Gaeco protocola segunda denúncia contra Gilberto Carneiro na Operação Calvário

Ex-procurador-geral do Estado e motorista são acusados de ocultação de uma S10 cobrada a um ex-fornecedor da prefeitura e João Pessoa

É a segunda denúncia protocolada contra Gilberto Carneiro em menos de dois meses. Foto: Divulgação

O ex-procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro, foi denunciado pela segunda vez pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) no bojo da Operação Calvário. A peça foi protocolada nesta terça-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A acusação é a de que ele e o motorista Geo Luiz de Souza Fontes, também denunciado, teriam envolvimento com uma organização criminosa. Contra o primeiro pesam acusações de concussão e ocultação de bens. Já o segundo, de acordo com a denúncia, foi acusado apenas de envolvimento em ocultação de patrimônio. A denúncia foi protocolada na 5ª Vara Criminal de João Pessoa. Esta é a quarta denúncia à Justiça baseada na Operação Calvário, que investiga uma organização criminosa responsável por desvios de recursos públicos.

De acordo com a denúncia, em 2010, Gilberto Carneiro da Gama, com o concurso de Geo Luiz de Souza Fontes, ocultou e dissimulou a natureza, origem, localização e a disposição de um veículo GM S10. O veículo foi adquirido por um empresário, a pedido do ex-procurador-geral, para ser usado na campanha eleitoral de 2010. A promessa era de que tudo não passaria de um empréstimo. A empresa era detentora de contratos na área de limpeza urbana na capital. De acordo com a denúncia, o pedido, da forma que foi feito, representa crime de concussão.

O veículo foi obtido, segundo o empresário, após Gilberto Carneiro ter exigido vantagem indevida ao proprietário de uma empresa quando ainda era procurador-geral do Município de João Pessoa.
Posteriormente, o proprietário da empresa procurou Carneiro ao longo dos últimos oito anos, para reaver o veículo, mas o ex-procurador-geral do Estado não efetivou a devolução, enquanto ele e Geo Luiz de Souza Fontes teriam usufruído do bem.

Crimes
O MPPB denunciou Gilberto Carneiro da Gama pelos crimes de concussão (art. 316, caput, do Código Penal) e ocultação de bens (art. 1º da Lei n° 9613/98) e Geo Luiz de Souza Fontes também por ocultação de bens (art.1º da Lei n° 9613/98).

A denúncia requer ainda a decretação da perda de cargo, emprego, função pública ou mandato eletivo como efeito secundário (e necessário) da condenação (Art. 92, inciso I, alíneas “a” e “b”, do Código Penal) e a fixação do valor mínimo para reparação dos danos materiais causados pelas infrações penais, considerando os prejuízos sofridos pelo erário do Estado da Paraíba (Art. 387, IV, do CPP), equivalente ao valor do veículo GM S10, de aproximadamente R$ 81 mil.
A divulgação do seu conteúdo aguarda autorização judicial.

A ‘Calvário’
A Operação Calvário foi desencadeada no dia 14 de dezembro de 2018 para investigar núcleos de uma organização criminosa, gerida por Daniel Gomes da Silva, que se valeu da Cruz Vermelha Brasil – filial do Rio Grande do Sul (CVB/RS) e do Ipcep como instrumentos para a operacionalização de um esquema de propina no Estado da Paraíba. A organização seria responsável por desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, através de contratos firmados junto a unidades de saúde do Estado, que chegaram a R$ 1,1 bilhão. A Orcrim possuía atuação em outras unidades da federação, e exemplo do Rio de Janeiro. Até agora, foram realizadas três fases e a investigação segue em andamento.

João Azevêdo viaja ao Piauí para Encontro dos Governadores do Nordeste

Gestor viaja em meio a instabilidades internas no partido dele após dissolução do Diretório Estadual

João Azevêdo integra debates sobre busca por investimentos no Nordeste. Foto: Divulgação/Secom-PB

O governador João Azevêdo (PSB) participa nesta quarta-feira (21) dos Encontro dos Governadores do Nordeste. A edição atual acontece em Teresina, no Piauí, a partir das 14h. A pauta principal é o funcionamento do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste. O objetivo é estabelecer uma maior cooperação política, econômica e social para alavancar o crescimento da região.

