Something é a grande canção de George Harrison

Nesta quarta-feira (29), faz 16 anos que morreu o beatle George Harrison.

Qual a grande canção de Harrison?

Para mim, Something.

É a segunda faixa do lado A de Abbey Road, de 1969, último disco gravado pelos Beatles. E única música de Harrison a ocupar, também em 1969, o lado A de um single do grupo (no lado B, ficou Come Together).

Foi composta ao piano, em 1968, durante as gravações do Álbum Branco, provavelmente sob inspiração de Ray Charles.

O primeiro verso da letra (“something in the way she moves”) vem de uma canção de James Taylor, gravada pouco antes no selo Apple, que pertencia aos Beatles.

Muita gente regravou Something: o próprio Ray Charles, Elvis Presley, Frank Sinatra. É a música mais regravada dos Beatles, à exceção – claro! – de Yesterday.

The Voice, numa performance ao vivo, uma vez atribuiu a autoria à dupla Lennon/McCartney.

Joe Cocker, espécie de cover branco de Ray Charles, fez uma belíssima e impactante releitura da canção no segundo disco de sua carreira.

Harrison interpretou Something ao vivo no concerto para Bangladesh, em 1971. Duas décadas depois, fez novo registro ao vivo, no álbum gravado no Japão. Nas duas gravações, quem está ao seu lado é o guitarrista Eric Clapton.

Num álbum dedicado ao cancioneiro dos Beatles, Sarah Vaughan transformou a balada em bossa nova e ainda convidou Marcos Valle para cantar um trecho em Português.

Paul McCartney a incorporou ao set list dos seus shows como tributo ao amigo.

A gravação dos Beatles beira a perfeição.

O vocal de George, as vozes de John e Paul, o solo de guitarra, as notas graves do piano, o caminho percorrido pelo baixo, as cordas arranjadas e conduzidas por George Martin.

Na minha opinião, nenhuma versão de Something supera a dos Beatles.

Mas vou terminar com a estupenda performance de Joe Cocker no filme Mad Dogs and Englishmen.

Hendrix, o maior de todos os guitarristas, faria 75 anos hoje

Se estivesse vivo, Jimi Hendrix, o maior de todos os guitarristas, faria 75 anos nesta segunda-feira (27).

Morreu aos 27, no dia 18 setembro de 1970.

Os garotos que hoje estudam o instrumento e têm às mãos todos os recursos tecnológicos farão coisas inacreditáveis com uma Fender semelhante à de Hendrix, mas não escreverão a gramática, nem a história, como Jimi fez numa carreira tão intensa quanto meteórica. Dizer que a guitarra é extensão do seu corpo é um lugar comum. Tanto quanto classificá-lo como o maior de todos os guitarristas. Mas é verdade. Com o instrumento colado ao corpo, ou dando voltas ao redor deste, às vezes tocando com a boca, Hendrix ultrapassa os limites das convenções musicais. Produz ruídos que se misturam ao que não é ruído. Notas certas no lugar certo fundidas a notas que poderiam ser consideradas incorretas. Acordes que não estão nos manuais, dedos pressionando cordas e trastes como ninguém ousaria fazer. Invenção pura. Resultado excepcional. Como as cores que um gênio da pintura joga numa tela!

O melhor de Jimi Hendrix (a despeito dos muitos títulos póstumos) está nos quatro discos lançados com ele vivo. Os três primeiros, de estúdio. O último, ao vivo.

ARE YOU EXPERIENCED

AXIS: BOLD AS LOVE

ELETRIC LADYLAND

BAND OF GYPSYS

No Dia da Consciência Negra, nomes!

 

B.B. King, Bob Marley, Chuck Berry, James Brown, Jimi Hendrix, Michael Jackson, Muddy Waters, Ray Charles, Robert Johnson, Stevie Wonder.   

Alberta Hunter, Aretha Franklin, Bessie Smith, Billie Holiday, Dinah Washington, Ella Fitzgerald, Etta James, Mahalia Jackson, Nina Simone, Sarah Vaughan. 

Charles Mingus, Charlie Parker, Count Basie, Dizzy Gillespie, Duke Ellington, John Coltrane, Louis Armstrong, Miles Davis, Quincy Jones, Thelonious Monk.   

Baden Powell, Cartola, Clementina de Jesus, Djavan, Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso, Elza Soares, Gilberto Gil, Jackson do Pandeiro, Jamelão, Johnny Alf, Jorge Ben, Luiz Melodia, Milton Nascimento, Moacir Santos, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Pixinguinha, Tim Maia, Wilson Simonal.  

Lulu Santos fazendo Rita Lee é Lulu, não é Rita!

Há uns poucos anos, Lulu Santos dedicou um disco inteiro ao repertório da dupla Roberto e Erasmo Carlos.

Fez do seu jeito.

Tão ao seu modo que, ao participar do especial natalino de Roberto Carlos, ouviu do Rei um comentário sobre como as canções ficaram diferentes.

Agora é a vez de Rita Lee.

Baby Baby é o título do CD que Lulu acaba de lançar.

Está aí a capa.

A primeira audição não me agradou porque pensei em Rita Lee.

Comecei a gostar do disco quando pensei só em Lulu Santos.

Como disse no título do post, Lulu Santos fazendo Rita Lee é Lulu, não é Rita!

Baby Baby é competentíssimo disco pop feito por quem muitos chamam de Rei do Pop do Brasil.

A Rita Lee que Lulu Santos escolheu para gravar é menos a do rock e muito mais a do pop. É aquela que, depois dos Mutantes e já depois do Tutti Frutti, optou por compor um repertório pop que a tornaria uma grande vendedora de discos.

Essa opção, Rita fez a partir do seu casamento com o guitarrista Roberto de Carvalho. A dupla Rita e Roberto é responsável por inúmeras sucessos comerciais que o Brasil cantou sobretudo entre o final dos anos 1970 e o início dos 1980.

Baby Baby, assim, não é um disco de rock.

Rock, tocado como rock mesmo, é Mamãe Natureza.

Do tempo dos Mutantes, só tem Fuga Número II.

Ovelha Negra e Agora Só Falta Você, da fase Tutti Frutti, foram “desmontadas” por Lulu.

Disco Voador, que abre o disco, é um autêntico e delicioso lado B. Está originalmente em Babilônia, de 1978, época em que Roberto começou a puxar Rita para o pop.

Baila Comigo, Desculpe o Auê, Caso Sério, Alô! Alô! Marciano, Mania de Você e Nem Luxo Nem Lixo – nem precisa dizer – são super hits. Todos recriados com absoluta liberdade por Lulu.

Recriados e atualizados por um cara antenadíssimo com a contemporaneidade.

Não é rock. Não é Rita Lee pop. É o pop de Lulu Santos.

Pensando assim, esquecendo comparações com os originais, você pode se deleitar com Baby Baby.

Antes de falar mal do funk, é preciso ouvir algumas coisas

“Funk-se quem puder

É imperativo dançar

Sentir o ímpeto

Jogar as nádegas

Na degustação do ritmo”

(Gilberto Gil, Funk-se Quem Puder)

Num desses concursos para escolher fãs que seriam recebidos por Paul McCartney, um dos vencedores foi um rapaz que gravou uma versão totalmente funk de A Hard Day’s Night.

Olhem ele aí, o de camisa branca.

McCartney postou o vídeo nas redes sociais.

Chamou sua atenção?

A minha, não!

O beatle Paul tem muita coisa funkeada nos seus discos.

Exemplos? Coming Up Dress Me Up As a Robber. A primeira, de 1980. A segunda, de 1982. Ele sabe o que é funk.

Não só ele.

O maestro Leonardo Bernstein, grande músico erudito, fã do jazz e dos Beatles, também sabia.

Isto é funkeado!

É o que ele, ao piano, diz às cantoras líricas com quem aparece, num documentário, ensaiando, no seu apartamento no Dakota, em Nova York, para a gravação de West Side Story.

O vídeo é de meados dos anos 1980.

Miles Davis, um dos gênios consumados do jazz, era outro que sabia. Basta ouvir On The Corner, de 1972. 

Vejam a capa.

