Vídeos mostram beleza do “Quinteto da Paraíba Convida”. Assista

Sou um entusiasta do projeto Quinteto da Paraíba Convida.

O primeiro convidado foi Xangai, no ano passado. O segundo, Carlos Malta, dias atrás.

Os concertos de 2017 já estão todos marcados.

Numa conversa com Xisto Medeiros, depois de ver Carlos Malta e o Quinteto executando Pixinguinha, disse ao músico o que penso do projeto: é música de altíssima qualidade que pode ser mostrada em qualquer lugar do mundo.

É isso mesmo! Sem nenhum favor! E sem qualquer exagero!

Xangai é um cantor popular, totalmente intuitivo, guiado por sua bela voz e um grande talento.

Carlos Malta é um instrumentista refinado, que exibe virtuosismo na execução e maestria nos arranjos que escreve.

Manifestações distintas da música brasileira. No seu projeto, o Quinteto da Paraíba dialogou com os dois artistas e ofereceu à plateia da Sala de Concertos José Siqueira o que esses dois vídeos divulgados por Xisto Medeiros registram.

Quem viu ao vivo, sabe. Quem não viu, assista.

E tente não perder os próximos concertos!

Quinteto da Paraíba e Carlos Malta festejam Pixinguinha em JP

No ano passado, o Quinteto da Paraíba recebeu Xangai para dois concertos em João Pessoa. Foi a abertura da série Quinteto da Paraíba Convida.

O projeto prossegue hoje (13) e amanhã (14) às 21 horas, na Sala de Concertos José Siqueira, no Espaço Cultural, em João Pessoa. Dessa vez, o grupo paraibano recebe o músico Carlos Malta.

Na abertura, o quinteto executará a Suíte Sertaneja, de José Siqueira, escrita originalmente para violoncelo e piano e arranjada para o grupo por Adail Fernandes.

Vamos, então, ouvir o grande (e nem sempre lembrado) Siqueira na sala que tem o seu nome!

Depois, Carlos Malta sobe ao palco, e o concerto segue com Pixinguinha.

No programa, uma suíte chamada Pixinguinha Alma e Corpo, criada por Malta a partir de 10 músicas do mestre:

Naquele Tempo

Dininha

Lamentos

Oscarina

Proezas de Solon

Rosa

A Vida é um Buraco

1 x 0

Segura Ele

Carinhoso 

“Ficou elegante assim, com estilos variando entre choro, valsa, tango, polca”, me disse Malta.

Perguntei por Pixinguinha. E ele respondeu: “mentor espiritual”.

Carlos Malta vai tocar saxofones tenor e soprano, flauta baixo, picolo e flauta soprano.

Serão duas noites de grande música ao vivo.

Sem Zé Ramalho, Grande Encontro não é mais o mesmo

Dois quartetos notáveis formados por artistas nordestinos para shows à base de vozes e violões:

Na década de 1980, Cantoria.

Na de 1990, O Grande Encontro.

No primeiro, Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai.

No segundo, Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho.

O ano de 2016 marcou o retorno dos dois projetos. Cantoria voltou com seus quatro integrantes. Mas, com a ausência de Zé Ramalho, O Grande Encontro mantém o formato de trio já adotado nos anos 1990, no período em que Alceu Valença deixou o grupo.

Neste sábado (26), o público pessoense vê O Grande Encontro na Domus Hall.

grande-encontro-2016

Confiram o set list do show:

1. Anunciação – Alceu, Elba e Geraldo
2. Caravana – Alceu, Elba e Geraldo
3. Me dá um beijo – Alceu, Elba e Geraldo
4. Sabiá – Alceu, Elba e Geraldo
5. Papagaio do futuro – Alceu e Geraldo
6. Moça bonita – Alceu e Geraldo
7. Sétimo céu – Geraldo
8. Parceiro das delícias – Geraldo
9. Dia branco – Geraldo
10. Só depois de muito amor – Geraldo
11. Bicho de sete cabeças II – Elba e Geraldo
12. Canta coração – Elba e Geraldo
13. Sangrando – Elba
14. Chão de giz – Elba
15. Na base da chinela – Elba
16. Qui nem jiló – Elba
17. Eu só quero um xodó – Elba
18. Candeeiro encantado – Elba
19. Ciranda da rosa vermelha – Alceu e Elba
20. Flor de tangerina – Alceu e Elba
21. Cabelo no pente – Alceu
22. La belle de jour – Alceu
23. Girassol – Alceu
24. Coração bobo – Alceu
25. Morena tropicana – Alceu
26. Ciranda da traição – Alceu, Elba e Geraldo
27. Táxi lunar – Alceu, Elba e Geraldo
28. Pelas ruas que andei – Alceu, Elba e Geraldo
29. Banho de cheiro – Alceu, Elba e Geraldo
30. Frevo mulher – Alceu, Elba e Geraldo

Quinteto da Paraíba convida Xangai para concerto memorável

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Quinta e sexta-feira (13 e 14), o Quinteto da Paraíba deu início a um novo projeto. Nele, o grupo sobe ao palco trazendo sempre um artista convidado. O primeiro foi Xangai.

