Roberto Carlos recebe Gil e Caetano para ensaiar

Não é todo dia que esses três se encontram.

Roberto Carlos recebeu Gilberto Gil e Caetano Veloso para um ensaio em seu estúdio no Rio de Janeiro.

Eles estarão juntos no especial de fim de ano do Rei.

A foto foi postada no perfil de Gil no Facebook.

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Trilha de “Aquarius” precisa ser lançada em CD

Anotei as músicas da trilha de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, para usar num programa da CBN João Pessoa. Não existe ainda em CD, nem sei se será lançado.

Aquarius foto do cartaz

Compartilho com vocês:

Hoje – Taiguara

Another One Bites the Dust – Queen

Toda Menina Baiana – Gilberto Gil

Dois Navegantes – Ave Sangria

Jeito Estúpido de Te Amar – Maria Bethânia

O Quintal do Vizinho – Roberto Carlos

Sentimental Eu Sou – Altemar Dutra

Recife Minha Cidade – Reginaldo Rossi

Sufoco – Alcione

Pai e Mãe – Gilberto Gil

Fat Bottomed Girls – Queen 

A música tem um papel importantíssimo no filme. Quem viu Aquarius, sabe!

 

Parceria de Roberto e Erasmo é um mistério a ser desvendado

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, João Bosco e Aldir Blanc. Há muitas parcerias famosas na música popular brasileira. Roberto e Erasmo Carlos é uma delas. Pouco se sabe, no entanto, da intimidade do trabalho dos dois. Até onde eles compuseram juntos? Um é mais melodista do que o outro? Um é mais letrista? Um faz tudo sozinho e coloca o nome do outro? Um é mais roqueiro em oposição ao que é mais romântico? Quem faz o quê? As perguntas são inúmeras quando os parceiros não revelam os métodos de trabalho, muito menos fornecem a real autoria de cada canção.

O livro de memórias Minha Fama de Mau não é revelador, embora Erasmo dedique um capítulo ao parceiro. Lá estão algumas histórias já conhecidas. Sentado à Beira do Caminho foi feita a quatro mãos. Exaustos, os parceiros não conseguiam terminá-la. Roberto adormeceu. Quando acordou, disse duas frases que completaram a canção: preciso acabar logo com isso/preciso lembrar que eu existo. Outro exemplo: Erasmo fez uma melodia, Roberto escreveu uma letra em segredo para homenagear o parceiro. O resultado é Amigo. Na primeira audição, apanhado de surpresa, Erasmo não conteve as lágrimas.

Podemos especular ouvindo a discografia de Roberto e a de Erasmo. O primeiro arrisca menos. O segundo transgride mais. O primeiro é um baladeiro. O segundo, um roqueiro incorrigível. Em Roberto, tudo sugere que o intérprete supera o autor. Em Erasmo, o que temos é um autor que interpreta suas canções. Roberto está sempre perto dos limites que estabeleceu para seu trabalho. Erasmo sai deles e flerta mais livremente com a turma da chamada MPB. Chega a ser um homem do rock’n’ roll que faz sambas, como no antológico Coqueiro Verde. Ou em Cachaça Mecânica, nitidamente inspirado em Chico Buarque.

Os dois se completam nas diferenças? Pode ser que sim. Com John Lennon e Paul McCartney, a parceria funcionava deste modo. Seja como for, o fato é que Roberto e Erasmo Carlos assinaram dezenas de canções que os brasileiros guardam cuidadosamente na memória e as associam às suas vidas. Nelas, enxergam seus amores, suas famílias, suas alegrias e tristezas. Passa por esta identificação a força incomum de Roberto Carlos. E não há quem possa negar que Erasmo Esteves, o garoto pobre do subúrbio carioca apaixonado por Elvis Presley, desempenhou um papel relevante na construção deste mito.

Trilha de “Aquarius” é ótima porque é desigual

A música é um dos destaques de Aquarius, o fascinante e perturbador filme de Kleber Mendonça Filho, em cartaz nos cinemas brasileiros desde a última quinta-feira (01).

A opção de Kleber foi por uma trilha preexistente. Como Tarantino e Scorsese gostam de fazer com absoluta maestria.

Muito tem se falado da canção “Hoje”, sucesso de Taiguara. Ela está na abertura e no encerramento do filme. É evocativa de uma época, mas não custa lembrar que Taiguara não era muito bem assimilado pela turma da MPB. O passaporte veio aos poucos, junto com o engajamento político do artista.

A trilha vai do popularesco ao erudito. Por isso é tão boa. Não há preconceitos na escolha. Ela é desigual. Reginaldo Rossi e Villa-Lobos. Roberto Carlos e Queen. Alcione e Gilberto Gil.

Tudo escolhido com muita propriedade.

Vejam o efeito dos vocais arrojados do Queen na cena em que a personagem de Sônia Braga põe “Fat Bottomed Girls” na vitrola, em contraponto aos ruídos que vêm da festa no apartamento do andar de cima.