Foi nesse disco que Gilberto Gil se inspirou para compor Essa É Pra Tocar no Rádio, gravada com Dominguinhos e o baixo estupendo de Rubão Sabino no nordestiníssimo Refazenda.

Tem muito funk em Quincy Jones, Stevie Wonder e Michael Jackson!

Tem também nos Rolling Stones! Black and Blue.

Tem no nosso inigualável Jorge Ben!

No Herbie Hancock de Head Hunters, notável demarcador de territórios.

E no bossanovista João Donato!

A Bad Donato, sua pshycodelicfunkyexperience.

Ah! Tem funk em tanta gente!

Por que, então, depreciamos o povo do Rio de Janeiro que releu o funk e, ao seu modo, fez deste uma das suas legítimas expressões?

Eu não deprecio!

Começo a semana com essas pequenas anotações estimulado pelo gesto de Paul McCartney.

Para ele, por muitos motivos, a versão funk de A Hard Day’s Night feita por aquele rapaz é criativa, inteligente, tem conteúdo social, liberdade – vai muito além dos vídeos (mesmo os melhores) com covers dos Beatles fiéis aos originais.

Paul é um extraordinário músico popular do seu tempo e compreende bem todas essas coisas.

Por que nós, seus ouvintes, não podemos compreender?

Salve o funk!

As (minhas) 10 maiores bandas do rock são essas. E as suas?

Alguns leitores me sugerem temas.

Um garoto pediu a lista das 10 maiores bandas do rock.

Eu respondi que não seriam do tempo dele.

Ele disse que não tinha problema.

OK. Essas escolhas são pessoais e subjetivas.

E essas listas mudam.

No meio, resgatei um texto sobre bandas. Tem grupos que não estão aqui. E não tem alguns que estão.

Para hoje, a minha lista é essa.

(A primeira e a segunda – essas sim! – são imutáveis)

THE BEATLES

THE ROLLING STONES

LED ZEPPELIN

PINK FLOYD

THE WHO

Grupos? Bandas? No passado, o público brasileiro chamava de conjuntos. Eram pequenas formações (três, quatro ou cinco elementos) comandadas por guitarras elétricas. Mais contrabaixo e bateria. No máximo, um teclado. Ou um saxofone.

Bill Haley and His Comets, Buddy Holly and The Crickets, Gene Vincent and His Blue Caps. Nos anos 1950, no advento do rock’n’ roll, os nomes indicavam que os músicos eram meros acompanhantes das estrelas.

Na década seguinte, vieram os grandes grupos, nos quais importava mais o conjunto do que os seus integrantes, embora, mais tarde, estes também tenham se projetado individualmente. Dentro ou fora das bandas a que pertenciam.

A fluidez melódica: Beatles. A presença do blues: Rolling Stones. O psicodelismo que desaguou no progressivo: Pink Floyd. O rock pesado: Led Zeppelin. A criação da ópera-rock: The Who. O conceito de power trio: Cream.

Seis grupos essenciais, seis fundamentos para quem quer se debruçar sobre a história e o papel desempenhado pelas bandas de rock. Está tudo nelas, dos rudimentos às maiores ousadias. E são todas inglesas.

Na América, os Byrds fundiram Beatles e Bob Dylan. O folk deste com as guitarras daqueles. Os Doors tinham no comando um cara que queria ser poeta: Jim Morrison. Sua personalidade, de tão forte, se sobrepôs ao sentido de grupo.

A década de 1960 resume tudo. Mas seguimos com Queen, Clash, Police, U2, Nirvana. Bandas que foram mudando o rock. A música, a atitude, o show, o negócio. Elas resistiram ao tempo, chegaram ao século XXI.

CREAM

THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE

YES

TRAFFIC

QUEEN

Se fosse dar um toque de contemporaneidade à lista, acrescentaria mais uma banda:

U2

Lennon não era bom músico como McCartney, mas criou os Beatles

Se estivesse vivo, John Lennon faria 77 anos nesta segunda-feira (09).

