Brian Jones morreu há 50 anos

Nesta quarta-feira (03), faz 50 anos que Brian Jones morreu.

Ele foi encontrado morto na piscina da casa onde morava, em Sussex.

O guitarrista tinha 27 anos e acabara de ser desligado dos Rolling Stones.

*****

Brian Jones era da formação original dos Rolling Stones.

Tocava muitos outros instrumentos, além da guitarra. Nos Beatles, o sax que se ouve em You Know My Name é dele.

Ao longo da década de 1960, sempre que os Stones se distanciavam do rock, havia o dedo de Brian, que não assinava as canções. Essas, desde cedo, eram da dupla Jagger/Richards.

Brian Jones foi para os Rolling Stones o que George Harrison foi para os Beatles? É provável que sim.

Só que George nunca lutou pela liderança.

Brian foi destruído pelos excessos. As imagens feitas por Godard em One plus One mostram claramente. Também as do Rock and Roll Circus, registradas sete meses antes da morte de Brian.

Brian Jones foi o primeiro dessa estranha lista de astros da música mortos aos 27.

Depois dele, vieram Jimi e Janis e Jim e Kurt e Amy.

O mundo quer saber qual é a doença que Mick Jagger tem

Mick Jagger está doente.

No sábado (30), os Rolling Stones anunciaram o adiamento da turnê que fariam, a partir de abril, pelos Estados Unidos e Canadá.

Na agenda da banda, estava uma apresentação no festival de jazz de New Orleans.

O frontman dos Rolling Stones tem 75 anos, completados em julho de 2018.

Mick Jagger usou as redes sociais para fazer o anúncio ao público e dizer o quanto lamenta pelo adiamento da turnê.

Os Rolling Stones são uma empresa que funciona muitíssimo bem.

Jagger não é só um excepcional artista de palco e um dos grandes nomes do rock.

Ele estudou economia numa tradicional escola da Inglaterra e levou os seus conhecimentos para a gestão empresarial do grupo.

Os Rolling Stones não caem na estrada sem que os seus integrantes se submetam a exames médicos. Sobretudo agora que são homens velhos.

Foi assim que se detectou em Ronnie Wood um câncer de pulmão em estágio inicial. Foi assim que o problema de saúde de Mick Jagger foi descoberto.

Naturalmente, o mundo quer saber qual é a doença que ele tem, mas isso ainda não foi revelado.

O que se sabe, por enquanto, é que o músico já iniciou o tratamento nos Estados Unidos e que deve retomar suas atividades em poucos meses.

*****

Se tomarmos como referência o primeiro single da banda (Come On/I Want To Be Loved, 1963), os Rolling Stones estão na estrada há 56 anos.

Já foram um quinteto, mas desde os anos 1990 são um quarteto.

Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts vêm da formação original, do início da década de 1960. Ronnie Wood, o caçula, entrou para o grupo em meados dos anos 1970.

Se pensarmos em discografia, a fase áurea da carreira deles foi entre o final dos anos 1960 e o começo dos 1970.

Mas, no palco, à medida que o tempo passou, se tornaram cada vez melhores.

Vê-los ao vivo é uma extraordinária experiência sonora e visual.

O futuro dos Rolling Stones depende da saúde do seu frontman.

Sem Mick Jagger, não há Rolling Stones.

Cineasta que filmou Beatles e Stones é filho de Orson Welles

Michael Lindsay-Hogg.

Pouca gente sabe quem é ele.

Menos ainda que é filho de Orson Welles com uma atriz com quem o diretor de Cidadão Kane teve um relacionamento.

O cineasta Michael Lindsay-Hogg não tem uma obra relevante, mas colocou seu nome junto de gente muito importante do mundo da música popular.

Beatles e Rolling Stones. Simplesmente.

Lindsay-Hogg dirigiu Let It Be, documentário que registrou o fim dos Beatles.

As filmagens, em janeiro de 1969, incluíram o último show que o grupo realizou.

Um pouco antes, em dezembro de 1968, Michael Lindsay-Hogg dirigiu Rock and Roll Circus, uma maratona de shows comandada pelos Rolling Stones.

A filmagem não agradou à banda e ficou inédita até 1996.

Tem indiscutível valor histórico por reunir, além dos Stones, John Lennon, Eric Clapton e The Who.

Mais tarde, em 1981, já na era do VHS, vamos encontrá-lo dirigindo The Concert in Central Park, que documentou o reencontro da dupla Simon & Garfunkel num fabuloso show em Nova York.

