Bolsonaro promete ajuda ao Nordeste e eleva em R$ 4 bi recursos do FNE

Governadores ouvem compromissos e saem satisfeitos de reunião com o Bolsonaro

Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante visita ao Castelo São João, onde esta localizada a coleção de Armas Brancas do Instituto Ricardo Brennand.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) viveu uma pequena “lua de mel” com os governadores nordestinos, nesta sexta-feira (24). Durante encontro para anunciar investimentos na região, ele conseguiu causar boa impressão no grupo. O saldo final foi o anúncio de um aumento de R$ 4 bilhões no montante do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). O volume terá como destino o investimento de R$ 3 bilhões em infraestrutura e mais R$ 1 bilhão na microcrédito rural. “Faremos o possível para ajudar o nosso querido Nordeste”, disse o presidente.

A reunião contou com a participação do governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), além de Flávio Dino (PCdoB-MA), Wellington Dias (PT-PI), Camilo Santana (PT-CE), Fátima Bezerra (PT-RN), Paulo Câmara (PSB-PE), Renan Filho (MDB-AL), Rui Costa (PT-BA) e Romeu Zema (NOVO – MG). O encontro aconteceu no Instituto Ricardo Brennand, no Recife. O anfitrião, em discurso antes do início da reunião, cobrou do presidente atenção aos nordestinos. “Não esqueça de nós, presidente”, reforçou o empresário pernambucano. Esta é a primeira vez que Bolsonaro vem ao Nordeste após a posse no cargo.

Na reunião, o conselho deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentou o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste, a ser implementado em quatro anos, a partir de 2020, em 41 cidades e nas 9 capitais da região. Além de iniciativas para garantir o crescimento, o plano aponta para 2019, por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), quase R$ 24 bilhões para investimentos nos estados.

“Depois de muito tempo, o Condel (Conselho Deliberativo da Sudene), com a participação de todos os governadores, volta a dar respostas às expectativas que os governadores têm com relação à importância da Sudene. Acho que hoje foi importante aqui porque tivemos a oportunidade de aprovar o plano, que foi um plano formatado com a parceria de todos os estados. Mas acima de tudo aprovar uma proposta dos governadores que decidimos hoje de manhã apresentar aqui para que 30% do fundo seja direcionado à infraestrutura. Então, esse é um ponto marcante da reunião e a gente espera que com a alteração das legislações necessárias, a gente tenha o resultado esperado”, disse João Azevêdo.

O superintendente da Sudene, Mário Gordilho, abriu a reunião defendendo um reposicionamento da agenda do Nordeste. “Os atuais modelos de desenvolvimento se mostram insuficientes. Buscamos, com isso, colocar a Sudene no seu lugar institucional de ser protagonista das ações do Nordeste em benefício do povo”, esclareceu. Sobre o plano de desenvolvimento, ele definiu como uma “instrumento de urgência imediata de 2020 a 2023”.

A intenção do governo federal é encaminhar o Plano Regional de Desenvolvimento até agosto para a apreciação do Congresso Nacional. Esta é a primeira vez que o projeto vai tramitar em conjunto com o Plano Plurianual da União, que define o planejamento de longo prazo das ações do governo federal. Sobre a aprovação da proposta, houve provocação do governador Flávio Dino. “Isso é fácil, presidente, o senhor assina um MP rapidinho” o presidente disse, se for assim mesmo, uso minha Bic sem problemas”, disse, entre risos dos colegas.

O plano tem como aposta estratégia o fortalecimento das redes de cidades intermediárias, com as áreas de influência que possam crescer economicamente. Uma das diretrizes será o estímulo ao desenvolvimento sustentável da região, com base em seis eixos estratégicos: segurança hídrica e conservação ambiental; inovação; desenvolvimento institucional; desenvolvimento de capacidades humanas; dinamização e diversidade produtiva; e desenvolvimento social e urbano.

Prefeitos

Prefeitos e parlamentares do Nordeste também participaram do encontro, realizado no Instituto Ricardo Brennand, na capital pernambucana. Além dos investimentos anunciados para a região, o prefeito de Recife, Geraldo Júlio, pediu a revisão “prioritária e urgente” do pacto federativo e de políticas públicas que combatam a pobreza no país.

