Zé Ramalho sintetiza no palco quatro décadas de sucesso

O CD (duplo) e o DVD (simples) se chamam Zé Ramalho na Paraíba.

O título dialoga com Zé Ramalho da Paraíba, como Zé foi chamado há mais de quatro décadas, no período em que batalhava para conquistar dimensão nacional.

O registro de áudio e vídeo foi feito em maio do ano passado no Teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Nesta sábado (26), às 21 horas, Zé Ramalho e sua banda voltam ao Pedra do Reino para lançar o CD e o DVD com este show que celebra 40 anos de carreira do artista.

Confira o set list (provável) do show:

O que é, o que é?
Tá tudo mudado
Kryptônia
Beira-mar
Entre a serpente e a estrela
Táxi lunar
A terceira lâmina / Banquete de signos
Eternas ondas 

Avôhai
Vila do sossego
Chão de giz
Garoto de aluguel
Admirável gado novo
Frevo mulher
Sinônimos
A vida do viajante

O governo errou com Zé Ramalho. Tomara que acerte com Vandré!

No dia cinco de agosto de 2016, o governo estadual promoveu um concerto inesquecível de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Foi um evento histórico no palco do teatro Pedra do Reino, em João Pessoa.

Um ano e cinco meses depois, o que se viu naquela noite foi transformado num DVD de baixa qualidade com erros grosseiros de edição.

Os erros cometidos no DVD foram assumidos pelo secretário Lau Siqueira, mas o gesto decente de Lau não justifica o primarismo da produção.

Estou voltando ao assunto por causa de um outro personagem da música paraibana: Geraldo Vandré.

Vandré, que não gosta de ser reconhecido como Vandré, está em João Pessoa, cidade onde nasceu há 82 anos.

O que já é público?

Que a Orquestra Sinfônica da Paraíba se prepara para tocar peças compostas por ele.

O que é desejo de muitos?

Que Vandré suba ao palco para cantar acompanhado pela Sinfônica.

Quem está em João Pessoa?

O mito da MPB conhecido como Geraldo Vandré ou o cidadão que prefere ser chamado apenas de Geraldo e que não gosta de falar sobre o que aconteceu há 50 anos?

Geraldo Vandré, o artista que fez Caminhando no turbulento ano de 1968, está “morto” há meio século.

Desde que voltou do exílio, ele se recusa a ter qualquer vínculo com o que produziu na era dos festivais.

O homem que, numa canção, convocou o povo para a luta armada, fez Fabiana para a Força Aérea Brasileira.

A despeito disso, continua sendo venerado pela esquerda.

E, por sua vez, parece gostar de cortejar o poder.

Na Paraíba, o fez pelo menos duas vezes. No governo de Ronaldo Cunha Lima. E, agora, no governo de Ricardo Coutinho.

Não é fácil conversar com Geraldo. A conversa dele não tem a necessária objetividade que a vida real pede.

O que surgirá, então, das conversas de Geraldo Pedrosa (ou Geraldo Vandré?) com a área de cultura do governo estadual?

Um concerto com músicas dele e um Vandré mudo no palco (como ocorreu no show de Joan Baez em São Paulo)?

Ou um concerto que faria ressurgir ao menos algo do artista de meio século atrás?

O tempo logo dirá.

Torçamos para que seja bem registrado em DVD!

Lau Siqueira assume insucesso do DVD de Zé Ramalho com Sinfônica

O secretário de Cultura, Lau Siqueira, se pronunciou nesta terça-feira (09) sobre o DVD de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Segue a mensagem que ele me enviou:

Li atenta e respeitosamente sua coluna de ontem, mas queria fazer algumas observações sobre sua coluna de hoje.

Em primeiro lugar, não sei de onde se tirou essa ideia do “lançamento do DVD de Zé Ramalho e Orquestra”. Isso não chegou a ser pensado, uma vez que se trata de um DVD promocional e não comercial, cujo resultado seria disponibilizado nas redes sociais. Um “lançamento” seria totalmente inviável, uma vez que não seria vendido e a distribuição com a massa de fãs de Zé Ramalho seria impossível. Pode ser que eu esteja enganado, mas nenhum momento falamos em distribuição ou lançamento, mas em registro.

Quanto ao DVD propriamente dito, contratamos profissionais respeitáveis e experientes do audiovisual paraibano para a execução de um trabalho que, concordo, ficou muito aquém do esperado. Por exemplo, não poderíamos supor que não tivessem colhido imagens do público e do teatro se a orientação era de, inclusive, fazer entrevistas. Isso me parecia óbvio. Na edição, não haveria como recuperar ou incluir o que não foi registrado. Portanto, ficou como ficou. É o que temos. Permanece o nosso respeito aos profissionais que realizaram o trabalho. Mas, obviamente que também não nos agradou. Só não vamos fazer cavalo de batalha nisso nem transferir culpas. Assumo integralmente o insucesso do registro.

Alguém falou em concerto na Praça do Povo, mas isso não passou de um desejo de muitos. Inclusive meu. No entanto, jamais ocorreu qualquer encaminhamento neste sentido.

Quanto aos ingressos, foram distribuídos na totalidade. Com exceção, claro, de alguns para os convidados do Zé Ramalho e do governador (não passou de 100). Felizmente, o público do Zé Ramalho é infinitamente superior a capacidade do teatro. Não haveria como abrigar todo mundo. Administramos esse problema no dia. Sinto pelos que não puderam testemunhar a beleza do concerto. Tínhamos cerca de dez mil pessoas no Espaço Cultural querendo o ingresso e o teatro comporta cerca de 3 mil. Lembro de gente que entrou na fila às 3h. Certamente que muitos voltaram para casa sem conseguir. Uma questão de lógica. Se houve favorecimentos? Jamarri Nogueira, na época assessor de imprensa da FUNESC, ficou sem ingressos. Só pra exemplificar.

Ainda bem que vc estava lá e viu o quanto tudo foi pensado nos mínimos detalhes. O DVD jamais poderia retratar integralmente o que foi aquela noite que, algumas pessoas esquecem, mas foi fruto de um grande trabalho de equipe. Foi uma produção que envolveu mais de 250 pessoas. O concerto foi maravilhoso, certamente, porque muita gente trabalhou para que fosse. Técnicos, produção, etc. O registro seria uma consequência, mas já não dependia de nós.

DVD de Zé Ramalho com Sinfônica da PB não terá lançamento

O secretário Lau Siqueira me disse que não haverá um lançamento do DVD de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

O DVD, segundo ele, “tem o caráter meramente institucional. Vai ser distribuído com os músicos da orquestra, com o governador, com Zé Ramalho e alguns da imprensa”.

Em breve, ainda segundo o secretário, estará no canal do Youtube da Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Na foto, Lau Siqueira, Zé Ramalho e o maestro Durier na coletiva de imprensa.

O concerto foi realizado no dia cinco de agosto de 2016, no teatro Pedra do Reino.

A plateia era de convidados.

Houve distribuição de uma parcela dos convites em troca de alimentos não perecíveis. Não sei que parcela foi destinada a essa distribuição.

O governo cogitou fazer outra apresentação num lugar maior. Talvez a praça do Espaço Cultural, mas isto não ocorreu.

Ficou, então, a expectativa de muitos com o DVD.

Viria como registro fiel do concerto para que aquela noite memorável fosse compartilhada com os que não a testemunharam.

No final, um ano e cinco meses depois, o DVD parece ser ainda menos acessível do que o concerto porque terá distribuição restrita.

Com o agravante de que, mal editado como foi, está longe de ser fiel à beleza daquela noite no teatro Pedra do Reino.

Concordo com os que dizem que o pessoal da cultura do governo estadual errou feio. E que o resultado tem cheiro de amadorismo, de coisa mal planejada e mal executada.

Pior: era previsível.

Ontem, conversando com um músico da Orquestra Sinfônica, ouvi dele o seguinte:

Todos sabiam que isso ia acontecer!

Edição ruim compromete DVD de Zé Ramalho com Sinfônica da PB

Recebi o DVD de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba na última sexta-feira (05).

Exatamente um ano e cinco meses depois do concerto realizado no dia cinco de agosto de 2016 no teatro Pedra do Reino, em João Pessoa.

ze ramalho e rquestra sinfonica da pb foto francisco fran??a scom pb (7)

Antes de comentar, reproduzo o que escrevi na época sobre o concerto.

