Investimento em festa, na Paraíba, sofre com o ingrediente político

O Diário Oficial do Estado traz nesta terça-feira (19) um decreto do governador Ricardo Coutinho (PSB) suspendendo os gastos com festas por 60 dias, logicamente, por conta do aperto nas contas e da necessidade de se investir no combate aos efeitos da seca. A postura é louvável, apesar de comum apenas nos anos não eleitorais. E a relação governo do Estado/ São João de Campina Grande ilustra muito bem isso.

Ano passado, também ano de seca, houve a promoção pelo governo do estado do Circuito do Forró, que concorreu com o São João de Campina Grande. Era ano eleitoral, vale ressaltar, e o prefeito Romero Rodrigues (PSDB) já figurava como adversário político do governador. Resultado: o estado fez uma festa, a prefeitura fez outra. Havia seca e houve gasto com festas.

Mas é bom lembrar que essa fórmula não foi inventada agora, por Ricardo Coutinho. No réveillon de 2009 para 2010, quando o socialista era prefeito de João Pessoa e potencial candidato ao governo do estado, o postulante à reeleição, José Maranhão (PMDB), bancou uma festa paralela na orla da capital. Era Buena Vista Social Clube, da prefeitura, de um lado e Calypso, do estado, do outro.

Seguindo o ingrediente político, a única vez que o governo do estado firmou convênio com a prefeitura de Campina Grande para a realização do São João nos últimos 10 anos, foi em 2010. Na época, o governador era José Maranhão e o prefeito, Veneziano Vital do Rêgo, ambos do PMDB. Disposto a fazer frente ao antecessor, Cássio Cunha Lima (PSDB), em seu reduto, Maranhão determinou à PBTur a liberação de R$ 1,1 milhão para a festa.

Ou seja, sobra critério político na hora de definir se investe ou se economiza na Paraíba.

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *