“Pulp Fiction” e “De Volta Para o Futuro” têm a música de Chuck Berry

Chuck Berry está fazendo 90 anos nesta terça-feira (18).

Um dos pais do rock, ele tem a sua música em momentos marcantes de filmes que quero lembrar aqui.

Em De Volta Para o Futuro, o garoto que viajou no tempo “inventa” o rock ao tocar Johnny B. Goode.

Em Pulp Fiction, na cena do concurso de dança, John Travolta e Uma Thurman dançam You Never Can Tell.

Em American Graffiti, Johnny B. Goode faz crescer uma sequência que talvez não tivesse nada de especial sem a música.

 

Paulinho da Viola, a nobreza carioca, guardião do samba e do choro

“Olá, como vai?” é a pergunta.

“Eu vou indo, e você? Tudo bem?” é a resposta.

E começa o diálogo breve de frases curtas. Duas pessoas conversando, paradas num sinal vermelho.

Na verdade, uma letra de música. Sim, uma obra-prima da canção popular brasileira.

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É “Sinal Fechado”, que o carioca Paulinho da Viola compôs em 1969, quando estava iniciando a sua carreira fonográfica. Um sambista ligado à tradição do gênero surpreendia a todos ao escrever algo como “Sinal Fechado”.

Originalíssima, ousada, moderna. Digna da turbulência e da criatividade da época em que foi composta. Metáfora da noite em que vivíamos. Comentário sobre a incomunicabilidade humana. A música de Paulinho venceu um festival, provocou polêmica e confirmou que, ao seu modo, ele também estava antenado com as novidades da música popular de então.

Garoto ligado no rock e nos tropicalistas, tive uma certa resistência quando ouvi Paulinho da Viola pela primeira vez, entre o final da década de 1960 e o começo da de 1970. Os sambas que eu consumia eram os da Bossa Nova, os de Chico Buarque e os de Jorge Ben. Paulinho soou duro demais. Faltava entender muitas outras coisas da complexidade da nossa música popular para incorporá-lo aos meus discos.

“Sinal Fechado” ajudou. Como o viva de Caetano a ele, na letra de “A Voz do Morto”. Talvez pela percepção de que aquele cara que fazia sambas tradicionais também era moderno. Também se deixara influenciar, ainda que remotamente, por seus contemporâneos. Sei hoje que não era preciso tanta complicação para ouvi-lo. Bastava render-se ao seu talento e à sua elegância. O que, felizmente, fiz a tempo.

Na discografia de Paulinho da Viola, prefiro a fase da velha Odeon. Os 11 discos gravados durante cerca de 10 anos, a partir do final da década de 1960. A essência do seu trabalho está naquela fase, bem como suas melhores músicas.

“Nervos de Aço” se destaca na comparação com os outros. Também os dois volumes intitulados “Memórias”. Um é “Cantando”. O outro, “Chorando”. Paulinho nos leva a ouvir velhos sambas que conheceu quando era garoto e choros que seu pai – violonista do conjunto de Jacob do Bandolim, o Época de Ouro – executava com os amigos.

Este é, com certeza, um dos papéis desempenhados por ele em sua trajetória: chamar nossa atenção para a tradição do samba carioca e para o choro, grande expressão da música instrumental produzida pelos brasileiros.

Vi Paulinho da Viola ao vivo muitas vezes. Quando a turnê do projeto “Memórias” passou por João Pessoa, em meados dos anos 1970, ele contou à plateia que lotava o Teatro Santa Roza a história da chegada de Canhoto da Paraíba ao Rio, no final da década de 1950. Nunca esqueci o seu depoimento sobre o impacto que Canhoto provocou entre os chorões cariocas.

Naquela noite, como em muitas outras, quem estava na sua banda era o flautista Nicolino Cópia, o Copinha, figura lendária do mundo do choro, o músico que fez o solo da introdução de “Chega de Saudade” na gravação de João Gilberto.

Era o show em que ouvíamos sua versão de “Pra que Mentir”, de Noel e Vadico. E um novo arranjo para “Coisas do Mundo, Minha Nega”, um dos seus grandes sambas.

Sábado (22) que vem, Paulinho da Viola traz ao teatro A Pedra do Reino o show comemorativo dos seus 50 anos de carreira.

Paul Simon, 75: ainda louco após todos esses anos!

Paul Simon faz 75 anos nesta quinta-feira (13). Se quisermos brincar com o título de sua canção, ainda louco após todos esses anos! Mas, nem tanto! Brinquemos com outra: apenas terno!

Falando sério! Paul Simon é um dos grandes nomes da canção popular dos Estados Unidos na segunda metade do século XX. Chega aos 75 sem que possa ser visto de outro modo.

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O começo foi na adolescência, na escola. Tom e Jerry, dois garotos cantores, judeus de New Jersey. Mais tarde, Simon e Garfunkel. A matriz deles: os Everly Brothers.

Paul Simon e Art Garfunkel cantavam. Mas o autor das melodias e das letras era Simon.