Ou a delicadeza do choro canção “Pai e Mãe”, de Gilberto Gil, que o sobrinho e a namorada carioca oferecem à tia.

Ou, ainda, as falas sobre Maria Bethânia, provocadas por “Um Jeito Estúpido de te Amar”.

E a criança diante da música de Villa-Lobos? E o brega estilizado de Reginaldo Rossi na noite em que Clara sai para dançar com as amigas? E a voz de Alcione no aniversário em Brasília Teimosa?

Momentos antes, tem a fala sobre Boa Viagem e Pina, Copacabana e Leme. Ricos e pobres. Num pequeno comentário, um retrato do Brasil e suas divisões.

O momento musical que mais me emocionou em Aquarius não foi nenhum desses que mencionei. Foi na festa dos 70 anos da tia de Clara, logo no começo do filme.

No lugar do tradicional “Parabéns pra você”, a família canta um outro: “Saudamos o grande dia/em que hoje comemoras/seja a casa onde moras/a morada da alegria”.

Conhecem? É um “parabéns” com melodia de Heitor Villa-Lobos e letra de Manuel Bandeira!

Era a canção que, na infância, eu ouvia nas festas de aniversário da minha família!

 

Morreu Geneton Moraes Neto. Era sinônimo do melhor jornalismo!

Morreu nesta segunda-feira (22) aos 60 anos o jornalista Geneton Moraes Neto.

Caetano e Geneton

Estive com ele pela primeira vez no Recife, no dia cinco de agosto de 1982. Dois dias depois, Caetano Veloso faria 40 anos, e, num hotel em Boa Viagem, fomos apresentados enquanto esperávamos pelo artista para uma entrevista coletiva.

Guiados por Jomard Muniz de Britto, nosso mestre, tínhamos objetivos diferentes. Eu participaria da coletiva. Ele colheria um depoimento exclusivo de Caetano sobre Glauber Rocha.

Na minha memória afetiva, Geneton está muito associado a Caetano, Gil, Jomard, aos tropicalistas de um modo geral. Ao Recife e aos meus vínculos com essa cidade de tradições culturais tão fortes.

Mas está associado principalmente a um exercício jornalístico de grande qualidade que ele desenvolveu por onde passou, sobretudo na Rede Globo.

Jornalismo memorialista. Sua obsessão pelas pautas ligadas à memória sempre me pareceu muito atraente, bem como seu gosto pelas entrevistas.

A pesquisa histórica, os temas políticos, a investigação – tudo em Geneton era feito com as marcas de quem tinha admirável domínio de um ofício tão aviltado quanto o nosso.

De quem de fato dignificava o jornalismo!

Muitas lembranças dele: Geneton entrevistando Roberto Carlos, ou o maestro George Martin. Os livros, os longos textos em seu blog. A voz em off no Fantástico com o sotaque pernambucano que nunca perdeu.

Nosso último encontro foi há uns dois anos na sede da TV Cabo Branco, em João Pessoa. Falamos do seu Canções do Exílio e do filme que estava realizando sobre Glauber.

Que coincidência! Quis o destino que Geneton Moraes Neto nos deixasse no mesmo 22 de agosto e na mesma Clínica São Vicente onde, há 35 anos, morria Glauber Rocha!

Na foto, Geneton, adolescente, entrevista Caetano na primeira passagem pelo Recife após o exílio londrino.

 

A lua como inspiração, dos clássicos aos populares

A lua é cheia nesta quinta-feira (18). Uma leitora sugere uma lista de músicas que tenham a lua como inspiração. Essas escolhas são sempre incompletas e insatisfatórias. Mas faço uma, que amanhã já pode ser outra.

Começando pelos eruditos, há a Sonata ao Luar, de Beethoven, e Clair de Lune, de Debussy. A lua a inspirar um gênio absoluto, que passou pelo clássico e pelo romântico, e um impressionista.

No grande cancioneiro popular americano do século XX, é imediata a lembrança de Blue Moon e Fly Me To The Moon. A primeira, com Ella Fitzgerald. A segunda, com Frank Sinatra. Embora tenha recebido letra, é como tema instrumental que Moonlight Serenade foi imortalizada pela orquestra de Glenn Miller.

Nos Beatles, George Harrison fez Here Comes The Sun. Sozinho, compôs Here Comes The Moon. Paul McCartney fez C Moon. Os Rolling Stones, Moonlight Mile.

E na música popular do Brasil? A lista é extensa.

Desde o Catulo da Paixão Cearense de Luar do Sertão. Ou a Chiquinha Gonzaga de Lua Branca. Ou o Sílvio Caldas de Noite Cheia de Estrelas. “Lua, manda a tua luz prateada despertar a minha amada”.

O original é italiano, mas foi na voz de Celly Campello que Banho de Lua incorporou-se ao nosso cancioneiro, nos primórdios do rock nacional. E o “eu vou perguntar, se na lua há um broto legal pra me namorar”? É o jovem Roberto Carlos.

