Ricardo Barbosa rebate Estela e aumenta o racha na base governista

No fim de semana, o Jornal da Paraíba publicou a matéria “Uma base aliada, pero no mucho, na Assembleia”. O conteúdo mostrou o quanto tem sido tenso o relacionamento entre os parlamentares da majoritária bancada governista na Assembleia Legislativa. Tivemos mais uma prova disso nesta quarta-feira (6), quando o deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB), saindo em defesa da deputada Daniella Ribeiro (PP), peitou a deputada socialista Estela Bezerra.

Foto: Francisco França

Foto: Francisco França

Estela havia sido interpelada por Daniella Ribeiro, a partir da tribunal, em relação aos motivos pelos quais havia derrubado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a proposta da parlamentar campinense que pedia a inclusão do fator RH nas carteiras de identidade. Estela tentou interromper a deputada progressista, tomou a palavra e chegou a encará-la, se postando em frente à tribuna, o que aumentou a irritação de Daniella. Ricardo Barbosa, que também teve projeto rejeitado na Comissão, acusou a socialista de tentar intimidar os colegas.

“A deputada Estela para constranger, para intimidar, postou-se de forma deseducada diante de toda a fala da deputada Daniella na tribuna”, disse Ricardo Barbosa, que integra o mesmo partido de Estela Bezerra. Dentro da base governista, além das brigas entre Estela e Barbosa, houve embates entre Estela e Anísio Maia (PT); Ricardo Barbosa e João Bosco Carneiro (PSB), além de um entre Adriano Galdino (PSB) e o chefe de Gabinete do Governo, Fábio Maia.

Em seu discurso, Ricardo comparou Estela Bezerra aos repteis dotados da capacidade de “mimetismo (camuflagem)”, se portando como um camaleão, para intimidar os colegas na Assembleia Legislativa. Ele disse que sabia o tamanho do guarda-chuvas da deputada, que é muito próxima ao governador Ricardo Coutinho (PSB). O líder da base governista, Hervázio Bezerra (PSB), terá muito trabalho para acalmar os ânimos. Terá que recorrer ao chefe.

Moradores de Manaíra fazem “panelaço” durante programa do PT

O programa nacional do PT gerou protestos em vários estados do país, na noite desta terça-feira. Em João Pessoa, moradores do bairro de Manaíra fizeram um “panelaço” durante a propaganda, que teve duração de 10 minutos. A partir dos prédios, foram vistas pessoas batendo panelas e acendendo e apagando as luzes. Foram ouvidas buzinas também no mesmo momento. Os protestos foram registrados também em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Florianópolis, Porto Alegre e Salvador.

Confira como foi o protesto

Durante o programa, o Partido dos Trabalhadores falou das melhorias das condições de vida da população e prometeu a expulsão dos petistas que forem condenados por envolvimento em casos de corrupção. O ex-presidente Lula também apareceu e fez discurso contrário à aprovação do projeto que regulamenta a terceirização da atividade-fim na contratação de trabalhadores.

Confira o programa do PT

PT vai expulsar os corruptos: nunca é tarde para começar, nem para acreditar

Gerou muita polêmica nesta terça-feira (5) a informação de que o programa em cadeia nacional do PT, que vai ao ar às 20h30, vai empunhar a bandeira da ética, há muito enrolada e guardada nos porões do partido. A inserção de 10 minutos, que não terá a presença da presidente Dilma Rousseff, vai defender a expulsão do filiado que for condenado ao fim do devido processo legal. A mesma lógica defendida nesta semana, na CBN João Pessoa, pelo deputado federal paraibano Luiz Couto. Das estrelas do PT, só o ex-presidente Lula vai participar.

Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

A gestão petista, é bom que se diga, não inventou a corrupção, mas também não passou longe dela, como prometia antes de chegar ao poder. De 2003 para cá, a oposição enumera quase 100 escândalos ocorridos entre os governos Lula e Dilma, mas nenhum tão ruidoso como o Mensalão, na gestão de Lula, e o da Petrobras, mais recente. Nesse meio tempo, apesar de regimental, praticamente ninguém foi expulso do PT por causa de corrupção.

Do Mensalão foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o ex-ministro José Dirceu, os ex-deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente do Branco do Brasil, Henrique Pizzolato. Nenhum deles foi expulso por causa disso. Os petistas usaram como justificativa para o não cumprimento do regimento o argumento de que o julgamento do processo foi político e que, por isso, não teria havido crime que o justificasse.