O sucesso não veio no início. Só ocorreu quando o registro original de The Sound of Silence, com duas vozes e um violão, ganhou instrumentos acrescentados pela gravadora: guitarra, baixo e bateria que transformaram a canção num hit poderoso. E num clássico instantâneo do songbook americano.

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Simon e Garfunkel frequentaram as paradas com muitos hits na segunda metade dos anos 1960. Folk, rock, pop. E, de vez em quando, um pé fora da América: seja em El Condor Pasa, seja na Bossa Nova que há em So Long Frank lloyd Wright.

No final, antes da ruptura da dupla, um clássico absoluto: Bridge Over Troubled Water.

O autor maduro viria na carreira solo. Poucos, mas grandes discos, sobretudo na primeira década e meia. Intérprete delicado de belas melodias e letras inspiradas. A tradição americana a se fundir com a música do mundo. Da cuíca de Airto Moreira à sanfona do nosso Sivuca ou os sons do grupo peruano Urubamba.

Há 30 anos, em 1986, Simon deu seu passo mais arriscado. Desobedeceu ao bloqueio ao regime racista de minoria branca da África do Sul e lá gravou Graceland. Um projeto artisticamente vitorioso, a despeito das críticas dirigidas ao músico.

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Graceland leva às últimas consequências a fusão da música americana de Paul Simon com a chamada world music. A força rítmica ocupou espaços que antes eram só das doces melodias. Muitos dos seus ouvintes tiveram que se reciclar. Mas esses são os caminhos legítimos de um artista da sua dimensão.

Salve Paul Simon!

Nelson Motta vai receber prêmio especial no Grammy Latino. Justíssima homenagem!

Nelson Motta vai receber um prêmio especial na cerimônia do Grammy Latino que será realizada em novembro nos Estados Unidos. A homenagem, anunciada nesta quinta-feira (08), é por sua contribuição à indústria do disco.

Nelson Motta, de 71 anos, é jornalista, escritor, produtor musical e compositor. Veio da Bossa Nova, passou pela MPB, pelo rock. Teve presença marcante em tudo o que fez, revelou grandes talentos, ajudou a consolidar outros, fez crítica de música, escreveu livros.

Amigo dos artistas, querido e respeitado, é uma figura importante da cena cultural brasileira. Justíssima a homenagem que vai receber do Grammy latino.

Na foto que escolhi para postar, histórica, temos o jovem Nelson Motta ao centro, junto de duas ou três gerações da música popular do Brasil. Braguinha, Vinícius, Tom, Chico, Caetano.

Nelson Motta e a turma toda

 

 

Montreux: ao lado de Santana, músico paraibano garante: “um dos meus heróis!”

Santana e Washington

Nesta quinta-feira (14), o guitarrista paraibano Washington Espínola, radicado na Suiça desde os anos 1990, realizou um dos seus sonhos: conversar com o mexicano Carlos Santana, um dos maiores guitarristas do mundo. O encontro foi no Montreux Jazz Festival.

Washington, claro, não resistiu. Postou a foto no Facebook e escreveu: “one of my heroes”.

Santana não é um herói somente para Washington. É para milhões de pessoas espalhadas pelo mundo. Um músico de grande talento que misturou os ritmos latinos com o rock, migrou para o jazz rock, flertou com a música brasileira e está em cena há quase meio século com sua guitarra de inconfundível assinatura.

Santana acaba de lançar um disco com músicos dos quais havia se separado em 1971. É um pedaço da sua banda da Era Woodstock. A última vez que o quinteto tocou junto foi em 1971, no disco “Santana III”, e, por isso, o novo disco se chama “Santana IV”.

Santana (guitarra), Gregg Rolie (teclados), Neal Schon (guitarra), Mike Carabello (percussão) e Michael Shrieve (bateria) lançaram “Santana IV” em abril. O disco talvez não produza clássicos como os que estão naquela trilogia da virada dos 60 para os 70. Mas, certamente, é um deleite para os fãs. Como nosso Washington Espínola.

Morre guitarrista que ajudou Elvis a inventar o rock

Morreu o guitarrista que ajudou Elvis Presley a inventar o rock. Scotty Moore tinha 84 anos. Ele morreu nesta terça-feira (28) na sua casa em Nashville, nos Estados Unidos.

Scotty Moore estava com Elvis e o baixista Bill Black no estúdio da Sun Records em Memphis, na gravação de “That’s All Right Mama”. Para muita gente, aquele registro, de julho de 1954, é o marco zero do rock.

Foi naquela gravação que Elvis Presley fundiu o R & B dos negros com o country & western dos brancos e deu início a uma revolução.

Admirado pelos Beatles e pelos Rolling Stones, Scotty Moore trabalhou com Elvis de 1954 a 1968. Na despedida, num especial da NBC, foi parceiro de Elvis numa outra invenção: o unplugged, formato de show que a MTV difundiria com tanto sucesso na década de 1990.