Foi Astrid que fotografou e criou visual dos Beatles quando jovens

A primeira fotógrafa dos Beatles, a alemã Astrid Kirchherr, morreu aos 81 anos.

A morte ocorreu na quarta-feira (13) e foi anunciada nesta sexta-feira (15).

Mark Lewisohn, que trabalha com a memória do grupo, disse que Astrid era “inteligente, inspiradora, inovadora, desafiadora, artística, linda, inteligente, adorável e pra cima”.

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Astrid Kirchherr conheceu os Beatles antes da fama, quando eles fizeram uma temporada em Hamburgo. Foi ela que moldou o visual dos rapazes (cabelo, figurino) e fez as primeiras fotografias profissionais deles.

Na época, os Beatles eram um quinteto formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Pete Best e Stu Sutcliffe.

Stu e Astrid começaram a namorar, e ele largou a banda. Ficou na Alemanha e morreu pouco tempo depois, vítima de uma doença neurológica.

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Anos atrás, quando vi Living in the Material World, o documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison, achei muito tocante a presença de Astrid no filme.

Comentei assim:

Há muitas histórias neste longo filme. Uma delas, a dos Beatles. O documentário Anthology não a esgotou. Scorsese usa Harrison para contá-la através da sua sensibilidade. E consegue mostrar o que ainda não havíamos visto. A exemplo da sequência em que Astrid diz que fotografou John Lennon e George Harrison no lugar em que Stu trabalhava. Stu, morto prematuramente, fora integrante da primeira formação dos Beatles e namorado de Astrid. Duas ou três fotos desconhecidas ilustram a fala. John está devastado. George segura a barra dele. A alemã, que vimos bela e jovem, é uma senhora de 70 anos cujo envelhecimento não acompanhamos. Scorsese nos reencontra com ela.

Fecho com os Beatles quando jovens fotografados por Astrid Kirchherr:

50 anos depois, os Beatles disco a disco (12): The Beatles

Nesta sexta-feira (10 de abril), fez 50 anos do fim dos Beatles.

Em tempo de isolamento domiciliar, estou reouvindo disco a disco e faço algumas observações.

THE BEATLES (THE WHITE ALBUM), 1968

Uma faixa muito lembrada: While My Guitar Gently Weeps.

Uma faixa pouco lembrada: Honey Pie.

Lançado em novembro de 1968.

O maestro e produtor George Martin, o quinto beatle, considerava o álbum excessivo.

Dois discos! 30 faixas! Era muito! – dizia Martin.

Paul McCartney nunca gostou dessa conversa.

É o Álbum Branco dos Beatles! Ponto final! – respondia Paul.

Fico com Paul.

O White Album é o oposto do Sgt. Pepper, o disco que os Beatles fizeram um ano antes.

O Pepper tem unidade, a despeito da diversidade que há nas canções. É uma suíte pop com começo, meio e fim para ser ouvida integralmente. Traz uma sonoridade inovadora para o universo do pop/rock.

O Álbum Branco não tem essa unidade. É desigual. Uma extensa coleção de canções díspares.

Há excesso de elementos na capa do Pepper.

A do Álbum Branco é toda branca.

O título do Pepper é quilométrico: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

O Álbum Branco nem título tem. Apenas o nome da banda: The Beatles.

Muitos dizem que o disco flagra o inicio dos estertores dos Beatles.

O próprio Lennon disse, certa vez, que era “John e a banda, Paul e a banda, George e a banda, Ringo e a banda”.

Ele devia estar com a razão. Mas, paradoxalmente, isso não faz com que o álbum seja menos Beatles. Eles estão no auge da criatividade e oferecem um repertório irresistível que vai da ingenuidade de Ob-la-di Ob-la-da, de Paul, à radical experiência de John (e Yoko) com música concreta em Revolution #9.

São extremos.

Entre eles, tudo é possível.

Helter Skelter, de Paul, antecipa o metal.

Julia, de John, é apenas uma terna canção de amor filial.

Em While My Guitar Gently Weeps, George leva Eric Clapton, um deus da guitarra, para tocar com os Beatles.