“Há 30 anos quando a Constituição foi promulgada, de cada R$ 4 que a União arrecadava, três eram compartilhados com estados e municípios. A Constituição não mudou, mas a receita mudou. No decorrer desses 30 anos, a gente viu isso baixar para praticamente R$ 1,5. Então, em vez de 75% serem compartilhados, hoje cerca de 40% são compartilhados. Então, os municípios estão apertados”, argumentou Júlio, em nome dos prefeitos do Nordeste.

Reforma da Previdência
Durante o encontro, o presidente Jair Bolsonaro fez ainda um apelo aos governadores por apoio à reforma da Previdência, em tramitação na Câmara, que, segundo ele, vai destravar a economia e atrair mais recursos para o país.

“Nós temos um desafio pela frente que não é meu, é também dos senhores governadores e prefeitos, independente da questão partidária, é a reforma da Previdência, sem a qual não podemos sonhar em botar em prática parte do que estamos acertando aqui nesse momento”, disse. Esta é a primeira visita oficial de Bolsonaro ao Nordeste depois de sua posse, em janeiro.

Para se aproximar mais da região, assim que assumiu a Presidência, Bolsonaro estabeleceu um grupo interministerial, comandado pela Casa Civil, para tratar de políticas prioritárias para o Nordeste. Reuniões do Fórum dos Governadores do Nordeste com representantes do governo e do Congresso Nacional também são frequentes em Brasília.

 

 

Buega Gadelha retoma comando da Fiep após afastamento na operação Fantoche

Retorno ao cargo ocorreu após o fim do prazo de 90 dias determinado pela Justiça

Buega Gadelha negou todas as acusações decorrentes da operação Fantoche. Foto: Reprodução

O empresário Buega Gadelha voltou ao comando da Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep). Ele estava afastado do cargo por decisão judicial desde o dia 20 de fevereiro, por decisão da Justiça Federal de Pernambuco. O afastamento fez parte das medidas previstas pela operação Fantoche, desencadeada pela Polícia Federal e que teve como alvos empresários e dirigentes do Sistema S. Gadelha comandou uma das mesas de evento promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), nesta quinta-feira (23). O retorno ao cargo foi confirmado pela assessoria.

O afastamento cautelar teve duração de 90 dias e, inicialmente, havia o entendimento de que ele não se estenderia à Fiep. Abrangeria apenas as funções no Sistema S. A medida foi extensiva também a outros dirigentes regionais. Além de Gadelha, a lista de incluiu Ricardo Essinger e José Carlos Lyra de Andrade, todos com funções diretivas no Senai, no Sesi ou na Federação Nacional da Indústria. A Polícia Federal investiga esquema de superfaturamento em contratos firmados pelo Sistema S e pelo Ministério da Saúde com a empresa Aliança Comunicação.

Os contratos firmados entre a Aliança Comunicação e as instituições ligadas à CNI teriam movimentado R$ 400 milhões de 2002 até agora. Parte destes recursos teriam sido desviados. Foram presos, na época, os empresários Luiz Otávio, Luiz Antônio Gomes Vieira da Silva, da Aliança Comunicação, além de Jorge Tavares Pimentel Junior, sócio da Neves e Silva Produção, e Júlio Ricardo Rodrigues Neves, da Idea Locação de Estruturas e Iluminação.

Sobre prisão de Lula, Ricardo diz que a “resistência é a expressão brasileira”

Ex-governador da Paraíba visitou o ex-presidente Lula ao lado do mandatário do PDT, Carlos Lupi

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) saiu da visita ao ex-presidente Lula (PT), nesta quinta-feira (23), falando em motivação para reagir ao atual governo. Ele esteve com o petista na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, e depois participou de ato no acampamento da Vigília Lula Livre. O socialista criticou, ainda, os rumos que o país em seguido, sob o governo de Jair Bolsonaro (PSL). Esteve na visita, também, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Confira a íntegra do vídeo:

“Deixa o futuro falar”, diz Cássio sobre possível candidatura em Campina Grande

Foto com crachá de prefeito, postada em rede social, traz comentários de eleitores sobre suposta candidatura

Ex-senador publica no Instagram foto de crachá de quando tinha 25 anos. Foto: reprodução

Ex-prefeito de Campina Grande, ex-deputado federal, ex-governador e ex-senador. Estas são algumas das credenciais de Cássio Cunha Lima (PSDB), que causou frisson, nesta quinta-feira (23), após publicação nas redes sociais. No perfil que mantém no Instagram, postou foto do crachá usado por ele quando prefeito de Campina Grande, aos 25 anos. Não demorou para que uma enxurrada de comentários de eleitores seguissem a publicação. A maioria deles pedindo a candidatura de Cunha Lima, que, no ano passado, não conseguiu renovar o mandato de senador.

Procurado pelo blog, o político deu uma resposta enigmática sobre uma possível candidatura. “Deixa o futuro falar”, respondeu, ao comentar a “convocação” dos seguidores na rede social. O ex-senador é a principal figura política do PSDB no Estado e, caso tenha interesse, terá as bençãos do partido para a disputa. A sigla é comandada no estado pelo deputado federal Pedro Cunha Lima, filho de Cássio. Ele também é primo do atual prefeito, Romero Rodrigues, que trocou recentemente a sigla tucana pelo PSD. Apesar disso, há quem diga que o gestor abençoaria a candidatura do tucano, caso ele opte por encarar a disputa.

O atual prefeito encara uma situação atípica para a disputa de 2020, quando ele não poderá mais ser candidato. Tem uma gestão bem avaliada e uma fila de pelo menos oito aliados que se apresentam como opção para a disputa. Romero tem dito a quem queira ouvir que não tem pressa para definir quem vai receber o apoio dele nas eleições. Tem conversado com todos. Sobre Cássio, diz que não pode se posicionar sobre uma candidatura que ainda não foi posta oficialmente. Vê, porém, o tucano como um grande quadro e ressaltou a relação fraterna com o ex-senador.

A bolsa de apostas sobre a candidatura de Cássio Cunha Lima anda agitada. Mas replicando a resposta dele ao blog: “deixa o futuro falar”…

Ricardo Coutinho e Carlos Lupi visitam Lula na carceragem da PF, em Curitiba

Ricardo é um dos principais defensores da liberdade do ex-presidente, preso desde o ano passado

Ricardo Coutinho integra grupo de testemunhas do ex-presidente no caso da operação Zelotes. Foto: Francisco França/Secom-PB

O ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), fará visita nesta quinta-feira (23) ao ex-presidente Lula (PT) na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba (PR). Ele estará acompanhado do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. A programação foi divulgada pelos integrantes da Vigília Lula Livre. O socialista viajou, também, enquanto presidente da Fundação João Mangabeira, do PSB. O encontro está programado para acontecer às 16h e, em seguida, eles devem discursar no acampamento montado em frente ao prédio sede da PF na capital paranaense.

Esta é a segunda vez que o ex-governador viaja a Curitiba para ser recebido pelo ex-presidente. Na outra, no ano passado, ainda como governador, ele integrou comitiva de gestores estaduais que foi barrada na porta da Polícia Federal. Coutinho também foi arrolado como testemunha do ex-presidente em ação que tramita na Justiça Federal no bojo da operação Zelotes. O processo apura suposta corrupção passiva no caso da edição da Medida Provisória 471, assinada em novembro de 2009, pelo então presidente Lula, que prorrogava os benefícios fiscais concedidos à indústria automobilística nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

“Eu fui arrolado como testemunha por ter sido governador durante o processo (em 2017) e porque sei da importância, por exemplo, dessa prorrogação para que a Fiat continuasse na divisa com a Paraíba, gerando empregos. Foi bom também para a indústria automobilística na Bahia, no Ceará, enfim, para o Nordeste. Eu sou testemunha em função disso. Eu, com muito prazer, aceitei a indicação da defesa do presidente Lula. Eu vou testemunhar sobre um benefício e a necessidade dos incentivos fiscais têm para o Norte e para o Nordeste”, explicou ao Portal 247.

Estado, Assembleia e seis prefeituras anunciam antecipação de metade do 13º

Medida não é obrigatória, mas vira bandeira de boa gestão para quem implementa

Pagamentos de salários para o período junino são tidos como prioridade para alguns gestores. Foto: Walter Paparazzo/G1

Em meio à crise econômica, alguns gestores paraibanos dão sinais de que estão fazendo o dever de casa. O governo do Estado, a Assembleia Legislativa e pelo menos seis municípios já anunciaram que vão pagar, de forma antecipada, a primeira parcela do 13º dos servidores públicos. A medida parece trivial e seria se todos conseguissem fazer os pagamentos no decurso do ano. Mas não é bem assim. Boa parte dos municípios chega ao fim do ano esperando o socorro do governo federal para o pagamento das suas obrigações. O último a anunciar o pagamento foi o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV). O verde prometeu a injeção de R$ 208 milhões na economia do município com o pagamento de três folhas no meio do ano.

A previsão de pagamento da primeira parcela do 13º é o dia 17 de junho no caso da prefeitura. O governador João Azevêdo (PSB) já havia anunciado o pagamento para o dia 19 do mesmo mês. Só com a antecipação de metade do abono natalino, o Estado diz que serão injetados R$ 180 milhões na economia. A antecipação também foi prometida pelo presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino. Os outros municípios que prometeram fazer o pagamento de forma antecipada foram os de Boa Vista, Bernardino Batista, São José de Piranhas e Picuí. Os anúncios ocorrem no mesmo ano em que os gestores vêm reclamando de reduções nos repasses dos fundos de Participação dos Municípios (FPM) e do Estado (FPE).

Outra prefeitura

A prefeita de Conde Márcia Lucena anunciou nesta quinta-feira (23) a antecipação, para o dia 12 do próximo mês de junho, do pagamento de parte do 13º salário ao funcionalismo municipal. “Apesar da iminente queda dos recursos do FPM (Fundo de Participação do Município) projetada para o próximo mês, recebi a garantia da Secretaria de Finanças e também da Secretaria de Administração que teremos disponibilidade dos recursos necessários para adiantar a primeira parcela do 13º, o que acontecerá em 12 de junho”, disse a prefeita.

 

Justiça rejeita pedido de Livânia para liberar BMW de sequestro judicial

Livânia propôs a substituição do veículo por uma sala comercial entre objetos sequestrados por decisão judicial

Livânia Farias é alvo de acusações de recebimento de propinas. Foto: Divulgação

A ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias, não conseguiu a liberação da BMW X1, alvo de sequestro judicial. O pedido encaminhado à juíza Andréa Gonçalves Lopes Lins sugeria a substituição do veículo de luxo por uma sala comercial no Central Park Empresarial, no Bairro dos Estados. A ex-auxiliar do governo do Estado alegou, para isso, que o carro não poderia figurar entre os bens sequestrados por estar alienado fiduciariamente à BBMW Financeira S/A.

Ao analisar os argumentos, no entanto, a magistrada decidiu não ceder aos argumentos da ex-secretária. O motivo foi a ausência de comprovação de que, efetivamente, o veículo é alienado a uma instituição financeira. Outro ponto alegado por ela para negar o pedido foi a não comprovação, também, de que a sala 304 do empresarial esteja registrado em nome de Livânia Farias. A ex-auxiliar do governo foi presa em 16 de março e liberada no dia 23 de abril para cumprir medidas cautelares neste mês.

Livânia é acusada de recebimento de propinas pagas pelo empresário Daniel Gomes da Silva, mandatário da Cruz Vermelha Brasileira filial Rio Grande do Sul. Com a saída dela, o cargo será assumido interinamente pela secretaria executiva de Administração, Jacqueline Fernandes de Gusmão. Havia a previsão de que a publicação ocorreria ainda nesta terça-feira, mas foi antecipada.

A ex-secretária é apontada pelo Ministério Público de ter atuado como operadora dos contratos do Estado com a Cruz Vermelha e o  Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional (IPCEP). As duas administraram recursos da ordem de R$ 1,1 bilhão entre 2011 e 2018. Elas são responsáveis pela gestão dos hospitais de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, Metropolitano Dom José Maria Pires e o Regional de Mamanguape.