Os acordes iniciais e os primeiros versos de Avôhai arrebataram o público de quase três mil pessoas no teatro A Pedra do Reino. Que canção enigmática e mágica. Agora, vista de longe. Tão nordestina quanto universal.

Que beleza ver seu autor reapresentando a música na mesma cidade onde a cantou pela primeira vez, 40 anos atrás, num evento chamado Coletiva de Música da Paraíba, no velho Teatro Santa Roza.

Testemunhei os dois momentos. Separados por quatro décadas, eles podem sintetizar a longa caminhada de Zé Ramalho.

Essa noite dele com a Orquestra Sinfônica da Paraíba foi histórica. Doze canções retiradas de discos seminais ganharam os adornos luxuosíssimos de uma grande formação. Quase 140 músicos a executar os belos arranjos escritos por Emanoel Barros, um jovem de 21 anos. O solista era o próprio autor: Zé, sua voz e seu violão. Tudo sob a batuta de Luiz Carlos Durier, o maestro que não continha a alegria de estar ali.

AvôhaiVila do SossegoChão de GizAdmirável Gado Novo. Cada uma das canções do certeiro set list escolhido pelo compositor confirmava a força e a beleza da sua música. Mais do que isto: a permanência delas. O tempo, em sua inevitável passagem, já as tornou verdadeiros clássicos populares.

Clássico é o que diz respeito ao período do classicismo. Clássico é uma expressão utilizada para denominar a música de concerto. Mas clássico é também o repertório que fica. Explicou didaticamente o maestro Durier numa de suas falas à plateia.

O público do concerto de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba foi testemunha de um encontro repleto de significados. Uma noite inesquecível. Para ficar muito bem guardada na nossa memória afetiva.

Agora, o DVD.

Quem assistiu ao concerto não vai encontrar na gravação o que viu ao vivo.

Quem não viu, jamais saberá como foi.

O registro é inferior ao que Zé Ramalho e a Orquestra Sinfônica da Paraíba fizeram no palco do Pedra do Reino.

Não é um concerto com começo, meio e fim, como vimos ao vivo e como gostamos de ver em DVD ou Blu-ray.

É somente uma sequência de números musicais separados por fade.

O programa começa com Meu Sublime Torrão, de Genival Macedo.

Terminado o primeiro número, um fade nos separa do segundo. E, aí, Zé Ramalho já está no palco, iniciando Avôhai.

Ninguém vê a sua entrada triunfal nem a ovação da plateia.

Plateia, aliás, só se vê ao fundo, captada pela pequena câmera que está em frente ao maestro Durier.

No mais, fica a impressão de que não há plateia.

Faltam imagens das expressões dos espectadores enquanto as músicas são executadas.

Faltam imagens deles na hora dos aplausos.

São erros conceituais que parecem cometidos por quem não tem intimidade com as técnicas de montagem há tanto tempo estabelecidas e dominadas pelo cinema e pela televisão.

Há outro problema que diz respeito à edição: uma incômoda falta de sincronia entre áudio e vídeo (vejam, por exemplo, Garoto de Aluguel e constatem).

No final da sua apresentação, sem agradecimento, sem aplausos, sem pedido de bis, Zé Ramalho simplesmente “some” do palco depois de cantar Eternas Ondas.

Segue-se mais um fade, e a Orquestra Sinfônica da Paraíba executa Tico Tico no Fubá.

Outro fade e sobem os créditos.

O editor não esperou ao menos que o maestro se curvasse para agradecer ao público e receber os merecidíssimos aplausos.

Burocracia atrasa DVD de Zé Ramalho com OSPB, diz secretário

Uma pergunta que costumo ouvir:

Quando, afinal, será lançado o DVD do concerto de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba? 

O concerto, um evento para convidados, foi realizado no dia cinco de agosto de 2016, no teatro A Pedra do Reino, e, até agora, passados 15 meses, o DVD não chegou às mãos do público.

Nesta terça-feira (21), toquei no assunto durante o programa CBN João Pessoa, ancorado por Nelma Figueiredo.

E disse que ouvira, de uma fonte da Orquestra Sinfônica da Paraíba, que o DVD não foi lançado porque houve problemas técnicos com a captação do áudio do concerto.

É verdade? Não sei.

À tarde, por telefone, o secretário de Cultura Lau Siqueira me disse que isto não aconteceu.

Segundo ele, o que atrasou por tanto tempo o lançamento da gravação foi um problema burocrático com a capa do DVD.

Lau assegurou que o produto estará disponível antes do final do ano. Talvez até nos próximos 15 dias.

Perguntei, naturalmente, se ele já havia visto a gravação, e ele respondeu que não.

Aguardemos!

Box com três CDs traz Zé Ramalho inédito nos anos 1970

Três CDs que acabam de ser lançados reúnem material inédito de Zé Ramalho na década de 1970.

O box Anos 70, do selo Discobertas, tem valor histórico e vai mexer com a memória afetiva dos fãs do compositor paraibano.

O primeiro CD traz demos gravadas no momento em que o artista buscava espaço no mercado fonográfico.

Em 1975, Zé integrava a banda de Alceu Valença, tocando viola, e é justamente num dos palcos por onde passou o show que foram registradas as faixas iniciais do CD Demos (1976/1977).

Uma delas, Jacarepaguá Blues, estava no set list do show de Alceu.

As outras faixas, com melhor qualidade técnica, já trazem o músico em estúdio sob a batuta do produtor Carlos Alberto Sion, que o levou à CBS dos primeiros discos.

Os outros dois discos do box contêm registros (no Rio e em São Paulo) do show que Zé Ramalho fez, em 1978, após o lançamento do seu primeiro LP.

Avôhai ao Vivo no Rio e Avôhai ao Vivo em São Paulo são parecidos, tecnicamente limitados, mas de indiscutível valor documental.

Vejam, por exemplo, quem está no palco ao lado de Zé: Geraldo Azevedo ao violão, Elba Ramalho nos vocais, Cátia de França na sanfona e Pedro Osmar na viola.

Parece inacreditável!

E é precioso para nós que acompanhamos Zé na fase anterior ao sucesso, ainda morando e fazendo música em João Pessoa.

As músicas do LP de estreia (Avôhai à frente) flagram o artista (com toda a força das suas canções) no instante em que ele conquistou dimensão nacional.

A ainda inédita Admirável Gado Novo aponta para a consolidação da sua carreira e para a permanência de Zé Ramalho no cancioneiro popular do Brasil.

Capa de vinil de Zé Ramalho é cartaz criado por Raul Córdula

Vem aí um disco precioso para colecionadores:

Uma edição em vinil com faixas do show Atlântida, que Zé Ramalho fez quando ainda morava em João Pessoa.

A capa do LP reproduz o cartaz que o artista plástico Raul Córdula criou para o show.

Quem viu Atlântida?

Eu vi! No Teatro Santa Roza, em 1974.

Foi o primeiro show realizado em João Pessoa dentro de padrões profissionais de produção.

Som, luz, cenografia – era tudo diferente do que costumávamos ver nos shows locais.

E havia, principalmente, a força da música de Zé Ramalho, que se preparava para conquistar dimensão nacional.

Em Atlântida, ele estava numa veia roqueira que, a rigor, nunca o abandonou. Mas suas músicas já continham outros elementos (as influências do Nordeste, as ricas imagens poéticas) que mais tarde seriam identificados como marcas do seu trabalho, como assinatura do autor.

Na banda, destacava-se o guitarrista Josué, conhecido como Oié, que alguns diziam ser uma espécie de Hendrix paraibano. Tocava muito!

No repertório de oito faixas escolhido para o disco de vinil, estão Táxi Lunar, em parceria com Alceu Valença e Geraldo Azevedo, e Jacarepaguá Blues, que, no ano seguinte, Zé cantaria no show de Alceu. Tem ainda Puxa Puxa, da dupla Carlos Aranha e Cleodato Porto.

A gravação ao vivo foi guardada por Zé Ramalho, vem do acervo pessoal do artista. O valor histórico é muito maior do que as limitações técnicas.

Stones, Zappa, Zé. “Sgt. Pepper” inspirou outras capas

O agora quase cinquentenário Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, tem algo além da música extraordinária contida em suas 13 faixas: a capa do disco.

Sim! A capa do Pepper!

Tantas vezes homenageada, imitada, como registro muito brevemente aqui na coluna.

