telemarketing. Ele falou que vai provocar a oposição para que o grupo indique os nomes para compor as comissões. Caso eles não o façam, o próprio Adriano Galdino fará a escolha.

Os oposicionistas optaram por boicotar as CPIs governistas por causa do engavetamento da que propõe a investigação do uso político do programa Empreender, com o intuito de beneficiar o governador Ricardo Coutinho (PSB). Ou seja, não haverá acordo.

Vital do Rêgo enfrenta denúncias de desvio de recursos para campanha

Às vésperas do julgamento das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff (PT), outro ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) é citado em escândalo. Desta vez, ex-senador paraibano Vital do Rêgo Filho. Reportagem da Folha de S. Paulo desta segunda-feira (27) traz denúncia do ex-diretor da Secretaria de Finanças de Campina Grande, Rennan Farias. Ele alega ter desviado R$ 10,3 milhões em 2010 para campanhas eleitorais da família Rêgo.

Na época, o prefeito era Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), hoje deputado federal. Farias diz ter rompido com a família porque ela não reconheceu dívidas com agiotas, segundo ele, feitas para pagar campanha. A empresa citada por Rennan Farias, a JGR, não foi encontrada pela reportagem. Vital do Rêgo respondeu dizendo que o ex-servidor da prefeitura já foi interpelado na Justiça e que ele foi demitido por ter desviado dinheiro público para conta pessoal.

É o segundo escândalo envolvendo ministros do TCU. O filho do presidente da Corte, Aroldo Cedraz, foi citado recentemente no escândalo da Lava Jato. Em depoimento dado à Polícia Federal, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou ter pago propina ao advogado Tiago Cedraz. As denúncias ocorrem dias antes da apreciação, pela Corte, das pedaladas fiscais no governo da presidente Dilma Rousseff.

Leitor faz paródia sobre inauguração de obra de Luciano Cartaxo

Um leitor atento decidiu fazer uma brincadeira e mandar para o blog. Na foto mandada pela Secretaria de Comunicação de João Pessoa, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), inaugura obra caminhando sobre a faixa ao lado dos secretários de Comunicação, Marcos Vinícius, e Transparência, Eder Dantas. O contraponto é a imagem dos Beatles na Abbey Road, em Londres.

Beatles cartaxo (2)

O prefeito inaugurava a pavimentação e sinalização de trânsito das ruas Clemente Rosa, Corinta Rosa e Manoel Gato (sequenciadas). Elas interligam as avenidas Pedro II, Beira Rio e Epitácio Pessoa, permitindo fluxo de mão dupla. No total, foram investidos R$ 400 mil. A solenidade aconteceu ontem, em João Pessoa.

 

Petistas paraibanos esperam visita de Dilma Rousseff para os próximos meses

Os petistas têm recorrido ao exemplo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para convencer a presidente Dilma Rousseff a deixar o gabinete e botar o pé na estrada. A construção de uma agenda positiva, eles avaliam, é o único caminho para deixar a crise política para trás e, neste contexto, o Nordeste e, por tabela, a Paraíba, estarão entre os destinos iniciais. A comparação com Lula é porque o petista costuma dizer aos aliados mais próximos que quase enlouquecia no primeiro mandato, quando, em 2005, explodiu o escândalo do mensalão. Recluso, ele só ouvia notícias ruins. Mudou isso após deixar o gabinete.

LulaDilma

O presidente do PT paraibano, Charliton Machado, lembra da importância que o Nordeste teve para a reeleição da presidente. A região garantiu a virada na votação que permitiu a recondução da petista ao poder. De lá para cá, uma sucessão de fatos negativos caiu sobre o Palácio do Planalto. Entre eles estão crise econômica, com o contingenciamento no repasse de recursos; os escândalos de corrupção na Petrobras, que atinge em cheio o seu governo, e as pedaladas fiscais, que podem resultar na reprovação das contas da petista no Tribunal de Contas da União (TCU). Isso daria margem para o processo de cassação da petista.

Machado integra o grupo que aponta a necessidade de a presidente deixar o gabinete. Na Paraíba, ele defende que Dilma visite as obras da transposição e os conjuntos habitacionais. O legado social, na opinião dele, deve ser potencializado. O governo da presidente amarga a pior avaliação desde o governo de Fernando Collor, que foi alvo de impeachment em 1992. Apenas 7,7% da população considera a gestão boa ou ótima. A reprovação, com o ruim e péssimo, gira em torno de 70%. Ou seja, se ela realmente não gerar uma agenda positiva, não vai ser preciso impeachment para sepultar o governo.