Tinha tudo a ver. No final dos anos 1990, o quinteto e o cantor baiano gravaram juntos um disco antológico (Um Abraço Pra Ti, Pequenina). Parte do repertório foi reapresentada no concerto de dois dias atrás.

Ave de Prata, de Zé Ramalho, teve uma grande performance vocal de Xangai. Mas lá estavam também momentos marcantes de Antônio Barros, Geraldo Vandré e Herbert Vianna.

E – claro! – de Jackson do Pandeiro. Como Alceu Valença e Gilberto Gil, Xangai tem em Jackson uma de suas influências. No jeito de cantar, no modo de fazer a divisão rítmica.

Conheci Xangai no Projeto Pixinguinha de 1979. Faz tempo! Tenho muita admiração pelo trabalho dele.

Sempre correu por fora, longe do mainstream. É opção. Fica como interessantíssima reserva de qualidade e independência.

Canta muito. Belo timbre vocal com notáveis falsetes. Recursos preservados a despeito da passagem do tempo, como vimos sexta-feira no palco da Sala de Concertos Maestro José Siqueira, do Espaço Cultural.

O quinteto abriu com números instrumentais. Em seguida, dividiu o palco com Xangai. Mais na frente, o convidado ficou só ao violão. E, por fim, grupo e cantor se encontraram para o grande final.

Belíssimo concerto! Muito oportuno para abrir esse projeto Quinteto da Paraíba Convida. Em janeiro tem mais. Carlos Malta, me disse Xisto Medeiros.

Todos de parabéns!

Trilha sonora está entre as qualidades de “Velho Chico”

Há quanto tempo não ouvíamos Elomar numa novela da Rede Globo?

Lembro da voz dele em “Gabriela”, aquela dos anos 1970 estrelada por Sônia Braga.

Pois é! E Geraldo Vandré?

Nem lembro dele em nenhuma novela!

Mérito de “Velho Chico”. Colocar no horário nobre da televisão brasileira vozes como as de Elomar, Geraldo Vandré e Xangai.

Mas não somente eles.

Alceu Valença, Caetano Veloso, Chico César, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Legião Urbana, Maria Bethânia, Raul Seixas. E outros mais. Suas vozes, suas canções, compondo a trilha sonora de uma telenovela.

Muito já se falou das qualidades de “Velho Chico”. Acrescente-se mais esta.

Uma telenovela onde ouvimos a Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo, e o Réquiem Para Matraga, de Geraldo Vandré. Incelença pro Amor Retirante, de Elomar, e Triste Bahia, de Caetano Veloso. Ou, ainda, Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas.

Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval, eu inauguro o monumento no Planalto Central do país.

Que luxo! Uma novela na qual, todas as noites, esses versos de Caetano Veloso eram ouvidos logo na abertura.

Para ilustrar o texto, escolho uma das belezas da trilha. Barcarola do São Francisco, um dos três “movimentos” da Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo.

A trilha de “Velho Chico” está registrada em três CDs, um deles dedicado aos temas instrumentais.

Xangai, que está em “Velho Chico”, lança CD de voz e violão

Elomar não gosta de televisão. Como Xangai está sempre muito associado a Elomar, é fácil imaginar que ele também não gosta.

Surpresa! Xangai aparece em “Velho Chico”. Faz uma ponta como ator. E sua bela voz é ouvida na trilha da novela das nove.

Numa noite dessas, uma sequência de “Velho Chico” foi toda ilustrada por uma música de Elomar na voz de Xangai.

Pois bem, enquanto ouvimos sua voz na novela da Globo, temos o lançamento do seu novo disco. Chama-se apenas “Xangai”, tem a chancela do selo Kuarup e foi gravado à base de voz & violão. No encarte, ele conta os detalhes.

Conheci Xangai no Projeto Pixinguinha de 1979. Ficamos amigos. Produzi seu primeiro show em João Pessoa (1980) e acompanho com admiração sua carreira. Respeito muito suas escolhas, mesmo quando discordo delas.

Xangai é um daqueles artistas que correm por fora. E o faz como opção, por convicção de que deve ser assim. É uma necessária reserva de qualidade e independência.

Os que gostam ficam felizes quando ouvem a voz de Xangai na novela das nove porque, no fundo, torcem para que sua música chegue a um público mais numeroso. Ou porque é importante tê-lo onde parece improvável que isto aconteça.

Mas a praia de Xangai será sempre outra.

O CD traz o Xangai que ouvimos há quase 40 anos. Voz bela e expressiva, adornada por falsetes e por um modo de fazer a divisão que vem de Jackson do Pandeiro e passa por Gilberto Gil.

É a primeira vez que ele faz um disco só com voz e violão. Teve receio porque sabe das suas limitações com o instrumento, mas ficou muito bom.