Michael Lindsay-Hogg, quando fez televisão, foi pioneiro do promo, espécie de “pai” do videoclipe.

O cineasta dirigiu os Beatles e os Rolling Stones em vídeos promocionais tais como os de Revolution (Beatles) e Jumping Jack Flash (Stones).

Quem vê esses dois vídeos reconhece a assinatura do diretor.

Se não bastasse, o cara, hoje com 78 anos, ainda é filho de Orson Welles!

Desafio dos 50 (e não dos 10) anos. O tempo não espera por ninguém

Agora tem o desafio dos 10 anos.

Como eu era em 2009. Como eu sou em 2019.

Brinco com o desafio e mudo o intervalo de 10 para 50 anos.

E o personagem não sou eu, mas um músico que admiro.

À esquerda, em 1969, esse belo rapaz de 20 anos com sua guitarra.

À direita, em 2019, o outrora belo rapaz, ainda com sua guitarra, aos 70, completados nesta quinta (17).

Mick Taylor – claro! – é o nome dele.

Foi um dos Rolling Stones entre 1969 e 1974 (até ser substituído por Ronnie Wood).

Ficou no lugar de Brian Jones.

Homem do blues. Tocava (ainda toca) muito!

Botou o som do seu instrumento nos melhores discos da banda.

Sticky Fingers, Exile on Main Street (querem mais?).

Dizem que entrou limpo. Saiu devastado pelos excessos.

O tempo não espera por ninguém.

O tempo não esperou por Mick Taylor.

Keith Richards faz 75 anos. Incrível!

Keith Richards faz 75 anos nesta terça-feira (18).

Dias atrás, o guitarrista dos Rolling Stones surpreendeu o mundo: anunciou que abandonara o álcool.

Está tocando sóbrio.

Bobagem.

Ele jamais deveria abandonar as drogas (lícitas ou ilícitas) nem o rock’n’ roll.

Viveu na transgressão. Permaneceria nela até a morte.

Keith Richards dividiu com Mick Jagger a autoria de muitos dos maiores números do rock.

À guitarra, criou riffs absolutamente antológicos.

No palco, quando cumprimenta o público, põe as mãos na cabeça, no peito e no órgão sexual.

Parece dizer que, com o cérebro, o coração e o sexo, está tudo em cima.

Devoto dos blues, ouvinte de Brahms, é rude, debochado, cínico e adorável.

Ele é o próprio rock’n’ roll. Selvagem, animal, profano.

Jagger e Richards são opostos. Os dois se completam.

Vê-los ao vivo, de perto, é uma das grandes experiências do mundo da música popular.

Que bom que Keith Richards tenha chegado aos 75 anos.

Os excessos nunca negados sugeriam que ele não iria tão longe.

Mick Jagger faz 75 anos. O tempo não espera por ninguém

No começo, 55 anos atrás, eram quatro músicos (duas guitarras, um baixo e uma bateria) acompanhando um rapaz magrinho que tinha um gestual incomum, mas ainda muito contido.

Faziam covers da música negra americana, logo substituídos por repertório autoral, e o cantor, que estava caligrafando sua assinatura, trocou qualquer traço de contenção por uma liberdade única, uma grande ousadia e um absoluto domínio do palco.

Estou falando, naturalmente, dos Rolling Stones e de Mick Jagger, que nesta quinta-feira (26) faz 75 anos.

Na década de 1960, os Beatles e os Rolling Stones eram pólos opostos de uma mesma cena.

Mas, ao contrário dos Beatles, os Rolling Stones puderam envelhecer juntos e ativos.

Brian Jones morreu. Mick Taylor passou pouco tempo. Bill Wyman deixou a banda. Ficaram Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Wood.

No estúdio, não fazem mais os grandes discos autorais do passado. No palco, são imbatíveis. Tão velhos quanto vigorosos. Sabem tudo do negócio multimilionário que comandam.

O show dos Rolling Stones é um ritual profano e politicamente incorreto que ainda exala muito do velho trinômio “sexo, drogas e rock and roll”.

E Mick Jagger é um extraordinário artista do seu tempo. Um branco fazendo (muito bem) música de preto.

Sua melhor música – rock, blues, soul, country, pop vulgar – está no passado.

Sua performance atravessou as décadas. Está no presente.

O jovem Sinatra flutuava no palco. Elvis requebrava com as câmeras a enquadrá-lo da cintura para cima. Jagger rebola, mexendo livremente os braços, correndo de um lado para o outro. Masculino e feminino. Singularíssimo.