A divergência ideológica, desde que o partido chegou ao poder, foi a porta de saída para lideranças como Luciana Genro (RS), Heroísa Helena (AL) e João Batista, o Babá (PA), estes todos seguiram para o Psol, além de João Fontes (SE).

Quando assumiu o mandato, em 2011, a presidente Dilma Rousseff assumiu uma postura de combate à corrupção. Sempre que algum ministro era denunciado, por envolvimento em esquema de corrupção, ela deixava ele “sangrar” e depois o demitia. Esse combate ao “malfeitos” gerou muita popularidade para Dilma nos primeiros anos, até ser esvaziado pelas denúncias de corrupção envolvendo petistas.

Se quiser fazer diferente e se refundar, o PT terá que expulsar muita gente. Mas tem que começar.

Manobra sepulta CPI do Empreender na Assembleia Legislativa

Uma manobra governista tirou de pauta na manhã desta terça-feira  (5),  na Assembleia Legislativa da Paraíba,  a Comissão Parlamentar de Inquérito  (CPI) do Empreender. O presidente da Casa,  Adriano Galdino (PSB),  recorreu ao dispositivo regimental que limita a três o número máximo de CPIs em tramitação no Legislativo para descartar a investigação. O dirigente alegou que a CPI que apuraria supostas irregularidades no programa do governo do Estado seria a quarta e,  por isso,  não poderia tramitar.

Foto: Rizemberg Felipe

Foto: Rizemberg Felipe

A terceira CPI em tramitação,  pela ordem cronológica,  seria a do Telemarketing, proposta pelo líder do governo,  Hervázio Bezerra (PSB), que teria sido apresentada antes da do Empreender.  A manobra irritou a oposição e,  principalmente,  o autor da proposta de Investigação,  Dinaldinho Wanderley  (PSDB).  Ele prometeu recorrer ao Ministério Público,  alegando que a terceira CPI não existia de fato.

A CPI do Empreender foi proposta para investigar o suposto uso eleitoral do programa na campanha de 2014,  quando o governador Ricardo Coutinho (PSB) disputou a reeleição. O abuso foi apontado em relatório da Controladoria Geral do Estado (CGE).  O caso é alvo também de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que tramita no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e pede a cassação do governador.

Ricardo ataca Raniery e ganha a família Paulino como adversária

Uma declaração do governador Ricardo Coutinho (PSB) no fim de semana rendeu a ele a oposição feroz do ex-governador Roberto Paulino (PMDB) e, de quebra, de todo o grupo atrelado a ele na região do Brejo. O grupo apoiou a reeleição do socialista no segundo turno das eleições do ano passado e foi essencial para que o gestor, que havia perdido para o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) no primeiro turno, revertesse o quadro no segundo.

Foto: Roberto Paulino

Foto: Francisco França

O motivo do descontentamento foi que Ricardo disse, em entrevista, que o deputado estadual Raniery Paulino, filho do ex-governador, não havia aderido à base governista ainda porque estava querendo se valorizar. O parlamentar, segundo o socialista, tem dado declarações em blogs e ele mesmo respondido, por não ter a atenção do PSB. Roberto Paulino e a ex-prefeita Fátima Paulino se posicionavam até hoje como aliados do governador, entendendo que ajudaram a elegê-lo.

Roberto Paulino acusa o governador de estar sendo influenciado por setores ligados ao prefeito de Guarabira, Zenóbio Toscano (PSDB), para fazer oposição a Raniery Paulino. Ele evitou, em suas declarações, citar nominalmente o secretário adjunto de Comunicação do Estado, Célio Alves. O ex-governador também disse que, apesar de passar para a oposição a partir de hoje, torce para que o governador Ricardo Coutinho faça uma gestão melhor que dos gestores que o antecederam no cargo. Roberto é o vice-presidente estadual do PMDB.

O partido tem quatro deputados na Assembleia Legislativa, mas apenas Raniery Paulino se coloca como oposição ao governo de Ricardo Coutinho.

Luiz Couto defende expulsão de petistas envolvidos com escândalos

O deputado federal Luiz Couto (PT) defendeu na manhã desta segunda-feira (4), em entrevista à CBN João Pessoa, a expulsão dos petistas envolvidos nos escândalos nacionais. Evitando citar nomes, Couto disse que precisa ser resguardado apenas o direito à ampla defesa. A declaração ocorre no momento em que o partido se vê às voltas com a prisão de mais um ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Este último preso durante a operação Lava Jato.