Nova fase da Xeque-Mate foi pedida ao STJ por Raquel Dodge

Procuradora-geral da República ressaltou necessidade de reunir provas sobre o suposto esquema criminoso

Raquel Dodge disse em manifestação que Apam foi criada apenas para questionar obra de shopping. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A quarta fase da Operação Xeque-Mate, desencadeada nesta quarta-feira (22), foi pedida pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em João Pessoa e Campina Grande (PB). Os mandados foram determinados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O objetivo é reunir provas de um suposto esquema criminoso envolvendo o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos com o propósito de impedir a construção de um shopping no estado.

Os alvos foram o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Fernando Catão, e dirigentes da Associação de Proteção Ambiental (Apam). A investigação é sigilosa.

Na manifestação em que embasou o pedido das medidas cautelares, a PGR destacou a existência de indícios de que um empresário – a quem interessava impedir a construção do shopping – atuou para que o Tribunal de Contas do Estado suspendesse licença ambiental que havia sido concedida pelo órgão estadual de fiscalização ambiental ao empreendimento.

De acordo com as provas reunidas nas fases anteriores da operação, o empresário interessado na medida administrativa – impedir a construção – chegou a criar uma entidade supostamente de proteção ambiental para barrar a licença. A associação foi usada para apresentar denúncia ao Tribunal de Contas.

Além das buscas e apreensões, o relator do caso no STJ acatou solicitação da procuradora-geral em relação a outras medidas cautelares, que também têm o propósito de recolher provas da atuação criminosa dos envolvidos. Nesta etapa não foi apresentado pedido de prisões.

Xeque-Mate: Catão nega ilegalidades e diz que não perde “um minuto de sono”

Fernando Catão diz, em pronunciamento, que apenas seguiu parecer ministerial ao suspender obras de shopping

O conselheiro Fernando Catão usou a palavra no TCE para falar a operação Xeque-Mate. Foto: Reprodução/Youtube

O conselheiro Fernando Catão, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), se pronunciou sobre a operação Xeque-Mate. Ele aproveitou sessão no órgão de controle nesta quarta-feira (22) para se posicionar sobre os mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços dele pela Polícia Federal. Catão foi alvo da quarta etapa da Operação Xeque-Mate, que cumpriu mandados, também, contra dirigentes da Associação de Proteção Ambiental (Apam). Todos são investigados por suposta irregularidade em medida cautelar concedida pelo conselheiro que suspendeu a construção do Shopping Parque Intermares, em 2015.

“Quero dizer a vossas excelências, em que pese o desconforto da medida (de busca e apreensão), não me traz nenhuma estranheza. Estamos num estado de direito onde todos os cidadãos estão sob o regime da lei, e, notadamente, os agentes públicos num momento tão difícil do Brasil para os agentes públicos. Então, vejo com naturalidade”, disse o conselheiro Fernando Catão. E ele acrescentou: “Ninguém mais do que eu quer o aprofundamento desta investigação sobre aquela do caso Shopping, porque tenho a consciência plena, tranquila e absoluta de que agi dentro da legalidade”.

O conselheiro disse ter cumprido todos os prazos estabelecidos pelo TCE e, ainda, que seguiu os pareceres do Ministério Público de Contas, tanto para suspender, quanto para liberar a obra. “E tenho a consciência tranquila, senhor presidente, de que a não construção daquele shopping em nenhum momento sofreu qualquer interferência por parte deste tribunal. Agi dentro das minhas competências, dentro da legalidade e do meu juízo de valor. Estou tranquilo, não perdi um minuto de sono, não perco e nem perderei um minuto de sono a respeito deste assunto”, disse.

O presidente do Tribunal de Contas, Arnóbio Viana, falou em nome dos colegas da corte. Em pronunciamento, na sessão, ele fez a defesa de Fernando Catão. Disse que é obrigação do TCE zelar pelo meio ambiente. Também lembrou o fato de a medida cautelar ter seguido a recomendação do Ministério Púbico de Contas.

Xeque-Mate: PF cumpre mandados em endereços de Fernando Catão e dirigentes da Apam

Conselheiro e dirigentes de entidade são suspeitos de terem agido para impedir construção de shopping em Cabedelo

Fernando Catão é alvo de nova fase da operação Xeque-Mate. Foto: Divulgação/TCE

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Fernando Catão, foi alvo de mandados de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (22). A ação é coordenada pela Polícia Federal e integra a quarta fase da operação Xeque-Mate. Também são alvos dirigentes da Associação de Proteção Ambiental (Apam), com sede em Campina Grande. Ao todo, estão sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão. No caso do conselheiro do TCE, os mandados são cumpridos na casa dele e na sede do órgão. Eles são acusados de terem participado de uma “operação” para impedir a construção do Pátio Shopping Intermares, em Cabedelo, em 2015. A medida seria para beneficiar o empresário Roberto Santiago, atualmente preso.