A passagem do tempo?

Jagger abordou assim:

Éramos jovens, belos e tolos. Agora, somos só tolos.

Poderia ter completado:

Tolos, velhos e ricos!

O tempo não espera por ninguém, mas tem estado ao lado de Mick Jagger.

Dirty Work é o pior disco dos Rolling Stones. Sticky Fingers, o melhor

Enquanto os Rolling Stones estão em turnê pela Inglaterra, o The Guardian publica um ranking dos 23 álbuns do grupo, da estreia em 1964 até o disco de covers de blues lançado em 2016.

A matéria assinada por Alexis Petridis deixou de fora os discos ao vivo.

O pior disco dos Rolling Stones é Dirty Work, de 1986.

A lista, dos piores para os melhores, segue assim:

Bridges to Babylon, 1997

Voodoo Lounge, 1994

A Bigger Bang, 2005

Steel Wheels, 1989

Undercover, 1983

Os seis últimos trabalhos autorais realizados pelo grupo (de 1983 a 2005) são os piores da sua trajetória.

Ou: enquanto brilham no palco, os Stones estão esgotados no estúdio.

A lista prossegue:

Black and Blue, 1976

Their Satanic Majesties Request, 1967

It’s Only Rock’n’roll, 1974

Between the Buttons, 1967

Tattoo You, 1981

Emotional Rescue, 1980

Rolling Stones 2, 1965

Agora, os dez melhores:

10) Blue and Lonesome, 2016

9) Out of Our Heads, 1965

8) Goats Head Soup, 1973

7) The Rolling Stones, 1964

6) Some Girls, 1978

5) Aftermath, 1966

4) Let It Bleed, 1969

3) Beggars Banquet, 1968

2) Exile on Main Street, 1972

1) Sticky Fingers, 1971

Blue and Lonesome, de 2016, entrou na lista dos dez melhores. Mas não é autoral. É disco de covers.

Os quatro primeiros colocados sempre são esses. A escolha confirma que os Rolling Stones fizeram seus melhores discos entre 1968 e 1972.

Já faz tempo!

As (minhas) 10 maiores bandas do rock são essas. E as suas?

Alguns leitores me sugerem temas.

Um garoto pediu a lista das 10 maiores bandas do rock.

Eu respondi que não seriam do tempo dele.

Ele disse que não tinha problema.

OK. Essas escolhas são pessoais e subjetivas.

E essas listas mudam.

No meio, resgatei um texto sobre bandas. Tem grupos que não estão aqui. E não tem alguns que estão.

Para hoje, a minha lista é essa.

(A primeira e a segunda – essas sim! – são imutáveis)

THE BEATLES

THE ROLLING STONES

LED ZEPPELIN

PINK FLOYD

THE WHO

Grupos? Bandas? No passado, o público brasileiro chamava de conjuntos. Eram pequenas formações (três, quatro ou cinco elementos) comandadas por guitarras elétricas. Mais contrabaixo e bateria. No máximo, um teclado. Ou um saxofone.

Bill Haley and His Comets, Buddy Holly and The Crickets, Gene Vincent and His Blue Caps. Nos anos 1950, no advento do rock’n’ roll, os nomes indicavam que os músicos eram meros acompanhantes das estrelas.

Na década seguinte, vieram os grandes grupos, nos quais importava mais o conjunto do que os seus integrantes, embora, mais tarde, estes também tenham se projetado individualmente. Dentro ou fora das bandas a que pertenciam.

A fluidez melódica: Beatles. A presença do blues: Rolling Stones. O psicodelismo que desaguou no progressivo: Pink Floyd. O rock pesado: Led Zeppelin. A criação da ópera-rock: The Who. O conceito de power trio: Cream.

Seis grupos essenciais, seis fundamentos para quem quer se debruçar sobre a história e o papel desempenhado pelas bandas de rock. Está tudo nelas, dos rudimentos às maiores ousadias. E são todas inglesas.

Na América, os Byrds fundiram Beatles e Bob Dylan. O folk deste com as guitarras daqueles. Os Doors tinham no comando um cara que queria ser poeta: Jim Morrison. Sua personalidade, de tão forte, se sobrepôs ao sentido de grupo.

A década de 1960 resume tudo. Mas seguimos com Queen, Clash, Police, U2, Nirvana. Bandas que foram mudando o rock. A música, a atitude, o show, o negócio. Elas resistiram ao tempo, chegaram ao século XXI.