Primeiro, a capa original. Cheia de detalhes. E interpretações.

Seguimos com We’re Only in It for the Money, de Frank Zappa.

E Nação Nordestina, de Zé Ramalho.

E Their Satanic Majesties Request, dos Rolling Stones.

 

Zé Ramalho passou por aqui antes da fama

Oh, eu não sei se eram os antigos que diziam

Todos conhecem. É o verso inicial de Vila do Sossego, de Zé Ramalho.

Sabem de onde vem o título da canção? Da casa onde ele morou na Avenida Ingá, no bairro de Manaíra, em João Pessoa, há mais de 40 anos. O artista chamava a casa de Vila do Sossego. Lá, recebia os amigos, compunha, tocava, cantava.

Nos aviões que vomitavam paraquedas

Esse verso traduz uma visão de Zé Ramalho: os paraquedistas saltando nas imediações do aeroclube de João Pessoa, que ficava (e ainda fica) perto da Vila do Sossego. Se comparado com o de hoje, o bairro de Manaíra daquela época era praticamente deserto.

Ontem (21), eu estive na frente da Vila do Sossego. A casa ainda existe. Bati palmas, mas ninguém atendeu.

A ida à Vila do Sossego fez parte de um périplo pela João Pessoa dos anos 1970. Coube a mim mostrar à jornalista Chris Fuscaldo (com ela estava a cineasta Ceci Alves) os lugares por onde Zé Ramalho passou antes da fama.

Chris Fuscaldo vive e atua no Rio de Janeiro, mas escolheu um paraibano para ser seu biografado. Há dez anos, trabalha no projeto de contar, num livro, a história de Zé Ramalho. O trabalho está na reta final.

Da sede do Cabo Branco, no Miramar, onde a primeira canção composta por Zé foi ouvida pelo público, ao quartel do 15 RI, em Cruz das Armas, onde ele prestou o serviço militar, percorremos muitos lugares.

O Jardim das Acácias, que originou a canção, era o lugar onde morava o artista plástico Raul Córdula. No Pio X, Zé foi aluno e, mais tarde, fez show na quadra do colégio. No ginásio do Astrea, dividiu (ele e Os Quatro Loucos dos irmãos Miranda) o palco com o jovem Roberto Carlos. Anos depois, já um nome nacional, reuniu uma multidão no show que fazia com Amelinha.

O Teatro Santa Roza recebeu o show Atlântida, em 1974. E o Vou Danado Pra Catende, de Alceu Valença (Zé estava na banda com sua viola), em 1975. E a Coletiva de Música da Paraíba, em 1976. Na coletiva, Zé cantou Avôhai pela primeira vez em público. Eu estava lá. Foi inesquecível!

No adro da igreja de São Francisco, houve o Encontro Artístico Espiritual da Paraíba, em novembro de 1974. Ao lado, ficava o colégio Lins de Vasconcelos. De lá, Zé saía pela Duque de Caxias e, na esquina com a Miguel Couto, entrava na Stop, a melhor loja de discos da cidade, dos irmãos Carlos Roberto e Roberto Carlos de Oliveira.

Do Lins de Vasconcelos, Zé saía também para o Cine Municipal. A quinta-feira era o dia das sessões do Cinema de Arte – resultado do diálogo sempre harmonioso do empresário Luciano Wanderley com os críticos da cidade.

Levei a biógrafa de Zé Ramalho no velho Municipal. No beco ao lado, encontrei Nivaldo, que trabalhou no cinema. Estava sentado numa poltrona azul que, no passado, recebeu tantos espectadores. Ele me deu uma chave, abri um cadeado numa corrente enferrujada, e me vi nas ruínas do cinema.

A sala empoeirada, as poltronas amontoadas em frente à tela onde, como Zé, vi Woodstock, ícone de uma geração. E, claro, Chaplin, Hitchcock, Fellini, Truffaut, Kazan, Kubrick! E os Beatles!

Chris Fuscaldo visitou todos esses lugares com a emoção de quem está escrevendo a biografia de Zé Ramalho. Eu, com a nostalgia de quem foi contemporâneo de histórias que o livro vai contar.

A selfie flagra o instante em que me vi abrindo a porta lateral do velho cinema. Parecia um sonho. Mas não era um sonho alegre.