Agora não tem mais volta na fusão: Ricardo e Nonato terão que se entender

O PSB e o PPS deram um passo sem volta nesta quarta-feira (29), com o sinal verde para o processo de fusão das duas siglas. Ao final do processo, antes de outubro, a nova agremiação, que deverá se chamar PSB 40, terá 45 deputados federais, sete senadores e três governadores. Ficará atrás em representatividade na Câmara dos Deputados apenas de PT (70 deputados), PMDB (66) e PSDB (54). Ou seja, voz para serem ouvidos e tempo de TV de sobra.

Foto: Humberto Pradera/PSB

Foto: Humberto Pradera/PSB

Esses são os bônus, porque os ônus também existem e terão consequências drásticas na Paraíba, onde depois de uma longa parceria, PSB e PPS se tornaram inimigos na eleição de 2012. O vice-prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira, do PPS, se transformou em crítico severo do governador Ricardo Coutinho, do PSB. O trabalho de bastidores para que os dois voltem a sentar na mesma mesa não será fácil, se é que isso é possível.

Nonato contemporizou ao ser procurado pela coluna. Disse que não pode dar sua opinião pessoal sobre a fusão, uma vez que representa um partido e, por isso, sua opinião deve representar o conjunto. Na eleição de 2014, a sigla apoiou a candidatura do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), que foi derrotado nas urnas. O partido começa na próxima semana a discussão interna sobre o que o presidente nacional, Roberto Freire (SP), dá como certo.

Certo também é a necessidade que os partidos terão de se fundir. Isso porque caso acabem as coligações partidárias, como se espera com a reforma política, eleger alguém em um partido pequeno será uma proeza. O DEM e o PTB, por exemplo, tentam construir as condições para uma fusão também. O movimento do PPS e do PSB nessa direção pode acelerar o processo entre petebistas e democratas. Unidos, eles chegariam a 47 deputados federais.

Os partidos medianos chegaram à conclusão que não vale a pena o pinga-pinga no Congresso. Quem não tiver bancada, não terá condições de se posicionar. O deputado federal Wilson Filho (PTB) tem repetido isso para os aliados, no trabalho de busca de apoios para a fusão. Unidos, DEM e PTB, que optariam pelo nome do segundo, ocupariam o quarto lugar entre as maiores bancadas, posto hoje almejado pelo PSB. A briga é grande e ganha quem chegar primeiro.

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