No Dia do Amigo, músicas sobre amigos e amizades

Hoje é o Dia do Amigo. Num tempo em que os amigos são cada vez menos presenciais e mais virtuais. E deixam de ser amigos movidos por cores partidárias, diferenças ideológicas, intolerância religiosa.

Mas o que desejo, aqui, é apenas lembrar de músicas que falam de amigos e amizades. São muitas. O cancioneiro do mundo está cheio delas.

Dos Beatles (“In My Life”) aos Rolling Stones (“Waiting on a Friend”), de James Taylor (“You’ve Got a Friend”) a Simon & Garfunkel (“Bridge Over Troubled Water”). De Milton Nascimento (“Canção da América”) ao MPB4 (“Amigo É Pra Essas Coisas”), de Roberto Carlos (“Amigo”) a Gilberto Gil (“Meu Amigo, Meu Herói”).

Os versos estão na nossa memória afetiva.

“Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”, do Milton cantado por Elis Regina.

“Meu amigo, meu herói, como dói saber que a ti também corrói a dor da solidão”, do Gil cantado por Zizi Possi.

E as imagens: como uma ponte sobre águas turvas que protege o amigo, na letra da canção de Paul Simon que ele gravou com Art Garfunkel.

Ou, simplesmente, a garantia: “você tem um amigo”. Com a doçura da autora (Carole King) ou a delicadeza do intérprete (James Taylor).

 

Caetano, Gil e Elba entre os vencedores do Prêmio da MPB

Cae e Gil

Caetano Veloso e Gilberto Gil ganharam o prêmio de Melhor Álbum de MPB na 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Eles venceram com o álbum duplo ao vivo “Dois Amigos, um Século de Música”. Elba Ramalho, com o CD “Cordas, Gonzagas e Afins”, levou os prêmios de Melhor Álbum e Melhor Cantora na categoria regional. O evento, que este ano homenageou Gonzaguinha, foi realizado nesta quarta-feira (22) no Rio de Janeiro. 

O CD duplo de Caetano e Gil (também lançado em DVD) foi gravado em São Paulo em um dos muitos shows da turnê que os dois artistas realizam há um ano. O show – um duo acústico de voz e violão – percorreu diversos países da Europa e América do Sul. Também passou pelos Estados Unidos e Israel. No Brasil, foi apresentado nas principais capitais. O CD de Elba (também editado em DVD) traz a cantora interpretando um repertório que mistura Luiz Gonzaga com outros autores. 

Outros premiados ontem à noite no Prêmio da Música Brasileira: Roberto Carlos, melhor cantor na categoria popular; Cauby Peixoto, melhor álbum em língua estrangeira (“Cauby Sings Nat King Cole”); Adriana Calcanhoto, melhor DVD (“Loucura”); Xangai, melhor cantor, categoria regional; Caetano Veloso, melhor cantor categoria MPB.

Erasmo é grande nome do rock, mas sempre flertou com a MPB

Erasmo 75

Chamado de Tremendão desde a época da Jovem Guarda, Erasmo Carlos faz 75 anos neste domingo (05). A parceria com Roberto Carlos e o vínculo profundo com o rock são o que há de mais significativo na trajetória desse gigante gentil.

A parceria com Roberto Carlos produziu dezenas e dezenas de canções. É uma das mais importantes da música popular do Brasil, a despeito de todas as críticas que são dirigidas aos dois artistas. Mas é um mistério: ninguém sabe quem fez o que, qual o papel de cada um no cancioneiro dos Carlos.

Desde a juventude, Erasmo sempre se identificou mais com o rock do que Roberto. Identificação que o levou a se consolidar como um dos grandes nomes da versão brasileira do gênero que transformou a música popular e a indústria do disco a partir de meados dos anos 1950.

Paradoxalmente, lutou a vida toda para ser reconhecido fora do rock. No fundo, o que Erasmo sempre quis foi fazer parte da turma da MPB. As pistas estão nos primeiros discos que gravou após a Jovem Guarda. Lá estão o autor de um samba como “Coqueiro Verde” e o intérprete do Caetano Veloso de “Saudosismo”.

A longa estrada percorrida pelo garoto da turma da Tijuca mostra que o bom em Erasmo é juntar o que parece diferente: a parceria com Roberto Carlos, o amor pelo rock, o desejo de ser da MPB. Sua música é tudo isso.

Os melhores momentos de sua discografia são da década de 1970 (“Carlos, Erasmo”, “Sonhos e Memórias”, “Projeto Salva Terra”, “Banda dos Contentes”). Mas, recentemente, entre os 68 e os 73 anos, gravou uma surpreendente trilogia de inéditas. “Rock`n`Roll”, “Sexo” e “Gigante Gentil” são discos irresistíveis. Confirmam o talento e a vitalidade do velho Tremendão.