CREAM

THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE

YES

TRAFFIC

QUEEN

Se fosse dar um toque de contemporaneidade à lista, acrescentaria mais uma banda:

U2

Os Rolling Stones na América Latina em ótimo documentário

Vi Olé, Olé, Olé! – A Trip Across Latin America, registro da turnê que os Rolling Stones fizeram pela América Latina em 2016, e quero falar um pouco sobre o documentário e também sobre a relação da banda com o cinema documental.

Os Rolling Stones têm várias experiências com o gênero.

A mais importante é Gimme Shelter. Não é um filme sobre o rock que o grupo produz. É um registro de valor histórico e sociológico sobre a violência no free concert de Altamont, em 1969. Os méritos são dos realizadores, os irmãos Maysles, mestres do cinema direto.

Let’s Spend the Night Together é um concert film. Mostra a íntegra de um show da turnê americana de 1981. É o inverso de Gimme Shelter: só tem música. O diretor, Hal Ashby, havia se consolidado com os filmes que realizou na década de 1970.

Shine a Light traz os Rolling Stones no palco de um teatro, flagrados pelo olhar mais intimista e menos grandioso do diretor Martin Scorsese. Há entrevistas entre os números, embora o principal seja o concerto filmado como cinema.

A turnê pela América Latina no início de 2016 rendeu dois filmes: Havana Moon e Olé, Olé, Olé! – A Trip Across Latin America, ambos dirigidos por Paul Dugdale.

Havana Moon é sobre a ida dos Stones a Cuba, o primeiro concerto deles na ilha. Tem uma introdução que contextualiza tudo, mas o resto é o show ao ar livre. Sem o anticomunismo ostensivo de Buena Vista Social Club, Havana Moon mistura sutilmente rock e política.

Olé, Olé, Olé! não é um concert film. Tem poucos números musicais completos. Acompanha cronologicamente a excursão, e, entre um país e outro, volta sempre a Cuba com os preparativos do show e as dificuldades para a sua realização.

O documentário começa pelo Chile. O grupo toca no Estádio Nacional. O mesmo onde tanta gente foi morta pelos militares que derrubaram o presidente Salvador Allende em 1973.

Mick Jagger fala das ditaduras dos anos 1970 e das restrições impostas ao rock por governos autoritários.

Na Argentina, os Rolling Stones encontram um público tão apaixonado e eufórico quanto o que vai aos jogos de futebol.

A conversa de Jagger com dois velhos fãs é um momento tocante do filme.

No Brasil, Jagger e Richards resgatam a viagem de férias que fizeram em 1968. A conversa deles desemboca num delicado registro musical de voz e violão: Honk Tonk Women do jeito que foi composta, há quase meio século, numa fazenda em São Paulo.

O vínculo de Ronnie Wood com as artes plásticas (além de guitarrista, ele pinta) é pretexto para o elogio aos artistas que fazem arte nas ruas de São Paulo, em paredes e muros. É o contrário do que vimos nas manifestações de truculência do prefeito João Dória.

O filme passa pelo Uruguai, Peru, Colômbia, México e termina em Cuba com sons e imagens que enriqueceriam Havana Moon.

Olé, Olé, Olé! não é somente um filme sobre uma turnê dos Rolling Stones.

O documentário fala do amor pela música, da alegria que esta proporciona, da arte como elemento que une os povos, da relação entre fãs e artistas. Esses temas estão espalhados pela narrativa, às vezes explicitamente, outras vezes não. Eles foram reunidos pela sensibilidade do realizador e de sua equipe. Em olhares, depoimentos, encontros, gritos, lágrimas, trocas entre os velhos roqueiros e representantes das culturas de cada lugar.

Com essa abordagem, Olé, Olé, Olé! está muito distante dos filmes que são meros registros de shows. Humaniza os astros, tira do anonimato pessoas comuns. Procura personagens e situações que se encaixam perfeitamente no ótimo cinema documental feito aqui por Paul Dugdale.

Ronnie Wood tem câncer no pulmão

Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, tem câncer no pulmão.

A doença, em estágio inicial, foi diagnosticada há alguns meses, e o músico se submeteu a uma cirurgia para retirada da lesão.

Ronnie Wood, de 70 anos, fumou durante 50. Também é dependente de álcool e já passou por vários tratamentos de reabilitação.

Os Rolling Stones estão se preparando para uma série de shows na Europa.

A turnê se chamará No Filter.