Caetano Veloso é logo lembrado por Lua de São Jorge. Mas ele também fez Lua, Lua, Lua, Lua. E Shy Moon. E Canto do Povo de um Lugar. “Quando a noite, a lua mansa, e a gente dança venerando a noite”.

E o Gilberto Gil de Lunik 9? A conquista espacial a ameaçar os poetas, os seresteiros, os sonhos dos namorados. “É chegada a hora de escrever e cantar, talvez as derradeiras noites de luar”. Muito mais tarde, Gil diria que “a gente precisa ver o luar”.

Tem o nosso Cassiano, soul man, com A Lua e Eu. Tem o Milton Nascimento de A Lua Girou. O Chico Buarque de Mar e Lua. “Uma andava tonta, grávida de lua, e outra andava nua, ávida de mar”, verso de beleza infinita.

A lista já passa de 20 títulos. Está bom. Pelo menos para a lua cheia de hoje!

 

 

 

Pais e filhos também dialogam na música popular

Na minha coluna “Sexta de Música”, na CBN João Pessoa, falei de músicas que tratam da relação entre pais e filhos. Abordo o tema aqui também.

Geralmente, são canções sentimentais, quando não piegas. Mas acabam sendo muito verdadeiras.

“Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim”. Quem não lembra? É Sérgio Bittencourt falando para o pai, o grande Jacob do Bandolim, em “Naquela Mesa”.

Ou: “Você foi meu herói, meu bandido, hoje é mais, muito mais que um amigo”. É Fábio Jr. na letra de  “Pai”.

Ou ainda: “Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse seu olhar cansado, profundo”. É Roberto Carlos, claro, em “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo”.

Tem o Rei no divã do analista: “Meu pai um dia me falou pra que eu nunca mentisse, mas ele também se esqueceu de me dizer a verdade”. É “Traumas”. Mais dolorida, menos lembrada.

Gosto muito de “Pai e Mãe”, de Gilberto Gil. Um belíssimo choro canção. “Eu passei muito tempo aprendendo a beijar outros homens, como beijo o meu pai”. Fala de afeto, não de homoafetividade, como ainda pensam muitos ouvintes. “Como é, minha mãe, como vão seus temores? Meu pai, como vai?”. É Gil!

Há também “14 Anos”, de Paulinho da Viola. O pai dele, músico, sugerindo ao filho que fosse doutor, não sambista. “Sambista não tem valor nessa terra de doutor, e, seu doutor, o meu pai tinha razão”.

E tem: “Dorme menino levado, dorme que a vida já vem, teu pai está muito cansado de tanta dor ele ele tem”. São versos de Vinícius de Moraes no acalanto “O Filho que Eu Quero Ter”, melodia de Toquinho. Aí já é uma outra modalidade: o pai falando para o filho.

Como Chico Buarque em “Acalanto”: “Dorme (mi)nha  pequena, não vale a pena despertar”. Ou Dorival Caymmi, em outro “Acalanto”: “É tão tarde, a manhã já vem, todos dormem, a noite também, só eu velo por você, meu bem”.

Temos exemplos menos densos, mais divertidos, do baião ao rock. O Luiz Gonzaga de “Respeita Januário”. Ou a Rita Lee de “Papai Me Empresta o Carro”.

E as canções internacionais. “Father and Son”, de Cat Stevens, que Nara Leão cantou em português. E a dolorida “Mother”, de John Lennon, que, apesar do título, também fala do pai (“Você me deixou, mas eu nunca deixei você”).

Há muito mais de pais e filhos no cancioneiro popular. Com suas dores e seus amores.

 

 

 

 

 

No Dia do Amigo, músicas sobre amigos e amizades

Hoje é o Dia do Amigo. Num tempo em que os amigos são cada vez menos presenciais e mais virtuais. E deixam de ser amigos movidos por cores partidárias, diferenças ideológicas, intolerância religiosa.

Mas o que desejo, aqui, é apenas lembrar de músicas que falam de amigos e amizades. São muitas. O cancioneiro do mundo está cheio delas.

Dos Beatles (“In My Life”) aos Rolling Stones (“Waiting on a Friend”), de James Taylor (“You’ve Got a Friend”) a Simon & Garfunkel (“Bridge Over Troubled Water”). De Milton Nascimento (“Canção da América”) ao MPB4 (“Amigo É Pra Essas Coisas”), de Roberto Carlos (“Amigo”) a Gilberto Gil (“Meu Amigo, Meu Herói”).

Os versos estão na nossa memória afetiva.

“Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”, do Milton cantado por Elis Regina.

“Meu amigo, meu herói, como dói saber que a ti também corrói a dor da solidão”, do Gil cantado por Zizi Possi.

E as imagens: como uma ponte sobre águas turvas que protege o amigo, na letra da canção de Paul Simon que ele gravou com Art Garfunkel.

Ou, simplesmente, a garantia: “você tem um amigo”. Com a doçura da autora (Carole King) ou a delicadeza do intérprete (James Taylor).