Roberto Carlos cai no rock (muito) pesado ao lado do filho Dudu

Roberto Carlos é o melhor intérprete de Roberto Carlos.

Muito gente diz que prefere ouvir as canções do Rei com outras vozes.

Não é o meu caso.

Mas é claro que não é pequena a lista dos que gravaram bem o seu repertório.

Maria Bethânia, Gal Costa, Nara Leão, Caetano Veloso, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Teresa Cristina, etc., etc.

Tem mais um agora para aumentar essa lista: RC na Veia.

Sabem do que se trata?

Não?

Então, vamos lá!

RC na Veia é a banda de Dudu Braga, filho de Roberto Carlos.

Dudu é baterista nesse grupo que toca o repertório do paizão em versões super rock’n’ roll.

O resultado é uma delícia e pode ser ouvido/visto no CD/DVD que acaba de ser lançado.

É um registro ao vivo.

Rock pesado, visceral, arrebatador, irresistível.

Ótimas versões de um repertório de clássicos do pop nacional, músicas que a gente ouve, canta e ama ao longo das décadas. As músicas desse grande artista que a gente chama de Rei.

O RC na Veia gravou com convidados. Tony Garrido (Cidade Negra), Digão (Raimundos), Rogério Flausino (Jota Quest). Até Andreas Kisser (Sepultura), que, com sua guitarra, incorpora um toque de metal ao show.

No final, claro, não poderia faltar Roberto Carlos. E lá está ele, totalmente à vontade, cantando Se Você Pensa e (ao lado dos convidados) É Preciso Saber Viver. Mostrando que também sabe tudo quando o assunto é rock.

Numa entrevista que fiz com Dudu Braga, ano passado na CBN João Pessoa, fiquei sabendo da existência da banda RC na Veia.

Agora, sou, afinal, apresentado a esse grupo que fala do Rei, dos caminhos do rock nacional e de Dudu, que é ótimo ouvinte de música e figura fundamental nessa recriação das canções de Roberto Carlos.

RC na veia?

Prescrevo!

Não há contraindicação!

Dudu Braga, filho de Roberto Carlos, escolhe as melhores músicas do Rei

Na quinta-feira (19), Roberto Carlos fez 77 anos.

Pedi a Dudu Braga, filho do Rei, as músicas que ele prefere no repertório do paizão.

Dudu mandou a lista.

Com elas, fiz a Sexta de Música, minha coluna semanal na CBN João Pessoa.

Adorei!

Segue o áudio.

No ano passado, eu e Bruno Filho entrevistamos Dudu Braga na CBN.

Republico o texto que fiz depois da entrevista:

Paizão!

É assim que ele chama o pai.

Ele é Dudu Braga.

O pai é Roberto Carlos.

Aos 58 anos, sou um homem desencantado com minha profissão. Poucas coisas nela ainda me alegram. Entrevistar (com o âncora Bruno Filho) Dudu Braga me proporcionou momentos de grande alegria.

Ele veio a João Pessoa fazer palestras.

Dudu conta a história do garoto que nasceu com um glaucoma congênito e enxergou normalmente até os 23 anos, quando, por causa de um descolamento de retina, perdeu a visão. É a sua história.

Dudu faz um ativismo sem a chatice do politicamente correto. Ele conversa abertamente sobre os temas relacionados à perda da visão. Usa a palavra cego. Tira os óculos escuros e mostra os olhos enquanto fala com você. Sabe que as pessoas vão usar o verbo ver com ele e não se importa nem um pouco.

Não quero dizer que Dudu Braga é um exemplo de superação porque não gosto da expressão. Acho tão lugar-comum!

Vou dizer de outro jeito:

Dudu Braga é um grande exemplo de cidadania!

Cidadania que se sobrepõe ao debate ideológico, aos limites dos partidos políticos.

Cidadania! Assim! Com exclamação!

O cara viaja, conversa com as pessoas, conta sua história, atua junto a entidades. Age com uma simplicidade que conquista de cara, em poucos minutos. O que há nele é o humano acima de tudo. A sensibilidade. A emoção. Também a consciência dos papéis sociais que cada um tem.