Foto: Rizemberg Felipe

Foto: Rizemberg Felipe

Vaccari Neto é acusado de funcionar como agenciador do esquema de propinas supostamente pagas ao PT por empreiteiras para obter contratos com a Petrobras. O PT, inclusive, aguentou o desgaste pelo escândalo e só afastou Vaccari quando ele foi preso, no mês passado. Vale lembrar que apesar de o estatuto do partido determinar a expulsão dos condenados, os mensaleiros, que foram para a cadeia por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), não foram punidos pela sigla.

Entre os mensaleiros estavam o ex-ministro José Dirceu; o ex-tesoureito do PT, Delúbio Soares; o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, e o ex-deputado federal José Genoíno. Todos já libertados ou cumprindo pena em regime semiaberto. Luiz Couto diz que por conta desses casos, o partido tem estudado a sua recriação. Ele admite que a sigla tenha seguido um caminho que o aproximou de tudo o que condenava nas outras agremiações que combatia no passado.

Segundo Luiz Couto, casa tendência do partido tem feito a sua discussão, inclusive a dele, a Mensagem ao Partido. Mas pelo histórico de não punição existente no partido, é difícil imaginar que essa realidade vá mudar.

Servidores municipais paraibanos correm risco de ficar sem aposentadoria

A situação dos institutos de previdência municipais, na Paraíba, é muito preocupante. Um levantamento feito pelo Jornal da Paraíba, com base em dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), mostra que das 70 instituições existentes no estado, quase a metade gasta mais do que arrecada. Isso inclui cidades grandes, como João Pessoa e Campina Grande. Resultado: há perigo futuro para quem precisar se aposentar.

O problema não é exatamente uma novidade. Há muitos anos, gradualmente, os municípios paraibanos vêm se declarando incompetentes para administrar a própria previdência e repassam o pepino para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Tudo isso porque, onde as contas não fecham, o município tem usado recursos do tesouro municipal para recompor as despesas previdenciárias.

O vice-presidente do TCE, André Carlo Torres, disse que o alto déficit das prefeituras “acede o sinal de alerta” das administrações municipais. Ele lembra que a gestão destes institutos pode resultar na reprovação das contas dos gestores. O presidente da Famup, Tota Guedes, culpa a crise econômica pelos déficits das prefeituras. É bom lembrar que os prefeitos recolhem o recurso que deveria ser repassado ao instituto, mas acabam não repassando. O prejuízo para o cidadão virá.

Gaveta como destino para a CPI do Empreender na Assembleia Legislativa

Os deputados de oposição na Assembleia Legislativa têm quase tudo o que é necessário para a instalação da CPI do Empreender: fato determinado, 13 assinaturas e um caso com muito pano para manga. Falta-lhes um presidente igualmente da oposição para tirar a investigação do papel. Isso eles não têm. Ainda mais quando se observa que a gaveta tem sido, ao longo dos últimos 10 anos, o destino da maioria absoluta das CPIs ainda no seu nascedouro.

Adriano Galdino

Das 22 propostas apresentadas nos últimos 10 anos, apenas duas foram instaladas. Uma na atual legislatura, a CPI da Telefonia. A outra foi dos Outdoors, em 2011, para investigar quem financiou a campanha contra os deputados que se posicionaram contra a permuta que viabilizou a construção do Mangabeira Shopping. Ela também não deu em nada, como provavelmente vai acontecer com a da telefonia.

Para a CPI do Empreender, o deputado estadual Dinaldinho Wanderley (PSDB) usou como fato determinante um relatório da Controladoria Geral do Estado (CGE). O documento, entre outras coisas, aponta falta de critérios para a concessão dos empréstimos. Além disso, não havia cobrança dos valores. E é justamente por isso que o Ministério Público Eleitoral moveu uma Aije contra o governador Ricardo Coutinho, acusando-o de uso político do programa.

Pelo regimento da Assembleia Legislativa, o prazo final para a instalação da CPI do Empreender era quinta-feira, mas o presidente da Casa, Adriano Galdino (PSB, foto), recorreu a uma manobra para adiar o seu posicionamento para a próxima terça-feira (5). Ele suspendeu os trabalhos na quinta para que fosse realizada uma inspeção no sistema de som da Assembleia. Nesta segunda-feira tem reunião do governador com a bancada. Alguém advinha o destino da CPI?