No encontro serão debatidas pautas sobre educação e a mediação tecnológica para a criação da Universidade Aberta do Nordeste; missão especial com União Europeia; criação de um escritório do Consórcio na China para negócios e atração de investimentos para a região, além do desenvolvimento do turismo e ações de preservação ambiental.

De acordo com o governador Wellington Dias, também será debatida a criação de uma rede de inteligência para combater o tráfico de armas no nordeste. “A expectativa é que o trabalho em conjunto possa reduzir os índices de violência. Essa integração é uma forma de aumentar a eficácia dos nossos serviços de segurança e inteligência”, explicou o gestor, destacando ainda que, na reunião, será lançado o site do Consórcio Nordeste.

Para o governador da Bahia e presidente do Consórcio Nordeste, Rui Costa, o grupo foca em melhorar a gestão pública e os investimentos na região. “Nosso objetivo é fazer o nordeste avançar; unir a região para trazer desenvolvimento. Nosso intuito é concentrar nossa energia em ajudar o país a crescer em paz, gerar mais emprego e trazer qualidade de vida para nosso povo. No encontro do dia 21 pretendemos avançar em nossas pautas”, afirmou o governador baiano.

O Consórcio Nordeste foi criado em abril de 2019, a partir de assinatura de protocolo de intenções entre os nove estados que compõem a região, para a atuação em nove áreas prioritárias: desenvolvimento econômico; infraestrutura; meio ambiente; articulação política, jurídica e institucional; desenvolvimento social; ciência, tecnologia e inovação; segurança pública; desenvolvimento da gestão; comunicação pública e estatal.

Programação Reunião Consórcio Nordeste
14h – Recepção das autoridades
14h30 – Abertura do encontro
Pronunciamento do governador do Estado do Piauí – Wellington Dias
Pronunciamento do governador do Estado da Bahia e presidente do Consórcio Nordeste – Rui Costa
19h – Assinatura e divulgação da “Carta de Teresina”
19h30 – Coletiva de imprensa

Dívida milionária, servidores sem receber e caos afugentam prefeitos em Patos

Com a renúncia de Sales Júnior, cidade terá o quarto prefeito em pouco mais de dois anos

Dinaldinho Wanderley (PMDB) foi afastado do cargo em agosto de 2018. Foto: Kleide Teixeira

Você gostaria de ter um salário de R$ 17 mil mensais, mais carro com motorista à disposição e outras vantagens? Se sim, pode mandar o currículo para a prefeitura de Patos. Eles estão precisando de alguém disposto a comandar a cidade. Nos últimos dois anos, três pessoas passaram pela cadeira de chefe do Executivo. O primeiro, Dinaldinho Wanderley (PSDB), foi afastado do cargo por decisão da Justiça. O segundo, o vice-prefeito, Bonifácio Rocha (PPS), renunciou ao cargo neste ano. O terceiro, o presidente da Câmara, Sales Júnior (PRB), entregou os pontos nesta terça-feira (20). A próxima na linha de sucessão, a atual presidente da Câmara, Valtides Santos (MDB), convocou eleição para presidente da Casa e, consequentemente, para assumir a prefeitura na próxima sexta-feira (23). Ela não garante ser candidata.

A situação em Patos está não é fácil. Depois do escândalo provocado com a operação Cidade Luz, do Ministério Público da Paraíba, que resultou no afastamento de Dinaldinho por suspeita de corrupção, nada tem dado certo na gestão municipal. Bonifácio reclamou do quadro crítico de degradação das contas públicas e das pressões políticas. Sales deixou o cargo com os mesmos argumentos. Ele diz que falta dinheiro para pagar os contratos e até para honrar a folha de pessoal. Assegura que conseguiu economizar com os gastos na gestão pública, mas não tinha como fazer milagre. Fala-se em uma dívida que beira os R$ 80 milhões. É muito para um município de porte médio.