E ainda há a conversa sobre música. A música do pai e a relação do seu cancioneiro com regiões profundas do ser do Brasil. A música da sua banda (Dudu é baterista) RC na Veia. A música que ele ouve. Que nós ouvimos. Da contenção da Bossa Nova ao rock do Led Zeppelin, ao soul de James Brown.

Muita música! Muitas histórias!

Especial mesmo essa tarde com Dudu Braga.

Roberto Carlos, aniversariante do dia, em 20 canções imprescindíveis

Roberto Carlos é o aniversariante do dia.

O Rei faz 77 anos nesta quinta-feira (19).

Quais são as 20 canções imprescindíveis do vasto repertório dele?

As minhas?

As suas?

As que se sobrepõem ao gosto pessoal?

Segue uma lista de grandes hits.

O Calhambeque

Quero Que Vá Tudo Pro Inferno

Como É Grande o Meu Amor Por Você

Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo

As Curvas da Estrada de Santos

Sua Estupidez

Jesus Cristo

Detalhes

Como Vai Você

Proposta

Amigo

Cavalgada

Outra Vez

Café da Manhã

Força Estranha

Emoções

As Baleias

Nossa Senhora

O Caminhoneiro

Esse Cara Sou Eu

Você conhece as músicas, mas só agora vai conhecer o autor

Getulio Cortes.

Você conhece esse nome?

Muita gente não conhece.

Ele é compositor, nascido no Rio de Janeiro.

Fez 80 anos em março e só agora conseguiu lançar seu primeiro disco.

É nome importante da Jovem Guarda, do rock nacional.

As músicas de Getúlio?

Negro Gato, Quase Fui Lhe Procurar, Atitudes e tantas outras.

Todos nós ouvimos na voz de Roberto Carlos.

O CD, lançado pelo selo Discobertas, se chama As Histórias de Getulio Cortes.

As músicas ganham uma sonoridade atual, e a voz do compositor permanece surpreendentemente jovem para um homem de 80 anos.

Uma das histórias desse disco – além, claro, das canções – é a de Getúlio, mas não apenas a dele. É a história dos que, como ele e a despeito do talento que tinham, ficaram à margem.

Nesta sexta-feira (13), Getulio Cortes foi tema da minha coluna na CBN João Pessoa.

Ilustrando a coluna com as gravações de Roberto Carlos e deixando para revelar somente no final o nome do autor das canções, a Sexta de Música confirmou o quanto é importante o resgate do compositor de Negro Gato.

Segue o áudio da Sexta de Música.

RETRO2017/O Rei manda tudo pro inferno outra vez!

O especial de Roberto Carlos permanece como tradição natalina.

O disco com canções inéditas, não mais.

Em 2017, fui vê-lo ao vivo outra vez.

O Rei (em fotos de Carlos Lira) está na minha RETRO2017.

O show repete a muitíssimo bem-sucedida fórmula que o Rei adota há anos: o set list compila uma série de hits e acrescenta alguma canção nova. Dessa vez, duas (Chegaste e Sereia, hits instantâneos).

Não precisa de nada além disso. É sempre um grande show de um artista extraordinário.

Mas Roberto surpreendeu dessa vez com três números muito especiais.

Um desses números foi, para mim, o maior momento do show: Quero que Vá Tudo pro Inferno.

Esperei décadas para ouvi-la ao vivo com o Rei!

Roberto tem transtorno obsessivo compulsivo. Uma doença que o atormenta e que o fez banir canções do seu repertório. Uma delas era esta, sucesso avassalador da época da Jovem Guarda.

Voltar a cantá-la é uma vitória pessoal na luta contra o transtorno. E um presente para seus fãs.

O artista superou (ao menos parcialmente) o TOC, e o público comemora, ouvindo e cantando essa canção tão imensamente transgressora em sua época.

Outra grata surpresa do show: a inclusão de Sua Estupidez, canção de 1969 que não costuma frequentar o set list do Rei. Eduardo Lages ao piano, grande performance vocal do artista. Belíssima canção!

Mais uma surpresa: Se Você Pensa, do remoto ano de 1968, outra da fase soul do artista. Versão maravilhosa! Atual! Totalmente funkeada!

