Falta coerência na posição do Estado sobre a violência em Campina Grande

A postura do governo do Estado do ponto de vista de enfrentamento à violência, em Campina Grande, ontem (13), foi uma. Rápida, operacional e exemplar. A de comunicação, convenhamos, ficou muito distante do fato presenciado por todas as pessoas. Nesta quinta-feira, um dia após o cenário de rebelião, incêndio de ônibus, homicídios e pessoas reféns do medo, escondidas em casa, o governo veio a público afirmar a naturalidade dos fatos e dizer que houve apenas boatos.

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Não, a realidade vista em todos os veículos de comunicação não casa com o discurso. E isso não vem ocorrendo quando o assunto é a abordagem sobre a violência no estado há muito tempo. É bom lembrar que a situação da violência não é resolvida por decreto e não foi inventada agora. Mas ela está maior. O Mapa da Violência 2015, Mortes Matadas por Armas de Fogo, divulgado hoje, deixa isso bem claro. A Paraíba não é mais o estado reconhecido pela tranquilidade que foi no passado.

Enquanto a violência cresceu no estado, entre 2002 e 2012, ela diminuiu em Pernambuco, nossa antiga referência de lugar perigoso para se viver. O Recife, por exemplo, que era a capital mais violenta do Brasil no primeiro ano de referência da pesquisa, passou para a posição 11, enquanto a capital paraibana deixou a 12ª posição, para ocupar o terceiro lugar. Aqui, no período, a violência dobrou, enquanto lá ela caiu pela metade. Reflexo de menos discurso e mais ação.

O Pacto pela Vida, de Pernambuco, implantado em 2007 pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB), falecido ano passado, serviu de modelo para o da Paraíba. A diferença é que o de lá contabilizou redução da violência ano a ano. O daqui ainda não mostrou isso. Sem falar que no estado vizinho, o combate ao crime foi travado com transparência, admitindo para a população que a situação era grave e pedindo ajuda. Não tratando os crimes como se fossem boatos.

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