Enquanto a confusão administrativa corria em Patos, na tarde desta terça, o prefeito afastado Dinaldinho Wanderley publicava uma poesia nas redes sociais. No Instagram ele postou os seguintes versos:

 @dinaldinho
O Momento Certo
Quando o tempo não está a seu favor
Os olhares não mais se encontram
O espinho realça mais que a flor
É sinal que os momentos mudaram
Tempo de dizer que está na hora de agir
Ter fé é o princípio de tudo
Amar faz parte do percurso
Mas é a persistência do trabalho
Que se busca na paciência
A certeza que está no prumo
Venha a mim todos os melhores sentimentos
e afaste tudo aquilo que não me completa
Que o amor seja pleno
E a vida seja eterna
Dinaldinho

O prefeito interino Sales Júnior oficializou a renúncia por meio de carta protocolada na Câmara Municipal. A partir de agora, ele volta à condição de vereador.

Prefeitura que declarou pagamentos inexistentes a mulher terá que pagar indenização à vítima

Mulher foi apontada em balancetes como beneficiária de quase R$ 600 mil em pagamentos e se disse constrangida

Decisão do Tribunal de Justiça levou em conta o constrangimento sofrido pela autora da ação. Foto: Divulgação

Uma mulher virou notícia, em Areia, na Paraíba, por ter recebido quase R$ 600 mil em pagamentos feitos pela prefeitura. O problema é que estes pagamentos declarados nunca foram feitos. O caso foi julgado pela Terceira Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça, nesta terça-feira (20). O colegiado decidiu manter decisão de primeira instância que condenou a prefeitura ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais.

De acordo com a denúncia, por falha técnica, Dilza Alves de Almeida Sena teve o nome inserido no Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres) do Tribunal de Contas do Estado (TCE). No site de transparência, ela aparece como beneficiária de quantia vultosa, oriunda de contratos administrativos inexistentes. A relatoria da Apelação Cível foi da desembargadora Maria das Graças Morais Guedes.

Consta nos autos que por conta do erro, a autora foi alvo de diversas notícias jornalísticas desabonadoras, as quais davam conta de que ela havia recebido dos cofres públicos pagamentos muito altos, dentre os quais as quantias de R$ 430 mil pelo fornecimento de salgadinhos e de 138.483,66 a título de abono natalino, tudo isso, nos exercícios de 2006 e 2007.

Em suas razões recursais, a Prefeitura suscitou a preliminar de ilegitimidade passiva ad causam, sob o argumento de que não fora responsável pela veiculação de informação supostamente desabonadora em relação à autora, não podendo responsabilizar-se pela reportagem divulgada pela imprensa. Acrescentou que tão logo soube do ocorrido, tomou todas as medidas cabíveis, com o objetivo de retificar as informações equivocadas transmitidas ao sistema Sagres, sem causar qualquer dano moral ou patrimonial em desfavor da demandante.

A desembargadora Maria das Graças Morais Guedes destacou que, pela farta documentação carreada aos autos, restou demonstrado que o Município de Areia, reiteradas vezes, inseriu o nome da autora como beneficiária de pagamentos relacionados à prestação de serviços diversos e ao recebimento de verbas salariais, apesar de não possuir nenhum vínculo com a Edilidade, concorrendo, portanto, culposamente para os transtornos vivenciados pela demandante, cuja dignidade fora maculada pela opinião pública, ao especular a sua participação em supostos esquemas fraudulentos no âmbito municipal, com divulgação, inclusive, na mídia local e estadual.

“Isto posto, considerando que a recorrida logrou demonstrar a ocorrência do ilícito por parte da Municipalidade, bem como diante da inexistência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito da autora, imperioso se torna a manutenção do decisum de primeiro grau”, ressaltou a relatora.

Procurador da República paraibano traça paralelo entre ataques à ‘Lava Jato’ e à ‘Mãos Limpas’

Renan Félix diz que se a proposta de abuso de autoridade for adiante, haverá procuradores e juízes “aposentados na ativa”

O procurador da república paraibano Renan Félix, atualmente com atuação no Rio Grande do Norte, teceu, durante evento, duras críticas ao projeto de abuso de autoridade, aprovado no Congresso. O texto, que já se encontra nas mãos do presidente Jair Bolsonaro (PSL), é alvo de protestos nesta terça-feira (20) nos fóruns cíveis de João Pessoa, Campina Grande, Patos e Sousa. Todos reclamam das punições previstas no projeto, que prevê prisão de até quatro anos para promotores, procuradores e juízes que forem enquadrados na lei. A legislação prevê punições também para outros poderes, mas sem tipificação grave.