Tem o Ataulfo Alves de “Meus Tempos de Criança” e o Zé Dantas de “Forró em Caruaru”. O Renato Teixeira de “Pequenina” e o Geraldo Azevedo de “Espiral do Tempo”. Jessier Quirino aparece em “Bolero de Isabel” enquanto Ivanildo Vila Nova é seu parceiro em “Ino no Cangaço”.

Revisitadas, “Estampas Eucalol” e “Água” me trazem a lembrança do Xangai de 35 anos atrás.

Um abraço saudoso pra ti, Eugênio Avelino!

O Grande Encontro está de volta, mas sem Zé Ramalho

O Grande Encontro está de volta. Mas incompleto. Um trio, não um quarteto. Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. Muito bom, claro! Mas Zé Ramalho fará falta!

Os quatro se juntaram em 1996. Shows pelo país e um disco ao vivo. Uma versão mais pop da Cantoria que, na década anterior, reunira Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai.

No Grande Encontro 2 (um disco de estúdio), Alceu estava de fora. Também no Grande Encontro 3 (disco e DVD ao vivo).

Na versão 2016 do Grande Encontro, a formação de trio se repete. Sai Zé. Entra Alceu. Uma pena. Bom mesmo era o quarteto!

Para Alceu, Jackson do Pandeiro era uma verdadeira escola de canto

“Na minha opinião, existem duas escolas de canto no Brasil: a de João Gilberto e a de Jackson do Pandeiro”.

A frase é atribuída ao pernambucano Alceu Valença. Lembro dela porque, neste domingo (10), faz 34 anos da morte de Jackson.

Jackson do Pandeiro, o paraibano de Alagoa Grande, e sua originalíssima maneira de fazer a divisão rítmica. Há influência dele no canto de grandes artistas populares do Brasil, como Gilberto Gil, Alceu Valença, João Bosco, Lenine e Xangai.

Jackson, agora mais fácil de ser ouvido, graças à caixa O Rei do Ritmo, com 15 CDs, que acaba de chegar às lojas físicas e virtuais.

Salve Jackson!

Box com 15 CDs faz justiça à arte de Jackson do Pandeiro

Em crise, a indústria fonográfica há muito investe nos seus acervos para atingir o público que ainda tem o hábito de comprar CD. Nessa aposta, lança caixas que parecem inacreditáveis num tempo de poucas vendas. A mais recente é “Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo”.

O box da Universal Music foi recebido como um dos grandes lançamentos do ano. E é. São 15 discos que reúnem, não a íntegra, mas boa parte das gravações feitas por esse paraibano de Alagoa Grande entre a década de 1950 e o início da de 1980.

Não é à toa que Jackson ficou conhecido como o rei do ritmo. Ele de fato se notabilizou por uma muito peculiar divisão rítmica que marcava o seu jeito de cantar e tocar o instrumento que incorporou ao seu nome artístico.

Foi grande cantando forró e também muita música de carnaval (frevos e sambas). E exerceu notável influência sobre artistas como Gilberto Gil, Alceu Valença, João Bosco, Lenine e Xangai. Era urbano, enquanto Luiz Gonzaga era rural.

Os dois – Gonzaga e Jackson – se completam para orgulho da nação nordestina.

Questões autorais impediram que os discos fossem relançados em seus formatos originais. Apenas dois estão no box da Universal. Os demais (13 CDs) estão distribuídos em seis coletâneas duplas e uma simples. Os registros da fase Philips estavam bem preservados e permitiram uma remasterização muito boa.

O nome do produtor e pesquisador musical Rodrigo Faour não pode ser esquecido. Sem ele, não haveria a preciosa caixa de Jackson do Pandeiro.

“Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo” é um lançamento cinco estrelas!

Trilha sonora de “Velho Chico” é tão diferente como a novela

O volume 1 da trilha da novela “Velho Chico” está disponível em sua versão física. Chama atenção pela qualidade do repertório escolhido. Não poderia ser diferente numa novela em que a música tem importância capital.

Do mesmo modo que “Velho Chico” tem ousadias estéticas, sua trilha se diferencia das de outras novelas. Traz até Elomar, o grande compositor baiano, que é totalmente avesso a televisão.

Gravações antigas se misturam com outras registradas especialmente para a trilha. Tema de abertura, “Tropicália”, de Caetano Veloso, foi recriada com um vigoroso arranjo de cordas.

Um dos momentos mais tocantes é a “Suíte Correnteza”, na versão do disco ao vivo “Cantoria”, de Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. É nessa suíte que está o belo tema “Barcarola do São Francisco”, de Geraldo Azevedo.

Vital Farias aparece, como autor, em “Veja Margarida”, cantada por Marcelo Janeci. E Chico César, como intérprete, na “Serenata”, de Schubert. As duas faixas foram gravadas para a trilha.

Surpreendente: Geraldo Vandré está na novela com seu “Réquiem para Matraga”, mas esta não aparece no disco. Deve ter ficado para o segundo volume.