No mais, as mesmas emoções dos outros shows do Rei. Emoções & Detalhes & Além do Horizonte & Outra Vez & Desabafo & Como Vai Você & Olha & Lady Laura & O CalhambequeNossa Senhora & Como É Grande o Meu Amor Por você & Jesus Cristo!

Todas bem guardadas na memória afetiva do seu público.

Que voz! Que carisma! Que banda! Que show!

Que Noite!

Por tudo isso, nós o chamamos de Rei!

Memória: Tom, Roberto, Vandré, Caetano e Milton segundo Sivuca

Em novembro de 2006, fiz uma longa entrevista com Sivuca, pouco antes dele morrer.

(A foto é de André Cananéa)

Durante a conversa, gravada no apartamento em que ele morava em João Pessoa, quis ouvir sua opinião sobre Tom Jobim, Roberto Carlos, Geraldo Vandré, Caetano Veloso e Milton Nascimento. Esses jogos rápidos que a gente faz nas entrevistas.

É memória. Um grande músico falando sobre seus colegas de ofício.

Transcrevo:

A Bossa Nova e Antônio Carlos Jobim

Jobim suplantava qualquer rótulo de Bossa Nova. Jobim é um músico sutil. As frases musicais, os arranjos, as harmonias, o que ele fizesse era intocável. Jobim era um dos melhores harmonistas que nós tivemos. Estava entre os primeiros. Sou um admirador incondicional da obra orquestral de Jobim. 

 

A Jovem Guarda e Roberto Carlos

Aquilo foi mais um movimento. Do ponto de vista musical, tenho sérias restrições. Agora, teve o seu valor. Dizer que Roberto Carlos não tem valor é no mínimo uma burrice, porque ele é um excelente profissional. A música dele, eu gostar ou não gostar, é irrelevante, mas o admiro como excelente profissional que ele é. 

 

Os festivais e Geraldo Vandré

Vandré fez o trabalho dele muito bem. Acho que Vandré foi mais um que continuou a fazer música nordestina. Eu me lembro que um dia encontrei Humberto Teixeira e ele disse: “Sivuca, tem um menino aí chamado Geraldo Vandré que está fazendo coisas muito boas, até melhor do que nós”. Aquilo marcou.

 

O Tropicalismo e Caetano Veloso

Caetano é bom, Caetano é matreiro, é inteligente, é tudo. O Tropicalismo é rótulo que rendeu. Teve a sua fase. Inclusive, trouxe muita gente boa de volta, como Gonzagão e Jackson. De todos esses movimentos vem coisa boa, e Caetano, que é um compositor inteligente, nos legou muitas pérolas musicais maravilhosas. 

 

O Clube da Esquina e Milton Nascimento

Milton Nascimento é bom. Outro grande harmonista, gosto dele. Um homem que faz Travessia não pode fazer coisa ruim. O movimento mineiro só não foi mais adiante porque é um pouco sofisticado demais, mas Milton, eu considero um dos grandes compositores do Brasil.

Dudu Braga, Roberto Carlos, ativismo, cidadania

Paizão!

É assim que ele chama o pai.

Ele é Dudu Braga.

O pai é Roberto Carlos.

Nesta quinta-feira (25), recebemos Dudu para uma entrevista na CBN João Pessoa.

Aos 58 anos, sou um homem desencantado com minha profissão. Poucas coisas nela ainda me alegram. Entrevistar (com o âncora Bruno Filho) Dudu Braga me proporcionou momentos de grande alegria.

Ele veio a João Pessoa fazer palestras.

Dudu conta a história do garoto que nasceu com um glaucoma congênito e enxergou normalmente até os 23 anos, quando, por causa de um descolamento de retina, perdeu a visão. É a sua história.

Dudu faz um ativismo sem a chatice do politicamente correto. Ele conversa abertamente sobre os temas relacionados à perda da visão. Usa a palavra cego. Tira os óculos escuros e mostra os olhos enquanto fala com você. Sabe que as pessoas vão usar o verbo ver com ele e não se importa nem um pouco.

Não quero dizer que Dudu Braga é um exemplo de superação porque não gosto da expressão. Acho tão lugar-comum!

Vou dizer de outro jeito:

Dudu Braga é um grande exemplo de cidadania!