Para o procurador paraibano, é possível traçar um paralelo entre a reação dos políticos brasileiros com o que aconteceu na Itália, ao longo dos últimos 30 anos. Aqui no Brasil o grande alvo tem sido a operação Lava Jato, enfraquecida pelas denúncias do The Intercept Brasil sobre irregularidades cometidas nas investigações. Na Itália, a operação Mãos Limpas também perdeu o apoio da imprensa, passado o impulso inicial, e foi alvo de leis que inviabilizaram a sua continuidade. O mesmo é previsto para o Brasil, na visão de Renan Félix.

O procurador assegura que se o texto aprovado no Congresso não for vetado, haverá profissionais aposentados na ativa, por medo de acusar. Renan Félix é diretor da Associação Nacional dos Procuradores da República. O protesto, nesta terça, na Paraíba, é organizado pelas associações Paraibana do Ministério Público (APMP), Magistrados da Paraíba (AMPB) e de Defesa das Prerrogativas dos Delegados da Polícia Civil da Paraíba (Adepdel).

O projeto também foi criticado pelo coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, Octávio Paulo Neto. “Creio que chegamos no limiar da tolerância com a desfaçatez. É inegável que a Lei de Abuso precisa se modernizar e abarcar novas relações, mas é inegável que um conjunto de habituais clientes não pode mudar ou inverter a lógica da lei, tornar os atores do sistema objetos de investigação, em razão de termos abstratos e polissêmicos, com o único propósito de infundir temor em quem tem por obrigação e dever legal se contrapor aos habituais excessos da classe política. Excessos que estão consumindo o futuro e a esperança. Erros? Há! Mas não será dessa forma que eles serão corrigidos. Deve se ter uma discussão madura, sem paixões, sem revanchismo”, ressalta Paulo Neto.

Ex-prefeito Quixaba é condenado por improbidade administrativa

Gestor teria participado de superfaturamento em contratos de limpeza urbana


Durante o mutirão da Meta 4, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no âmbito do Judiciário estadual, o ex-prefeito de Quixaba, Júlio César de Medeiros Batista, foi condenado pela prática de Improbidade Administrativa, em decorrência de fraude e superfaturamento no contrato firmado com a empresa Silva e Leite Construções e Serviços Ltda., vencedora do Pregão Presencial nº 06/2013, para coleta de lixo no Município. A sentença foi prolatada pelo juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, nos autos da Ação Civil Pública por ato de Improbidade Administrativa nº 0804735-19.2016.815.0251.

De acordo com a decisão, o ex-gestor teve os direitos políticos suspensos por quatro anos, além da perda da função pública e ressarcimento ao erário no valor de R$ 123.171,45. Também foram condenados a empresa Silva e Leite Construções e Serviços Ltda. e o sócio-gerente Gerson Leite da Silva, nas seguintes sanções: proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de três anos, bem como ressarcimento ao erário da quantia de R$ 123.171,45.

Na denúncia do Ministério Público estadual, consta que a licitação realizada pelo Município tinha por objeto a locação de um veículo e não a prestação do serviço de coleta de lixo. Além do mais, o ex-prefeito teria permitido que um gari e um tratorista dos quadros do Município fossem utilizados pela empresa para a realização do serviço contratado, bem como o então gestor teria cedido um trator da Prefeitura para o serviço de coleta, que deveria ser feito integralmente pela empresa.

O MP aponta, ainda, que além da contratação do serviço de lixo ter sido feita divergindo do objeto da licitação (locação de veículo para serviço do lixo), a execução do contrato era realizada a menor, porquanto se utilizava veículo do Município de Quixaba, abastecido com dinheiro do ente público e mediante mão de obra de servidores públicos e contratados do município.

Não bastasse a contratação ilegal, como também a execução do contrato mediante utilização de veículos e funcionários municipais, foi constatado pelo Ministério Público o sobrepreço no pagamento do serviço, totalizando um prejuízo aos cofres públicos da ordem de R$ 123.171,45.

Na sentença, o juiz Antônio Carneiro afirmou que a conduta dos representandos atentou diretamente contra o princípio da impessoalidade e, notadamente, da ilegalidade. “Especificamente, o representado Júlio César, enquanto gestor municipal, compactuou e chancelou a contratação com a administração pública por ele comandada, por meio de procedimentos que afrontaram os princípios regentes da administração pública, gerando inclusive, dano ao erário, ficando evidente o dolo necessário ao reconhecimento da necessidade de penalização”, ressaltou o magistrado.