O tempo passou. Aos 77 anos, John Lennon seria um velho senhor, juntando os recortes da trajetória com os Beatles e com Yoko Ono, numa casa à beira do mar da Irlanda – como ele sonhou certa vez. Ou estaria no apartamento do Dakota, em Nova York, compondo e gravando canções. Nunca saberemos. John Lennon se foi no final daquela noite trágica de oito de dezembro de 1980. Tinha 40 anos e acabara de gravar um disco no qual alternava as suas novas composições com as de Yoko. Era a dupla fantasia do casal que, uma década antes, usara o leito nupcial para pedir cantando que o mundo desse uma chance à paz.

Alguém já disse que os Beatles foram a maior invenção de John Lennon. Mais do que as canções que compôs, mais do que a militância política que assumiu a partir do final da década de 1960, mais do que a mistura de rock e vanguarda que promoveu. O grupo foi o caminho encontrado para canalizar as dores da infância e da adolescência, traduzidas mais tarde em Mother, canção desesperada, de melodia repetitiva e letra concisa, sinos sombrios na abertura, arranjo instrumental mínimo e gritos primais. Os Beatles surgiram no final dos anos 1950, comandados por Lennon. Ao seu lado, Paul McCartney e George Harrison, como ele, garotos de Liverpool apaixonados pelo rock’n’ roll que os americanos produziram a partir do surgimento de Elvis Presley. Ringo Starr viria em 1962, quando o quarteto estava prestes a gravar o primeiro disco.

Na época, era difícil imaginar que os Beatles dos primeiros registros fonográficos se transformariam no maior grupo da história do rock e num fenômeno de influência gigantesca sobre a música popular produzida em seu tempo e também sobre o comportamento do público jovem que consumiu as suas canções. A despeito desta dificuldade, Lennon intuiu que o rock seria o que os Beatles fizessem dele. E foi. Como confirmam a permanência do seu repertório na memória afetiva de milhões de pessoas e a lembrança ainda muito nítida de tudo o que eles representaram.

John Lennon não foi o melhor músico entre os quatro Beatles. Este título é de Paul McCartney. Mas foi a personalidade mais importante do quarteto. Começou como um bad boy que cantava rocks primitivos. Mais tarde, influenciado por Bob Dylan, passou a escrever letras que falavam de suas dores. Aos 25 anos, compôs In My Life como se fosse um homem velho enxergando de longe os amores, os amigos e os lugares que marcam uma vida. Rock, política, religião, drogas, arte de vanguarda – há tudo isto no artista que amadureceu rapidamente, se compararmos o início da carreira dos Beatles com a fase final, e que encontrou em Yoko Ono a parceira certa para levá-lo a fazer o que poucos fizeram no mundo do rock.

Strawberry Fields Forever, que compôs sozinho, sem a ajuda de Paul McCartney, flagra os Beatles no ponto alto da sua criatividade. A melodia enigmática, a letra escrita a partir de uma lembrança da infância em Liverpool, o arranjo deslumbrante de George Martin – ali está Lennon em seu melhor com os Beatles. Mais tarde, John Lennon/Plastic Ono Band surge como um dos grandes discos do rock. A crueza das melodias, a concisão das letras, os arranjos mínimos, o grito primal transportado do divã de Arthur Janov para o estúdio, os temas cruciais que afligiam o artista e sua geração – após a dissolução dos Beatles, ninguém (nem o George de All Things Must Pass, nem o Paul de Band on the Run, muito menos Ringo) fez nada parecido.

E ainda havia God, em cuja letra negava tudo e todos. A religião, os mitos, os heróis, os ídolos. Elvis, Dylan, Beatles – ninguém é poupado. Na parte final da canção, John pronuncia a frase que se tornaria emblemática para uma geração: o sonho acabou. As ideias generosas que marcaram a década de 1960 não seriam postas em prática num mundo pragmático e desigual.

TOP 10 DE LENNON SOLO (SEM IMAGINE)

God

Mother

Working Class Hero

Gimme Some Truth

Woman Is the Nigger of the World

New York City

The Luck of the Irish

Mind Games

Aisumasen

Nobody Loves You

Janis Joplin (ainda) é a maior voz feminina do rock!

A primeira imagem que o mundo guardou dela talvez tenha sido a da sua performance no documentário Monterey Pop, de 1967.

A jovem texana branca cantando Ball and Chain, um blues demolidor.