Cidadania que se sobrepõe ao debate ideológico, aos limites dos partidos políticos.

Cidadania! Assim! Com exclamação!

O cara viaja, conversa com as pessoas, conta sua história, atua junto a entidades. Age com uma simplicidade que conquista de cara, em poucos minutos. O que há nele é o humano acima de tudo. A sensibilidade. A emoção. Também a consciência dos papéis sociais que cada um tem.

E ainda há a conversa sobre música. A música do pai e a relação do seu cancioneiro com regiões profundas do ser do Brasil. A música da sua banda (Dudu é baterista) RC na Veia. A música que ele ouve. Que nós ouvimos. Da contenção da Bossa Nova ao rock do Led Zeppelin, ao soul de James Brown.

Muita música! Muitas histórias!

Especial mesmo essa tarde com Dudu Braga!

Roberto Carlos é muito bom na voz de Teresa Cristina!

Estou entre os que defendem a tese de que o melhor intérprete de Roberto Carlos é ele mesmo. Tendo a identificar um certo preconceito quando vejo alguém dizendo que só gosta das canções dele com outras vozes. Parece argumento de quem ouve apenas o que se convencionou chamar de MPB, território no qual, desde os anos 60 do século passado, o Rei não caberia. Bobagem. Com sua voz nasal e pouco extensa, Roberto Carlos é um grande cantor, um dos nossos mais expressivos. E o seu repertório ainda não encontrou intérprete mais adequado do que ele. O que não nos impede de reconhecer que também é bom ouvi-lo com cantores e cantoras que o gravaram.

Na segunda metade da década de 1970, no auge da atuação das patrulhas ideológicas, Nara Leão dedicou um disco inteiro às canções da dupla Roberto & Erasmo Carlos. E o fez como se estivesse gravando um LP de Bossa Nova. Foi muito criticada, mas, guiada certamente por sua elegância, não deu a mínima para o que disseram seus críticos. Na primeira metade da década de 1990, foi a vez de Maria Bethânia, que não surpreendeu ninguém quando lançou o CD “As Canções que Você Fez Pra Mim”. Afinal, foi ela que, antes do Tropicalismo, disse ao mano Caetano Veloso que prestasse atenção na vitalidade da Jovem Guarda, o programa de televisão de Roberto Carlos.

Os intérpretes do Rei me ocorrem agora que estou reouvindo o CD “Teresa Cristina + Os Outros = Roberto Carlos”. Meu primeiro contato com a cantora foi quando ela gravou, ao lado do grupo Semente, um songbook de Paulinho da Viola. Trabalho sensível que a projetou entre as cantoras brasileiras da sua geração. Projetou, mas a manteve presa ao universo do samba, o que não era necessariamente positivo para a sua carreira. Mais tarde, os discos de Teresa Cristina revelavam que ela sentia outras coisas que não eram o samba. Este, leva o desejo às últimas consequências ao trazer a sambista cantando Roberto Carlos acompanhada por uma banda de rock.

O CD remete a uma coincidência muito feliz. Em seus últimos últimos discos de carreira, Erasmo Carlos teve ao seu lado jovens músicos da cena indie do Rio de Janeiro. Como ocorre com Teresa Cristina, que se junta ao grupo Os Outros para esta releitura de Roberto Carlos. As razões dela para debruçar-se sobre este repertório devem ser as mesmas dos demais (e não são poucos) que já gravaram o Rei: todos, no fundo, o adoram. Como milhões de brasileiros que há décadas ouvem seus discos e veem seus shows. O resultado é bom até para quem prefere RC com RC.

O repertório de 14 faixas não é óbvio. Mescla lado A e lado B em quase 60 minutos de pura satisfação. Tem Roberto & Erasmo várias vezes, tem Roberto sozinho (“Quando”) e também músicas de outros autores que se incorporaram ao cancioneiro do artista (“Como 2 e 2”, “O Moço Velho”, “Não Serve Pra Mim”). Os arranjos são fortes e vibrantes e têm uma permanente “pegada” roqueira. O disco atualiza Roberto Carlos sem perder de vista a fidelidade aos originais. Nem o que existe de melancólico nas suas canções.