Com informações do Tribunal de Justiça

Julian Lemos anuncia projeto para “proibir o comunismo no Brasil”

Deputado compara o comunista ao nazismo para defender a criminalização da atividade política do grupo adversário

Julian Lemos diz que fez convite para Helton Renê se filiar ao partido. Foto: Fábio Hermano/CBN

O deputado federal Julian Lemos (PSL) anunciou nesta segunda-feira (19) a elaboração de um projeto para proibir o comunismo no Brasil. A declaração foi dada durante entrevista no CBN João Pessoa. Para justificar a medida, o parlamentar comparou os militantes da corrente de esquerda aos nazistas. “Um não matou mais do que o outro”, ressaltou, ao justificar que se o nazismo é proibido, o comunismo precisa ser também.

O conteúdo do texto prometido pelo deputado é similar a outro já em tramitação na Câmara dos Deputados, apresentado pelo também deputado do PSL Eduardo Bolsonaro (SP). O texto do parlamentar eleito por São Paulo fala em alterar a Lei Antirracismo para incluir entre os crimes ali previstos o de “fomento ao embate de classes sociais”. A pena prevista é reclusão de um a três anos e multa.

Na entrevista à CBN, Lemos não disse quando vai apresentar a proposta pensada por ele. A posição foi apresentada após tomar conhecido de que o PCdoB trabalha para expulsar de suas fileiras o vereador de João Pessoa, Helton Renê. O parlamentar, atualmente licenciado, foi excluído do grupo de WhatsApp do partido. A medida ocorreu por causa da proximidade com o deputado do PSL.

“Tirou uma foto comigo e foi expulso. Que tipo de democracia é essa neste partido”, disse Lemos, que, em tom de ironia, disse que Renê é um “comunista de araque”, forma de afirmar que o vereador tem linha de atuação mais compatível com a do PSL. O deputado disse que o atual coordenador do Procon de João Pessoa é votado nas igrejas evangélicas, votou nele para deputado federal e, apesar de não revelar, teria votado também em Jair Bolsonaro.

Rusgas no PSL

O deputado do PSL também falou sobre a relação com os filhos de Jair Bolsonaro, relembrando desentendimentos passados. Ele lembra que, como vice-presidente nacional do partido, foi o responsável pela costura que levou o presidente para o PSL. Por tudo o que viveu ao lado do capitão reformado do Exército, garante que pode dizer que é leal ao gestor. Se for perguntado se a recíproca é verdadeira, ele diz que não pode garantir.

As rusgas dentro do partido, segundo ele, têm muito a ver com o poder. “O poder isola, o poder gera sentimentos de amor, de ódio, territoriais, isso é natural que aconteça. Com aquele incidente daquela tentativa de homicídio, que quiseram matar o presidente Jair Bolsonaro, obviamente, isso potencializou muitos sentimentos. Por exemplo, para que você tenha uma guerra, você precisa que dois queiram a guerra. Senão, ela não ocorre. Isso não vai acontecer comigo, primeiro por que eu saio logo de perto. Eu respeito muito Carlos (Bolsonaro). É uma pessoa que eu tenho respeito. Na verdade, até um Twitter que eu tenho foi por que ele que disse ‘Julian, faz um Twitter’. E até evito, porque gera mais problema do que solução aqui no Brasil”, disse. Sobre os desentendimentos do passado com Carlos, ele atribui tudo a um excesso de proteção do filho em relação ao pai.

Ato contra o PL do Abuso de Autoridade: coordenador do Gaeco diz que projeto busca “infundir medo” na Justiça

Entidades representativas do Ministério Público, Judiciário e Delegados articulam ato para esta terça em prol do veto ao projeto

Reprodução

Juízes, promotores, procuradores e delegados preparam um grande ato para esta terça-feira (20) em prol do veto presidencial ao projeto do Abuso de Autoridade. A matéria foi aprovada por aclamação, na Câmara dos Deputados, e seguiu para análise do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Caberá ao gestor vetar ou não trechos da proposta que já tramitou no Senado. Para o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, Octávio Paulo Neto, o texto possui termos “abstratos e polissêmicos” e tem o objetivo claro de infundir temor nos investigadores.