Na plateia, Mama Cass, do quarteto The Mamas and The Papas, assiste (literalmente) com a boca aberta!

Era Janis Joplin, cantora de um grupo tosco (o Big Brother and The Holding Co.) que logo seria suplantado pela força da sua voz.

Nesta quarta-feira (04), faz 47 anos que Joplin morreu solitariamente no quarto de um hotel por causa de uma dose de heroína.

Tinha 27 anos e lutava contra o vício.

Tudo o que o mundo conservou dela aconteceu entre 1967 e 1970.

Janis Joplin é de uma linhagem de grandes cantoras à qual pertencem mulheres atormentadas que levaram suas dores para o que cantaram.

O que elas sentiam (ou o que faltava a elas) estava explícito na performance vocal. Sobrepunha-se ao idioma da canção.

Bastava ouvir, com alguma sensibilidade, para entender.

Isso é o que há de extraordinário nela. Como em Billie Holiday, Maysa, Edith Piaf, Nina Simone, Elis Regina, Amy Winehouse. Não importa o estilo que abraçaram, nem o lugar de onde vieram.

Janis gravou apenas três discos. Quando morreu, o quarto (Pearl) estava praticamente concluído. É o seu legado, ampliado por alguns álbuns póstumos e as imagens dos shows que já vimos em dois documentários dedicados à sua história.

Dizer que era uma branca que cantava como os negros é sempre uma definição imprecisa. Ninguém canta como os negros.

Mas era uma branca que ouviu muito bem a música dos negros americanos, adotando-a como fonte, como matriz, e que tinha um talento extraordinário.

Sua voz não pôde ser lapidada porque sua carreira foi meteórica.

No rock, no blues, no soul, no country, nos estúdios e nos palcos – Janis Joplin era um diamante em estado bruto.

E que diamante!

Todo mundo nu nas capas dos discos. E já faz tanto tempo!

Vivemos tempos obscuros. Estranhamente. Muito estranhamente. Exposições execradas por causa da nudez. A nudez dos homens e das mulheres. A nudez de sempre. De séculos e séculos. Agora questionada por uma (assustadora) onda de neoconservadorismo.

Ontem, numa conversa com um dos meus professores de jornalismo, desses com quem a gente aprende trabalhando nas redações, falamos da nudez em capas de discos. Claro que lembramos de Two Virgins, de John Lennon e Yoko Ono, e de Joia, de Caetano Veloso.

A conversa acabou provocando esse post – apenas uma sequência de nus em capas de discos.

Eletric Ladyland, Jimi Hendrix

Two Virgins, John Lennon e Yoko Ono

Sometime in New York City, John Lennon e Yoko Ono

Índia, Gal Costa

Joia, Caetano Veloso

Joia, Caetano Veloso

EC Was Here, Eric Clapton

Lovesexy, Prince

Nevermind, Nirvana

Amorica, The Black Crowes

Vinil Virtual, Daniela Mercury

Quero essa mulher assim mesmo! Baratinada! Alucinada!

É muito bom conversar sobre música. É o que a gente faz aqui nesse espaço.

Um jovem ouvinte de rock me propõe:

Escolha um rock brasileiro da pesada, demolidor, pouco conhecido! Somente um!

OK. O meu rock brasileiro da pesada, demolidor, pouco conhecido, é originalmente um samba.

Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo.

Vamos ouvir? Primeiro, como samba, na voz de Monsueto Menezes, o autor.

Agora, vamos ao rock.

Em Transa, último disco que gravou no exílio londrino, Caetano Veloso incluiu uma música de Monsueto, Mora na Filosofia.

De volta ao Brasil, depois do sucesso do LP ao vivo com Chico Buarque, com carta branca da gravadora para fazer o que quisesse, Caetano gravou Araçá Azul, um disco absolutamente (e radicalmente!) experimental. Foi campeão de devolução pelas lojas.

Numa das faixas, levou Monsueto mais uma vez para seu repertório, transformando num rock alucinado o samba Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo.

Um power trio (Lanny Gordin, guitarra, Moacyr Albuquerque, contrabaixo, e Tuti Moreno, bateria) o acompanha.

Vamos curtir?