Manoel Júnior convicto de um lado, Gervásio Maia no papel de traído do outro

O cálculo do deputado estadual Gervásio Maia era simples: existia um acordo, o mandato do deputado federal Manoel Júnior acaba em 14 de julho, transcorrido o primeiro biênio, e ele assumiria o comando do PMDB de João Pessoa pelos próximos dois anos. Mero engano. Manoel Júnior mandou o recado: não sai e não abre do mandato “nem para um trem”. Quer organizar o partido para as eleições do ano que vem e ser candidato a prefeito da capital e, para isso, não quer enfrentar nenhum risco.

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

E tem sido muito direto nos seus recados para Gervásio Maia. Ele diz que tem credenciais para comandar a legenda e que o colega peemedebista não as tem. “Existem credenciais em relação ao meu nome. Se existir outro que tenha mais que eu, vamos pôr na mesa para comparar. A área de Gervasinho é Catolé do Rocha. Ele foi o quarto ou quinto do PMDB em votos em João Pessoa (na eleição passada). Perdeu até para Olenka (Maranhão), que só ganhou para suplente, e Raniery (Paulino), que tem a base eleitoral dele no Brejo”, alfinetou.

Manoel Júnior teme ficar sem legenda no PMDB, caso com outro presidente, o partido decida apoiar outro candidato. “Tenho uma relação com João Pessoa e venho estudando essa cidade há mais de 10 anos. Em 2004 era para eu ter sido o candidato do meu partido, que pediu para fazer uma coligação (com Ricardo Coutinho). Em 2012 eu acabei deixando para depois, já que (José) Maranhão foi o candidato. Ele queria ser de todo jeito e eu acatei por respeito ao nosso líder”, disse.

Foto: Rizemberg Felipe

Foto: Rizemberg Felipe

Gervásio Maia ficou perplexo com o que tem considerado uma manobra de Manoel Júnior. Segundo ele, o acordo foi registrado em ata e não pode ser quebrado. “Se ele não me entregar (o cargo), estará quebrando o que ficou pactuado, com a chancela da executiva estadual. Eu até havia sugerido que eu assumisse o primeiro biênio e ele ficasse com o segundo, porque o período das eleições é mais importante, mas ele preferiu assim”, disse, sem esconder o descontentamento.

Apesar de não confirmar que pretende entrar na disputar interna para ser o candidato a prefeito pelo PMDB, Gervasinho disse que o seu nome estará sempre à disposição do partido para qualquer investidura e alfinetou o “concorrente”, que segue orientação diferente do partido desde as últimas eleições, quando apoiou o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) para o governo. “Tem gente que só é partido na hora do bem bom”, finalizou. (Com informações de Angélica Nunes)

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