“Creio que chegamos no limiar da tolerância com a desfaçatez. É inegável que a Lei de Abuso precisa se modernizar e abarcar novas relações, mas é inegável que um conjunto de habituais clientes não pode mudar ou inverter a lógica da lei, tornar os atores do sistema objetos de investigação, em razão de termos abstratos e polissêmicos, com o único propósito de infundir temor em quem tem por obrigação e dever legal se contrapor aos habituais excessos da classe política. Excessos que estão consumindo o futuro e a esperança. Erros? Há! Mas não será dessa forma que eles serão corrigidos. Deve se ter uma discussão madura, sem paixões, sem revanchismo”, ressalta Paulo Neto.

O ato está sendo organizado pelas associações Paraibana do Ministério Público (APMP), Magistrados da Paraíba (AMPB) e de Defesa das Prerrogativas dos Delegados da Polícia Civil da Paraíba (Adepdel). Os atos ocorrerão no Fórum Cível de João Pessoa, Campina Grande, Patos e Sousa.

O mote do ato é “Veto ao PL do Abuso de Autoridade”.

Julian Lemos nega possibilidade de deixar o PSL: “chance zero”

Paraibano entrou no roteiro do ex-colega de partido, Alexandre Frota, que articula o convite, de acordo com a Folha de São Paulo

Julian Lemos lembra que é vice-presidente do PSL e está bem no partido. Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O deputado federal Julian Lemos (PSL) não faz planos de deixar o PSL. Ele foi incluído no roteiro do ex-colega de partido, Alexandre Frota, que trocou, recentemente, a sigla pelo PSDB. Frota faz movimento para tirar da agora ex-legenda deputados com quem ele convivia na Câmara. De acordo com nota publicada na Folha de São Paulo, Lemos e Júnior Bozzella (SP) são alvos prioritários. Os convites estariam no forno para ser concretizados n0s próximos dias.

“A chance disso acontecer comigo hoje é zero. Junior Bozzela, meu amigo, digo o mesmo”, sentencia Julian Lemos, ao analisar as especulações. Ele lembra que é vice-presidente do partido do presidente Jair Bolsonaro e está bem onde está.

Frota deixou o PSL após desentendimentos com a família Bolsonaro. Ele fez críticas, entre outras coisas, à possível indicação do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (SP), para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O parlamentar se tornou aliado do presidente ainda antes da campanha.

Diretório nacional destitui Edvaldo Rosas do comando estadual do PSB

Decisão ocorre em meio à disputa pelo comando do partido na Paraíba desencadeada por pessoas próximas a Ricardo

Ricardo Coutinho deve assumir o comando do partido na Paraíba. Foto: Francisco França

O filme não é novo. Vez por outra ocorre na Paraíba. O diretório nacional do PSB decidiu intervir na sigla, no Estado. O passo seguinte será a formação de uma comissão provisória. Com isso, sai Edvaldo Rosas do caminho e abre-se espaço, muito provavelmente, para que o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) assuma o posto. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (16) pelo presidente nacional do partido, Carlos Siqueira. O objetivo ele deixou bem claro: resolver a desarmonia dentro da agremiação. O desentendimentos se estendem desde que Rosas assumiu cargo no governo estadual, nomeado pelo governador João Azevêdo (PSB), no mês passado.

A decisão fez com que os socialistas mais próximos ao ex-governador passassem a defender a saída de Rosas do comando partidário. O consenso, neste grupo, era o de que a função deveria migrar para Ricardo Coutinho. Os argumentos vão na linha de que ele precisaria assumir protagonismo no comando partidário. Com a renúncia da maioria dos diretorianos, convencidos pelos aliados do ex-gestor, o diretório entrou no estágio que os socialistas chamam de auto-dissolução. A comissão provisória, com seus integrantes, será escolhida nos próximos dias, depois de conversa do presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, com as principais lideranças da sigla.

Siqueira conversou nesta sexta-feira com o governador João Azevêdo para informar a decisão. O ex-governador Ricardo Coutinho também foi informado. Coutinho comanda, atualmente, a a Fundação João Mangabeira, ligada ao Diretório Nacional do partido.