Em Blackbird, Paul canta pelos direitos civis.

Em Yer Blues, John cita Dylan.

Em Honey Pie, Paul faz a música do tempo em que seu pai atuava como músico amador.

Em Revolution, John responde aos manifestantes divididos entre a violência e a não violência.

Há um rock que mistura Berry com os Beach Boys para dialogar com os soviéticos.

Há um “parabéns pra você” criado coletivamente após uma alegre sessão de cinema.

Há um “boa noite, durma bem”.

Há um convite ao sexo: “por que não fazemos aqui mesmo na estrada?”.

Há crítica social com porquinhos inspirada em Orwell.

Há até uma canção de amor dedicada a uma sheepdog de nome Martha.

Há tantas outras coisas.

Algumas, há meio século, provocavam uma certa estranheza. Hoje, não mais. Ou será que sim?

O ano de 1968 foi marcante.

Os Beatles do Álbum Branco são os Beatles de 1968.

50 anos depois, os Beatles disco a disco (07): Let It Be

Nesta sexta-feira (10 de abril), fará 50 anos do fim dos Beatles.

Em tempo de isolamento domiciliar, estou reouvindo disco a disco e faço algumas observações.

LET IT BE, 1970

Uma faixa muito lembrada: Get Back.

Uma faixa pouco lembrada: For You Blue.

Penúltimo disco gravado pelos Beatles, mas o último a ser lançado, chegou às lojas em maio de 1970.

Inicialmente, seria chamado de Get Back. Acabou se transformando em Let It Be.

George Martin gravou, mas não assinou a produção. Ficou para Phil Spector.

Paul McCartney não gostou.

É disco controvertido.

É retrato expressivo do fim dos Beatles.

Tem grandes canções.

50 anos depois, os Beatles disco a disco (06): Magical Mystery Tour

Nesta sexta-feira (10 de abril), fará 50 anos do fim dos Beatles.

Em tempo de isolamento domiciliar, estou reouvindo disco a disco e faço algumas observações.

MAGICAL MYSTERY TOUR, 1967

Uma faixa muito lembrada: Strawberry Fields Forever.

Uma faixa pouco lembrada: Blue Jay Way.

No Reino Unido, um EP duplo (seis faixas) lançado em dezembro de 1967 com as músicas ouvidas no filme homônimo produzido para a televisão.

Nos Estados Unidos, um LP lançado em novembro de 1967.

O LP, mais tarde incorporado à discografia oficial da banda, uniu o conteúdo do EP duplo a singles do ano de 1967.

Magical Mystery Tour mostra os Beatles no auge da “viagem” do Sgt. Pepper.

Tem canções memoráveis:

The Fool on the Hill, I Am the Walrus, Hello Goodbye, Penny Lane, All You Need Is Love.

50 anos depois, os Beatles disco a disco (05): Help!

Daqui a dois dias (10 de abril), fará 50 anos do fim dos Beatles.

Em tempo de isolamento domiciliar, estou reouvindo disco a disco e faço algumas observações.

HELP!, 1965

Uma faixa muito lembrada: Help!.

Uma faixa pouco lembrada: Tell Me What You See.

Lançado em agosto de 1965, é o quinto álbum dos Beatles.

Contém as músicas ouvidas no filme Help!, o segundo do quarteto.

Composta por Paul McCartney, Yesterday, que está no Lado B do disco e não toca no filme, se transformou na canção mais regravada de todos os tempos.

Nesse álbum, os Beatles gravam covers pela última vez.

Em seguida, se dedicariam totalmente ao repertório autoral.

50 anos depois, os Beatles disco a disco (04): With The Beatles

Daqui a dois dias (10 de abril), fará 50 anos do fim dos Beatles.

Em tempo de isolamento domiciliar, estou reouvindo disco a disco e faço algumas observações.

WITH THE BEATLES, 1963

Uma faixa muito lembrada: All My Loving.

Uma faixa pouco lembrada: All I’ve Got To Do.