De acordo com a PF, o objetivo da operação é combater supostos atos de corrupção passiva na administração pública e atuação irregular de ONG sediada na Cidade de Campina Grande/PB. A operação conta com a participação de 30 Policiais Federais. As ordens judiciais foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). As medidas cumpridas nesta quarta, revelam a Polícia Federal, têm o objetivo de angariar elementos de prova relacionados à possível prática ilícita de concessão de medida cautelar pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, no intuito de impedir a construção do Shopping Pátio Intermares. A operação Xeque-Mate é coordenada com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba.

Investigação

Um relatório elaborado pela Polícia Federal, no bojo da operação Xeque-Mate, mostrou uma grande articulação do empresário Roberto Santiago para tentar inviabilizar a construção do Shopping Parque Intermares, em Cabedelo. Os “achados” durante a investigação mostraram sucessivas tentativas de influenciar o Tribunal de Contas do Estado (TCE) no julgamento de um pedido de embargo da obra, feito pela Associação de Proteção Ambiental (Apam). A pressão ocorreu, principalmente, sobre o conselheiro Fernando Catão. Conversas extraídas de um aparelho celular pertencente a Santiago mostraram que, nos dias que antecederam a apreciação de uma medida cautelar, relatada por Catão, houve trocas de mensagens entre ele e o empresário. Tudo ocorreu em 2015.

A troca de mensagens começou no dia 21 de abril. A partir daquela data, durante vários dias, o empresário buscou oportunidade para conversar com o conselheiro. O diálogo, pelo que dá para entender das mensagens, ocorreu pessoalmente apenas no dia 23. Três dias depois, em um domingo, Santiago pergunta para Catão se ele já sabe se vai ser do jeito fácil”. A resposta de Catão confunde Roberto, pois inicialmente diz “SIM” e logo depois “NÃO”. Em seguida, em resposta à insistência de Roberto, ele responde: “Vai ser da maneira fácil, né?” Catão diz ainda que o Bruno, provavelmente o filho dele (Bruno Nepomuceno Catão), vai procurar o empresário.

 

No dia seguinte, em novo questionamento de Santiago, Catão responde que o resultado sai naquele dia. Apesar disso, apenas no dia seguinte a tão desejada medida cautelar suspendendo a construção do shopping foi emitida pelo conselheiro. Na época, houve vários questionamentos de juristas e jornalistas sobre a coerência da decisão, afinal, a obra embargada era de uma empresa privada e não pública. O conselheiro, no entanto, explicou na decisão que a cautelar seguia o parecer do Ministério Público de contas e contestava a licença concedida pela Sudema. Roberto Santiago se mostrou grato pela decisão.

Depois de aprovada a cautelar e da polêmica gerada, teve início uma pressão grande do empresário sobre pessoas próximas a Catão. Entre eles, são citados o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), sobrinho do conselheiro, o filho Bruno, o advogado Harrison Targino e o conselheiro Nominando Diniz.

No dia 8 de julho, após publicação de novo parecer do Ministério Público de Contas, recomendando a rejeição da cautelar, Roberto Santiago lamenta o fato em conversa com Harrison Targino.

As conversas mostram ainda contrariedade de Roberto Santiago na busca por apoio de Fernando Catão. Havia o pedido para que ele adiasse o julgamento da cautelar, para dar tempo a participação de Nominando Diniz. Pessoas próximas, no entanto, alegam que ele foi irredutível em relação à pauta de votação. Ele tenta, de várias formas, influenciar Cássio a convencer Catão a adiar o julgamento. Consegue do senador a promessa de tentativa de resolver, mas admite que não obteria sucesso na tentativa de manter a interdição da obra.

A corte, seguindo o novo entendimento do Ministério Público de Contas, liberou a execução da obra.