No Dia do Trabalho, Dilma Rousseff não trouxe novidades para o trabalhador

Se alguém entregasse, no pós-eleição, ano passado, um roteiro de filme de terror para a presidente Dilma Rousseff (PT), dificilmente conseguiria ser tão fiel ao momento vivido pelo governo. Pior é saber que o roteiro foi escrito por ela mesma, nos últimos meses, com reflexos bem significativos nos seus índices de popularidade. Evitando o pronunciamento na TV, para evitar panelaços, Dilma falou à população em vídeos postados nas redes sociais. Três ao todo.

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Em quatro minutos e oito segundos, contando os três vídeos, ela conseguiu apenas confirmar o que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta quinta-feira. Que Dilma Rousseff não tinha o que falar à população. Uma observação vinda de quem, junto com a cúpula do PMDB, se acostumou a incorporar a face do que há de mais fisiológico no país. Um espaço que, segundo ele, os peemedebistas perderam para o PT.

Mas vamos ao resumo dos vídeos. A única novidade anunciada pela presidente foi a criação do Fórum de Debates sobre Política de Emprego, Trabalho, Renda e Previdência Social. Um espaço para discussão com representação de trabalhadores, aposentados e pensionistas, empresários e governo. Mas nada tão palpável como as medidas provisórias editadas no fim do ano passado, que afetaram pensões, seguro-desemprego, e abono salarial.

Dilma também se posicionou em relação às terceirizações, falando delas como essenciais para regulamentar a situação de 12,7 milhões de brasileiros, mas se colocando contra a terceirização da atividade-fim. Até aí, nada de novo também, já que esse anúncio foi feito ontem pela presidente, depois de cobranças do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Ruim é a observação que no Dia do Trabalhador, frente ao pronunciamento da presidente, o que mais repercutiu nas redes sociais foram os protestos de professores mal pagos e vítimas de agressão por terem ousado reclamar. Lógico que não dá para culpar a presidente diretamente pelo que acontece entre o governo do Paraná e os professores daquele estado, mas os protestos ocorrem em todo o país.

Não custa lembrar, também, que durante a posse da presidente, em janeiro, ela lançou como lema de governo Pátria Educadora. Os protestos já ocorreram nos municípios, se proliferam agora para os estados e vão chegar nas universidades. Felizes mesmo, só os oposicionistas, que têm assunto de sobra para criticar o governo. Hoje o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reforçou as críticas e foi seguido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Difícil é saber como João Santana, marqueteiro de Dilma, vai reverter o quadro.

 

Confira os vídeos:

Direção nacional do PSB quer disputa em João Pessoa e preocupa petistas

O processo de fusão do PSB com o PPS trouxe novo ânimo para os socialistas, que devem levar para a nova composição a sigla e o número 40. O partido também quer lançar candidato nas capitais dos 27 estados. O projeto põe em xeque a frágil relação entre socialistas e petistas em João Pessoa, presos ainda ao acordo firmado no ano passado, mas que, nas palavras do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), não está assegurado ainda para 2016.

PSB vs PT (2)

Em conversa com o blog, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, deixou claro que o objetivo é crescer. Ele acredita que poucos partidos têm tantos bons nomes como a sigla socialista. Em algumas capitais, como São Paulo (SP), as disputas são dadas como certas. O mesmo ocorre em relação a Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ) e Goiânia (GO). A meta é lançar candidato em todas as cidades com mais de 200 habitantes.

O caso de João Pessoa, Siqueira reforça, enseja um debate que se dará no tempo certo. Ele diz que ainda não conversou com Ricardo Coutinho e com o presidente estadual do partido, Edvaldo Rosas. O conceito é que se houver condições para a disputa, ela ocorrerá. A mensagem, quase subliminar, é como música para os ouvidos da deputada estadual Estela Bezerra e do secretário estadual João Azevedo. Ambos têm pretensões eleitorais.

Esta semana, em entrevista a uma emissora de TV local, Ricardo Coutinho voltou a colocar em aberto o debate sobre a eleição de 2016 e aproveitou para cobrar postura de aliado do PT na Assembleia. Os petistas, por outro lado, assumiram uma postura mais discreta. Uma das lideranças ligadas ao prefeito Luciano Cartaxo deixou claro que eles não vão revidar as provocações do PSB. “Se quiserem romper, vão ter que fazer isso sozinhos”, disse.