Segundo álbum dos Beatles, lançado em novembro de 1963, oito meses após o disco de estreia.

Traz, pela primeira vez, uma canção de George Harrison gravada pelo grupo (Don’t Bother Me).

Canções de Lennon e McCartney e covers compõem o repertório.

Três meses depois do lançamento desse disco, os Beatles conquistariam a América.

E o mundo.

50 anos depois, os Beatles disco a disco (03): Please Please Me

Daqui a alguns dias (10 de abril), fará 50 anos do fim dos Beatles.

Em tempo de isolamento domiciliar, estou reouvindo disco a disco e faço algumas observações.

PLEASE PLEASE ME, 1963

Uma faixa muito lembrada: I Saw Her Standing There.

Uma faixa pouco lembrada: Chains.

Primeiro álbum dos Beatles, lançado em março de 1963.

A gravação, produzida por George Martin, foi feita em cerca de dez horas.

Há canções assinadas por Lennon e McCartney e covers que os Beatles faziam nos seus shows.

Esse disco de estreia traz o quarteto ainda em estado bruto.

No Brasil, o álbum só foi lançado com capa e repertório originais em meados da década de 1970.

50 anos depois, os Beatles disco a disco (02): Beatles for Sale

Daqui a alguns dias (10 de abril), fará 50 anos do fim dos Beatles.

Em tempo de isolamento domiciliar, estou reouvindo disco a disco e faço algumas observações.

BEATLES FOR SALE, 1964

Uma faixa muito lembrada: Eight Days a Week.

Uma faixa pouco lembrada: Baby’s in Black.

Lançado em dezembro de 1964.

É o quarto álbum dos Beatles. Muita gente diz que foi gravado de olho no mercado americano.

O repertório mistura novas canções de Lennon e McCartney com covers de músicas que o grupo tocava ao vivo.

No Brasil, foi lançado com o título de Beatles 65.

Tinha capa diferente da original e duas faixas a menos.

50 anos depois, os Beatles disco a disco (01): Yellow Submarine

Daqui a alguns dias (10 de abril), fará 50 anos do fim dos Beatles.

Em tempo de isolamento domiciliar, estou reouvindo disco a disco e faço algumas observações.

YELLOW SUBMARINE, 1969

Lançado em fevereiro de 1969, contém a trilha sonora do desenho animado Yellow Submarine.

O lado A tem seis canções dos Beatles, quatro são inéditas.

O lado B reúne temas instrumentais que George Martin fez para a animação.

Lennon, McCartney e Harrison dividiram as canções inéditas.

John fez uma, Paul também fez uma, George assinou duas.

Se eu tivesse que descartar um disco dos Beatles, seria este.

Mas poria no lugar a compilação Yellow Submarine Songtrack, de 1999, que tem todas as canções do grupo usadas no filme.

LP menos importante dos Beatles, Yellow Submarine faz 50 anos

Neste domingo (13), faz 50 anos que os Beatles lançaram o LP com a trilha da animação Yellow Submarine, da qual eram personagens.

O lançamento ocorreu menos de dois meses depois que o Álbum Branco chegou às lojas e coincidiu com o momento em que o grupo estava sendo filmado para o que viria a ser o documentário Let It Be.

O disco só tem canções dos Beatles no lado A.

Das seis faixas, quatro eram inéditas: Only a Northern Song, It’s All Too Much, All Together Now e Hey Bulldog.

Yellow Submarine já aparecia no LP Revolver, de 1966, e All You Need Is Love, num single de 1967.

O lado B contém a trilha instrumental que George Martin escreveu para o filme.

Pepperland é a mais bela dessas faixas compostas por Martin.

Yellow Submarine é o disco menos importante dos Beatles.

Seu maior pecado é não conter todas as canções do quarteto que estão no desenho animado.

Em 1999, já na era do CD, a compilação Yellow Submarine Songtrack resolveu o problema, ao reunir 15 músicas dos Beatles que estão no filme. Todas devidamente remasterizadas.

Mas, dessa vez, os temas instrumentais de George Martin ficaram de fora.

O colecionador precisa dos dois.